2.4 Le langage XPath
2.4.1 Représentation XPath d’un document XML
No que diz respeito ao processo decisório, pode-se observar que a Unidade Escolar Antoninho Baldez funciona como um espaço de construção de fortes relações, o que possibilitou perceber com bastante clareza o estilo de gestão que nela se desenvolve.
Durante a entrevista com a Diretora constatou-se que a escola recebe da Secretaria Municipal de Educação um conjunto de normas e orientações para serem adotadas: calendário, regimento interno, proposta curricular, rol de conteúdos, avaliações e outras. Mas nada disso foi construído com a participação da escola. Chega tudo pronto, apenas para ser executado. No entanto, observou-se durante o trabalho de campo que a escola não se sente incomodada com essa situação, nem se sente obrigada a seguir à risca tais diretrizes. Segundo a Diretora, como as orientações são abrangentes, não contendo nada específico para as escolas rurais e nem tampouco para as classes multisseriadas, a Direção e as Professoras se acham mais livres para elaborar suas programações de acordo as possibilidades e especificidades da comunidade escolar.
Esse é um fato bastante curioso, pois, ao invés da escola se acomodar sob a alegação do discurso de que nada pode fazer porque não recebe orientações que atendam a sua realidade, trata da questão como algo positivo e adota as suas próprias normas. Como se constatou aqui, essa questão da imposição de normas nos permitiu agora outra reflexão: pode gerar uma série de obstáculos, como também abrir novas oportunidades, dependendo de como a escola se dispõe a resolver, como ocorre na unidade em estudo.
É evidente que as escolas grandes, escolas localizadas na zona urbana, geralmente com um número de alunos significativamente elevado, exigem também um volume de programas e atividades tais como: o combate a violência urbana, os cuidados com o trânsito, a prevenção contra drogas, o combate abuso sexual, indisciplina e outros. Esses problemas afetam o dia-a-dia das escolas urbanas e demandam vários tipos de ações que envolvem o processo decisório. No entanto, em nenhum momento da pesquisa percebeu-se que a Unidade Escolar Antoninho Baldez seja afetada por esses tipos de problemas.
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Durante as atividades de campo, foi possível perceber que a escola pesquisada goza, de fato, de certa autonomia para decidir sem, contudo, ferir os preceitos legais. Mas, há de se convir, também, que essa “autonomia” não é uma autonomia delegada. Ela ocorre de forma acidental, visto que a escola fica muito tempo sozinha: não tem supervisor, nem orientador pedagógico, todo processo decisório passa pela Diretora e pelas Professoras e, em alguns casos, pelos alunos e pais que também são chamados a participar. Essa situação nos faz lembrar Paro (1993, p. 18) quando afirma que “[...] a democracia só se efetiva por atos e relações que se dão no nível da realidade concreta”.
Para o autor, a gestão da escola pública só vai ser realmente democrática quando a comunidade escolar adquirir consciência de sua força e começar a exigir os seus direitos, pois, só através da união o poder da escola poderá se fortalecer. E Paro (1993, p. 22) ainda acrescenta: “[...] dos condicionantes do autoritarismo na escola, os de ordem institucional estão sem dúvida nenhuma, entre aqueles que mais dificultam o estabelecimento de relações democráticas e em consequência, a participação da comunidade na gestão escolar”.
Entende-se que um espaço pedagógico eminentemente diretivo acaba por impedir a circulação da liderança e da autonomia. Nesse sentido, Paro adverte para que não se confunda autonomia com ausência de regras. No caso da escola em estudo, verificou-se que o processo decisório está respaldado na ação participativa, no esforço para criar alternativas metodológicas apropriadas à sua realidade. Muito embora se entenda que essa participação é muito comprometida, dada a limitação da escola na compreensão dos seus direitos e de suas possibilidades.
Ainda com base na concepção de Paro, o poder decisório deve representar o trabalho cooperativo de todos os agentes envolvidos nas atividades da escola, movidos por uma vontade coletiva, em direção ao alcance dos objetivos verdadeiramente educacionais da escola. (PARO, 1993, p. 160).
Analisando-se as anotações colhidas nas entrevistas e mediante as observações, constatou-se que o processo decisório na Unidade Escolar Antoninho Baldez, passa efetivamente pela Diretora e Professoras. A primeira exerce a função de coordenadora e articuladora da prática pedagógica, cujo poder de decidir se pauta na perspectiva da superação dos problemas que surgem no cotidiano escolar, estabelecendo como prioridade os princípios éticos de respeito e de cooperação, fazendo fluir uma dimensão de convivência solidária para garantir o funcionamento efetivo da escola.
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Pelo que se pôde observar, fica difícil afirmar que a direção tem um perfil democrático, pois é compreensível que numa escola pequena, com poucos funcionários, o processo de comunicação, o diálogo e à participação se estabelecem de forma bem mais simples. Por outro lado, não há por parte da SEMED um acompanhamento sistemático, a escola não se sente pressionada e acaba por desenvolver suas atividades com bastante liberdade.
Considerando que a escola possui o PDE, programa que tem como finalidade o aprimoramento da gestão, não se percebeu que este tenha trazido grandes contribuições para as decisões da escola. Na prática, o PDE trouxe a exigência da implantação do Conselho Escolar que de certa forma se constitui em mais um mecanismo de participação da comunidade. Entretanto, o Conselho poderia existir sem o PDE como já foi discutido anteriormente, pelo simples ato ou exigência da SEMED. De acordo com o depoimento da Diretora, este é o papel exercido pelo Conselho Escolar: “a escola tem o seu Conselho Escolar que nos ajuda na organização das festinhas da escola, na aplicação e fiscalização dos recursos para melhoria da nossa escola” (informação verbal).34
Como se pode constatar, o papel do colegiado é concebido de forma incipiente pela Diretora, e também pelos seus próprios membros. Portanto, tornar-se complicado exigir uma postura mais crítica e mais consciente do verdadeiro papel do Conselho, quando se percebe que há certo nível de satisfação ou conformismo tanto por parte da Diretora quanto dos professores, alunos e pais. Eis o depoimento das três professoras sobre a questão em pauta:
[...] as decisões aqui são tomadas em conjunto, nem sempre é a palavra da Diretora a que prevalece. Quando se trata de uma questão mais difícil de resolver levamos ao Conselho Escolar (informação verbal).35
[...] talvez por ser uma escola pequena e com poucos recursos, tudo que se faz aqui é de comum acordo, a gente discute e procura acatar a melhor sugestão. Dificilmente é preciso convocar o Conselho (informação verbal).36
[...] acredito que aqui as coisas dão certo porque os pais e os alunos estão sempre dispostos a nos ajudar. As nossas decisões são sempre por eles aceitas, até porque sabem que tudo que se faz aqui é para atender bem o aluno. A Diretora sempre procurou nos ouvir e assim ela tem o nosso apoio. O Conselho é quem aprova a prestação de contas da escola (informação verbal).37
34 Informação fornecida pela Diretora da escola. 35 Informação fornecida pela professora A.
36 Informação fornecida por outra professora da escola. (Convencionou-se denominá-la de Professora B). 37 Informação fornecida por Maria do Carmo, professora da classe multisseriada.
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Assim sendo, torna-se importante atentar para a afirmativa de Paro (2008, p.72), no que se refere ao poder decisório: “[...] implica levar em conta tanto o poder-contra, que se manifesta em suas múltiplas formas de dominação e de violação da subjetividade, quanto o poder-fazer, que engrandece personalidades e incrementa o vigor da ação humano-social”. E ainda complementa o autor:
Trata-se de considerar e ter como foco de análise os micro poderes que se exercem no interior da instituição escolar, estando alerta para as interdições, a vigilância, as coerções, os controles e as proibições, mas não deixar de atentar também para as relações de libertação, de fortalecimento mútuo de subjetividades, de companheirismo, de lealdade e de incremento do poder-fazer uns dos outros.
Com isso, o autor chama atenção para que, a partir de um profundo conhecimento daquilo que se passa no interior da escola, é que se pode conceber e estabelecer formas de trabalho que possam transformá-la numa instituição preparada para formar cidadãos aptos a viverem numa sociedade mais democrática.
Portanto, o que ficou evidente, é que se expressa uma convivência pacífica, harmoniosa, amigável em função das relações amistosas de uma comunidade pequena e de nível de parentesco próximo das pessoas que ali convivem no seu dia-a-dia. Os sentimentos expressos de forma espontânea pelos entrevistados revelaram o espírito de conformação a uma gestão que “satisfaz às expectativas e necessidades do grupo”.
Ao se tentar entender no decorrer desta pesquisa como funciona o processo decisório numa escola rural, como perspectiva de um caminho possível para a construção da participação democrática, ficou bastante evidente os limites gerados pela própria condição da escola. Contudo, se por outro lado analisarmos esse cenário sob o ponto de vista da teoria de Bourdieu, isso pode configurar-se num poder simbólico, que se caracteriza por um poder invisível exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem. (BOURDIEU, 1989).