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Para análise do desempenho do aluno nesta pesquisa, foram buscados os indicadores de eficácia, resultantes das avaliações que se encontram registrados pela escola, bem como outros mecanismos utilizados pelas professoras para aferir o nível de aprendizagem dos alunos durante o processo educativo.

Entende-se que a escola, enquanto instituição responsável pela organização do saber e pela formação do cidadão deve criar as condições necessárias para materializar a cultura do sucesso escolar. Segundo Saviani (1992, p. 105), uma escola cidadã deve favorecer a qualidade do ensino e defender a “[...] a especificidade da escola e a importância do trabalho escolar, como elemento necessário ao desenvolvimento cultural, que concorre para o desenvolvimento humano geral”.

Para Gentilli (2001), as avaliações pedagógicas que comumente ocorrem nas escolas, se respaldam num conjunto de princípios morais, que englobam valores, normas e direito. A esse respeito, o autor transmite a seguinte convicção:

No ato de reprovar um aluno há implícito um critério de autoridade que se traduz em determinado exercício de classificação e hierarquização. Se o documento que avalia de forma autoritária ou se são os alunos que definem ativamente os processos avaliativos, pouco importa aqui. [...] Se o significado que atribuímos ao processo ensino-aprendizagem e a definição das metodologias avaliativas aplicadas quotidianamente na escola implicam sempre em uma determinada opção, também implicam em uma opção de valores, normas e direitos morais que fundamentam estado decisões (GENTILLI, 2001, p. 78-79).

No entendimento de Gentilli, se atualmente a educação assume um novo paradigma, como um direito do cidadão e dever do Estado, as iniciativas de buscar novas perspectivas devem ser ampliadas, sempre no sentido de fortalecer e aperfeiçoar a prática educativa.

Sabe-se, no entanto, que as estatísticas educacionais, comumente divulgadas, expressam indicadores de desempenho de nível muito baixo, sobretudo quando se trata de escolas rurais, onde o fracasso escolar é sempre apontado como resultante da má formação dos professores, da falta de instrução dos pais e outros fatores ligados à condição social e econômica dessa população.

Nesse sentido, o MEC tem incentivado as Secretarias de Educação e escolas a implantar diferentes estratégias de aprendizagem na perspectiva de corrigir o fluxo e gerar o sucesso escolar: ciclo básico, classes de aceleração, avanço escolar e outras. No entanto,

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acredita-se que tanto o fracasso quanto o sucesso escolar resultam de vários fatores que, combinados ou separados, estruturam-se na dinâmica do contexto escolar. Muitos professores têm-se jogado ao desafio, como ocorre nas classes multisseriadas, onde a promoção acontece de forma automática. Porém, há de se convir, para que essa estratégia traga bons resultados, deve exigir competência, compromisso e ousadia pedagógica.

A tabela a seguir demonstra em um período de três anos o desempenho da escola.

Tabela 3 – Dados de Desempenho da Unidade Escolar Antoninho Baldez - 2006 a 2008

Descrição 2006 2007 2008 Matricula Inicial 27 37 45 Transferência recebida 01 12 02 Transferência expedida 01 02 02 Abandono - - 01 Aprovados 26 45 44 Reprovados 01 02 - Matricula Final 26 45 44

Fonte: Unidade Escolar Antoninho Baldez – março/2009

Os dados apresentados na tabela acima revelam que a Unidade Escolar Antoninho Baldez, apesar de todas as limitações que lhe são postas, tem apresentado numericamente resultados positivos. Como se pode constatar são apenas três casos de reprovação em três anos. Segundo os registros no diário de classe, esses alunos estavam matriculados nas turmas seriadas, e, embora a escola tenha desenvolvido atividades de reforço, esses alunos não conseguiram um bom desempenho. No ano de 2008, não houve reprovação, ou seja, 100% dos alunos foram promovidos. De acordo com os documentos de controle da escola, os casos de abandono registrados foram todos em classes seriadas. As causas atribuídas ao abandono são mudanças de domicilio, problemas de saúde e um óbito.

Sabe-se, no entanto, que os dados apresentados na tabela, se analisados isoladamente, não comprovam o bom ou não desempenho da escola. Eles podem de alguma forma até servir para camuflar a própria realidade. No entanto, as observações realizadas durante o percurso da investigação mostraram que esses dados são condizentes com prática ali vivenciada. Nesse sentido, tomou-se como referência não somente as atividades sujeitas à aferição numérica, mas, a mensuração de todo o processo de ensino e aprendizagem desenvolvido na sala-de-aula.

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O nível de desempenho da escola, demonstrado pelo movimento nesses três anos, vem confirmar, também, a visão de Arroyo (2004, 84) quando defende que a escola rural não pode ter estrutura rígida. Para este autor é preciso reinventar espaços que deem conta da proposta da escola rural. E nessa direção ele ainda acrescenta:

Ou nós acabamos com essa concepção de escola seletiva e peneiradora, ou não construiremos uma escola de direitos. [...] Como é difícil superar essa cultura seletiva que está nas avaliações, nas provas para aprovar-reprovar, repetir ano, reter fora idade! [...] Escola peneiradora, seletiva e excludente é a própria negação da escola como direito de todos, universal.

Para Saviani (1992, p. 105), uma escola preocupada com a formação do cidadão deve favorecer a qualidade do ensino e defender a “[...] especificidade da escola e a importância do trabalho escolar, como elemento necessário ao desenvolvimento cultural, que concorre para o desenvolvimento humano geral”. Em outras palavras, significa dizer que a escola, para ter bons resultados, precisa estabelecer estratégias em favor do acesso e da permanência do aluno, e mais ainda, lutar contra o abandono e a repetência.

Por outro lado, sabe-se que o sucesso do aluno implica na produtividade da escola, sendo importante analisar os instrumentos de controle e avaliação do desempenho dos alunos, sobretudo, os indicadores relativos à aprovação e promoção. Entende-se, ainda, que a professora deva estar sempre atenta para o desempenho de seus alunos, os acompanhado no seu cotidiano, não somente, através de avaliações escritas, mas, utilizando alternativas que possam acompanhar o progresso dos alunos em termos de mudanças das atitudes. Nesse sentido, analisaram-se as Fichas de Acompanhamento dos alunos da classe multisseriada, juntamente com a Professora Maria do Carmo. São utilizadas duas fichas: uma para o registro diário do desempenho do aluno e outra para o registro bimestral. O registro bimestral é uma consolidação dos resultados do registro diário, por disciplina.

Mediante a análise dos dados da Unidade Escolar Antoninho Baldez, constatou-se pelas anotações que não existem resultados desfavoráveis. Muito pelo contrário, são bastante animadores, coerentes com os princípios de uma escola cuja filosofia sinaliza para a “promoção humana da cidadania”.

No que concerne ao acompanhamento das atividades diárias do aluno, observou- se na classe multisseriada que as anotações vão sendo feitas num caderno, onde a Professora Maria do Carmo tem o cuidado de registrar o desenvolvimento de cada aluno em cada atividade. Ao final da aula, essas informações são registradas no Diário de Classe. Esse registro possibilita à Professora ter o controle do desempenho de cada um de seus alunos. A

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partir daí, ela tem condições de avaliar a necessidade ou não do reforço por disciplina e por assunto estudado. Com base na análise do desempenho do aluno, feito em cada aula, a Professora ao final do bimestre preenche a Ficha de Controle das Habilidades do Aluno. (Anexo B).