Antes do inicio da pesquisa a direção escolar foi procurada para discussão dos procedimentos metodológicos e foi apresentado um termo de autorização para desenvolvimento da pesquisa na instituição (apêndice a) que foi assinado pelos diretores das escolas. Cabe destacar também que cada aluno participante das entrevistas recebeu um termo de consentimento livre e esclarecido (apêndice b) que foi assinado pelos pais ou responsáveis autorizando a participação deles na pesquisa.
O estudo foi desenvolvido por meio da elaboração e aplicação de aulas sobre o conteúdo de verminoses, ministradas em três ambientes de ensino: 1) Sala de multimeios com suas tecnologias audiovisuais (projetor e computador para exibição de imagens e vídeos); 2) laboratório de ciências com visualização real dos vermes e suas estruturas; 3) sala de aula com aula expositiva ministrada, exclusivamente, com a lousa e a exposição oral do professor. As três aulas visaram favorecer a memorização de palavras ligadas ao aprendizado das verminoses, conteúdo este ensinado nos 6º e 7º anos do ensino fundamental. Com as tecnologias audiovisuais (data show, computador, DVD) e a aula prática em laboratório, propusemos fornecer condições para que os alunos pudessem fixar as novas palavras que foram apresentadas, associadas aos seus significados, e verificar quanto os discentes conseguiam recuperar, palavras e significados, por meio de testes, relacionando-as de forma a facilitar a solução de problemas. Isto porque as novas palavras que correspondem aos nomes dos vermes e às doenças que eles provocam, podem carregar consigo sentidos e significados que, dependendo da forma como são apresentadas, podem permitir ao aluno uma melhor fixação na memória, principalmente se essas novas palavras estiverem relacionadas ao conhecimento prévio, pois isso pode facilitar a recuperação quando for exigido do estudante. Participaram da pesquisa 388 alunos regulares do 6º e 7º anos do ensino fundamental de escolas públicas municipais de Serra, cidade localizada na região da Grande Vitória, estado do Espírito Santo.
As escolas e as turmas participantes foram selecionadas de acordo com a disponibilidade dos professores em cederem as turmas para participação no presente estudo e dos recursos encontrados em cada instituição de ensino. Para a aula em sala de multimeios, foram selecionadas 3 turmas da EMEF “Dr° Hélio Ferraz”, sendo elas o 6º ano A, com 26 alunos,7º
ano A, com 27 alunos, 7º ano B, com 28 alunos, e 2 turmas da EMEF “Sonia Regina Gomes Rezende Franco”, sendo elas o 6º ano B, com 27 alunos e 6º ano D com 22 alunos, totalizando 130 alunos participantes da aula com recursos audiovisuais.
A aula no espaço do laboratório de ciências foi ministrada na EMEF “Sônia Regina Gomes Rezende Franco”. As turmas selecionadas foram o 6º ano A, com 30 alunos, 7º ano A, com 27 alunos, 7º ano B, com 29 alunos, 7º ano C, com 22 alunos e 7º ano D, com 16 alunos, totalizando 124 alunos participantes da aula prática.
Para a aula em ambiente de sala de aula, foi escolhida a EMEF “Irmã Dulce”, onde foram selecionadas 5 turmas, sendo elas, o 6º ano C, com 30 alunos, 6º ano D, com 33 alunos, 7º ano A, com 29 alunos, 7º ano B, com 21 alunos e 7º ano C, com 21 alunos, totalizando 134 alunos participantes da aula expositiva.
Apesar do total de alunos envolvidos com a investigação ser de 388 sujeitos, durante a aplicação dos testes, 63 alunos entregaram as avaliações com questões em branco, ou ainda terem participado do teste que envolveu o curto prazo e não o de longo prazo, sendo então desconsiderados das análises quantitativas, o que gerou redução de efetivos participantes para 325 alunos neste estudo.
Cada aula foi de aproximadamente 70 minutos, consumindo 50 minutos para a exposição do conteúdo em cada ambiente, mais 20 minutos para aplicação do teste de curto prazo.
Para a aula com recursos tecnológicos, a exposição do conteúdo se deu com a utilização de um projetor (“data show”) ligado a um computador e a uma caixa de som, onde foram expostos aos alunos os conteúdos sobre as verminoses na forma de imagens e vídeos associados aos nomes dos vermes, as doenças, formas de transmissão e profilaxia. Anotações no caderno também foram feitas, principalmente as que se referiam à escrita dos nomes científicos e das doenças.
A aula no laboratório de ciências, contou com a apresentação de material biológico. A esses alunos foram apresentados os conteúdos a partir de anotações feitas na lousa, indicando o nome científico de cada verme, das doenças que eles podem provocar, além da transmissão e profilaxia. Neste ambiente houve a manipulação e visualização real de vermes adultos como o Ascaris lumbricoides, Taenia solium, Schistossoma mansoni e Necator americanus, e algumas estruturas associadas a eles como, por exemplo, os seus ovos, que foram visualizados com a utilização do microscópio associado a uma câmera que possibilitou a projeção da imagem em um televisor.
A aula expositiva, como dissemos, contou apenas com a exposição oral e escrita na lousa, com pequenas anotações e desenhos esquemáticos feitos a mão. Os alunos fizeram anotações incluindo a escrita dos nomes científicos dos vermes, as doenças provocadas por eles, as formas de transmissão e as formas de se evitar a doença (profilaxia).
Nos três ambientes o conteúdo apresentado foi o mesmo, sendo o diferencial os recursos disponíveis utilizados. A apresentação das verminoses foi feita dando ênfase na leitura, fala e escrita das principais palavras referentes ao conteúdo, como o nome das doenças e os vermes causadores, da seguinte forma: uma palavra, exemplo Ascaridíase, era escrita no quadro ou apresentada na projeção por data show, para o reconhecimento visual da palavra (rota lexical), em sequencia os alunos ouviam e repetiam a palavra em voz alta para o reconhecimento fonológico (rota fonológica), após eram convidados a escreverem a palavra e novamente lê- las em voz alta. Sobre a rota lexical e fonológica Sousa e Gabriel (2009) destacam que
tanto a leitura pela rota lexical quanto pela rota fonológica podem ser observadas em leitores com níveis distintos de proficiência leitora. A diferença será na predominância de uso de cada um dos caminhos, já que a utilização da rota lexical pressupõe maior experiência com textos escritos, ao passo que a rota fonológica permitirá a leitura de palavras novas ou de baixa frequência de uso, ou, ainda, de palavras irregulares e pseudopalavras. (SOUSA E GABRIEL, 2009, p. 49)
Para cada ambiente, os recursos disponíveis foram utilizados na tentativa de os alunos fazerem as relações das palavras com o conteúdo que estava sendo estudado, dessa forma, as palavras eram apresentadas cada uma no contexto de cada verminose junto com esquemas e desenhos feitos no quadro (no ambiente de sala de aula), fotos, figuras e vídeos (na sala de multimeios) e desenhos no quadro, imagens de microscópio e o material biológico no laboratório de ciências.
A forma de apresentação das palavras, a repetição da leitura e vocalização e a associação com imagens, vídeos e material biológico foram utilizados com a intenção de favorecer a memorização.
3.1.1 Material
Neste primeiro momento da pesquisa, ao final de cada aula, promovida nos três ambientes de ensino, cada aluno recebeu alguns testes com a intenção de verificar o desempenho a partir das aulas que, por sua vez, envolveu a memorização dos conteúdos apresentados. Os testes aplicados logo após a aula consistiram em uma questão (apêndice c) com uma lista de 20
palavras, sendo 10 apresentadas a eles durante as aulas e que possuem relação com o conteúdo apresentado, e outras 10 palavras que não foram exibidas. O aluno foi requisitado a circular apenas aquelas que eles tiveram contato, possibilitando verificar a quantidade de palavras que foram memorizadas por eles durante a aula. Cada acerto foi contabilizado com 0,2 pontos para um total de 2 pontos para as 10 palavras circuladas corretamente.
A intenção da primeira questão foi verificar a quantidade de palavras que os alunos conseguiram reter em suas memórias, logo após a realização da aula sobre verminoses. Segundo Kandel (2009), com base em experimentos, observou-se que uma lista de 6 a 7 itens podia ser decorada e conservada com uma única apresentação. Dessa forma, a quantidade de acertos no teste aplicado por nós poderia ser uma forma de observarmos a consolidação das palavras que foram apresentadas na memória de curto prazo dos participantes.
Após todos concluírem a primeira questão, um segundo momento do teste foi realizado com a entrega de uma avaliação (apêndice d), constituída de 4 questões associativas que relacionaram os nomes científicos dos vermes às suas doenças, formas de contágio, e profilaxia, além da associação dos vermes às suas estruturas. Assim, pretendeu-se conferir a capacidade do aluno de solucionar os problemas pela evocação das memórias formadas a partir dos conteúdos estudados, com ênfase nas palavras que foram apresentadas e que, possivelmente, carregaram uma série de significados para se chegar à solução das questões. Para cada acerto nos testes foi atribuído o valor de 0,5 pontos num total de 16 certos, o que correspondeu a um valor de 8 pontos, valor que somado ao primeiro teste correspondeu à 10 pontos.
A primeira questão do segundo teste pretendeu verificar o conhecimento retido na memória, relacionando os nomes apresentados durante a aula (Taenia solium, Ascaris lumbricoides, Necator americanus e Schistosoma mansoni) com as figuras dos vermes; A segunda questão buscou, igualmente, verificar o conhecimento no assunto, mas a partir da memorização dos nomes científicos dos vermes relacionando-os com as doenças que eles podem causar; A terceira foi um teste que relacionou imagens das doenças com as imagens de formas de transmissão, já expostas em aula; E por último, a quarta questão do segundo teste, visou verificar a relação que os alunos fizeram entre os nomes científicos dos vermes e as imagens que mostram maneiras de se evitar as doenças (profilaxia).
Esses instrumentos quantitativos pretenderam verificar as memórias dos alunos referentes ao conteúdo ministrado e comparar os resultados com os três diferentes ambientes de ensino, mas, na verdade, eles em um primeiro nível, avaliavam o conhecimento dos alunos nesse tema
a partir das aulas ministradas.
Após 15 dias da aplicação dos primeiros testes, levando em consideração que este é um tempo suficiente para se testar a memória de longo prazo, foi aplicado um novo teste (apêndice e) com uma lista de 10 exercícios contendo questões sobre as verminoses em um espaço de uma aula de 50 minutos (muitos não necessitaram de todo o tempo de aula). Esses novos testes visaram, indiretamente, medir a capacidade de os alunos recordarem o assunto sobre as doenças causadas por vermes que foram mantidas em suas memórias, consistindo em uma forma de avaliar a memorização em longo prazo e comparar haver diferenças significativas na forma de ensino do conteúdo nos três diferentes ambientes. Cada certo no teste correspondeu a um valor de 1 ponto, totalizando um máximo de 10 pontos.
As análises dos dados quantitativos foram realizadas a partir de um tratamento estatístico, com auxílio do software R, o qual pretendeu revelar a existência ou não de diferenças significativas entre os desempenhos nos testes de conhecimento que, indiretamente, revelavam aspectos memorizados ou não a partir dos três ambientes de ensino.
Para o estudo qualitativo, foram selecionados 8 alunos participantes de cada ambiente de ensino, de acordo com a quantidade de acertos nos testes, sendo 4 com maior aproveitamento e outros 4 com menor aproveitamento, aos quais foram formuladas perguntas a partir de um roteiro semiestruturado sobre as aulas e os testes com a pretensão de conhecer, a partir das respostas, aspectos que favoreceram/dificultaram a solução dos problemas e as situações que eles consideraram ter facilitado memorizar o conteúdo apresentado.
Algumas das perguntas feitas na entrevista qualitativa foram: você considera ter uma boa memória? Quando você quer memorizar algo, você usa alguma estratégia? Qual? Você gostou da aula sobre verminoses? Por quê? O que você lembra da aula sobre verminoses?
Esses questionamentos tiveram o objetivo de observar como questões relacionadas a memória estavam presentes no cotidiano dos alunos e estimular a recordação dos conteúdos ensinados podendo assim verificar algumas das memórias mantidas a longo prazo pelos entrevistados. Além dessas perguntas, os alunos também responderam sobre seus hábitos de estudo, alimentação, sono e prática de atividades físicas, com a intenção de se conhecer um pouco do perfil de cada um e possivelmente reconhecer algo que poderia prejudicar a saúde e consequentemente a memória e a aprendizagem, porém, pelas respostas que deram, todos pareciam seguir um mesmo perfil, característico de crianças da faixa etária deles.
de análise do conteúdo de Bardin (1998, p.31-38) que se resume em um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.