No contexto da promoção da literacia da informação, a questão da colecção da biblio- teca surge como essencial, porque a biblioteca deve assegurar o acesso físico à informação
e aos recursos de aprendizagem e deve desenvolver-se e ser avaliada colaborativamente de forma a apoiar o currículo e ir ao encontro das diversas necessidades de aprendiza- gem dos alunos (AASL/AECT, 1998). De acordo com IFLA (2002), a Biblioteca Escolar deve disponibilizar recursos que permitam a todos os seus utilizadores tornarem-se pen- sadores críticos e utilizadores efectivos da informação em todos os suportes e meios de comunicação.
Para cumprir as suas funções informativa, educativa, cultural e recreativa, a Biblio- teca Escolar deve "disponibilizar acesso a um amplo leque de recursos que corresponda às necessidades dos utilizadores, independentemente da sua educação, informação e desen- volvimento pessoal" (IFLA, 2002, p.10).
A colecção da Biblioteca Escolar deve, pois, ter como principais objectivos concretizar as metas definidas no Projecto Educativo e apoiar o desenvolvimento do Projecto Cur- ricular, dando resposta às necessidades curriculares das diferentes disciplinas e projectos de trabalho, apoiando a planificação de actividades de ensino e diversificação de situa- ções de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento cultural, estético e científico, promovendo a leitura e possibilitando uma ocupação útil e enriquecedora dos tempos livres.
Enquanto especialista em informação, o professor bibliotecário deve, efectivamente, pôr os alunos e professores em contacto com a informação de que necessitam, no con- texto da implementação de actividades de aprendizagem autênticas. Para concretizar este objectivo, o professor bibliotecário deve, em colaboração com a comunidade educa- tiva, desenvolver e implementar uma política de desenvolvimento da colecção, visando estabelecer um referencial orientador na constituição, desenvolvimento e gestão da colec- ção da biblioteca. A política de desenvolvimento da colecção assegura o estabelecimento de critérios consistentes que presidem à selecção dos diferentes materiais que constituem a colecção da biblioteca, norteiam a aceitação de ofertas/doações e o abate de documentos, tornando também claros todos os procedimentos relativos à aquisição de materiais.
O desenvolvimento da colecção deve, pois, ser realizada de forma colaborativa entre o professor bibliotecário e os restantes professores. De acordo com AASL/AECT (1998), esta questão é essencial, porque assegura a criação de colecções ao serviço das metas curriculares e da literacia da informação. Para concretizar este objectivo, o professor
bibliotecário deve ter uma visão global do currículo, das características gerais dos alunos, dos recursos tradicionais e electrónicos e um conhecimento profundo dos pontos fortes e fracos da colecção que a biblioteca disponibiliza.
Este conhecimento profundo da colecção é deveras importante no contexto da pro- moção e desenvolvimento da literacia da informação. Este processo, designado collection
mapping, representa apenas um passo no processo de desenvolvimento da colecção, de-
vendo a biblioteca recolher e analisar outros dados, com o objectivo de construir uma colecção que apoie o currículo e vá ao encontro das necessidades e interesses dos utiliza- dores.
Collection mapping é, em suma, o processo utilizado para recolher, apresentar e or-
ganizar a informação relativa à colecção da biblioteca (Corps, 2001a), identificando e divulgando as áreas fortes e fracas da mesma. Este processo é importante, no contexto do curriculum mapping explorado na secção anterior, porque sem recursos adequados de pouco vale a identificação de áreas curriculares onde integrar as competências em infor- mação.
Apesar de ser um processo moroso, são muitos os benefícios da collection mapping, de acordo com Corps (2001a), nomeadamente:
• permite a identificação de áreas da colecção que precisam de reforço ou
não, em função de alterações no currículo;
• fornece evidências de que a colecção da biblioteca apoia o currículo e
responde às necessidades académicas e recreativas dos estudantes;
• mostra como o orçamento da biblioteca é gasto, e o rumo que a colecção
deve tomar no futuro;
• providencia dados para serem utilizados em estratégias para se consegui-
rem apoios externos;
• mostra como o plano de desbaste vai ao encontro das prioridades curricu-
lares e identifica recursos desactualizados, deteriorados ou sem qualquer importância (p.53).
Este processo é muito mais profundo que a mera identificação da quantidade e qua- lidade dos recursos disponíveis. Com efeito, os recursos têm que ser identificados por assuntos de forma a perceber que curricula estão a ser apoiados e onde é necessário investir na aquisição de materiais adicionais (Taylor, 2006). Este trabalho só pode, natu- ralmente, ser realizado em colaboração com os professores curriculares e com o apoio do órgão de gestão da escola.
De acordo com Corps (2001a), o processo de realização de collection mapping deve seguir um conjunto de seis passos essenciais. O primeiro diz respeito à recolha de dados sobre o total da colecção, calculando o número de documentos por aluno, incluindo in- formações sobre a idade e a qualidade dos documentos. Seguidamente, deve recolher-se dados sobre o acesso às novas tecnologias por parte dos professores e alunos na escola e em casa. O terceiro passo diz respeito à recolha de dados sobre áreas específicas da colecção, confrontando-as com as informações sobre as áreas curriculares disponíveis no curriculum
mapping. Nesta fase do processo, é necessário ter em consideração que os recursos para
uma determinada área curricular podem ser encontrados em diferentes áreas da colecção. O quarto passo diz respeito à criação de um mapa da colecção utilizando para o efeito diagramas, gráficos ou outros processos, com vista a mostrar aos professores e à restante comunidade educativa a colecção da biblioteca. O passo seguinte envolve a análise dos dados recolhidos e a reflexão sobre a forma como a colecção se deve desenvolver. Esta avaliação da colecção permite confirmar se mesma apoia o currículo da escola, identifica as áreas que necessitam ser desenvolvidas, estabilizadas ou desbastadas, fornecendo informa- ção em simultâneo sobre as necessidades ao nível das TIC e das prioridades orçamentais. Finalmente, este processo permite confrontar a colecção com tópicos e unidades cur- riculares e perceber de que forma aquela está capacitada para responder às necessidades curriculares e ao desenvolvimento das competências em informação. Por outro lado, per- mite perspectivar a forma como a colecção se deve desenvolver a curto e médio prazo10.