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Le déroulement de l’étude

Marciana Feliciano1 Berenice Temoteo da Silva2 Géssika Najara Cirilo Santana1 Cleide Correia de Oliveira3 1.Acadêmicas. Graduandas do Curso de Enfermagem/URCA, CE, Brasil. 2. Enfermeira. Graduada pelo Curso de Enfermagem/URCA, CE, Brasil. 3. Enfermeira. Mestre em Desenvolvimento Regional. Professora Adjunta do Curso de Enfermagem/URCA, CE, Brasil. Líder do Grupo de Pesquisa Saúde e Trabalho – GRUPESAT.

INTRODUÇÃO: As doenças graves e de longa duração desencadeiam respostas que

vão além do indivíduo acometido, como é o caso da doença mental que altera as relações do indivíduo consigo mesmo, com sua família e com a comunidade. Com a Reforma Psiquiátrica, o campo teórico-conceitual e técnico-assistencial da psiquiatria passou a ser questionado e discutido. Dessa forma, complexificou-se o campo da assistência de Saúde Mental antes restrito à Psiquiatria e aos saberes médicos. No contexto atual, a Saúde Mental transcende esses aspectos agora norteados pela reabilitação psicossocial e agrega para si outros saberes, tecnologias e protagonistas, sendo o paciente e a família o principal foco do processo terapêutico. Os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), um dos serviços substitutivos da rede de Saúde Mental, por exemplo, tem como alguns de seus objetivos substituir o modelo hospitalocêntrico, evitando as internações e favorecer o exercício da cidadania e a inclusão social dos usuários e de suas famílias. Como se sabe, ao longo do tempo, a família demonstrou diferentes comportamentos em relação ao doente mental; em alguns momentos ela se eximiu do cuidado de seu familiar doente mental e, em outros, a família foi excluída por ser considerada como “nociva ao tratamento”. Outras vezes, ela delegou esse cuidado por não saber como agir frente a certas manifestações do doente. Atualmente, desenvolve-se a reorientação do Modelo Assistencial de Saúde Mental que compreende a família como um parceiro singular e fundamental para a reabilitação psicossocial do doente mental. Nesse sentido, o presente estudo buscou conhecer o papel desempenhado pela família nas tecnologias do cuidar em Saúde Mental na visão dos profissionais no contexto da rede de Saúde Mental da Região do Cariri-CE, para entender como se dá a participação da família nas tecnologias desenvolvidas por esses profissionais.

METODOLOGIA: O estudo de abordagem qualitativa e de caráter descritivo se

apropriou da análise de conteúdo de Bardin e da Hermenêutica, ciência da interpretação, para compreender o papel que a família desempenha nas tecnologias do cuidar em Saúde Mental. O lócus do estudo foi a micro-região do Cariri-CE, que fica situada ao sul do estado do Ceará, mais especificadamente o triângulo CRAJUBAR composto pelas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. O estudo é composto por 29 sujeitos, que são os profissionais de nível superior que compõem as equipes multiprofissionais de saúde mental que atuam nos CAPSs, Hospital-dia e Hospital

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psiquiátrico, existentes no universo descrito acima. Ao todo totalizaram: cinco CAPSs, um hospitais-dia e um hospital psiquiátrico. Como o estudo envolve seres humanos procurou-se respeitar os preceitos éticos em consonância com a resolução n° 196/96 do CNS, sendo este trabalho previamente submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Regional do Cariri e aprovado com o parecer nº 45/2010. O estudo foi realizado no período de janeiro a dezembro de 2010, e para a coleta dos dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada com questões que versam sobre a temática.

DISCUSSÃO DOS DADOS/ RESULTADOS: O papel da Família no contexto de

cuidar na Saúde Mental emergiu através de três aspectos que foram assim categorizados: Importância da co-participação do binômio família-paciente nas tecnologias de cuidar; A família como reprodutora do preconceito; e Inclusão das famílias no espaço de cuidado. As categorias emergentes das falas dos sujeitos expressam o quanto o contexto do cuidado em Saúde Mental vem mudando ao longo de todas as discussões em torno de um novo modelo de atenção psiquiátrica cada vez mais democrático e includente. Os sujeitos percebem a importância de trabalhar com o binômio família-paciente, novo e complexo objeto de cuidado da Saúde Mental, e buscam, ainda que de forma discreta, implementar tecnologias capazes de agregar estes dois entes de cuidado. Outro aspecto apontado pelos sujeitos é a reprodução do preconceito no seio familiar e, para dirimir esta problemática eles apontam a Educação em Saúde, uma tecnologia leve, como propiciadora de uma mudança de atitude das famílias frente aos pacientes. Discussões sobre a inclusão das famílias no espaço de cuidado também surgem nos discursos dos sujeitos quando apontam algumas tecnologias implementadas por eles como, por exemplo, reuniões familiares. Com isso, os sujeitos expressam o quanto é fundamental que o foco central do cuidado seja a pessoa, sua família, sua rede de relações, onde para tal, se faz necessário que a oferta de ações e serviços se localize em dispositivos comunitários. CONCLUSÃO: A família deve ser vista como um importante parceiro para a reabilitação do paciente. No entanto, o fato dela, ao longo da história, sempre ter estado excluída do tratamento deve ser levado em consideração para que a família não seja vitimizada nem vilanizada. Agora, que o tratamento passa a ser realizado extra-muros e o espaço de cuidados se torna a sociedade, a família é incluída no tratamento do seu ente querido, mas uma pessoa com uma patologia que ela desconhece a forma como lidar e, ainda por cima tem uma série de conceitos estigmatizados construídos histórico-socialmente sobre tal enfermidade. Assim, é imprescindível que os profissionais busquem trabalhar a harmonia desse binômio trazendo a família a participar cada vez mais das tecnologias em Saúde Mental. A unidade familiar precisa ser amparada pelos processos tecnológicos, principalmente, através daqueles operados pelo trabalho vivo em ato (centrado nos atos de produção de vínculos, acolhimento e conversação), visando à produção de relações de escutas e responsabilizações, as quais se articulam com a constituição de vínculos e compromissos em projetos de intervenção que repercutam tanto no controle do sofrimento quanto na produção da saúde. Desse modo, percebe-se o quanto as tecnologias de cuidado nesse âmbito devem nortear-se pela inclusão, empoderando a

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família sobre o tratamento, sobre a doença e as formas de lidar e se adaptar a ela e ao paciente. Com isso, os profissionais compreendem o quão salutar é o papel da família para que o paciente adira ao tratamento, pois, uma peculiaridade dessa área é o eixo paciente-família. Nesse sentido, as tecnologias devem estar centradas nesse eixo com a família tendo uma participação ativa no aparato tecnológico do serviço para que os antigos paradigmas sejam superados e a reabilitação social da família e do paciente seja consolidada.

DESCRITORES: Saúde Mental, Família, Tecnologias. REFERÊNCIAS:

AMARANTE, Paulo. Novos sujeitos, novos direitos: o debate em torno da reforma psiquiátrica. Cad. Saúde Pública, v. 11, n. 3,1995.

BRASIL. Ministério da Saúde. Lei 10.216 de abril de 2001. Disponível em: http://www.saude.am.gov.br. Acesso em: 5 de março de 2010.

COLVERO, Luciana de Almeida; IDE, Cilene Aparecida Costardi; ROLIM, Marli Alves. Família e doença mental: a difícil convivência com a diferença. Rev Esc Enferm USP, v. 38, n. 2, p. 197-205, 2004.

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2.14 O DESEJO DE TER FILHOS EM PESSOAS QUE (CON) VIVEM COM O