Essa seção procurou conhecer um pouco sobre a pesquisa dos mestres, identificando suas inquietações em relação ao objeto de estudo e como procederam para atingir os objetivos almejados.
4.3.2.1 Luzia
A dissertação de Luzia foi defendida em 2011.Em sua prática docente, a autora atuava como professora de Educação Básica numa escola pública no estado da Paraíba, ocasião na qual surgiu a ideia de estabelecer um grupo de estudos, motivada pelas observações que apontavam para o individualismo e o isolamento profissional como aspectos marcantes nas relações entre os professores de Matemática.
Assim, a autora indicou seu interesse em analisar a participação de seis professores de Matemática em um grupo colaborativo em formação a fim de proporcionar um ambiente que motivasse o desenvolvimento profissional e individual desses professores no uso pedagógico das tecnologias.
Após a escolha do tema de sua pesquisa, a autora elaborou um aporte teórico que oferecesse discussões acerca dos conceitos de desenvolvimento profissional, culturas de ensino, individualismo docente, colaboração e trabalho colaborativo, ampliando e possibilitando, dessa maneira, a formulação de diversas hipóteses sobre o trabalho colaborativo em formação.
Luzia evidencia que sua proposta culminou no nascimento e estabelecimento de um ambiente de estudo onde esses professores puderam investigar limites e possibilidades para o uso de softwares no ensino da Matemática, embora aos poucos o grupo tenha criado identidade própria, viabilizando o trabalho colaborativo entre os professores como uma atividade cada vez mais natural. Os encontros com os professores ocorreram aos sábados, quinzenalmente, durante os meses de março a dezembro de 2010 e foram realizados no próprio local de trabalho.
É importante notar o relato da autora quanto ao fato de a participação no Grupo de Estudos ter possibilitado uma maior integração entre os professores participantes, o desenvolvimento de competências e habilidades na utilização de alguns softwares e, consequentemente, de alguns trabalhos e projetos em parceria, o que contribuiu para o desenvolvimento profissional.
Finalmente, Luzia constatou o desenvolvimento profissional na prática dos professores envolvidos, pois as relações mediadas pela colaboração entre os professores provocaram o aumento da confiança e o estabelecimento de vínculos de amizade, o que acarretou em mais segurança e autonomia.
4.3.2.2 Pedro
A dissertação de Pedro foi defendida em 2011. Pedro indicou o fenômeno de seu interesse como sendo analisar as possíveis mudanças sobre a introdução do conceito de equação do primeiro grau em livros didáticos brasileiros do Ensino Fundamental, os quais foram aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
Na busca de resultados em relação ao tema para embasar sua pesquisa, o autor utilizou a Teoria Antropológica do Didático (TAD), proposta por Yves Chevallard (1998) e colaboradores. Essa abordagem considera os objetos matemáticos não como existentes em si, mas como entidades que emergem de sistemas de práticas que existem em dadas instituições.
Ao relacionar o fenômeno de sua pesquisa com as ideias de Chevallard (1998), procurou tratar especificamente de caracterizar as Organizações Matemáticas e as Organizações Didáticas relativas ao conceito de equação do 1° grau, no qual se concentrou em duas coleções do 7º ano do Ensino Fundamental aprovadas nas avaliações de 1999, 2002, 2005, 2008 e 2011 do PNLD.
O autor apresentou os resultados, os quais indicam que as organizações existentes nessas coleções nem sempre são feitas de forma a esclarecer as diferenças existentes entre os subtipos de tarefas trabalhadas, bem como as potencialidades das técnicas organizadas ou sistematizadas.
Assim, Pedro verificou que as coleções não modificaram as praxeologias matemáticas ao longo das avaliações. Contudo, percebeu que os autores modificaram suas coleções em relação às praxeologias didáticas.
Ao analisar as pesquisas dos mestres, percebe-se a necessidade de conhecer um pouco da relação dos saberes com a prática e sua influência estudantil, o que possibilitou a criação
da próxima seção, intitulada os saberes da docência, na qual se revelam as inquietações, concepções e sua relação com o saber.
Para estruturar os dados da pesquisa, organizou-se um conjunto categorial, objetivando relacionar os aspectos relevantes às articulações dos dados apresentados, na busca por encontrar possíveis respostas aos questionamentos suscitados. Dessa maneira, os dados obtidos na pesquisa possibilitaram a criação do desenho de categorias e de subcategorias, a partir das quais as narrativas escritas dos professores/interlocutores foram organizadas em blocos de seus escritos, que, de acordo com o sentido apresentado, explicitam seu delineamento peculiar, a natureza e especificidade dos dados, que por fim suscitaram as categorias e subcategorias de análises.
Apresentado sob outro olhar descritivo da figura da Categoria 3, buscou-se detalhar melhor cada subcategoria, assim dispostas: subcategoria 3.1 Apresentação dos professores mestres; 3.1.1 Luiza; 3.1.2 Pedro.
Subcategoria 3.2 Conhecendo pesquisa dos mestres: um olhar geral; 3.2.1 Luzia; 3.2.2 Pedro.
Subcategoria 3.3 Formação acadêmica e profissional: trajetórias e sentimentos; 3.3.1 Motivos para escolha profissional e sua relação com a matemática; 3.3.2 A relação com a profissão: satisfação? Insatisfação?; 3.3.3 Dificuldades encontradas no exercício de sua profissão enquanto mestre.
Subcategoria 3.4 Prática pedagógica no Ensino Superior, 3.4.1 Docência e prática pedagógica; 3.4.2 A prática do professor e suas exigências do saber fazer: desafios e potencialidades na formação de professores de matemática; 3.4.3 Os saberes docentes: uma relação na prática docente,
Subcategoria 3.5 Saberes da prática pedagógica; 3.5.1 A mobilização dos saberes dos conteúdos pedagógicos: uma relação direta com a sala de aula; 3.5.1.1 A aula de Luzia; 3.5.1.2 A aula de Pedro.
Subcategoria 3.6 A produção da prática docente: que fontes? Como se manifestam? Conforme se apresenta na Figura 7, a seguir.
Figura 7: Categoria de análise saberes da docência.
Fonte: a autora, 2013.