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Retour aux hypothèses :

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3) Retour aux hypothèses :

De acordo com Hirata (1994), a noção de competência é oriunda do discurso empresarial, sendo, ainda, uma noção bastante imprecisa; no entanto, decorreu da necessidade de avaliar e classificar novos conhecimentos e novas habilidades gestadas a partir das novas exigências de situações concretas de trabalho, associadas, portanto, aos novos modelos de produção e gerenciamento. Ou seja, no discurso empresarial, a tendência tem sido a de associar a noção de competência à capacidade de agir, de intervir e decidir em situações nem sempre previstas.

Nesse novo mundo do trabalho, observa-se que o perfil das relações e estruturas do emprego convencional vem sendo desenvolvido, à medida que as empresas buscam aprimorar seus processos produtivos e administrativos. Esse fator foi decisivo para uma formação acadêmica mais abrangente, conduzindo o profissional para a polivalência e para uma maior flexibilidade de atuação.

Vários fatores no sistema produtivo e político-educacional corroboram a busca de profissionais alinhados ao paradigma das competências. Esta tendência pode ser observada, por exemplo, no discurso de Chiavenato (2008, p.3) que, ao falar da ciência da Administração, destaca sua abrangência e sua complexidade, reforçando, assim, que o administrador precisa ser capaz de, em um olhar preliminar, fazer uma análise da realidade específica da organização estudada. Para o autor, não existe um “receituário prévio” nem atividades preestabelecidas a serem desenvolvidas.

A formação acadêmica deve privilegiar a capacidade de abstração e a percepção correta da realidade, para que o administrador possa, então, “[...] identificar o contexto, analisar os problemas existentes, mapear as oportunidades, verificar os pontos de apoio, forças positivas de sustentação e forças negativas de antagonismos e resistência” no ambiente de trabalho. (CHIAVENATO, 2008, p.3).

Estudos mostram que o paradigma da competência não é novo. Sua gênese precede a década de 1920, nos Estados Unidos, ganhando relevância nas discussões na década de 1960. A partir dessa época, alternativas foram buscadas pela academia no sentido de dar respostas às demandas das pessoas e do mundo do trabalho (NUNES; BARBOSA, 2009; MERTENS, 1996; TRUJILLO, 2000).

Todavia, o conceito de competência somente se fortaleceu no final da década de 1970, com a pretensão de gerir a vida social e produtiva. Conduzido pela OIT (apud POCHMANN, 2001), o conceito de competência vinculou-se ao saber, antes derivado da experiência do que mesmo de atividades intelectuais que articulem conhecimento científico e forma de fazer. No que concerne ao conceito de competências, os autores convergem para três palavras basilares: saber (fazer), experiência (habilidades) e saber-ser (qualidades pessoais). A competência estaria na “base da dinamização dos sistemas e das relações sociais.” (ARAUJO, 2001; PERRENOUD, 2000, p. 9).

Embora esse tipo de formação pareça estabelecer uma ruptura com o ensino disciplinar, para Perrenoud (2000, p.9), “[...] a abordagem por competências não

rejeita nem os conteúdos, nem as disciplinas, mas acentua sua implementação.”

Partindo de outra perspectiva, Kuenzer (2002, p.3) afirma que o conceito de

competência, quanto ao “saber fazer”, não está atrelado ao conhecimento científico

que está sendo demandado pelas novas formas de gestão do Toyotismo. A autora suscita que, enquanto o enfoque da produção eletrônica e microeletrônica requer uma capacitação intelectual cognitiva, nas múltiplas formas de raciocínio lógico sistematizado, a teoria das competências está embasada na experiência e equipara- -se ao conhecimento tácito. Ressalta ainda que, enquanto a elite econômica conta com um ambiente culturalmente propício para o desenvolvimento dessas competências, a classe trabalhadora tem como única alternativa desenvolvê-las no sistema educacional formal, isto é, dentro da escola.

As mudanças no mundo do trabalho levam o cidadão a fazer um paralelo com o mundo educacional. Ao falar do conceito de competência, a autora afirma haver uma intencionalidade de agregação de novos valores ao termo, para que tal conceito venha a coadunar-se ao trabalho e fortaleça a inclusão social. Deixa claro que “essa nova exigência para a inclusão é que torna relevante o estudo do novo conceito de competência a partir dos interesses dos que vivem do trabalho”, a despeito da terminologia competência ter renascido e se redimensionado na esfera das necessidades do capital e no regime de produção flexível (KUENZER, 2002, p.3).

Embasada em pesquisas de campo, a autora argumenta ainda que a concepção de competência para os operários equivale à práxis. Ou seja, a prática e a teoria se articulam. Destaca que toda prática é embasada em um conhecimento científico e afirma que compete à escola promover um ambiente de aprendizagem, para que o aluno possa “desenvolver as capacidades cognitivas, afetivas e psicomotoras relativas ao trabalho intelectual, sempre articulado, mas não reduzido

ao mundo do trabalho e das relações sociais.” (KUENZER, 2002, p.3).

Entre as características exigidas hoje para o profissional de administração, destaca-se a necessidade de este ser um profissional proativo, melhor dizendo, que possa se antecipar à solução dos problemas, além de desenvolver a capacidade de ler cenários. “O administrador precisa ter uma capacidade de interpretar e discernir

palavras, comportamentos, atitudes e emoções”, como destaca Chiavenato (2008, p.8). Tudo isso se atrela à teoria do ensino por meio de competências.

Percebe-se que muitas das características do administrador moderno podem ser adquiridas ao longo do tempo, e outras, estimuladas durante sua formação acadêmica. Ainda assim, existem outras marcas no perfil do administrador que vão além dos ensinamentos recebidos durante sua formação. Mais do que técnica, no

dizer de Chiavenato (2008, p.16), administrar é uma arte: “A arte de fazer com que

as pessoas aprendam cada vez mais a agregar valor e apresentar resultados.”

Fundamenta-se emBehrens (2003), para demonstrar que além do paradigma

das competências, aponta-se, ainda, o paradigma da complexidade, também como uma das novas proposições teóricas trabalhadas por autores contemporâneos, que pretendem fazer uma reflexão aprofundada sobre o processo de aprendizagem voltado para responder demandas mercadológicas, bem como para promover o ser humano em suas dimensões social, econômica, psicológica ou filosófica, como discorrer-se-á no próximo item.

3.3 A FORMAÇÃO ACADÊMICA E O PARADIGMA EMERGENTE: UMA

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