O fordismo como forma de organização do trabalho surgiu em 1913, quando Henry Ford, à frente da sua empresa, que já existia há 10 (dez), anos cria uma nova forma de produzir e de organizar o trabalho. Tendo como produto o automóvel, estabelece uma forma de venda em massa e com preços relativamente baixos.
A fabricação de veículos, até então, se dava através de mecânicos altamente especializados, que fabricavam o automóvel praticamente por inteiro e de forma artesanal. A produção era lenta, o que demandava muito tempo e desperdício de capital.
Ford, através do método taylorista10 – pautado na organização científica do trabalho, no planejamento e no controle dos tempos e movimentos do trabalho -, organiza a produção através da padronização e da produção em série como condição para a redução de custos e elevação de lucros. O trabalho deveria ser
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...] o trabalho informal cumpre a mesma função do formalmente assalariado, que desenvolve sua ocupação na indústria, nos ramos comerciais e/ou financeiros, sob uma explícita relação empregado- empregador (TAVARES, 2004. p.19).
9 “A questão social não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão” (IAMAMOTO; CARVALHO, 1983, p. 77).
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Tal método consiste na dissociação do processo de trabalho das especialidades dos trabalhadores, ou seja, o processo de trabalho deve ser independente do ofício, da tradição e do conhecimento dos trabalhadores, mas inteiramente dependente das políticas gerenciais. Taylor separa a concepção (cérebro, patrão) da execução (mãos, operário). Nega ao trabalhador qualquer manifestação criativa ou participação. A introdução das idéias tayloristas também foi adaptada ao campo do trabalho doméstico e da medicina. Vinculava-se a necessidade das donas de casa e dos médicos otimizarem suas tarefas. Neste contexto, a organização das atividades deveria ser bem planejada a fim de que tudo fosse realizado com eficiência e rapidez. É o chamado controle de tempos e movimentos. Para tudo isso, é fundamental a hierarquia e a disciplina. Isto foi o que predominou na grande indústria capitalista, ao longo do século XX e é um modelo que ainda está bem vivo em algumas organizações, a despeito de todas as inovações. A crise deste modelo surgiu em grande parte pela resistência crescente dos trabalhadores ao sistema de trabalho em cadeia, à monotonia e à alienação do trabalho fragmentado. (GOUNET, 1999).
realizado na linha de produção de forma intensa, padronizada e fragmentada, proporcionando ganhos de produtividade (GOUNET, 1999).
Assim, para elevar os lucros, Ford partiu para a produção em massa, racionalizando ao extremo as operações efetuadas pelos operários e combatendo os desperdícios. A principal racionalização é a execução parcial das tarefas, cada operário é responsável pela fabricação de uma peça do veículo, através de movimentos repetidos. Assim, é criada a linha de montagem com base na esteira rolante e as peças são padronizadas através da compra a firmas que as fabricam – integração vertical. Tal modelo permitiu a fabricação do carro em uma velocidade 8 (oito) vezes maior.
O trabalho é parcelar e fragmentado em suas funções. A elaboração e a execução são separadas no processo de trabalho. As unidades fabris são verticalizadas e consolida-se o operário-massa, o trabalhador coletivo fabril. A mais- valia é extraída no prolongamento da jornada de trabalho, a subsunção do trabalho ao capital, própria da fase da maquinaria estava consolidada.
O fordismo, junto ao taylorismo, consistiuem o processo de trabalho que predominava na grande indústria capitalista. Segundo Harvey (1992), o núcleo essencial do fordismo manteve-se firme até 1973, pois o padrão de vida da população trabalhadora dos países capitalistas centrais manteve relativa estabilidade, assim como os lucros advindos dos monopólios.
Contudo, esse novo modo de organização do trabalho desqualifica os trabalhadores, poda a criatividade e estabelece a separação entre concepção e execução. Desta forma, para atrair o operariado, ele duplica o valor do salário de mercado, mas impõe restrições – o trabalhador não deve ser do sexo feminino, não deve beber, fumar e deve destinar o seu dinheiro para a família. A empresa cria um serviço social para controlar a vida pessoal dos seus funcionários, passando a tentar controlar também a subjetividade do trabalhador (Gounet, 1999)
O aumento do salário acirra a competição no mercado de veículos e apesar disto, o preço dos veículos se reduz, porque o lucro estava baseado na venda massificada.
Com o sucesso do modelo, o sistema fordista se espalhou por outras regiões do mundo e foi incorporado por outras montadoras, como a General Motors, Nissan,
Mazda, Honda, Mitsubish Motors, dentre outras.
Percebemos, nesse ciclo de transformações, que as empresas mudam radicalmente para atender a demanda, assumem a liderança da indústria. As mudanças no nível organizacional precedem a introdução de novas tecnologias. Mas, a empresa que busca o sucesso deve garantir a adesão do trabalhador, pelo menos pelo tempo necessário para generalização do sistema.
A pressão concorrencial faz com que cessem os investimentos na melhoria das condições de trabalho. As grandes empresas da Europa, na década de 1960, trazem trabalhadores imigrantes para reduzir os custos. Esses operários são submetidos a condições de trabalho cada vez piores.
É dentro desse contexto que surgem os fast foods. Essa nova geração que tinha o acesso fácil aos automóveis desenvolveu também um novo estilo de se alimentar, que exigia uma maior permanência dentro dos automóveis. Isto fez com que os irmãos Mcdonald’s adentrassem no promissor ramo do drive in11, e passassem a incorporar a sua lanchonete essa nova forma de se alimentar, que fosse rápida e não exigisse que o consumidor entrasse na loja. “já que as pessoas com carro são tão preguiçosas que não querem sair de seus automóveis para se alimentar” (FONTENELLE, p. 51. 2002). Dessa forma, criaram um espaço onde os carros poderiam transitar e o cliente faria seu pedido, pagaria e o receberia dentro de seu automóvel, tudo no menor tempo possível. (FONTENELLE, 2002). A forma de “produzir” comida no fast food também se baseia no modelo fordista/taylorista. Cada trabalhador faz uma parte do trabalho, dentro de um rígido controle de tempo e movimentos. Desta forma, o setor de fast food, à semelhança das demais empresas e indústrias, cresceu e se expandiu por todo o mundo durante os anos “dourados” do capitalismo (décadas de 1950 a 1970).
Esse modo de produção foi à forma mais racionalizada de processo de trabalho que o capitalismo já teve e só começou a dar sinais de esgotamento no final de década de 1970.
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Estilo de cinema surgido nos EUA, no qual as pessoas assistiam aos filmes dentro de seus automóveis.
Essa fase foi caracterizada pelo “compromisso” fator, importante que delimitava o campo da luta de classes. Através do welfare state12, implementavam -
se ganhos e políticas sociais. Esse mecanismo se tornou um forte instrumento em favor do capital.
Mas a partir da década de 1970, os operários passam a querer romper com este “compromisso”. Essas condições podiam ser suportáveis para a primeira geração de operários, para os quais as vantagens do fordismo, compensavam o preço de seu acesso, mas não para a segunda geração. Assiste-se ao boicote e a resistência ao trabalho despótico, através do absenteísmo, fuga do trabalho, greves parciais, operação de zelo (que diminui o tempo de trabalho). As lutas no final dessa década, solapavam as bases do domínio do capital e afloravam a possibilidade de uma contra-hegemonia vinda do mundo do trabalho.
O que estava no centro da ação operária era a possibilidade efetiva do controle social dos trabalhadores, dos meios materiais dos processos produtivos. Mas “a contestação do poder do capital sobre o trabalho não se estendeu ao poder fora do trabalho” (ANTUNES, 2003, p. 20) e não conseguindo se articular com os diversos movimentos sociais, se tornou incapaz de criar mecanismos capazes de lhe dar longevidade. Por não conseguir superar suas limitações, a luta dos trabalhadores enfraqueceu não sendo capaz de se contrapor a sociabilidade do capital. Contudo, sua capacidade de organização perturbou o capitalismo e foi um dos elementos que fez surgir à crise dos anos 1970. Os trabalhadores foram capazes de controlar não só o movimento reivindicatório, mas o funcionamento das empresas e mostraram a sua inteligência e capacidade organizacional e os capitalistas perceberam que podiam explorá-los intelectualmente, também. Assim, com a derrota da luta operaria pelo controle social da produção criaram-se bases sociais para a retomada do processo de reestruturação do capital em um patamar diferente do fordismo/taylorismo (ANTUNES, 2003).
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Esta expressão origina-se na Inglaterra, na década de 1940, e em seu sentido amplo, designa a generalização das ações do Estado “para modificar as condições do mercado e proteger os indivíduos das suas conseqüências econômicas e sociais e, nesses termos, seria possível afirmar que ações públicas nessa direção, ainda que ‘rudimentares’, são originárias do século XIX e se ampliaram no século XX”, após a Segunda Guerra Mundial (BEHRING; BOSCHETTI, 2006, p. 96). Contudo, a conceituação, origem e abrangência do Welfare State são polêmicas e suas configurações adquiriram feições diversas, a partir das conjunturas históricas, políticas, sociais e econômicas dos diversos países.
Assim, para os países de regime capitalista, a década de 1980 se configura como uma década de profundas transformações no mundo do trabalho. A classe- que-vive-do-trabalho passa pela crise que, segundo Antunes (2003), atinge não só a sua materialidade, mas traz repercussões na sua subjetividade.
Essa década, como já assinalamos, foi marcada por um grande salto tecnológico, a automação, a robótica e a microeletrônica que invadiram o universo da fábrica, provocando transformações nas relações de trabalho e na produção do capital.
O fordismo e o taylorismo deixam de ser as únicas formas de organização do trabalho, e passou-se a mesclar estes, com novos processos produtivos. O cronômetro e a produção em série e de massa são substituídos pela flexibilização da produção, pela especialização flexível e por novos padrões de adequação da produção à lógica de mercado (ANTUNES, 2003). Este novo modelo, apóia-se na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo (HARVEY, 1992).
Assiste-se a desconcentração industrial e a novos padrões de gestão da força de trabalho, entre estes, os círculos de controle de qualidade (CCQs), a gestão participativa, a busca da qualidade total, expressões do mundo japonês, que se desenvolvem em vários países do capitalismo avançado e também chegam ao terceiro mundo industrializado.
O denominado toyotismo surge então, como necessidade das empresas em responder a crise financeira, e a necessidade de atender a um mercado interno que solicita produtos diferenciados e demandas menores. Dessa forma, mescla-se ou em alguns casos substitui-se o modelo fordista dominante em várias partes do capitalismo, pelo toyotismo13.
Os direitos conquistados na área do trabalho passam a ser flexibilizados, desregulamentados, para que o capital possa adequar-se a essa nova fase. As conquistas e direitos históricos dos trabalhadores são substituídos e até mesmo eliminados do mundo da produção.
13 O nome “Toyotismo” é utilizado como referência a fábrica de carros japonesa “Toyota”, primeira a utilizar
Surgem setores inteiramente novos de produção, novos modos de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e novas taxas de intensificação comercial, tecnológica e organizacional.
O toyotismo ou especialização flexível, segundo Antunes (2003), é a expressão de uma processualidade que teve sua experiência concreta na “Terceira Itália” e que possibilitou o advento de uma nova forma produtiva que articulou o enorme desenvolvimento tecnológico e a desconcentração produtiva baseada em médias e pequenas empresas artesanais.
Pode-se dizer que, a acumulação flexível trouxe rápidas mudanças nos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre os setores quanto nas regiões geográficas, resultando, por exemplo, em uma enorme ampliação do emprego no setor de serviços, assim como conjuntos industriais inteiramente novos em regiões subdesenvolvidas.
Algumas empresas com bases fordistas adotaram as novas tecnologias e os emergentes processos de trabalho, o que se chamou de “neofordismo”, devido a grande pressão competitiva que levou a integração do fordismo à rede de subcontratação para aderir à onda de flexibilidade.
Segundo Harvey (1992) a acumulação flexível, como uma forma própria do capitalismo, mantém as características essenciais desse modo de produção: a) está voltada para o crescimento e; b) este crescimento se apóia na exploração do trabalho vivo no universo da produção.
No tocante à segunda característica, fica claro que, esse processo de transição para a acumulação flexível solapou o trabalho organizado, gerou o desemprego estrutural, trazendo excedentes da força de trabalho, fazendo retornar estratégias absolutas de extração de mais-valia, assim como, o crescimento do emprego no setor informal da economia por todo o mundo capitalista avançado, revelando o lado obscuro da história apresentada como progressista.
Dentro desse modelo de acumulação, sistemas de trabalho alternativos podem coexistir, permitindo a “livre” escolha dos empreendedores capitalistas. Segundo o exemplo de Antunes (idem), o mesmo molde de camisa em grande escala pode ser produzido na Índia, pelo sistema cooperativo da “Terceira Itália”, em Nova York, ou pelo trabalho familiar em Hong Kong.
Desta forma, o toyotismo surgiu a partir de quatro fases: a) a introdução na indústria automobilística japonesa, da experiência do ramo têxtil, devido à necessidade do trabalhador manusear várias máquinas ao mesmo tempo; b) a necessidade da empresa fornecer respostas à crise financeira, elevando a produção, sem aumentar o número de trabalhadores; c) a importação de técnicas de supermercados dos EUA que originaram o sistema Kanban14; d) a expansão do
método Kanban para as empresas subcontratadas e fornecedoras (CORIAT apud ANTUNES, 2003).
Um traço também marcante do toyotismo consiste no necessidade de atender a um mercado interno que solicita produtos diferenciados e pedidos pequenos, devido às condições do Japão no pós-guerra. O Ohnismo15 nasce assim, a partir da necessidade de satisfação de pedidos pequenos e variados.
Naquele momento era necessário enfrentar o combativo sindicalismo japonês, marcado por grandes greves que se colocava como entrave à expansão toyotista. Em 1950, durante uma greve dos metalúrgicos, a Toyota conseguiu derrotar, pela primeira vez o sindicalismo japonês, o que desencadeou lutas em várias empresas, contra a racionalização do trabalho e por aumentos salariais. Todavia, os trabalhadores foram, novamente derrotados. Após as derrotas, as empresas se aproveitaram da fraqueza sindical e criaram o chamado sindicalismo de empresa, o sindicato-casa atado ao ideário patronal, diminuindo a combatividade dos trabalhadores e manipulando a sua subjetividade.
O sucesso da Toyota deveu-se também a essa incorporação, combinando repressão e cooptação. O sindicalismo teve como resposta a obtenção do emprego vitalício para cerca de 30% (trinta por cento) dos trabalhadores da Toyota, como também ganhos salariais vinculados à produtividade. A manutenção permanente no emprego se dava através da condição em que, os funcionários só poderiam ascender a funções de responsabilidade dentro da empresa, se tivessem passado pelo sindicato “Proteger nossa empresa, para defender a vida (...)” (CORIAT apud ANTUNES, 2003. p 33).
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O sistema Kanban consiste na reposição dos produtos somente após sua venda. 15
O termo “Ohnismo’ remete-se a Ohno, um dos principais mentores e fundadores do modelo japonês de organização do trabalho (WOLFF, 1998, p.105).
É dentro desse contexto que se desenvolve o toyotismo, através da manipulação subjetiva do trabalhador. Assim, a produção passa a ser baseada em um estoque mínimo e no melhor aproveitamento do tempo, o que inclui o transporte, o controle de qualidade e do estoque, que está garantido pelo just in time16.
Ao mesmo tempo, busca-se e incentiva-se o trabalhador polivalente, capaz de executar várias operações, com maior qualificação. É a chamada desespecialização decorrente da criação dos trabalhadores multifuncionais, que diminuiu o poder do trabalhador sobre o processo de produção e aumentou a intensidade do trabalho, constituindo-se ainda, em um ataque à profissão e à qualificação bem como ao poder de negociação. O trabalho passou a ser realizado em equipe devendo o trabalhador ser capaz de exercer várias funções. Ao mesmo tempo, estende - se seus métodos e procedimentos as chamadas subcontratadas ou terceirizadas.
O sistema toyotista através do Kanban, just in time, da flexibilização, terceirização, subcontratação, CCQ, controle de qualidade total, eliminação do desperdício, “gerência participativa”, sindicalismo de empresa etc, supõe uma intensificação da exploração do trabalho, através da, os funcionários devem exercer várias funções operando com várias máquinas simultaneamente, ou através do sistema de luzes17 - gerenciamento by stress (por tensão).
O toyotismo traria também a flexibilização das relações de trabalho e dos direitos sociais:
O capital, com o objetivo de ampliar os níveis de lucro por via da redução/eliminação de gastos atrelados ao salário e ao aumento da extração de mais-valia, cria novos mecanismos de controle da força de trabalho, entre eles a flexibilização dos contratos de trabalho. Certas operações que antes se realizavam no interior das fábricas, resguardadas pela formalização dos contratos de trabalho, agora são exteriorizadas, passando a ser realizada por trabalhadores
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O Just in Time surgiu no Japão, no princípio dos anos 1950, sendo o seu desenvolvimento creditado à Toyota Motor Company, a qual procurava um sistema de gestão que pudesse coordenar a produção com a procura específica de diferentes modelos de veículos com o mínimo atraso. Para a filosofia Just in Time, em cada etapa do processo produzem-se somente os produtos necessários para a fase posterior, na quantidade e no momento exato. Está baseado na eliminação do estoque e no maior aproveitamento do tempo (GOUNET, 1999).
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No sistema de luzes ao se acender a luz verde o ritmo de funcionamento deve ser normal; laranja significa intensidade máxima; e vermelha significa que há problemas, deve-se reter a produção (ANTUNES, 2003).
contratados por terceiros. Uma empresa contrata outra empresa e não um trabalhador (ALVES; AMARAL, 2007, p. 2 e 3).
Para os trabalhadores que se encontram na situação de “terceirizados”, cria- se a esperança de estar empregado, mesmo que sem vínculos formais de trabalho, já que o desemprego é estrutural. Nesse mundo, sem garantias trabalhistas, sem empregos estáveis, ao trabalhador restam os “objetos de desejo”, pois dentro da sociedade de consumo, os objetos são uma forma de materializar sonhos de consumo. Os objetos tornam-se mercadorias e podem ser adquiridos principalmente nos shopping centers.
A incorporação e manipulação subjetiva dos trabalhadores, através do “espírito Toyota”, “família Toyota”, “Nissan a fábrica da nova era” e do “sindicato- casa” – sugerem a busca de uma saída à atual crise do capitalismo, uma nova forma de organização do trabalho, um novo ordenamento social pactuado entre capital, trabalho e Estado. Supõe a aceitação da política concorrencial e de mercado, a exclusão de alternativas para além do capital, não levando em conta o desemprego estrutural em dimensões continentais, como resultado das transformações no processo produtivo. Dessa forma, a ocidentalização do toyotismo comportaria a aquisição do capital contra o trabalho (ANTUNES, 2003).
Portanto, o toyotismo não deve ser entendido como um novo modo de organização societária, e nem mesmo como um avanço em relação ao fordismo e taylorismo. Deve se ter a clareza de que este foi uma resposta a mais uma dentre as várias crises, enfrentadas pelo capitalismo, e como uma forma de sobrevivência do sistema produtor de mercadorias.
Apesar da redução do despotismo fabril, pela ampliação da participação do trabalhador na concepção do processo produtivo, ainda se perpetua a desidentidade entre indivíduo e gênero humano, pois a lógica dessa organização da produção é mais envolvente, consensual e participativa, em suma, é uma lógica manipulatória. O capital passa a se apropriar do ser e fazer do trabalho, o trabalhador deve pensar e agir para o capital, acreditando-se na diminuição do fosso existente entre elaboração e execução (ANTUNES, 2003).
A crise que afeta o ser do trabalho atinge o universo da consciência, da subjetividade e da representação. Desestrutura o sindicalismo que deixa de ser combativo no sentido de buscar uma nova ordem para além do capital, questionando somente pequenas melhorias dentro da ordem social vigente, operando uma aceitação acrítica da social-democratização ou mesmo do ideário neoliberal.
Desta forma, o toyotismo como sistema de acumulação provoca uma diferenciação social ainda mais elevada, surgindo como um processo crescente de exclusão/inclusão precária e de exploração da força de trabalho e de acumulação do capital.
2.3. As múltiplas facetas do trabalho nas sociedades capitalistas