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Research avenues

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6 FIELD EVALUATION OF ADVANCED LIFE SUPPORT AT URGENCES-SANTÉ

8.4 Research avenues

A mídia pode ser utilizada para a difusão de informações, entretenimento, comunicação, anúncios publicitários, a partir de diferentes meios como o rádio, jornal, televisão e internet, por exemplo (Gastaldo, 2002; Thompson, 2004; Parry, 2012). O acesso à mídia possibilita que o indivíduo receba estímulos, iniciando o processo de percepção e cognição que resultará em um comportamento ou posicionamento (Sperber e Wilson, 2001).

Conforme Gastaldo (2002) e Thompson (2004), a mídia é definida como um “meio de

comunicação em massa”, ou seja, produção para um público numeroso e indistinto. Para

Parry (2012, p.7) seu conceito relaciona-se ao “veículo por meio do qual palavras, imagens,

informações e ideias são distribuídas. O conteúdo é mediado e chega até nós por intermédio de uma mídia”. Este meio de difusão de informações permite que as pessoas tenham

conhecimento de fatos ocorridos em localidades distantes (Park, 1972), promovendo uma sociedade cada vez mais dependente da mídia (Lage, 2001). De acordo com Parry (2012, p.20), “a sociedade precisa da mídia para se manter em funcionamento; ela nos permite

compartilhar ideias e experiências”. Exemplos para tal processo são o rádio, cartazes

publicitários e de propaganda, televisão, livros, revistas, jornais e internet (Moles, 1969; Gastaldo, 2002; Thompson, 2004).

Dentre os meios de comunicação existentes, a internet é a mídia em que se encontram todos os tipos de informação, não ocorrendo restrições de assuntos. Além disso, a internet não

possui limites quando se refere aos serviços disponibilizados, abrangendo desde anúncios publicitários, até notícias e sites de entretenimento. Esta mídia é a mais consumida atualmente principalmente para o acesso à comunicação e informação (Longman, 2000). Ainda, a internet é caracterizada como um canal de convergência entre muitas mídias, permitindo ser chamada de ‘supermídia’ para o uso e acesso de dados (Jenkins, 2009; Parry, 2012).

Destaca-se que a evolução da mídia, associada também ao desenvolvimento tecnológico, proporcionou maior alcance à informação e à comunicação. Embora novas mídias tenham surgido, os meios tradicionais foram mantidos, havendo a integração destes (Costella, 2001; 2002; Jenkins, 2009; Parry, 2012).

Associado ao megaevento, os diferentes tipos de mídia têm papel fundamental na formação e divulgação da imagem produzida para a Copa do Mundo. O meio de informação pela televisão é o maior responsável por fazer a cobertura ao vivo, registrando, segundo Bourdieu (1997), os momentos para serem oferecidos aos países dominantes (Estados Unidos e países europeus) no horário de maior audiência. Tal fato aconteceu, por exemplo, nas Olimpíadas de Seul, cujos horários dos jogos finais de atletismo foram definidos de acordo com a máxima audiência nos Estados Unidos. No caso da Copa do Mundo de 2014, os horários foram determinados de acordo com a audiência na Europa (Farias, 2014a).

Junto da transmissão ao vivo, a mídia trabalha com momentos anteriores e posteriores ao megaevento, tendo destaque desde 1936, quando foi transmitido o filme “Olympia” sobre os jogos Olímpicos de Berlim, assistidos por 162 mil pessoas. Outro destaque foi a Copa do Mundo de 1998 na França que somou uma média de 94% dos aparelhos ligados nas emissoras que transmitiam os jogos (Gastaldo, 2002). De maneira geral, as informações provenientes da mídia tendem a reproduzir o discurso do COI e FIFA, enfatizando o idealismo, positivismo (Proni, 2008) e sentimentos de nacionalismo (Bitencourt, 2009), ocultando o direcionamento dos gastos públicos para atender ao megaevento (Marcondes, 1986; Bourdieu, 1997).

De acordo com Bourdieu (1997) e Gastaldo (2002), a televisão está sob a pressão de um campo econômico, produzindo a audiência como produto de consumo para os anúncios comerciais, adquirindo maior vínculo com o marketing (Bianco, 2010). Para a Copa do Mundo de 2014, o consumo esteve associado aos produtos exclusivamente de patrocinadores: Coca-Cola, Adidas, Sony, Oi, Garoto, Visa, McDonald’s, dentre outros (FIFA, 2014b). Somado a isso, o fato de produtos serem anunciados por celebridades faz, na maioria das

vezes, que esses tenham maior aceitação pela sociedade, consequentemente maior força nas vendas (Elin e Lapides, 2006). Assim, o esporte tornou-se um produto lucrativo (Proni, 2008) que satisfaz tanto os telespectadores, que consomem cada vez mais o produto, quanto o mercado publicitário, que é atraído pelas grandes audiências junto de seu público-alvo (Pires, 2011).

Além da televisão, a difusão de informações vinculadas aos megaeventos abrange todos os demais meios de comunicação, contudo, alguns oferecem esse assunto com maior evidência. Geralmente, as notícias saturam mais a mídia comparado aos comerciais publicitários, por exemplo, em função das informações divulgadas ocorrerem no mesmo dia, havendo sempre a propagação de matérias novas (Gastaldo, 2009). Com relação à internet, editoras, empresas jornalísticas e entidades de esportes começaram a dar maior atenção à construção de sites esportivos no final da década de 1990, possibilitando o “acesso a dados

estatísticos, tabelas, informe de eventos e históricos, complementando o noticiário dos jornais e revistas especializados” (Murray, 2000, p. 721).

Com relação à Copa do Mundo de 2014, a mídia atende uma ‘demanda social’ a partir da “produção e consumo motivado pelo evento em curso, no qual se inserem, além da

cobertura dos jogos, cadernos especiais nos jornais e revistas, longas matérias nos telejornais, programas diversos com a temática da Copa, anúncios publicitários, etc”

(Gastaldo, 2009, p.362).

Levando em consideração que todas as pessoas têm acesso aos diferentes tipos de mídia diariamente, tem-se como um dos objetivos específicos: verificar se os impactos

divulgados pela mídia influenciaram a percepção do usuário quanto ao evento.

Na percepção dos diferentes tipos de mídias citados podem ser observados três processos de influência no indivíduo. Primeiramente consideram-se os processos provenientes do conteúdo exibido de forma compreensível, como informações e personagens, que de forma proposital ou não, mostram para o receptor parâmetros para que ele assuma ou não comportamentos pela demonstração do valor desta conduta. Junto a esses, a influência pode resultar por meio dos processos de colocação de propagandas no campo de visão do usuário onde não alcançam o centro da atenção da pessoa, fazendo com que as informações sejam recebidas de forma não proposital. Por último, os processos relacionados aos estímulos fora

da consciência, conhecidos também por processos subliminares, que provocam uma influência limitada pela consciência do receptor (Batista et al., 2008).

Neste contexto, as pessoas também assumem um papel reflexivo diante ao que veem na mídia, podendo desencadear um novo posicionamento sobre os fatos (Thompson, 2004). Para Rangel-S (2007), a mídia pode causar influências tanto negativas como positivas, o que pode ter relação com o entendimento transmitido, uma vez que as pessoas “processam apenas

20% das informações recebidas, em uma espécie de paralisação cognitiva” (Rangel-S, 2007,

p. 1379). Entretanto, para melhor compreensão de uma mensagem é indispensável a transmissão e participação das pessoas juntamente da atenção dada aos conteúdos, ajudando na interpretação de informações, favorecendo consequentemente o processamento de determinados estímulos em detrimento de outros (Lagneau, 1981).

A influência ocorre a partir do processo de identificação com a mídia, que se dá através da dimensão do corpo e da imagem em si, ou seja, para que ocorra a identificação com a imagem de um anúncio, por exemplo, é necessário que ocorra a motivação do telespectador em fixar sua atenção sobre a imagem, ter a experiência de olhar, manipular e tocar. Ainda, destaca-se que a mídia vinculada ao consumo vende estilos de vida, sentimentos e visões de mundo (Barbosa, 2004). Afinal, “é preciso que o mundo dentro dos anúncios mantenha um

diálogo com a sociedade, fazendo uma edição muito particular das experiências sociais disponíveis” (Rocha, 2006, p.39).

Posto isto, destaca-se que desde a divulgação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, tornou-se evidente a quantidade de reportagens, comerciais, cartazes de rua dentre outras mídias que exibiram os impactos tanto negativos quanto positivos gerados na cidade. Por conta disto, tem-se como hipótese de que as pessoas conhecem os impactos negativos

das remoções porque foram informadas pela mídia ou os vivenciaram.

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