ET ORGANISMES CONCERNÉS
REPONSE DE L’ANCIEN MAIRE DE SAINT-ETIENNE
O conceito que hoje em dia se conhece como o Self tem sido, já desde épocas longínquas, alvo da curiosidade de filósofos, de poetas e de artistas. Sucintamente, o APA Dictionary of Clinical Psychology (2013) retrata-o como:
A totalidade do indivíduo, consistindo em todos os atributos característicos, conscientes e inconscientes, mentais e físicos. Para além da sua referência básica à identidade pessoal, ao ser e à experiência, o uso do termo na psicologia é extremamente abrangente e carece de uniformidade. (p. 517, tradução da autora).
Num passado mais recente, os psicólogos começaram, adicionalmente, a procurar examinar e, eventualmente, clarificar uma série de constructos que constituem facetas do Self, nomeadamente o autoconceito, a autoestima, a autoconfiança e a autoeficácia. Recorrendo-se novamente ao APA Dictionary of Clinical Psychology (2013) para se lograr um esclarecimento sobre qual o significado de autoconceito, pode-se constatar que o mesmo se resume ao seguinte:
A descrição e a avaliação do próprio, incluindo características psicológicas e físicas, qualidades e competências. Os autoconceitos contribuem para o sentido de identidade do indivíduo ao longo do tempo. A representação consciente do autoconceito está em parte dependente da esquematização inconsciente do Self. (p. 519, tradução da autora).
A autoestima relaciona-se intimamente com o autoconceito. Eis a definição que o APA Dictionary of Clinical Psychology (2013) enuncia para a mesma:
A medida em que as qualidades e as características contidas no próprio autoconceito são percebidas como positivas.Esta reflete a autoimagem física de uma pessoa, a visão dos seus feitos e capacidades, e os valores e o sucesso percebido em estar à altura destes,bem como as maneiras como os outros veem e respondem a essa pessoa. (p. 521, tradução da autora).
Ainda consoante o APA Dictionary of Clinical Psychology (2013), a autoconfiança pode ser explicada da forma que se segue:
personalidade positivo, o encorajamento ou reforço da autoconfiança é muitas vezes um objetivo mediato ou final no tratamento psicoterapêutico. (p. 519, tradução da autora).
Em breves palavras, a conceção de autoeficácia pode ser articulada como “a capacidade de um indivíduo agir eficazmente para ocasionar resultados desejados, especialmente como percebida pelo indivíduo” (APA Dictionary of Clinical Psychology, 2013, p. 521, tradução da autora). Complementarmente, esta pode ser entendida, em conformidade com o que assevera Bandura (1994), como as crenças que os sujeitos têm na sua aptidão para desempenhar certos feitos, exercendo controlo sobre o seu próprio funcionamento e sobre toda uma variedade de circunstâncias passíveis de afetar as suas vidas.
São estes dois últimos constructos que têm maior relevância para o presente documento. Cabe, então, mencionar que existem desigualdades essenciais entre a aceção de autoconfiança e a de autoeficácia, pois, enquanto a primeira tem um sentido mais lato, a segunda é orientada para a apreciação da idoneidade para a execução de determinadas tarefas em contextos particulares. Há que ter em mente que a autoeficácia não é um traço global, mas sim um conjunto discriminado de crenças subordinadas aos múltiplos domínios do funcionamento humano, conectados entre si (Bandura, 2006). Note-se a seguinte tentativa, levada a cabo por Bandura (1997), de cimentar a disparidade entre estas duas noções:
Deve-se salientar que o constructo de autoeficácia difere do termo coloquial “confiança". Confiança é um termo genérico que se refere à força da crença mas não especifica necessariamente sobre o que é a certeza. Eu posso estar supremamente confiante de que irei falhar num empreendimento. A autoeficácia percebida refere-se à crença nas próprias capacidades de agência, de que se pode produzir dados níveis de realização. Uma avaliação da autoeficácia, portanto, inclui uma afirmação de um nível de capacidade e a força dessa crença. Confiança é um chavão mais do que um constructo integrado num sistema teorético. (p. 382, tradução da autora).
Bandura (2006) ressalva também que o termo autoeficácia não é sinónimo de locus de controlo. De um modo semelhante, Asmus (1994) adverte que, apesar de estes dois constructos estarem frequentemente interligados, a autoeficácia é distinta da ideia mais geral de locus de controlo, em virtude de que o enfoque da mesma tende a ser em situações motivacionais específicas. Num outro acometimento de explanar a autoeficácia, Davison (2006) aponta que, para si, a singularidade da mesma reside no facto de que esta, ao invés de se concentrar nas competências que os indivíduos têm para efetuar uma dada atividade, se debruça sobre os julgamentos que estes fazem daquilo que estão aptos a transcender com essas mesmas competências.
É preciso, antes de mais, realçar que as crenças de autoeficácia, uma das pedras basilares da Teoria Social Cognitiva, de Bandura, se alteram com o tempo, não sendo, de forma alguma, propriedades predestinadas e imutáveis dos seres humanos (Davison, 2006). Sobre este tópico, Bandura (1994) afiança que “períodos subsequentes da vida apresentam novos tipos de exigência de competência
requerendo um adicional desenvolvimento da eficácia pessoal para um funcionamento bem-sucedido” (p. 81, tradução da autora).
Sabendo-se que as crenças de autoeficácia influenciam das mais diversas maneiras os pensamentos, as emoções e o comportamento, é pertinente que se compreendam os processos pelos quais estas são geradas e, posteriormente, expandidas e fortalecidas.
Contemplam-se 4 origens teoréticas da autoeficácia, das quais a que aparenta ser a mais decisiva é a experiência direta de domínio ou mestria. A mesma assenta no princípio de que é possível reestruturar-se o sentido de eficácia verificado nas várias esferas do funcionamento, através da vivência de experiências que confirmem de um modo marcante e transformador a proficiência (Bandura, 2006). Dentro de tal enquadramento, Bandura (1994) faz esta declaração: “Os sucessos constroem uma crença robusta na própria eficácia pessoal. Os fracassos comprometem-na, especialmente se os fracassos ocorrerem antes que um sentido de eficácia seja firmemente estabelecido” (p. 71, tradução da autora).
Um sentido resiliente de autoeficácia apenas pode ser formado com o prevalecimento do empenho e com a superação de obstáculos. Quando se habituam a prosperar sem entraves (normalmente devido ao baixo nível de complexidade dos desafios que se lhes deparam), os indivíduos tornam-se mais propensos a expectar resultados rápidos e a desistir facilmente na face da contrariedade. É então viável inferir-se que “alguns reveses e dificuldades nas buscas humanas servem um propósito útil ao ensinar que o sucesso usualmente requer esforço continuado” (Bandura, 1994, p. 72, tradução da autora).
De acordo com Hallam (2016), a autoeficácia é analogamente impactada pelas comparações que os sujeitos fazem com os seus pares, ou pelo feedback que recebem daqueles que os rodeiam. A autora alude aqui a dois aspectos que, segundo Bandura (1994), provocam repercussões na consolidação da autoeficácia: as experiências vicárias e a persuasão social.
O primeiro destes dois fatores consiste na criação e na intensificação das crenças de autoeficácia por intermédio da observação de modelos, devendo-se ter em conta que, quanto maior for o número de similaridades que o indivíduo identifique entre si próprio e o modelo em questão, mais pronunciado será o efeito surtido. Este fenómeno de aprendizagem observacional acontece, pois, quando os sujeitos testemunham o triunfo de alguém idêntico a si, alcançado por mérito das diligências da pessoa em causa, também se acham capazes de realizar com êxito uma performance equivalente. Subsiste então uma tendência notória para a seleção de modelos qualificados, possuidores dos atributos aos quais os indivíduos aspiram, dado que, mediante a observação dos modelos escolhidos, os sujeitos podem diferenciar e, consequentemente, absorver conhecimentos e faculdades, cuja aquisição revigora o seu sentido de autoeficácia (Bandura, 1994).
verbalmente a habilidade dos indivíduos para cumprir uma certa tarefa, estes ficam, vulgarmente, mais predispostos a se dedicarem à sua concretização. Os estímulos à autoeficácia levam, portanto, os sujeitos a procurar perseverar nos seus intentos, uma vez que promovem simultaneamente a otimização de competências e o reforço do sentido de eficácia pessoal (Bandura, 1994). Contudo, nos casos em que os elogios são concedidos indiscriminadamente e sem qualquer fundamentação, a persuasão perde a sua eficiência (Hendricks, 2016). Como alega Bandura (1994), os incentivos irrealistas são prontamente refutados quando, independentemente da energia despendida, se dá a obtenção de produtos medíocres, sendo então indispensável, para se conseguir incrementara autoeficácia de um indivíduo, evitar forçá-lo a colocar-se em cenários para os quais este claramente não esteja preparado. O autor relembra ainda que é vital que se percecione o sucesso em termos de autoaperfeiçoamento e não como a superioridade em relação aos outros.
A última fonte da autoeficácia assinalada por Bandura (1994) são os estados fisiológicos e afetivos. A premissa por detrás da sua integração é a de que o estado de espírito dos sujeitos afeta o sentido de eficácia dos mesmos, considerando-se que, ordinariamente, este é amplificado pelo bom humor e diminuído pela falta de ânimo. Apesar de ser constatável que os indivíduos com um elevado sentido de eficácia tendem a conceptualizar o seu acentuado nível de envolvimento emocional como um motivo de encorajamento, o que verdadeiramente interessa para o florescimento da autoeficácia não é a veemência das sensações, mas sim o modo como estas são compreendidas. Pode-se, inclusivamente, manipular as crenças de autoeficácia por meio da minoração das reações negativas e das interpretações erróneas que os sujeitos fazem dos seus próprios estados, nomeadamente ao reduzir-se o medo e a ansiedade que os mesmos experienciam. Uma das formas de se conquistar tal fim é com o aumento da eficácia pessoal por outras vias (Bandura, 1994).
As 4 origens teoréticas da autoeficácia sofrem influência mútua e são suscetíveis a variância, decorrente de inúmeras conjunturas contextuais, para as quais contribuem, a título de exemplo, o género, a etnia e a cultura, assim como o domínio da atuação da autoeficácia que se encontra sob escrutínio (Hendricks, 2016). Para Bandura (1994), está comprovado que manter-se uma conceção saudável da própria eficácia é impreterível para o bem-estar e para o empreendimento humano, pois as crenças de autoeficácia determinam “as opções de vida, o nível de motivação, a qualidade do funcionamento, a resiliência à adversidade e a vulnerabilidade ao stress e à depressão” (p. 81, tradução da autora).