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Rh´eom´etrie locale des suspensions concentr´ees

Annexe 1.A Grandeurs caract´eristiques de la rotation de Quincke en g´eom´etries sph´e-

4.2 Rh´eom´etrie locale des suspensions concentr´ees

As imagens podem ser classificadas e definidas posteriormente em funções de múltiplos critérios. O nível de realidade é uma variável que se baseia na semelhança entre a imagem e seu referente. Sua função é a quantificação das escalas de iconicidade, que por sua vez são formulações teóricas de todos os níveis de realidade possíveis.

Villafañe e Minguez (2009) afirmam que a adoção de uma materialidade das imagens como critério taxonômico resulta em quatro classes ou tipos icônicos que podem ordenar-se desde as imagens mais imateriais e intangíveis às mais técnicas. Essas quatro classes são: as imagens mentais, as imagens naturais, as imagens criadas e as imagens registradas.

a) As imagens mentais se caracterizam principalmente pelo seu conteúdo psíquico, e imaterial. Suas propriedades sensoriais e figurativas as distinguem das demais classes, entretanto, são as únicas que necessitam de um suporte físico. Também supõem modelos de realidade e seus processos de conduta podem introduzir diversos graus de mediação.

Algumas manifestações icônicas mais conhecidas são: a) As imagens semiconscientes: próprias dos estados de consciência entre o sono e o despertar sonolento. São chamadas de

hipnagógicas, quando são produzidas durante o adormecimento e hipnapómicas, quando são produzidas durante o despertar. Villafañe e Minguez (2009) a definem como imagens do tipo alucinatórias que podem adotar diversas manifestações como a reprodução de estímulos sensoriais repetitivos que tenham sido presenciados na realidade horas antes do adormecer; b)

As imagens oníricas: são semelhantes às semiconscientes por sua natureza alucinatória,

acontece durante o sono propriamente dito. Essa manifestação pode ter uma grande sensação de realidade; c) As alucinações: essas manifestações são fundamentalmente as que surgem a partir da ingestão de substâncias psicotrópicas ou em sujeitos com transtornos psicopatológicos. Essa manifestação é descrita por Denis (1984) como imagens consecutivas e persistentes, que produzem alterações em torno do perceptivo e em seguida aparecem formas significativas novas, figuras humanas distorcidas e se o sujeito fecha os olhos qualquer evocação mental se transforma em uma imagem viva e se impõe totalmente; d) As imagens

eidéticas ou fotográficas: tem as mesmas características de uma percepção, de caráter

excepcional em seu nível de realidade e se constituem em um tipo mais complexo de memória sensorial. Esse fenômeno é mais frequente na infância em aproximadamente 5% da população escolar, conforme Haber e Haber (1988) se configuram como imagens claras e precisas de um objeto mostrado ou até mesmo de quadros inteiros que se mantém durante muito tempo após a retirada dos objetos apresentados; e) As imagens do pensamento: essas manifestações são mais cotidianas e sua formação se dá a partir de duas funções, uma referencial e outra de elaboração. A função referencial é restituição de uma experiência visual anterior e a função de elaboração é a reconstitui uma experiência nova a partir da combinação de conteúdos já existentes.

As imagens do pensamento se dividem em imagens reprodutivas, quando atendem a função referencial e se referem a fatos e situações já conhecidas; e em imagens

antecipatórias, quando atendem a função de elaboração e se referem a fatos e situações ainda

não vivenciados.

b) As imagens naturais se caracterizam pela falta de intencionalidade comunicativa e pelo fato de não serem manipuláveis. Seu suporte natural é a retina, elas também são as que têm um maior nível de realidade e elevado grau de iconicidade, uma vez que mantém uma identidade total com o seu referente. As imagens naturais, portanto, necessitam do referente para existir e a sua mediação específica é imposta pelo sistema visual.

c) As imagens criadas podem ser compreendidas como um grande número de manifestações icônicas que possui uma intencionalidade comunicativa e se constituem a partir de um sistema aditivo ou pela modelação e requer ferramentas específicas e um suporte. Outra

característica importante da classe das imagens criadas é que elas podem ocorrer na ausência do referente.

d) As imagens registradas são as mais completas pela própria complexidade dos objetos empregados para a sua produção, embora, algumas vezes, sua obtenção resulte da automação simples desses objetos. As propriedades das imagens registradas são que elas são constituídas através de um sistema de registro de transformação, que por sua vez proporciona uma representação com elevado grau de iconicidade; são as únicas que refletem uma cópia quase exata da imagem; são as mais mediadas, uma vez que são processadas por um sistema de duplicação.

Villafañe e Mínguez (2009, p. 57), defendem que a diferença quanto a materialidade das imagens, “[...] foram organizadas a partir de quatro tipos listados - mentais, naturais, criadas e registradas – igualmente a genética da imagem foi formalizada a partir de uma divisão elementar das imagens originais e cópias”. (tradução própria).

A definição da imagem depende do seu nível de realidade, da sua simplicidade estrutural, seu sentido, sua materialidade, a geração da imagem e a definição estrutural da imagem. Quanto ao nível de realidade é definido pela aproximação e grau de semelhança da imagem com o seu referente. No que diz respeito a sua simplicidade estrutural, Villafañe e Mínguez (2009, p. 43), afirmam que derivam da noção primitiva de estrutura icônica e se definem como,

[...] o resultado da articulação sintática dos elementos e estruturas da imagem que melhor traduzem os princípios que governam a organização perceptiva, extrai seu critério de validade e referem-se exclusivamente aos aspectos formais da imagem. (tradução própria).

Para estudar a simplicidade os componentes necessários são: a experiência visual e a análise dos componentes estruturais. Apesar de não ser totalmente descartada, a experiência visual não é válida para a formalização da simplicidade estrutural, e a análise dos componentes estruturais pedem alguns métodos. Os métodos quantitativos medem a simplicidade em seu sentido absoluto e os qualitativos, em sentido relativo. Villafañe e Mínguez (2009) afirmam que os métodos quantitativos tem uma grande vantagem em relação aos métodos qualitativos, uma vez que podem quantificar seus resultados e descrevê-los em valores numéricos. Já os métodos qualitativos apesar de resolver o inconveniente de serem ineficazes para avaliar outro tipo de imagens menos simples, seus resultados obtidos são menos objetivos. Os métodos quantitativos podem ser o de quantificação de características,

que se constitui pelos componentes de características estruturais genéricas e característica de forma.

Outro método quantitativo é o método ponderado, que segundo Villafañe e Mínguez (2009, p. 46) “permite avaliar a simplicidade estrutural de todo tipo de imagens” (tradução própria). Este método se baseia em três variáveis importantes de análise da simplicidade: a pregnância da forma, a composição plástica, a correspondência estrutural do conteúdo e da forma de comunicação.

a) A pregnância da forma: Pregnância vem do termo alemão ‘prägnanz’ e significa a capacidade de perceber e reconhecer formas, neste sentido, se refere à propriedade perceptiva. A sua influência na simplicidade da imagem combina ao mesmo tempo propriedades estruturais e formais. Para a pregnância da forma qualquer estímulo tende a ser visto de tal modo que a estrutura resultante é tão simples quanto o permitam as condições dadas. Dessa forma, é a força da estrutura de um estímulo (VILLAFAÑE; MÍNGUEZ, 2009). Os autores completam ainda que, “esta noção faz referência a um conjunto de qualidades estruturais, tais como, a regularidade, a continuidade, a boa figura, a inclusão, a unificação [...] que possibilitam o conceito de um estímulo visual” (VILLAFAÑE; MÍNGUEZ, 2009, p. 47).

Quanto mais pregnância possui uma imagem, a partir da tradução de uma alternativa da organização perceptiva sem ruídos visuais, mais simples será. Entretanto, como se pode mensurar essa simplicidade? A partir da própria simplicidade do estímulo que dá origem à percepção. A mensuração será possível mesclando as propriedades estruturais intrínsecas do estímulo e suas condições perceptivas, convertendo os pontos simétricos em experiência visual.

Outra questão é a ambiguidade visual, a percepção elimina essa ambiguidade a partir do nivelamento e axacerbação dos detalhes discordantes, conforme visualizado na Figura 14. A pregnância da forma como instrumento de medição da simplicidade estrutural das imagens é que os princípios de organização perceptiva de reprodução das condições naturais da percepção devem ser satisfatórios, obedecendo aos princípios da pregnância. A legibilidade é outro fator que influi na simplicidade dentro do ponto de vista perceptivo.

Figura 14 - Exemplo de nivelação e exacerbação (levelling and shaperning).

b) A composição plástica: alguns fatores, como por exemplo, uma estrutura interna bem definida, favorece a simplicidade da imagem. Essa consideração pode se dar inclusive geometricamente. Ela corresponde aos elementos que compõem a imagem em sua plasticidade. Villafañe e Mínguez (2009, p. 48) afirmam que devido a aprendizagem cultural que todos possuem, o direcionamento para a leitura da imagem se faz de cima para baixo e da esquerda para a direita, assim, a observação dessas instruções perceptivas resultará em uma maior simplicidade na recepção da imagem.

Outro fator igualmente importante é a unificação dos agentes plásticos, que significa a utilização do mesmo recurso visual que satisfaça duas ou mais funções plásticas. Ou seja, uma característica que a diferencie das demais, a torne única ou perceptivelmente identificável. É possível afirmar com base em Villafañe e Mínguez (2009) que um repertório limitado de elementos plásticos também favorece a simplicidade da imagem.

c) A correspondência estrutural entre o conteúdo e a forma da comunicação: essa é a terceira variável do método ponderado da simplificação da imagem e consiste exclusivamente na existência ou não de uma correspondência entre a estrutura do conteúdo da imagem e a estrutura temporal dessa imagem (VILLAFAÑE; MÍNGUEZ, 2009, 49). Apesar da polivalência dos meios de comunicação audivisuais, podem se comunicar em quase todos os meios. Villafañe e Mínguez (2009, p. 49) descrevem que,

Certos aspectos da narratividade que implica na combinação de vários espaços e tempos podem ser representados de forma estrutural através de uma imagem com uma temporalidade (estrutura temporal da imagem) sequencial mais simples que outra, com base na simultaneidade (a temporalidade das imagens isoladas). (tradução própria).

Por fim, é correto afirmar que a simplicidade de uma imagem pode ser avaliada em sentido absoluto, utilizando métodos quantitativos, os quais permitem expressar resultados numéricos em sentido relativo. Os métodos qualitativos, apesar de não permitir essa objetividade no trato com os dados, permitem analisar do ponto de vista da simplicidade da imagem, qualquer tipo de imagem. Ainda de acordo com Villafañe e Mínguez (2009), em sentido absoluto, a simplicidade de uma imagem será maior quanto menor for o número de características estruturais e em sentido relativo, dependerá exclusivamente da pregnância de sua forma visual, da sua composição plástica e da correspondência estrutural entre seu conteúdo e sua forma.

A definição estrutural da imagem é um tipo de organização sintática que cada imagem possui. Toda imagem tem três estruturas, uma espacial, uma temporal e outra relacional. A

estrutura espacial é a única que admite uma formulação teórica e se caracteriza como a

dinâmica objetiva da imagem e a natureza das dimensões físicas do suporte tanto em imagens fixas ou móveis. A estrutura temporal se dá a partir de duas alternativas, a simultaneidade e a sequência temporal de realidade dentro da imagem. A estrutura relacional não permite formulação teórica.