4. Voice Mail Call Flow Examples
4.3 Message Retrieval Scenarios
4.3.2 Call to retrieve messages from an authenticated subscriber 33
Negativo 453 69,30 1+ 111 17,00 2+ 44 6,70 3+ 46 7,00 TOTAL 654 100,00
Nº: número de amostras; %: Percentual.
A alta CCS no leite de fêmeas caprinas reagentes no CMT, sem isolamento bacteriano, alerta para que os métodos indiretos de diagnóstico de mastite subclínica bovina sejam aplicados com critérios diferenciados em caprinos para minimizar reações falso-positivas (RIBEIRO et al., 1999; SANTOS, 2004; LADEIRA, 2007).
Um dos fatores que contribui para o aumento do número de células somáticas no leite de cabras é a perda do epitélio alveolar, que ocorre fisiologicamente (SMITH E ROGUINSKY, 1977; DULIN et al., 1982; RIBEIRO et al., 1999), devido à glândula mamária da espécie caprina ser classificada como apócrina, sendo o produto de secreção (leite) eliminado juntamente com pequena parte da célula (POUTREL e LERONDELLE, 1982; ZENG e ESCOBAR, 1996).
Além disso, Dulin et al. (1983) relatam que há aumento da contagem celular em amostras de metades mamárias não infectadas, cuja metade adjacente encontra-se infectada.
Segundo Perrin et al. (1997) e Santos (2004), resultados positivos no CMT devem ser interpretados com bastante cautela, principalmente em cabras com baixa produção de leite ou no final da lactação. Para estes autores, reações negativas são mais eficazes para indicar as condições da glândula mamária caprina do que as reações positivas.
Um baixo escore do CMT tem sido sugerido como bom indicador de ausência de infecção intramamária em cabras, entretanto, um alto escore nem sempre indica infecção nesta espécie animal (LEWTER et al., 1984; PERRIN et al., 1997), uma vez que as células epiteliais reagem ao CMT juntamente com os leucócitos, causando uma interpretação diferente da usada para bovinos (HUNTER, 1984; GUIMARÃES et al., 1989; PERRIN et al., 1997).
A bactéria mais isolada foi Staphylococcus spp, com 84,44% dos isolados (Tabela 3). Ribeiro et al. (1999), em experimento realizado em São Paulo, observaram o
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gênero Staphylococcus em 96,1% das amostras de leite de cabras com isolamento bacteriano. Este resultado corrobora com os achados de Castro et al. (1992), Castro et al. (1999), Lima Júnior et al. (1995), Poutrel et al. (1997), Mota et al. (1999; 2002), Silva et al. (2004) e Contreras et al. (2007), os quais apontam o gênero Staphylococcus como o principal microrganismo identificado no leite de cabras com mastite. Contreras et al. (2003; 2007) afirmam que vários patógenos podem causar mastite em cabras e ovelhas, mas o Staphylococcus spp. é a bactéria mais frequentemente diagnosticada em infecções intramamárias, sendo responsável por um aumento considerável no número de células somáticas.
O bastonete Gram negativo foi isolado da única amostra reagente no teste da caneca telada e os testes bioquímicos utilizados indicavam ser Salmonella spp. Segundo Contreras e et al. (2007), apesar do gênero Staphylococcus ser o mais prevalente, outros patógenos como Streptococcus spp., Enterobacteriacea, Corynebacteria e Pseudomonas também podem provocar infecções intramamárias em pequenos
ruminantes, mas sua ocorrência é bem menos freqüente (CONTRERAS et al., 2007). De forma similar ao presente estudo, White e Hinckley (1999) identificaram
Streptococcus spp. em 4,1% de amostras de leite de cabras com isolamento.
Embora microrganismos do gênero Bacillus sejam considerados, em alguns estudos, como contaminantes (BARCELLOS et al., 1987), Ribeiro et al. (1999) identificaram Baccilus spp. em duas (2,6%) amostras de leite de cabras com isolamento bacteriano, corroborando com os resultados encontrados neste trabalho.
Tabela 3 - Percentual de bactérias isoladas do leite de cabras reagentes ao CMT, na Região do Cariri Paraibano. Janeiro a Outubro de 2007
Bactérias N° %
Staphylococcus spp. 38 84,44
Streptococcus spp. 2 4,44
Bacillus spp. 2 4,44
Micrococcus spp 2 4,44
Bastonete Gram negativo 1 2,22
Total 45 100,00
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CONCLUSÃO
A mastite caprina na região do Cariri Paraibano apresenta o mesmo padrão de outras regiões do Brasil e do mundo, apresentando Staphylococcus spp. como principal agente causal.
Devido ao tipo de secreção apócrina da glândula mamária caprina, a lactocultura é o método mais indicado para o diagnóstico da mastite subclínica em cabras leiteiras, apesar de também ser o mais oneroso. O CMT pode ser utilizado como teste de triagem da saúde da glândula mamária caprina, no entanto, deve ser associado ao exame microbiológico do leite para evitar resultados falso-positivos.
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