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A educação promotora da literacia da informação é aquela que adopta práticas pe- dagógicas voltadas para a construção do conhecimento, a aprendizagem independente e a aprendizagem ao longo da vida, a partir de elaboração de projectos de pesquisa e re- solução de problemas (Dudziak, 2002). Por isso, está directamente relacionada com o currículo integrado (baseado na transdisciplinaridade) e na aprendizagem baseada em re-

cursos, tendo como objectivo maior instrumentalizar e interiorizar comportamentos que levem à proficiência investigativa, ao pensamento crítico, à aprendizagem autónoma e à aprendizagem ao longo da vida (Dudziak, 2003; ALA, 1989).

As orientações educacionais presentes na Lei de Bases bem como noutros documentos (refira-se de forma particular o Decreto-Lei número 240/2001 que traça o perfil dos do- centes e o documento "Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais") remetem para a necessidade do processo de ensino e aprendizagem estabelecer, na sua concretização, uma ligação ao quotidiano, promover a autonomia do aluno e desenvol- ver competências que facilitem a aprendizagem ao longo da vida a partir do recurso a metodologias activas, a estratégias diversificadas e recursos em formatos variados.

Como refere Bruce (2002), as oportunidades de aprendizagem que promovem a literacia da informação não só utilizam as diferentes infraestruturas de informação e comunicação, mas são também planeadas para trazer as práticas de informação, reais na vida pessoal, cívica e profissional, para o currículo. As chamadas "authentic learning activities (Taylor, 2006) permitem aos alunos o desenvolvimento paulatino das competências essenciais que permitirão a construção do conhecimento e assegurarão a integração na Sociedade da Informação. Segundo Taylor (2006), as actividades de aprendizagem que promovem o desenvolvimento da literacia da informação são as seguintes: aprendizagem baseada em problemas ( problem-based learning); aprendizagem baseada em recursos (resource-based

learning ); aprendizagem baseada em projectos (project-based learning ) e aprendizagem

baseada na investigação (inquiry-based learning).

Apesar de existirem pequenas diferenças entre estas quatro diferentes abordagens do processo de aprendizagem, como se pode confirmar no quadro 4.2, de forma global as vantagens que apresentam são similares no que concerne ao desenvolvimento da literacia da informação.

A aprendizagem baseada em problemas baseia-se no processo de resolução de pro- blemas (identificação do problema, discussão das razões e implicações apresentadas pelo problema e a reflexão sobre como resolver ou melhorar a situação). A aprendizagem ba- seada em recursos é uma metodologia que permite aos alunos aprender a partir da sua própria confrontação com os recursos de informação, variados e em diversos formatos. Este modelo de aprendizagem permite desenvolver nos alunos a capacidade de reconhecer uma

Quadro 4.2: Actividades de aprendizagem autênticas (Taylor, 2006)

necessidade de informação, saber como seleccionar informação, organizá-la e comunicá-la aos outros. Ao longo deste processo, os alunos adquirem competências ao nível da análise, interpretação, síntese e organização da informação e desenvolvem o pensamento crítico, construindo o conhecimento.

A aprendizagem baseada em projectos diz respeito ao desenvolvimento de um pro- duto ou criação como resultado de um trabalho de investigação. Quando os estudantes aprendem através da metodologia de aprendizagem baseada na investigação, o processo de aprendizagem inclui o levantamento de questões e o pensamento crítico na resolução de problemas, tal como nas restantes abordagens.

Os benefícios que os estudantes retiram destas formas de aprendizagem são, para além de uma maior motivação e envolvimento, o incremento da autonomia na aprendizagem, uma maior qualidade da mesma, a promoção do pensamento crítico através da interacção com a informação em variados formatos e uma atitude mais activa no processo de apren- dizagem (Taylor, 2006). O aluno constrói o conhecimento através dos recursos a partir das questões formuladas, de forma semelhante ao que efectivamente acontece no mundo real.

É pertinente referir que a Biblioteca Escolar, enquanto centro de recursos, assume, no contexto das abordagens pedagógicas aqui referidas, uma missão particular. Com efeito, como explanaremos neste capítulo, a biblioteca, lugar onde se encontram disponí-

veis os recursos informacionais a utilizar em contexto lectivo, e o professor bibliotecário, agente pedagógico e profissional da informação, devem fazer parte integrante do processo de aprendizagem. Como refere Scheirer (2000), "Teacher-librarians are the forefront of

helping teachers use resource-based learning in their classrooms" (p.2).

No contexto de actividades de aprendizagem orientadas para a pesquisa, há ainda a destacar as Webquests8 que promovem nos alunos a capacidade de resolução de proble- mas, desenvolvendo competências em informação. As WebQuests, criadas em 1995 por Bernie Dodge, são actividades contextualizadas e motivadoras, baseadas na pesquisa de informação, disponibilizadas na Web, propostas por professores e resolvidas colaborativa- mente por um grupo de alunos (Carvalho, 2008). As WebQuests apresentam, geralmente, cinco componentes: introdução, tarefa, processo, avaliação e conclusão. Na introdução, de forma apelativa, deve contextualizar-se o trabalho que vai ser desenvolvido. Seguida- mente, são explicitadas as tarefas a desenvolver pelos alunos. No processo, são indicadas as fases ou etapas a seguir para realizar a tarefa e os recursos ou fontes a consultar ou a analisar; na avaliação, é referida a forma como os alunos serão avaliados. Finalmente, na conclusão, são mencionadas as vantagens da realização do trabalho, desafiando-se o aluno para aprofundar a pesquisa (Carvalho, 2008). Refira-se que, embora a maior parte dos recursos ou fontes a consultar devam estar disponíveis na Web, também podem ser dadas referências não disponíveis online.

A implementação das actividades de aprendizagens autênticas permite a apropriação de diversas estratégias de aprendizagem para apoiar os alunos enquanto aprendentes ac- tivos. Por outro lado, desenvolverá nos mesmos o pensamento crítico e competências de resolução de problemas através da realização de actividades que envolvem a localização e interpretação da informação, tornando-se a Biblioteca Escolar uma extensão da sala de aula (Doyle, 1992).

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