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Saskatoon School Division No. 13—Supporting Students with Intensive Needs

4.10 Reporting Needed on Key Aspects of Supporting Students with Intensive Needs

Quando nos primeiros contatos com a expressão EAD geralmente tendenciamos a defini-la por seus elementos mais óbvios: a distância, por entender que alunos e professores estão temporal e espacialmente separados; ou pelo destaque que as TIC ocupam nessa modalidade, acreditando mesmo, nesse momento inicial, que todo o resto se assemelha a educação presencial.

Todavia, como assinala Peters (2009), essa tendência que revela uma “atitude pedagógica inadequada” e perigosa atribui características, metodologias e didáticas idênticas para as diferentes modalidades. Para o autor, além das obviedades, a EAD traz outros traços distintivos, como:

 o objetivo humanitário especial, qual seja, a educação dos mal preparados e deixados de lado, inclusive das minorias;

 a extensão da educação universitária a adultos e pessoas com obrigações profissionais e familiares, ao objetivo de realizar a aprendizagem permanente, a uma universidade que seja aberta a todas as pessoas que são capazes de estudar e a quem se dá uma ‘segunda chance’ de aproveitar e lucrar com a educação superior;

 as oportunidades em paralelo de educação científica continuada, que é tão necessária em nossa época de constante mudança tecnológica, social e cultural;

 sua contribuição para a reforma universitária; e

 sua função de precursora da futura ‘universidade virtual’ (PETERS, 2009, p. 69).

Nos últimos anos, não se pode tratar de EAD sem reconhecer que essa modalidade se percebeu remodelada pela constante revolução tecnológica que presenciamos e que nos caracteriza contemporaneamente como uma sociedade baseada essencialmente na produção de conhecimentos, materializados em informações incrivelmente rápidas e atualizadas. Todavia, o uso das TIC na educação não garante, necessariamente, que as práticas impetradas promovem o diálogo intersubjetivo, colaborativo e autônomo entre seus pares.

Cada vez mais os professores utilizam a tecnologia em suas atividades como instrumentos para apoiar seus métodos de ensino. O aprendizado passa, portanto, a ser variado, não só pela natureza daquilo que se constrói em sala de aula, mas, também por fazer uso de uma série de artefatos tecnológicos que ampliam os

horizontes do ambiente acadêmico, o que não representa, necessariamente, que, pelo uso expresso de uma tecnologia temos necessariamente uma situação de ensino- aprendizagem significativa. Igualmente não quer dizer que se trata de EAD. Mesmo utilizando de tecnologia na sala de aula, o espaço geográfico onde se dá o ensino é o mesmo onde ocorre o aprendizado.

Peters (2009, p. 71-72) usa da aprendizagem e do ensino na EAD para diferenciá-la de outras modalidades alegando que a parceria entre o professor e o aluno se torna o mote para um trabalho em equipe. Por um lado, os alunos experimentam situações que provoquem o protagonismo, a reflexão e a interpretação sobre um dado objeto de estudo. Por outro, os professores precisam, com a antecedência daqueles que realmente se planejam, construir artefatos, objetos e situações-problema, observando-se as particularidades das interfaces, ferramentas e plataformas que impulsionem uma atitude ativa por parte do aluno.

Segundo Valente (2010), abordagens pedagógicas de EAD como estar junto

virtual8 valorizam a interação entre os sujeitos envolvidos nas situações de

aprendizagem, criam condições para uma tomada de autonomia por parte do aluno quando é provocado a assumir atitudes proativas e compartilhadas em relação ao cuidado de sua educação em uma construção mediada e orientada do conhecimento.

Andrade (2010, p. 51) afirma que somente o uso da TIC não é sinônimo de uma educação desvinculada dos modelos que centralizam o conhecimento na figura do professor e, consequentemente, não representa por parte do aprendiz uma educação colaborativa que promova a autonomia. E, continua:

Não se estabelece aqui uma visão tecnicista sobre sua utilização, mas justamente a reflexão que deve ganhar vulto para transpor o uso tecnicista da máquina em educação e compreendê-la na sua possibilidade transformadora: enquanto recurso é apenas um aparato que só amplia seu significado na ação do homem comprometido com uma educação humanizadora (ANDRADE, 2010, p. 51).

Conforme apresenta o conhecido vídeo Metodologia ou tecnologia9 bastante

popular entre aqueles que desejam tematizar sobre a presença da TIC no ensino,

8 Segundo Valente (2010, p. 25-42), essa abordagem, denominada Learning network caracteriza-se pelo acompanhamento assistido do aluno, que consiste em um assessoramento capaz de entender seus interesses e o nível de conhecimento formalizado a fim de propor situações-desafio de modo a auxiliar o aluno a conferir significado à atividade que executa. Essa abordagem pressupõe o engajamento do aluno e o suporte do professor para estabelecerem, salvo as atribuições de cada um, um ciclo de ação em níveis, e graus diferentes, com temáticas diversas a depender dos interesses individuais.

podemos incrementar as aulas, presenciais ou a distância, com os recursos tecnológicos mais moderno efetivamente sem desapegar das práticas mais tradicionais de ensino.

É pertinente reconhecer as TIC como um artefato humano e como instrumento dotado culturalmente de significados atribuídos pelos indivíduos. Disso decorre que o computador, e todos os seus acessórios e a televisão/vídeos já tão internalizados no cotidiano educacional em diversos níveis e modalidades devem ser compreendidos em sua potencialidade transformadora, concebendo-os como aparatos tecnológicos que ganham representação quando utilizados em uma ação educativa e humanizada em situações que promovam a interação entre os pares.

Eles trabalharão como ferramentas da EAD enquanto dispositivo constituído como canal de comunicação, não mero recurso. Em conformidade com esse tratamento dado ao aparato tecnológico, Mercado et al. (2008) ao tratar da formação de tutores do curso piloto de Administração a distância da UFAL/UAB destaca que:

Torna-se um perigo que a acomodação dos conteúdos e atividades sejam forçosas. Neste caso teremos a incompatibilidade nas propostas de apresentação e execução dos mesmos, pois os conteúdos e as atividades não tem que se adequar as ferramentas do ambiente e sim, é o Ambiente Virtual de Ensino Aprendizagem que deve, em sua estrutura, prever as diversas possibilidades da EAD, disponibilizar as ferramentas que atendam ao máximo as especificidades da modalidade (MERCADO et al., 2008, p. 97).

Empiricamente, nota-se que o objeto EAD está cada vez mais presente nos espaços formais e informais de discussão e teorização dos estudiosos em educação como Andrade (2010), Mauri e Onrubia (2010), Mercado (2006, 2007), Mercado et al. (2008), Mill (2012a), Moore e Kearsley (2010, 2013), Santos, Fernandes Santos, (2012), Palloff e Pratt (2013), Pimentel (2013), Silva (2012a, 2012b), igualmente ocupando o imaginário teórico dos gestores que se constituem como executores de projetos de políticas públicas em educação, emplacados pelo governo federal, a exemplo dos coordenadores e suplentes UAB, coordenadores de curso e coordenadores de tutoria vinculados ao Sistema UAB.

Formiga (2012, p. 44) em seu estudo terminológico na perspectiva de cunhar o termo EAD, descreve uma variação da terminologia EAD em função das tecnologias e mídias utilizadas, conforme quadro abaixo:

Quadro 1 – Estudo terminológico da EAD

Variação da Terminologia da EAD

Terminologia mais usual Período aproximado de domínio

Ensino por correspondência Desde a década de 1830, até as primeiras décadas do século XX

Ensino a distância; educação a distância;

educação permanente ou continuada Décadas de 1930 e 1940

Teleducação (rádio e televisão em borad

casting) Início da segunda metade do século XX

Educação aberta e a distância Final da década de 1960 (ICDE e Open University, UK)

Aprendizagem a distância; aprendizagem

aberta e a distância Décadas de 1970 e 1980

Aprendizagem por computador Década de 1980

E-learning; aprendizagem virtual Década de 1990

Aprendizagem flexível Virada do século XX e primeira década do século XXI

Fonte: Formiga, 2012.

Para Moore e Kearsley (2010, p. 2-4) nomear EAD com base na tecnologia utilizada não atende às perspectivas de conceber a educação como sendo a relação propositada entre sujeitos com perspectivas em comum, reduzindo-a tão somente aos artefatos utilizados. Reafirmando esse raciocínio, Mill (2012a) traz uma definição de EAD cuja característica essencial são as “ricas possibilidades pedagógicas” consequentes da flexibilidade de tempo e espaço:

‘educação a distância’ – modalidade de educação geralmente considerada como forma alternativa e complementar (mas não necessariamente substitutiva) para a formação do cidadão (brasileiro e do mundo), com ricas possibilidades pedagógicas e grande potencial para a do conhecimento, decorrentes de seu princípio de flexibilidade temporal, espacial e pedagógico (MILL, 2012a, p. 20-21).

Corroboramos com os autores que ao tratarem dos significados atribuídos descreve uma crise terminológica que surge na utilização inadequada de termos como sinônimos sem que se questione o possível surgimento de ordem conceitual e de concepção de ensino-aprendizagem inerentes a esse (des)uso.

Os autores defendem que para tratar dos estudos em EAD há que se observar que, em situações ideais, o aprendizado e ensino são planejados, e, portanto intencionais, e que podem ocorrer em um local diferente do local de ensino, exercendo a comunicação e o ensino pelo uso de diversas tecnologias, não sendo essas, todavia, definidoras da ação educativa. Sobre esse aspecto, Moore e Kearsley (2010, p. 3) afirmam que

Ocorre outra confusão quando as pessoas definem educação pela tecnologia usada. A mais antiga dessas expressões é ‘educação por correspondência’, significando a educação em que o meio de distribuição dos materiais de ensino e interação de professores e alunos é o sistema postal. Expressões comuns mais recentes incluem ‘aprendizado eletrônico’ (e-learning) e ‘aprendizado assíncrono’. O prefixo ‘e’ significa ‘eletrônico’, porém, aqueles que o utilizam usualmente não se referem a todas as formas de comunicação eletrônica, incluindo radio, vídeogravadores e assim por diante.

Eles ainda reduzem os termos “aprendizado” e “ensino” no substantivo “educação” alegando que este descreve uma relação de dois lados. Ora, se se define o aprendizado em educação como intencional isso quer dizer que não há aleatoriedades, acidentes ou acasos. O aprendizado em educação é planejado e cria condições do estudante deliberadamente se apropriar de um determinado conjunto de conhecimentos, auxiliado por um professor que, em semelhante grau de decisão cria meios para auxiliar a esse estudante.

Com diferentes recursos de linguagens, os estudiosos em educação mencionados entendem e convergem que a EAD pode ser conceituada como a modalidade de ensino-aprendizagem na qual seus interlocutores, por questões sociais e/ou geopolíticas, encontram-se em lugares e tempos distintos e cujos processos são mediatizados pelo uso das TIC como instrumentos pedagógicos que podem interligar e conectar os atores envolvidos.