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LES RESSOURCES UTILISÉES 37

Dans le document RAPPORT ANNUEL DE GESTION 2020-2021 (Page 39-45)

Os impactos provocados no meio ambiente pela ação humana, como a destruição da camada de ozônio, o desmatamento, o efeito estufa, entre outros, não são uma prática recente. No entanto, cabe frisar que as degradações ambientais provocadas pelas sociedades primitivas tiveram um alcance limitado e incomparável com as resultantes da civilização industrial (DORST, 1973).

Nas atuais discussões sobre a relação entre as atividades empresariais e o meio ambiente, a degradação ambiental passou a ser considerada um problema relevante, e de projeção mundial após o surgimento do capitalismo industrial. Provavelmente, houveram degradações anteriores a esse momento histórico, porém, nada semelhante aos efeitos da industrialização sobre o meio ambiente (DELÉAGE, 1993).

A revolução industrial foi responsável pelo desenvolvimento do comércio mundial, impulsionando a criação de estradas, novas rotas de navegação, bem como o desenvolvimento de outros meios de transporte e meios de comunicação, objetivando ultrapassar fronteiras e conquistar, cada vez mais, um número maior de mercados. A revolução foi um marco representativo da evolução das atividades empresariais. Em contrapartida verificou-se a partir de então em escala crescente a destruição dos recursos naturais, seja pelo uso indiscriminado que se fez dos mesmos ou pela contaminação desenfreada do solo, da atmosfera, e dos recursos hídricos.

Atualmente, o processo de industrialização vem se espalhando por regiões onde anteriormente não havia industrias, ou mesmo onde esta era pouco expressiva. O aumento da industrialização constitui um dos principais fatores responsáveis pela degradação ambiental

massiva, sobretudo pelo fato de que este processo evoluiu para um sistema de produção, que leva a processos irreversíveis de deterioração nos ecossistemas do planeta.

De acordo com Schenini (1999), é triste a realidade dos recursos naturais findáveis. Devido ao caráter finito das matérias primas e pela industrialização desenfreada da atualidade, o setor industrial é amplamente reconhecido como o fator preponderante na degradação ambiental do planeta.

Os recursos renováveis, apesar de não serem finitos, não podem se auto-reproduzir no ritmo desejado pela lógica da sociedade industrial. Além disso, há um terceiro fator que demonstra a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento das sociedades industrializadas, isto é, que os ecossistemas não são capazes de absorver permanentemente o lixo produzido pela sociedade de consumo.

O processo de desenvolvimento dos países se realiza, basicamente, às custas dos recursos naturais vitais, provocando a deterioração das condições ambientais em ritmo e escala até ontem desconhecidos. Do ponto de vista ambiental o planeta chegou quase ao ponto de não retorno. Se fosse uma empresa estaria à beira da falência, pois dilapida seu capital, que são os recursos naturais, como se eles fossem eternos. O poder de autopurificação do meio ambiente está chegando ao limite (MILARÉ, 2000).

Muitos problemas ambientais estão ligados direta ou indiretamente ao setor industrial contemporâneo que, apesar de toda tecnologia empregada no sentido de abrandar os efeitos nocivos causados ao meio ambiente, continua sendo um grande empecilho, e que por isso deve ser questionado nos seus pressupostos mais básicos, afim de que se chegue a uma solução viável em todos os sentidos; não só tendo em conta o sistema econômico, mas sempre se levando em consideração os recursos mais importantes para a manutenção da vida terrestre, os recursos naturais.

Diante deste panorama, a partir da década de 80, difundiu-se rapidamente em muitos países europeus a consciência de que os danos cotidianos ao ambiente poderiam ser substancialmente reduzidos por meio de práticas de negócios ecologicamente corretos. Antes dos anos 80, a proteção ambiental era vista como uma questão marginal, custosa e muito indesejável, a ser evitada; em geral, seus opositores argumentavam que ela diminuía a vantagem competitiva da empresa (MAIMON, 1996).

Na década de 80, a globalização cresceu exponencialmente devido à queda dos preços do petróleo e das commodities e a concomitante ascensão do capital como motor do crescimento econômico (MAIMON, 1996). Nesta época possuir insumos baratos deixa de ser o bastante para ser competitivo, o ideal é usá-los produtivamente. Neste ambiente, as

organizações são obrigadas a reavaliar suas estratégias, é introduzida gradualmente na gestão dos negócios a dimensão ecológica. De início, isto ocorreu de forma esporádica quando gerentes e empresários começaram a desenvolver programas de reciclagem, de economia de energia, de aproveitamento de resíduos, entre outros, em suas empresas. Estas práticas disseminaram-se rapidamente e logo muitas organizações passaram a desenvolver sistemas administrativos em consonância com a causa ambiental.

Callembach et al. (1993) reforçam o fato de que nos anos 80 os gastos com proteção ambiental deixaram de ser vistos pelas empresas líderes de mercado como custo para investimentos e forma de obtenção de vantagem competitiva. As ações da classe corporativa passaram de defensiva e reativa para ativa e criativa. Administrar com consciência ecológica passou a ser o lema dos empresários voltados para o futuro. Muitos executivos têm colocado a gestão ambiental como uma prioridade, pois além de reduzir o desperdício de matérias-primas ajuda a melhor à imagem da empresa.

Diante da importância que a questão ambiental tem assumido, muitos conceitos têm surgido como gestão ambiental, certificação ambiental, atuação responsável, entre outros. A questão ambiental vem gradualmente deixando de ser um problema para as organizações, para se tornar parte de uma solução maior, traduzida pela sustentabilidade, que suporta a credibilidade da empresa junto à sociedade através da qualidade e da competitividade de seus produtos.

De acordo com Reis (1996), as exigências legais e normativas, além das restrições de mercado e proliferação de selos verdes, vêm obrigando as empresas a lançarem mão de programas de gerenciamento ambiental. Estes programas têm provocado transformações progressivas no ambiente de negócios, principalmente no que se refere à localização e atuação das empresas que têm promovido mudanças constantes na sua forma de produção (DONAIRE, 1999).

Apesar da força da lei como bem enfatiza Cortazar et al. (1998), vem crescendo entre os governos a idéia de que as regras de mercado são mais eficientes para determinar quais organizações sobreviverão do que ficar querendo impor excessivas regulamentações. No entanto, leis estão sendo publicadas de forma contínua, aplicando sanções que dependem dos níveis de poluição produzidos, ao passo em que é deixado ao encargo das empresas à decisão sobre seus investimentos e políticas de produção.

Com o objetivo de minimizar os impactos ambientais, o sistema de gestão ambiental - SGA, conforme Franco (2000), pressupõe a existência de três princípios de ação humana: da preservação, da recuperação e da conservação do meio ambiente. O princípio da preservação

dispõe que os ecossistemas deverão permanecer intocados pelo ser humano e representam as áreas de reserva e bancos genéticos de interesse para as futuras gerações. Já o princípio da recuperação ambiental aplica-se a áreas modificadas pela ação humana adotando-se neste caso e a partir de um certo momento, o principio de se manter uma área intocável, para que se possa estabelecer a recuperação do ambiente degradado. O princípio da conservação ambiental pressupõe a utilização dos recursos naturais pelo homem, no entanto com o mínimo de risco ou efetiva destruição da fonte de obtenção de alimento ou energia.

A criação de normas ambientais voluntárias revelou-se um aspecto fundamental da questão ambiental relacionada ao ambiente produtivo, que é o estabelecimento de parâmetros do que vem a ser um processo produtivo ambientalmente adequado. Segundo Tibor e Feldman (1996), no transcorrer da elaboração das normas da série ISO 14000 buscaram-se assegurar à padronização de processos, através de elementos essenciais à construção de um sistema que alcance as metas ambientais definidas pela organização.

Donaire (1999) enumera alguns motivos para que as empresas passem a utilizar os princípios da gestão ambiental:

a) ajuda a manter um padrão mínimo de qualidade de vida;

b) permite o consenso entre a sociedade e a comunidade corporativa, que é essencial para existir a livre economia de mercado;

c) possibilita a redução de custos;

d) representa novas oportunidades em um mercado em rápida expansão e) diminui o risco de ser responsabilizada por danos ambientais, e

f) faz com o executivo se identifique com seu emprego e profissão, não entrando em conflito com sua própria consciência.

Sem a gestão ambiental, os conselhos de administração, diretores executivos, chefes de departamentos e os demais membros da organização terão aumentada suas responsabilidades em face de danos ambientais, colocando em risco seus empregos e respectivas carreiras profissionais.

Donaire (1999) acrescenta outros argumentos para que as empresas se engajem na causa ambiental, são eles:

a) Devem buscar entender e lidar com a questão ambiental antes que seus concorrentes o façam, e saiam na frente;

b) Prevenir a poluição, principalmente se elas excederem aos limites fixados na legislação, proporcionando otimização da imagem da organização frente a outras empresas, clientes, sociedade e órgãos do governo;

c) Conquistar o comprometimento dos funcionários através da motivação e conscientização demonstrada pela empresa com objetivos nobres como melhoria do ambiente natural, da saúde da comunidade, do ambiente de trabalho, entre outros que excedem a produção propriamente dita;

d) Tornar conhecido de todos: fornecedores, governo, clientes e comunidade que você se preocupa com as questões ambientais.

O sistema de gestão ambiental faz parte do comportamento ético-ambiental da empresa, ou seja, daquele decorrente da maior consciência com relação ao meio ambiente. O sucesso do sistema de gestão ambiental está calcado no comprometimento da empresa e de seus funcionários com a política ambiental, expressa em planos, programas e procedimentos específicos. Nesse sentido, sem o comprometimento de todas as partes, independentemente dos níveis e funções, a implantação do SGA se torna inviável (MAIMON, 1996).

Cabe ressaltar ainda que para a implantação do SGA, é necessário que a empresa passe por uma avaliação com o objetivo de identificar o estágio ambiental em que ela se encontra. Através desta avaliação, os executivos da empresa poderão constatar a amplitude e gravidade dos impactos ambientais provocados pela organização e, por conseguinte, como estes poderão afetar a própria existência da empresa, caso não sejam minimizados, ou se possível, eliminados.

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