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ENFERMAGEM1

Eglídia Carla de Figueiredo Vidal2 Ana Karina Bezerra Pinheiro3 Ana Fátima Carvalho Fernandes3 Emery Ciana Figueiredo Vidal2 1.Trabalho extraído da dissertação do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Ceará: “Reprodução e sexualidade de pessoas que (con) vivem com HIV/aids”. Pesquisa financiada pela FUNCAP. 2. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará. Professora da Universidade Regional do Cariri. 3.Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Ceará.

INTRODUÇÃO: A reprodução remete à idéia de continuação da vida e a saúde

reprodutiva implica na capacidade de desfrutar de uma vida satisfatória e sem riscos, de procriar, bem como, relaciona-se à liberdade para escolher, entre gestar ou não, no período e na freqüência desejada1. O advento da aids e os avanços terapêuticos favoreceram a redução da morbi-mortalidade levando à sobrevida das pessoas infectadas. Nesse cenário, novas questões se apresentaram mediante a necessidade de cuidado integral à saúde dessa clientela, considerando-se que os direitos sexuais e reprodutivos são fundamentais para a promoção da saúde reprodutiva. Destarte, a soropositividade não retira da pessoa, homem ou mulher, o direito de se casar e constituir uma família, nem o direito do convívio em sociedade, onde questões como paternidade, casamento e maternidade devem ser tratadas como questões pessoais e de direitos do soropositivo. Pouco compreendemos as vivências de portadores de HIV que gozam de capacidade reprodutiva, porém enfrentam a “impossibilidade” de exercer a paternidade/maternidade frente aos riscos da transmissão vertical. Assim, emergiu o seguinte questionamento: como as pessoas que vivem e convivem com HIV/Aids vivenciam a sua prática reprodutiva? Nesse cenário, o desejo de ter filhos aparece? Verificamos que ao compreender a experiência reprodutiva de pessoas que (con) vivem com o HIV, ai incluído a percepção sobre o desejo de ter filhos, podemos redirecionar as ações de saúde a esta população no sentido de garantir conhecimentos e estratégias seguras que garantam seus direitos de concepção e contracepção. OBJETIVO: Conhecer a percepção de pessoas que con/vivem com o HIV sobre o desejo de ter filhos à luz dos pressupostos da Teoria Humanística de Enfermagem. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, utilizando o referencial teórico- metodológico da Enfermagem Humanística2, realizada no Ambulatório de Infectologia do Hospital-Escola Santo Inácio, situado em Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil, com dezesseis (16) pessoas que convivem com HIV, sete (7) homens e nove (9) mulheres, atendidos/as no referido ambulatório. Como critérios de inclusão tivemos: conviver com HIV; declarar ter orientação sexual bissexual ou heterossexual, coerente aos aspectos sobre a saúde sexual e reprodutiva e ao planejamento da mesma; e ter maioridade civil (faixa etária de 18 a 65 anos para homem e de 18 a 49 anos para mulher, correspondendo à idade adulta e à idade reprodutiva). Foram excluídas: pessoas impossibilitadas de dialogar, pessoas que supostamente indicassem suspeitas ou risco, como também aquelas com dano cognitivo que inviabilizasse a compreensão das

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questões investigadas. O projeto de pesquisa recebeu Parecer favorável sob nº 95/07 do Comitê de Ética em Pesquisa (COMEPE) da Universidade Federal do Ceará. A coleta dos dados ocorreu no período de junho a novembro de 2007. Foram estabelecidos três momentos para essa investigação, em concordância às etapas da Enfermagem fenomenológica3. O primeiro momento correspondeu à preparação para vir-a-conhecer, correspondendo à nossa busca pelo conhecimento de si para abertura à experiência entre ela e outro ser humano. O segundo momento correspondeu ao conhecimento intuitivo ao iniciar a coleta dos dados. O terceiro momento, correspondeu à análise dos dados, captados por meio de observação livre, entrevista e registro em diário de campo.

DISCUSSÃO DOS DADOS: A concepção no contexto do HIV é uma questão

complexa, pois defronta-nos com aspectos do imaginário coletivo, arraigados ao estigma e a discriminação, e que ainda circunda a epidemia nos dias atuais, quando esta toma feições de doença crônica e mostra ter complexidade e dinâmica própria. Contudo, a concepção representa um mundo vasto de descobertas e desafios no cuidado em saúde reprodutiva e sexual, uma vez que estas se pautam nos direitos sexuais e reprodutivos, com autonomia quanto à liberdade sobre o número de filhos e o momento que se deseja tê-los. Nesta investigação, evidenciamos, entre homens e mulheres que vivem e convivem com HIV, a expressão da vontade de ter filhos, notadamente entre àqueles que vivem sob a situação conjugal de sorodiscordância, entretanto, notamos havê-lo em pessoas que vivem sob situação conjugal concordante. Ademais, estudos recentes têm enfocado os direitos reprodutivos e a maternidade das mulheres com HIV, revelando o desejo de maternidade e paternidade de mulheres e homens com HIV4,5. Em casos particulares de duas mulheres sorodiscordantes, o desejo de ter filhos extrapolou o cenário que envolve o casal, levando a proposta de relacionamento sexual com outra pessoa para efetuar a reprodução e à exposição consciente do risco de infectar-se pelo HIV, respectivamente. Estas situações expõem a necessidade de abordar os contextos de parcerias conjugais e seus entrelaçamentos (sexualidade, contracepção, concepção, entre outros) no cuidado ofertado aos homens e mulheres com HIV. Cabe esclarecer que no Brasil, o desejo de uma mulher soropositiva ter filhos pode ter se fortalecido pela expressiva queda no risco de transmissão vertical, proporcionado pelo uso de regimes medicamentosos específicos, que, são disponibilizados gratuitamente, ao contrário de muitos países desenvolvidos. E ainda pela simbologia à maternidade, principalmente entre segmentos de menor poder aquisitivo, atribuída pela cultura brasileira6. A possibilidade de adoção foi referida, neste estudo, entre as pessoas que (con) vivem com HIV, nos contextos de relações sorodiscordante e soroconcordantes, entre homens e mulheres, mostrando mais uma faceta que envolve a esfera reprodutiva, em que se considera o risco de exposição, com possível opção por alternativa de exercício de maternidade e paternidade frente à infecção pelo HIV. A presença do HIV, principalmente entre soroconcordantes, modificou a vontade de ter filhos de homens e mulheres que (con) vivem com HIV, nos contextos de relações sorodiscordante e soroconcordantes, numa dinâmica que se instala mediante a descoberta da soropositividade, diante de novos contextos de vida e de cuidado, consigo e com outro, de novos olhares sobre futuro, infecção e possibilidades de adoecimento, e da associação com sofrimentos já vividos5.Pesquisa com mulheres soropositivas, observou que entre as mulheres que não queriam ter filhos, aproximadamente metade relacionou motivos ligados ao medo da doença para elas e para os conceptos, e não à ausência do desejo de ter filhos. A maioria, manifestou medo dos filhos nascerem infectados pelo HIV e de não receberem apoio das pessoas que as cercavam, sendo o preconceito estendido aos seus filhos. Já entre aqueles que tinham filhos antes da soropositividade,

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não demonstraram intenção de vir a ter outros filhos, cuja decisão não encontra vinculação com o fato de viverem ou conviverem com o HIV. O desejo por filhos foi marcante neste estudo, num cenário de realização de escolhas motivadas por razões diversas, desde abandonar essa ideia até expor-se ao risco de infectar-se para vivenciar a maternidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Na atual conjuntura da aids, de caráter crônico e de disponibilidade de recursos terapêuticos para redução da transmissão vertical do HIV, evidenciam-se o desejo de casais de terem filhos e o direito à uma maternidade segura por mulheres infectadas pelo HIV, com necessidade preemente de diagnóstico da infecção pelo HIV antes de uma gravidez e aconselhamento quanto às escolhas reprodutivas futuras, vis-à-vis com um cuidado de enfermagem direcionado à esfera sexual e reprodutiva.

DESCRITORES: comportamento reprodutivo; planejamento familiar; soropositividade

para HIV

REFERÊNCIAS:

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2.15 OFICINA DE SEXUALIDADE PARA ADOLESCENTES: RELATO DE