CHAPITRE II MODELISATION ANALYTIQUE 2D EN VUE DE LA CAO OPTIMISEE DU MOTEUR LINEAIRE A INDUCTION
( II.50) Pour ce qui est de la réactance de fuites du primaire (due aux fuites dans les encoches et la partie
II. 5.3- Caractéristiques du moteur linéaire à induction
II.7- RESULTATS DE SIMULATION ET VALIDATION DU CODE DE CALCUL
3.1 – Comunicação: um campo de estudos em formação
Compreender o fenômeno da comunicação é um dos principais desafios dos pesquisadores que se debruçam sobre o tema, considerado ação constituinte da vida de todos os indivíduos. Muitas vezes, os estudiosos da Comunicação, a qual ainda pleiteia o status de ciência no ambiente acadêmico das universidades, não dispõem de instrumentos teóricos próprios suficientes para melhor entendê-la, colocando em prática a interdisciplinaridade no
exercício da reflexão sobre a natureza do ato comunicacional. Entre recortes de saberes variados, procura-se descobrir no que consiste a prática comunicativa, sua dinâmica e suas implicações.
Conforme Jensen (2008), entre os caminhos já percorridos em meio às mudanças sociais transcorridas nos últimos dois séculos, várias disciplinas ofereceram métodos e experiências que se mostraram bastante úteis, em determinados momentos, na consolidação de um campo ainda em formação, mas sem uma identidade própria definida. Surgiram conflitos variados de ordem epistemológica e política envolvendo os especialistas que tentaram se aventurar no campo. Conflitos que oscilavam em disputa e consenso. “A comunicação é parte e parcela de um contínuo trabalho social de coordenação e confrontação, de processos microssociais a estruturas macrossociais” (JENSEN, 2008, p.36).
Se por um lado é possível afirmar que as Ciências Sociais colaboraram significativamente para a pesquisa em comunicação com estudos feitos sob as abordagens interpretativistas e construtivistas, conforme a explicação de Jensen (2008), pode-se dizer também que os mesmos “serviram como uma lembrança constante de que a conduta da vida social depende crucialmente dos recursos simbólicos disponíveis” (JENSEN, 2008, p.36). O autor acredita que a comunicação antecipa ações sociais pela propagação destas e (re)configura a estrutura social. “A interação simbólica [...] exerceu grande influência nos estudos sobre a contribuição da comunicação ao senso de comunidade e de individualidade” (JENSEN, 2008, p. 36-37).
A Teoria da Comunicação, sob a perspectiva de Craig, citado também por Jensen (2008), indica a colaboração incisiva de, pelo menos, sete disciplinas para o desenvolvimento de seus estudos: Retórica, Semiótica, Fenomenologia, Cibernética, Psicologia Social, Teoria Sociocultural e Teoria Crítica. Ainda que não se tenha um arcabouço teórico próprio, não sendo possível ratificar pressupostos quanto a uma possível incontestabilidade de um campo científico já consolidado, ao menos um ponto é praticamente certo quanto ao perfil da Teoria da Comunicação: é “uma prática comunicativa, e que se desenvolve na relação com outras práticas e contextos comunicativos” (JENSEN, 2008, p. 39), no empenho de se entender um fenômeno de alta complexidade.
Também é notório que o ato da comunicação caracteriza-se como ação intrínseca da natureza humana e que se manifesta nos mais diversos níveis. Seja verbalmente ou não, a partir de uma conversação informal individual ou coletiva ou por meio de textos escritos e sonoros. A comunicação ocorre também de forma visual, com o uso de desenhos, imagens de
fotografias, sempre pela concretização do uso da linguagem. “[…] Um recurso utilizado pelo ser humano para se comunicar e estabelecer vínculos de tempo e tipos de relações que mantém” (TEMER; NERY, 2009, p.12). A partir da linguagem, instituem-se valores culturais nas sociedades.
Mas o que se pode entender por comunicação? Os conceitos deste ato mais do que social e fundamental na existência humana transformaram-se ao longo da História paulatinamente até atingir o entendimento dos dias atuais como um processo essencialmente simbólico, permanente e composto por diversas vias e agentes interagindo em variados níveis de interdependência. Contudo, nem sempre a comunicação foi vista como um processo baseado na construção conjunta e negociada de mensagens e sentidos em um complexo mecanismo de interação entre indivíduos distintos, conforme já foi discutido por inúmeras obras dedicadas à reflexão da temática nos últimos vinte anos.
A comunicação também pode ser definida como práticas de «interação» humana que dependem da «interatividade», não somente na nova mídia digital, mas também em toda a variedade de «mídias» e «modalidades» «programáveis» – é através de um conjunto de combinações extremamente complexas de materiais e recursos simbólicos disponíveis da comunicação que as representações humanas da realidade e as interações interativas na e com essa realidade se tornam possíveis. A comunicação permite dúvidas e adiamentos – paradas, reflexões e representações antes de cada ação (JENSEN, 2008, p. 42).
Oriundo do verbo em latim comunicare, na definição de Rabaça e Barbosa (1987), comunicar significa tornar comum, partilhar, repartir e trocar opiniões ou conferenciar. Os que viviam no isolamento de mosteiros e conventos adotaram como hábito o communicatio, “ou jantar comunitário, em que os religiosos trocam informações sobre as tarefas desenvolvidas durante o dia, participam da vida em comum” (TEMER; NERY, 2009, p.12). A prática comunicacional foi, muitas vezes, percebida apenas como ação de emissão, transmissão e recepção de mensagens de modo mecânico, mas ela é muito mais que isso, possuindo diversos fatores que a compõem como uma atividade complexa de agentes participantes.
A Comunicação tem também outra característica ou diferença fundamental: enquanto outras atividades envolvem a manipulação de coisas e objetos, a comunicação envolve a manipulação de ideias. Assim, podemos dizer que a comunicação é: comum+ação; ação de tornar comum e ação que não se realiza sobre a matéria, mas sobre o objeto (TEMER; NERY, 2009, p.13).
Segundo as autoras, o homem foi capaz de se desenvolver entre diversas espécies da natureza ao estabelecer relações sociais por meio da linguagem, atribuindo valores a objetos e elementos constituintes da realidade, com regras de convivência firmadas. Desta maneira, conclui-se que o processo comunicativo é mais que uma mera transmissão de mensagens, ainda que a informação, nos termos de Temer e Nery (2009), seja a matéria-prima desta atividade. A comunicação, portanto, consiste em mais que informar: ”é partilhar, tornar comum, romper o isolamento. É o produto de um encontro social, tipo de relação intencional exercida sobre o outro […], e que exige reciprocidade” (TEMER; NERY, 2009, p.16).
Pode-se dizer que os primeiros esforços na compreensão do que se trata a comunicação têm suas origens no Mundo Antigo, de acordo com Temer e Nery (2009), mais precisamente na Grécia dos tempos do filósofo Aristóteles, com o início das reflexões sobre a Retórica, a qual se preocupa com o domínio ou entendimento das técnicas de argumentação no exercício da linguagem verbal. A partir da Retórica, Silverstone (2005) detalha que a linguagem é orientada para a ação, para mudanças e para influenciar pessoas. A retórica, a memória e a invenção possibilitam a expressão do pensamento humano por meio de estratégias criativas capazes de promover o enobrecimento com a instrução, a indução e a satisfação dos indivíduos, na descrição do autor citado anteriormente.
No modelo aristotélico, pela primeira vez, se fez a relação entre discurso e comunicação, considerando que esta última não é um ato neutro, mas dotado de intencionalidade, de uma razão de ser, como é concretamente. Aristóteles, na explicação de Temer e Nery (2009), decompôs a comunicação em três elementos básicos: a presença do locutor – aquele que emite a mensagem; o discurso – aquilo que foi produzido pelo locutor e dotado de ideias, conteúdos significativos e valores; e o ouvinte – o último componente do processo comunicativo, aquele que capta a mensagem. Nesse modelo comunicacional, o emissor é detentor de plenos poderes na comunicação com o seu ouvinte, podendo adaptar sua mensagem conforme o perfil daquele que deve recebê-la. E para tanto utiliza artifícios, estratégias de argumentação na tentativa de persuadir aquele a quem é direcionado o discurso. Aristóteles trouxe a maior contribuição para a área, aprofundando-se no estudo da estrutura e funcionamento do discurso mediante o estudo da retórica, definida como a procura de todos os meios possíveis de persuasão. […] Os estudos sobre a retórica foram fundamentais nos estudos da comunicação (TEMER; NERY, 2009, p. 20).
A vinculação entre discurso e comunicação só seria reconsiderada de modo mais aprofundado a partir das pesquisas realizadas no final da década de 1960, com o surgimento
da Análise do Discurso Francesa por Michel Pêcheux, conforme será visto posteriormente. Considera-se a disciplina importante nos estudos sobre o processo da comunicação, inclusive na interpretação de conteúdos de produtos midiáticos, como textos jornalísticos da mídia impressa, televisiva e radiofônica e, mais recentemente, da internet. Contudo, por um longo período, o destaque nas pesquisas era concedido ao papel exercido pelos meios de comunicação massivos (jornais, TV e rádio), não se atentando para os demais aspectos envolvidos na dinâmica comunicacional.
O interesse pela comunicação se intensificou com o nascimento dos meios massivos nos séculos XIX/XX, advindos com o desenvolvimento da industrialização, da vida urbana nas grandes cidades e com o crescimento do consumo. Os primórdios da Teoria da Comunicação fundamentam-se com os primeiros intentos de pesquisa dedicados à “caracterização e análise das novas práticas comunicativas que despontavam no final do século XIX e marcam o século XX: o surgimento da imprensa de massa, do rádio, da televisão (e do cinema, em menor grau)“ (FRANÇA, 2001, p.3).
O destaque alcançado por esses veículos foi inevitável por serem uma novidade que transformou o cotidiano até os dias atuais. A atenção a esses objetos integrantes do processo comunicativo “só veio aumentando no decorrer das décadas, com a centralidade cada vez maior assumida pela mídia, o aparecimento dos meios digitais e das redes telemáticas, o papel determinante da informação” (FRANÇA, 2001, p.4).
As primeiras pesquisas realizadas nos Estados Unidos, vinculadas à Teoria da Comunicação, por exemplo, tiveram “como visão central a preocupação com os 'efeitos' ou resultados dos meios de comunicação” (TEMER; NERY, 2009, p.41) e basicamente se dividem em três fases que privilegiaram, respectivamente, as pesquisas de caráter comercial, com a abordagem de temas políticos na comunicação pública; a corrente funcionalista, a qual entende que os meios possuem uma função de manutenção da ordem social; e a última direcionada à análise das atividades jornalísticas na produção da informação e a influência dos meios a longo prazo nas sociedades, como explicam Temer e Nery (2009).
Tais estudos relegavam à mídia extremo poder, sem levar em conta o real caráter da prática comunicativa, definida anteriormente como um processo composto por diversos caminhos e formas de participação, que nunca ocorre de forma unilateral ou com a subordinação de receptores por emissores dotados de uma supremacia inquebrantável. Esse paradigma norteou o pensamento científico a respeito da Comunicação Social por anos. Até a década de 1960, sob a égide de autores vinculados a áreas diversas como Engenharia,
Sociologia, Biologia, Matemática, entre outras, a Mass Communication Research tinha como característica a orientação empiricista, com a valorização de aspectos quantitativos e a otimização de resultados conforme o objetivo de um emissor. Comunicar, para a Mass
Communication Research, de modo geral, era transmitir informações e não interagir de modo
pleno com a troca simbólica e constituição de sentidos.
A Teoria Matemática da Comunicação, conhecida também como Teoria da Informação, apresentada por Shannon e Weaver em 1949, sistematizou o processo comunicativo de maneira simplificada, que pode ser mensurado e analisado por números (ARAÚJO, 2001). A comunicação, segundo esta teoria, como observa Araújo (2001), implica um sistema no qual o emissor, dispondo de um conjunto de mensagens, realiza a seleção de algumas delas em concordância com os objetivos visados, codifica-as para transformá-las em um sinal a ser endereçado por um canal de transmissão, tendo como foco um receptor. O objetivo dessa teoria é a transmissão de mensagens mecanicamente e de modo perfeito, medindo a qualidade e a quantidade de informações possíveis durante o processo comunicativo.
A comunicação é vista aqui, não como um processo, mas como um sistema, com elementos que podem ser relacionados e montados como modelo. A proposta é de um modelo linear, em que os elementos são encadeados e não podem se dispor de uma outra forma – há um enrijecimento da apreensão do fenômeno comunicativo com sua cristalização numa forma fixa (ARAÚJO, 2001, p. 122).
Entre as correntes teóricas importantes que contribuíram para a visualização do ato da comunicação como uma atividade mecânica está a Teoria Funcionalista, originada com o lançamento do Modelo de Harold Lasswell, em 1927. O Funcionalismo atenta para a busca do equilíbrio social, usando os meios de comunicação massivos para esta finalidade. De acordo com Araújo (2001), para Lasswell, em uma visão reducionista que não percebe os demais componentes integrantes da comunicação como processo social, os meios exerceriam a função de vigilância pelas informações divulgadas, de integração entre os membros da sociedade e a função educativa, ao se considerar a transmissão da herança cultural. Wright teria adicionado, conforme Araújo (2001), a função recreativa aos meios, prevendo disfunções e funções que poderiam ser controladas. Lazersfeld e Merton atribuem à mídia tradicional o papel de estabilizadora da hierarquização social com a manutenção do status quo, além de exercer um efeito narcotizante na população e promover a execução de normas sociais. As demais teorias pertencentes à Escola Americana até a década de 1960, com atenção para a Teoria Hipodérmica e dos Efeitos Limitados, também evidenciaram o poder muitas
vezes concedido à mídia televisiva, radiofônica e impressa, negligenciando as relações interpessoais em meio a um ambiente social importante para a análise. Atentava-se apenas para os “efeitos”, de modo que os media eram definidos como onipotentes, “causa única e suficiente dos efeitos verificados” (ARAÚJO, 2001, p.126). Como sujeitos autônomos, os
media não estariam inseridos em um contexto social plural. “[...] Tais meios são vistos [...]
como se estivessem apenas dedicados em atender aos seus interesses institucionais e de uma determinada classe dominante (SILVA, J., 2011b, p.7)35.
Braga (2001) justifica o elevado destaque concedido à mídia tradicional nos estudos da Comunicação em virtude de sua capacidade de potencializar o alcance do conteúdo de seus produtos, apesar de a reflexão sobre como se constitui tais conteúdos ainda permanecer latente até o surgimento de um novo paradigma comunicacional em fase embrionária na década de 1970.
Pela primeira vez na história, uma sociedade se dotou de um vasto aparato tecnológico-empresarial-cultural- profissional – mítico voltado especificamente para (ou proposto expressamente como sendo para) veiculação de mensagens e para a produção de efeitos de fruição estética ou de entretenimento. Ao mesmo tempo, por sua dimensão, complexidade e diversidade de ações e poder intrínseco, este aparato não pode ser visto como inteiramente a serviço de uma outra determinada ordem de objetivos e processos sociais (BRAGA, 2001, p.22).
Esse novo paradigma valoriza as mediações existentes no processo comunicativo e o interacionismo simbólico - o modelo semiótico-textual - que “quebrou o caráter unitário das mensagens, e procura lê-las na sua intertextualidade – desenvolvendo uma semiótica da cultura” (FRANÇA, 2001, p. 13). Segundo França (2001), priorizam-se a dimensão simbólica e os sentidos produzidos na comunicação entre os sujeitos sociais, ainda que se possa negligenciar, em alguns momentos, a presença e a atuação desses nesse processo.
Boa parte do que se comunica na sociedade contemporânea, de acordo com Braga (2001), tem como fonte de origem os meios de comunicação, seja pela quantidade de informações produzidas ou relevância de seus conteúdos, que abrangem desde padrões de comportamento embutidos em notícias, novelas a programas educativos e de entretenimento. Na avaliação do autor, além da forte presença nas relações cotidianas entre os indivíduos, os
media fazem parte de um fenômeno questionador dos “modos habituais de conversação social
35 “Com base no conhecimento do espaço das posições, podemos recortar classes no sentido lógico do termo, quer dizer,
conjuntos de agentes que ocupam posições semelhantes e que, colocados em condições semelhantes e sujeitos a condicionamentos semelhantes, têm, como toda a probabilidade, atitudes e interesses semelhantes, logo, práticas e tomadas de posição semelhantes” (BOURDIEU, 2010, p. 136).
– que se fazia e se faz dentro de outros espaços organizados de funcionamento social” (BRAGA, 2001, p. 22).
Todavia, não se pode dar tanto poder ou importância à mídia exclusivamente, a qual também é um produto das interações sociais humanas, de modo semelhante à comunicação, sem atentar para os demais elementos que compõem o processo comunicacional e que devem ser objeto de estudo pelos pesquisadores da área. Os meios são um instrumento empírico, não sendo viável dar-se ênfase só ao “sistema jurídico-político da mídia; nem apenas ao [...] tecnológico; nem apenas ao sistema profissional da produção, nem ao conjunto de produtos […]; nem apenas às circunstâncias da recepção” (BRAGA, 2001, p.24). Ao se atentar somente para um desses componentes do processo comunicativo, corre-se o risco de isolá-lo da realidade social e de suas condições de existência e de produção. O adequado é visualizar “em qualquer dos pontos das relações de fluxo entre estes elementos e processos, a interação social comunicacional em funcionamento, com seus objetivos, processos e tensões plurais” (BRAGA, 2001, p. 24).
A TV, o Rádio, o Impresso e, mais recentemente, a Internet, interferem na dinâmica cotidiana e interagem com os seus públicos nos “espaços não-mediáticos, em função de suas características de inclusividade e de penetrabilidade” (BRAGA, 2001, p. 24). Representam somente um dos tantos participantes da prática comunicativa, devendo ser visualizado pelo estudioso o contexto social no qual ocorre a comunicação.
O cotidiano tem os meios de comunicação como uma parte integrante, talvez a principal – mas não a única. A liberdade, o conhecimento e a consciência do indivíduo relacionam-se o tempo todo com os meios de comunicação, transformados em uma espécie de experiência primária do cotidiano – sobretudo na medida em que a integração entre a mídia e o ser humano aumenta (MARTINO, 2005, p.18).
Com o nascimento dos Estudos Culturais36, da Semiótica37 e da Análise do Discurso38 há mais de 40 anos, uma nova visão sobre a comunicação ganhou espaço e aceitação entre
36 O campo dos Estudos Culturais tem sua origem relacionada à fundação do Centre for Contemporary Cultural Studies
(CCCS) por Richard Hoggart em 1964, na Universidade de Birmingham (ING). “As relações entre a cultura contemporânea e a sociedade, isto é, suas formas culturais, instituições e práticas culturais, assim como suas relações com a sociedade e as mudanças sociais, vão compor o eixo principal de observação do CCCS. […] Na pesquisa realizada por Hoggart, o foco de atenção recai sobre materiais culturais, antes desprezados, da cultura popular e dos meios de comunicação de massa, através de metodologia qualitativa. Esse trabalho inaugura o olhar de que no âmbito popular não existe apenas submissão, mas também resistência, o que, mais tarde, será recuperado pelos estudos de audiência dos meios massivos. Tratando da vida cultural da classe trabalhadora, transparece nesse texto um tom nostálgico em relação a uma cultura orgânica dessa classe” (ESCOSTEGUY, 2001, p. 151-152).
aqueles que se dedicam ao entendimento do processo comunicativo e, principalmente, sobre a natureza dos meios. A mídia apresenta-se como relevante, mas não unicamente determinante na construção da cultura e dos padrões de comportamento reguladores da vida social. “Começa a ser vista como potencializadora de visões de mundo, de estereótipos e de condutas normativas na sociedade (re)construídas social e individualmente” (SILVA, J., 2011b, p.7).
A estrutura da comunicação é regida por um grande número de variáveis. As possibilidades de cruzamentos e ações práticas dentro dessas linhas são impossíveis de ser compreendidas com um único olhar. A complexidade social, fruto sobretudo do desenvolvimento das comunicações, torna-se mais e mais difícil de entender e de classificar, exigindo de todo o pesquisador um esforço redobrado para não cair no pecado capital mais comum – distorcer a realidade para torná-la aplicável pari passu com determinada teoria (MARTINO, 2005, p.14-15).
A mídia tradicional é pensada como um dos agentes de um “processo de mediação” (SILVERSTONE, 2005, p.33) no qual se considera muito mais que o contato de receptores com os textos midiáticos. “Ela envolve os produtores e consumidores de mídia numa atividade mais ou menos continua de engajamento e desengajamento com significados que têm sua fonte ou seu foco nos textos mediados” (SILVERSTONE, 2005, p.33). Ao ter como ferramenta principal o uso da linguagem humana, seja escrita, oral ou visual, a mídia acaba por produzir discursos.
No papel de mediadores, os meios massivos movimentam significados presentes em cada texto divulgado, em cada imagem apresentada, em cada som emitido. A mediação implica uma permanente (trans)formação de significados, conforme esmiuçou Silverstone (2005), com o agir de cada um dos indivíduos que mantém contato com tais produtos (re)elaborados pelo maquinário midiático, não como agentes estáticos, mas participativos por influenciarem naquilo que pode ser difundido ou não pelos meios e capazes ou não de serem assimilados.
A mídia nos deu palavras para dizer, as ideias para exprimir, não como uma força desencarnada operando contra nós enquanto nos ocupamos com os nossos afazeres diários, mas como parte de uma realidade de que participamos, que dividimos e sustentamos diariamente por meio de nossa fala diária, de nossas interações diárias (SILVERSTONE, 2005, p. 21).
linguagem. Portanto, semiótica é a ciência de todas as linguagens, ciência que tem por objeto de estudo todas as