As estratégias metodológicas mais apropriadas para este estudo foram o levantamento (survey) e o estudo de caso. O levantamento e o estudo de caso são duas das estratégias de pesquisa mais utilizadas nas pesquisas em sistemas de informação. O survey é normalmente associado aos métodos quantitativos, ao passo que o estudo de caso que tem granjeado considerável interesse ao longo das últimas décadas (HOPPEN; LAPOINTE; MOREAU, 1997; DINIZ, et al. 2006) é mais usado com métodos qualitativos (ORLIKOWSKI; BAROUDI, 1991; CHOUDRIE; DWIVEDI 2005).
O survey é uma estratégia na qual uma amostra de sujeitos é retirada de uma população e estudada com o intuito de fazer inferências sobre essa população (COLLIS; HUSSEY, 2005). O caráter da objetividade do survey e a tendência ao uso da estatística têm influenciado a pesquisa sócio-científica em que esta estratégia tem sido usada para descobrir o que existe e como existe no ambiente social de um grupo, uma organização, uma área geográfica e mesmo um país inteiro (KERLINGER, 1980). Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo de pessoas acerca do problema estudado para posteriormente, mediante análise quantitativa, obter os resultados correspondentes aos dados coletados (GIL, 1999).
Segundo Babbie (1999), existem vários tipos de survey tais como: censos demográficos, pesquisas de opinião pública, pesquisas de mercado, estudos epidemiológicos etc, e três objetivos gerais permeiam esses tipos: a descrição, a explicação e a exploração,
sendo que algumas pesquisas survey, principalmente descritivas e explicativas, permitem análise de dados ao longo do tempo.
A dimensão tempo define como ocorrerá a coleta de dados no survey. Para Cooper e Schindler (2003), esta dimensão pode ser transversal ou longitudinal. No primeiro caso, o estudo é realizado uma vez e representa o fenômeno em um determinado momento. Já no segundo caso, o estudo é realizado para acompanhar mudanças que estão ocorrendo ao longo do tempo.
Apesar da importância de estudos longitudinais, por permitirem analisar mudanças ao longo do tempo, Richardson (1999) afirma que os estudos transversais são os mais freqüentes em pesquisas sociais. Tal fato é corroborado por Cooper e Schindler (2003) que apresentam as restrições de orçamento e tempo como condicionadores importantes para a realização de estudos transversais. Para atender a finalidade desse estudo, foi adotado o estudo de corte transversal, descrevendo o cenário apenas naquele momento, ficando caracterizado como uma pesquisa survey descritiva de corte transversal.
Cooper e Schindler (2003) destacam que o ponto forte de um projeto survey é sua versatilidade, porém, apontam como fragilidades a qualidade e a quantidade de informações obtidas, as quais dependem da capacidade e da disposição de cooperar dos respondentes. Ademais, Gil (1999) também destaca como limitações a ênfase em aspectos perspectivos, pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais e uma visão estática do fenômeno estudado.
Já a estratégia de estudo de caso tem como foco compreender a dinâmica presente dentro de um cenário singular, colocando mais ênfase em uma análise contextual completa de poucos fatos ou condições e de suas inter-relações (EISENHARDT, 1995; MERRIAM, 1998; COOPER; SCHINDLER, 2003). Tal estratégia deve ser selecionada quando se busca investigar fenômenos contemporâneos dentro de um contexto real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (YIN, 2001). Sobre tal contexto, Godoy (2006, p. 121) esclarece que “ao se concentrar em um simples fenômeno, esta abordagem de pesquisa pretende descobrir e revelar a interação entre os fatores internos e externos que são características do mesmo evento”.
Segundo Merriam (1998), o estudo de caso é diferente de outras formas de pesquisa qualitativa devido à sua descrição intensa, holística e à análise de uma unidade singular. Além disso, o interesse está mais no processo do que no resultado, no contexto do que na variável específica, na descoberta do que na confirmação. Assim, segundo aquela autora, enquanto
alguns estudos de casos são puramente descritivos, outros são uma combinação de descrição, interpretação e avaliação quando se buscam padrões nos dados e desenvolvimento de categorias conceituais que possibilitem ilustrar, confirmar ou opor-se às suposições teóricas (MERRIAM, 1998; GODOY, 2006). Para finalidade desta pesquisa optou-se pela combinação de descrição e interpretação.
Triviños (1987) ressalta que mesmo que o objetivo da pesquisa não seja obter comparações, o pesquisador pode estudar mais organizações ou mais sujeitos, o que denomina de estudos multicasos (múltiplos casos ou casos múltiplos). Tal estratégia envolve coletar e analisar dados de vários casos (MERRIAM, 1998). Collis e Hussey (2005) destacam a importância de estudos multicasos, não por tentar generalizações estatísticas, mas por tentar generalizações teóricas, na qual a teoria aplicada a um grupo sob dada circunstância pode ser aplicada para outro. Além de poder especificar como, onde e o porquê, fortalecendo a precisão, a validade e a estabilidade dos achados (MILES; HUBERMAN, 1994).
Segundo Yin (2001) existe uma probabilidade dos projetos de casos múltiplos serem mais fortes do que os de caso único por apresentarem evidências mais consistentes, sendo uma estratégia comum por intensificar a validade externa ou a generalização das suas descobertas (MERRIAM, 1998) e também por permitir intensidade de análise, em uma estrutura como a do quadro 11.
Variação Caso Único Casos múltiplos Holístico
(unidade única de análise) Tipo 1 Tipo 3 Incorporado
(unidades múltiplas de análise) Tipo 2 Tipo 4
Quadro 11 (4) - Tipos de casos
Fonte: Adaptado de Yin (2001).
Flick (2004) orienta que se faça uma breve descrição de cada caso antes que se empreendam análises comparativas. O presente estudo seguiu esta recomendação e desta forma, primeiramente, os casos foram analisados separadamente para uma posterior comparação, buscando uma avaliação, descrição e interpretação dos achados, por meio de uma análise intensiva, empreendida nas organizações objetos de estudo.
Com esta ação, esta pesquisa buscou caracterizar elementos de alinhamento estratégico em pequenas empresas de software, primeiro com um levantamento e, posteriormente, buscando compreender o fenômeno do alinhamento, por meio de um estudo tipo 4, nas pequenas empresas tidas como representativas, após a análise do levantamento realizado.