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3.5 Acknowledgments

6.3.1 Main results

De acordo com Lévy (1993, p.75), as tecnologias têm papel fundamental no estabelecimento dos referenciais intelectuais e espaço-temporais das sociedades humanas; isto é, todas as formas de construção do conhecimento estão estruturadas em alguma tecnologia.

Para o autor, portanto, o tipo de lógica, de estilo e de organização do pensamento não é o mesmo quando o ser humano se envolve com diferentes tipos de linguagens. Cada uma delas define posturas e interações específicas entre os sujeitos, com a realidade e com as informações. Entretanto, o conhecimento não está na palavra, nos livros, ou na internet; o conhecimento se produz quando os sujeitos se relacionam entre si, envolvidos numa ação comunicativa, utilizando algum tipo de linguagem - pictórica, oral, corporal, escrita, informática – para construir representações e significações.

Lévy (opus cit., p.77) afirma que nas sociedades orais o edifício cultural está fundado sobre as lembranças dos indivíduos; a inteligência encontra-se muitas vezes identificada com a memória, sobretudo com a auditiva; e a forma de pensar não está ajustada às condições escolares, mas às de vida e de aprendizagem.

Mais adiante o autor diz que, com o aparecimento da escrita e, posteriormente, da imprensa, organiza-se uma nova lógica e um novo estilo de pensamento. A escrita permite que se produza um intervalo de tempo entre a emissão e a recepção de mensagem, instaurando um outro tipo de comunicação radicalmente nova. Para o autor, a comunicação oral era sempre, uma tradução, uma adaptação, sujeita a mal-entendidos, perdas e erros, separando os discursos das circunstâncias em que foram produzidos. Quando a comunicação escrita começa a circular “... a atribuição do sentido passa a ocupar um lugar central no processo de comunicação” (Lévy, opus cit., p.89), pois os processos de significação do autor e do leitor podem ser diferentes

quanto possíveis. Para que o sentido do texto não se perca, torna-se necessário inserir na linguagem elementos formais – regras gramaticais, pontuação – e aspectos contextuais, além de exigir uma reflexão mais ampla e profunda do tema abordado.

Para o autor, com a introdução das novas tecnologias, instaura-se uma outra lógica que reestrutura as anteriores. Surge uma nova escrita, hipertextual, multimídia e que exige, para ser elaborada, um trabalho coletivo, de uma equipe formada por pessoas das mais diferentes áreas do conhecimento.

Esta nova tecnologia intelectual faz com que a memória seja extremamente objetivada em dispositivos automáticos, de forma que “a verdade” deixa de ser uma questão fundamental, cedendo lugar à mobilidade, à flexibilidade, à transitoriedade, à operacionalidade e à velocidade. As teorias cedem espaço aos modelos, os quais, de acordo com Lévy (opus cit., p.120), não são “verdadeiros” nem “falsos”, nem mesmo “testáveis”, em um sentido estrito. Enfim, como não são definitivos, são “mais ou menos úteis”; “mais ou menos eficazes” em certos momentos; não são lidos ou interpretados como os textos clássicos; são explorados de forma interativa, portanto, essencialmente plásticos, dinâmicos, dotados de uma certa autonomia de ação e reação, podendo ser continuamente corrigidos e aperfeiçoados ao longo das simulações.

Em outra obra (1994) Lévy categoriza o conhecimento existente nas sociedades em três formas diferentes: a oral, a escrita e a digital. Embora essas formas tenham se originado em épocas diferentes, elas coexistem e estão presentes na sociedade atual. No entanto, elas nos encaminham para percepções diferentes, racionalidades múltiplas e comportamentos de aprendizagem diferenciados.

Para o autor, a forma escrita de apreensão do conhecimento é a que prevalece em nossas culturas ‘acadêmicas’ mas, a linguagem oral, ainda é a que predomina em todas as formas comunicativas vivenciais. Em meio a elas, e utilizando-se de ambas, o estilo digital de apreensão do conhecimento é ainda incipiente, mas sua proliferação é veloz. O estilo digital compreende, obrigatoriamente, não apenas o uso de novos equipamentos para a produção e

compartilhamento de conhecimentos mas, também, novos comportamentos de aprendizagem, novas racionalidades, novos estímulos perceptivos.

Pode-se inferir, a partir desta contextualização do autor, que os educadores precisam ter consciência que já usam diversas tecnologias no seu trabalho educacional, mas o uso corrente dessas tecnologias as tornam quase transparentes e invisíveis.

Sob este aspecto, Lévy (opus cit., p.117) faz a seguinte reflexão:

“... é preciso pensar nos primeiros séculos da escrita na Mesopotâmia, quando ela apenas era empregada para o recenseamento dos rebanhos, para os inventários logo ultrapassados dos palácios e dos templos. Quem poderia ter previsto, nesta época, que signos gravados no barro, recém- ordenados, transmitiriam um dia a ciência, a literatura, a filosofia ou a opinião pública?”

Em outra obra, Lévy (1996), diz que é possível estabelecer-se a diferença entre virtual e real se houver concentração na lógica. O virtual é uma forma potencial e latente. Ele existe em potência e não em ato, ou seja, pode ser possível em razão de sua natureza, mas não é real pois lhe falta a existência. O autor cita quatro exemplos de virtualidade: a memória, a imaginação, a fé e o conhecimento e afirma que é impossível dizer que eles não são reais, apesar de não serem concretos.

Para o autor (opus cit., p.19-21) a virtualização tem como principal característica o desprendimento do “aqui e agora”:

“... o senso comum faz do virtual, inapreensível, o complementar do real, tangível. Essa abordagem contém uma indicação que não se deve negligenciar: o virtual, com muita freqüência, ‘não está presente’.(...) Quando uma pessoa, uma coletividade, um ato, uma informação se virtualizam, eles se tornam ‘não presentes’, se desterritorializam”.

A partir das idéias do autor que descortina uma nova relação entre o virtual e o real, pode-se concluir que a virtualidade é perfeitamente possível de ser aplicada ao mundo da construção e transmissão de conhecimentos.

3.1.2 As novas tecnologias de informação e comunicação e as mudanças