les réacteurs en exploitation et pour le réacteur EPR
4.4. Les études probabilistes de sûreté de niveau 2 : méthode et enseignements relatifs aux accidents méthode et enseignements relatifs aux accidents
4.4.2. Les applications des EPS de niveau 2
4.4.2.3. Le retour sur la R&D
O primeiro ano do Ponto Final tem como marco uma tentativa – descartada com o passar do tempo – de firmar o impresso não apenas em Mariana, mas também em âmbito
regional113, através de manchetes voltadas para Ouro Preto, Itabirito e região. Passos (2018) comenta que essa ideia veio da própria ânsia por novidades jornalísticas da população na época.
E aí nós expandimos o Jornal: criamos três cadernos. Eram três jornais em um. Então tinha um caderno de Mariana, outro de Ouro Preto, outro de Itabirito, e outro de Diogo [de Vasconcelos] e Barra Longa que são cidadezinhas pequenas. E era uma loucura, porque todo mundo queria ler, foi novidade para todo mundo, porque eram três jornais em um. Só que deu muito trabalho e muita despesa, porque na verdade nós tivemos problemas financeiros para bancar esse custo. E o Jornal começou a ficar no vermelho (PASSOS, 2018).
Dessa maneira, em termos de conteúdo, os primeiros 12 meses do Ponto Final podem ser enquadrados como o período em que as notícias sobre Mariana mais entraram em disputa com as pautas regionais, perdendo, assim, espaço no semanário. Outro ponto que merece ser relativizado é a pequena quantidade de páginas do impresso, que variava entre seis, oito ou, no máximo, doze por edição – como já comentado. Talvez por tudo isso que das 49 edições catalogadas no primeiro ano de circulação (a numeração real vai do nº 1 ao nº 54, mas o acervo não possui os jornais nº 22, nº 23, nº 35, nº 36 e nº 47), o
Jardim só foi encontrado em 14 (cerca de 28%114 das edições do período) – mais
precisamente em, em 16 notícias, artigos ou notas.
A primeira categoria, destinada à Praça enquanto marco geográfico ou ponto de passagem de eventos e atividades socioculturais, marca o maior número de aparições desse recorte: 13 notícias (cerca de 81% do total): (1) “Coca-cola/Kaiser promove Sábado de Aleluia em Mariana” (p. 5 da edição nº 9 – 12 de abril de 1996); (2) “Vale Ver Teatro apresenta teatro de rua” (p. 1 da edição nº 13 – 10 de maio de 1996); (3) “Universidade na Praça será exibido em Mariana” (p. 3 da edição nº 15 – 24 de maio de 1996); (4) “Sesi divulga programação de junho” (p. 3 da edição nº 16 – 31 de maio de 1996); (5) “Concertos de Qualidade Samitri apresenta Tadeu Franco” (p. 1 da edição nº 19 – 21 de junho de 1996); (6) “Mariana festeja São Roque” (p. 3 da edição nº 27 – 16 de agosto de 1996); (7) “Hospital Monsenhor Horta omite socorro a acidentado” (p. 6 da edição nº 27 – 16 de agosto de 1996); (8) “Foto-legenda 1 sobre o grupo Cirque en Bulle” (p. 1 da
113 Não se tratava da criação de sucursais, mas de uma tentativa de alcançar o mercado de outras cidades,
mesmo com o Jornal alocado estruturalmente em Mariana. É importante reiterar que o Ponto Final divulga notícias das cidades próximas à Mariana até os dias atuais. A diferença é que nos seus primeiros anos os municípios dividiam a importância em igualdade de condição. Hoje, aparecem em menos páginas ou em destaques esporádicos.
114 Contabilizando, assim, a menor taxa de incidência do Jardim diante dos três recortes, já que o Jornal
contemporâneo demarcou cerca de 46% de presença, e o impresso do aniversário de dez anos, cerca de 32%.
edição nº 28 – 23 de agosto de 1996); (9) “União XV de Novembro festeja seu 95º aniversário” (p. 3 da edição nº 39 – 7 de novembro de 1996); (10) “Foto-legenda 2 sobre a Banda União XV de Novembro” (p. 1 da edição nº 40 – 14 de novembro de 1996); (11) “GIS: União para o bem comum” (p. 3 da edição nº 43 – 5 de dezembro de 1996); (12) “Carnaval nº 1: samba, swing e muita animação” (p. 5 da edição nº 53 – 13 de fevereiro de 1997); e (13) “Domingo tem Retreta na Praça” (p. 1 da edição nº 54 – 20 de fevereiro de 1997).
Este levantamento aponta para certas permanências, mas também revela singularidades interessantes de serem debatidas sobre a Praça como ponto de encontro. Uma delas é que parte considerável dos eventos socioculturais nos primeiros 12 meses do
Ponto Final não foi realizada diretamente pelo executivo municipal – situação comum
nos outros dois recortes temporais. Os acontecimentos agendados no Jardim de 1996 são, prioritariamente, organizados por empresas privadas, como as mineradoras115 Samitri e Vale, e a indústria de bebidas Coca-cola/Kaiser; por uma instituição brasileira paraestatal, que é o Sesi; pela Universidade Federal de Ouro Preto; e até pela arquidiocese de Mariana. Ou seja, a participação ativa da prefeitura na organização de atividades na Praça se deu de forma mais tímida116 nesse período – e apenas em forma de apoio – como explica a: “Foto-legenda 1 sobre o grupo Cirque en Bulle”, que evidencia o “apoio da Prefeitura de Mariana através da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura” (JORNAL). Também chama atenção a notícia: “Hospital Monsenhor Horta omite socorro a acidentado”, que trata da omissão de médicos a uma vítima de um acidente ocorrido entre uma moto e um fusca em uma das ruas que contornam o Jardim. É importante deixar claro que em nenhum momento o fato é induzido às condições das ruas próximas à Praça. Assim, a informação se enquadra nessa categoria por tratar o espaço apenas como um ponto referencial de um acontecimento, nesse caso desastroso.
Já os atravessamentos dessa primeira categoria – em comparação aos outros dois recortes temporais – ficam por conta das apresentações da centenária Banda União XV de Novembro e do próprio carnaval de rua marianense. Com isso, o Ponto Final indica que em mais de 20 anos de cobertura, música e folia se tornaram marcas firmes da
115 Esse achado pode dar munição para a resposta à pergunta já feita nesta dissertação, de que não seriam as
grandes mineradoras, localizadas em território marianense, entidades que também buscam orquestrar a ordem local?
116 Aqui não cabe uma análise embasada nos benefícios – ou não – do envolvimento do executivo
municipal na produção de atividades para o espaço, uma vez que esses eventos podem ter potência tanto para fortalecer quanto enfraquecer a pluralidade da Praça.
experiência jornalística sobre o espaço – talvez um traço importante para se pensar as tradições do Jardim.
A segunda categoria do recorte, que contempla as notícias em que a Praça não chega a ser a temática principal do Ponto Final, mas entra como peça argumentativa de outros assuntos, abarca dois textos (cerca de 12% do total): (1) “Bafobelô agitou praça Gomes Freire” (p. 1 da edição nº 15 – 24 de maio de 1996); e (2) “Jovens agridem segurança” (p. 6 da edição nº 18 – 14 de junho de 1996). A primeira nota cita, brevemente, o carnaval no espaço ao afirmar que “a praça Gomes Freire, no último domingo, 19, ficou repleta de marianenses e visitantes que caíram na folia com o bloco ‘Bafobelô’, do Carnabelô 1996” (JORNAL). A segunda trata de um suposto caso de agressão desferido por dois jovens a um segurança que estava a serviço do Marianense Futebol Clube – com sede localizada em frente à Praça. O texto não deixa claro o exato local do ato (se foi dentro do clube, na portaria, ou mesmo na rua envolta ao Jardim), e nem explica, sob o ponto de vista da vítima, o acontecimento. Mas, diferentemente das notícias sobre violência e quebra de regras nos outros dois recortes, aqui é dada, surpreendentemente (mesmo que de forma rasa), a oportunidade de defesa aos acusados, no seguinte trecho: “No ato da prisão os jovens autores alegaram que tudo não passou de perseguição e que tal fato ocorreu porque foram espancados pelos seguranças” (JORNAL). Assim, esta pequena aparição se firma como única em todo o movimento analítico sobre os conflitos na Praça.
Em apenas um texto (cerca de 6% do total) o Jardim é tomado como pauta central do Jornal no ano de 1996: “Praça Gomes Freire recebe chafariz reformado” (p. 3 da edição nº 24 – 26 de julho de 1996). A notícia fala da entrega do chafariz de São Francisco, localizado nas proximidades do espaço e endossa a questão do patrimônio (presente no Ponto Final de 2006) ao firmar a importância dessa reinauguração, porque a peça “retrata fielmente o estilo barroco que predominava naquela época” (JORNAL). Sobre os realizadores da obra, o texto diz:
O chafariz de São Francisco foi totalmente restaurado e limpo, através de uma ação conjunta entre a Fiemg, Sesi, Secretarias Municipais de Turismo e Cultura, e de Obras e Planejamento e do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), e contou com o patrocínio da Materiais de Construção Franklin. A restituição do chafariz foi um dos presentes que a cidade de Mariana recebeu pelos seus 300 anos. Uma ação que deveria ser imitada por outros órgãos e instituições, pois contribui para a conservação e manutenção do nosso patrimônio artístico e histórico (JORNAL).
Aqui é indicado, mais uma vez, que o executivo municipal de 1996 não tomava as rédeas da Praça em muitas intervenções, sejam elas culturais ou ligadas às reformas infraestruturais. O que ocorre são ações conjuntas entre empresas privadas e outras instituições, como o Sesi e a Universidade Federal de Ouro Preto.
É importante deixar claro que o panorama de diminuição das pautas sobre o
Jardim do Ponto Final (invertidamente pensando no tempo cronológico, é claro) não
reflete, necessariamente, às baixas nas movimentações, circulações e relações próprias da Praça. Diz apenas sobre uma menor frequência nas pautas pelo semanário – o que não significa, de forma absoluta, um sintoma negativo, afinal, a experiência da sociabilidade do Jardim por meio do jornalismo não pode ser apenas ligada à quantidade de notícias ou de espaços destinados dentro das páginas. Importa mais entender o “como” do que o “quanto”, mesmo que a quantidade também aponte para certas evidências.
Assim, o Jardim do Jornal incipiente se mantém como um ponto central dos eventos da cidade, mesmo que com menor participação e investimento do poder público e em menor incidência dentro do próprio semanário; reafirma o forte traço carnavalesco do espaço (encontrado nos três recortes, além da experiência histórica e dos relatos do próprio autor dessa pesquisa); confirma seu aspecto conflituoso – mesmo que de forma mais isolada – quando conta, brevemente, a briga entre jovens e um segurança na sede do Marianense Futebol Clube – instituição que por si só carrega questões (já debatidas) de classe e etnia de Mariana; e também aponta o aspecto da preservação do patrimônio material e imaterial – questão que o liga ao Jornal de 2006 – mas que no Jardim do Ponto
Final contemporâneo ganha uma nova linha argumentativa, enviesada pela ideia do
medo, da vigília e da higienização. Ou seja, enquanto nos textos mais antigos, ao que parece, a Praça precisa ser cuidada para continuar a servir a todos, no semanário atual ela tem que se perder enquanto espaço público para ser cuidada.