Tendo em conta tanto as dimensões da fábrica Dielmar como o seu funcionamento interno e o fluxo inter-departamentos necessário ao cumprimento das funções de funcionários de vários departamentos, é extremamente importante que exista uma correta aplicação de sinalética para que haja uma maior fluidez de trabalho.
Esta sinalética - para além da importância de ser legível e ter boa visibilidade - deve ser adaptada à fisionomia dos funcionários: assumindo que grande parte dos trabalhadores desta empresa é do sexo feminino e se encontra inserida numa faixa etária maioritariamente a partir dos 40 anos - um público que é certamente de estatura mais baixa do que, por exemplo, homens ou mulheres mais novas -, é relevante que a sinalética aplicada, por exemplo no teto, esteja colocada a uma altura que permita a sua visualização por este tipo de funcionário. Da mesma forma ter-se-ão que ter em conta fatores como cores perceptíveis e que não sejam confundidas entre si e tamanhos de letra adaptados à distância sobre a qual têm que ser lidos. Há toda uma necessidade de identificar os espaços, de organizar e de informar os funcionários de forma a garantir a correta e rápida execução de tarefas.
Por estas razões - e pela relevância da sinalética inserida em espaços públicos ou de tra- balho, assim como numa fábrica como aquela em estudo -, a CEO incumbiu a autora de refazer a sinalética referente ao armazém de matéria prima (e mais tarde de outras zonas da fábrica, como a zona de linha, confeção e de acabamento) de forma a melhorar o fluxo de trabalho dos funcionários. Existe toda uma lista de condicionantes que foram analisadas (tais como o público-alvo, as suas necessidades, os objetivos destes suportes e a sua facilidade de uso) e resolvidas de forma a serem alcançados os objetivos propostos.
Fig. 92 - Armazém de matéria prima antes do redesign da sinalética para or-
ganização. Zona de corte, produção, Estilismo e departamento de Compras. (Fonte: da autora).
Este projeto surgiu, portanto, aquando da remodelação dos armazéns da fábrica para me- lhoria tanto dos espaços como do funcionamento dos mesmos - surgindo desta remodelação uma necessidade de redesenhar também a sua sinalética. Segundo o briefing, verificou-se que teriam que ser refeitos todos os suportes de sinalética utilizada para identificar estantes e pra- teleiras, assim como separar os clientes que a elas pertenciam e os seus respetivos países.
De forma a cumprir, então, os requisitos deste projeto e auxiliar na remodelação dos espaços em questão, a autora iniciou o projeto de sinalética para o armazém de matéria prima com uma recolha dos suportes utilizados e, com o auxílio do departamento de Logística, procurou enten- der as necessidades de organização e de identificação do mesmo. Durante toda a duração deste projeto, foi necessário o trabalho em equipa - sendo que o mesmo envolveu os departamentos de Logística, Marketing, Design Gráfico e Administração - e a constante movimentação dentro da fábrica para recolha, reuniões, testes e aplicação da sinalética final.
Numa primeira fase, a autora efetuou um levantamento de todas as placas necessárias à identificação das prateleiras, tendo enumerado as várias tipologias de placas: identificadoras do número da prateleira, do país, do cliente, da estação, do tipo de material e para que peças se destinaria. Tendo discriminado que existiam centenas de placas diferentes e que todas elas eram impressas a preto em papel branco, colocadas numa mica plástica e coladas ao metal das estantes, a autora determinou que as principais problemáticas a resolver seriam: o aspeto das placas, as suas dimensões (A4 que interferiam com os rolos de tecido das prateleiras abaixo), a ausência de esquemas de cores para identificar mais rápida e facilmente o cliente e o país ao qual a prateleira pertencia e a fraca dinâmica visual por estas razões causada.
Com o auxílio de um mapa desenhado pelo departamento de Logística (ver figura xx) e através de um manual de normas de cor proposto pela autora, foi possível organizar este espaço, delimitando diferentes cores para cada um dos clientes e dos seus respetivos países, para além de criar placas identificadoras apenas do número da estante. A nova organização
Logística. (Fonte: da autora).
Fig. 94 - Aplicação das novas placas para organização do armazém de
matéria prima. À esquerda as estantes nacionais (T); Ao centro estan- tes para países europeus; À direita, prateleiras colombiana e brasileira. (Fonte: da autora).
de todo o espaço viria a facilitar o trabalho dos funcionários, permitindo que mais facilmente se encontrassem os rolos de tecido a utilizar dentro das estantes dos países e clientes que os mesmos procurariam, melhorando todo o processo de recolha dos rolos.
Tal como se pode observar na figura xx, as prateleiras foram estudadas (pelo departamento de Logística) de forma a maximizar o espaço nelas disponível, a aumentar a visibilidade dos produtos nelas armazenados (rolos de tecido) e a melhorar todo o fluxo de trabalho dos fun- cionários que as utilizam.
As prateleiras "T1" a "T10" e "TA-1" a "TA-10" correspondem a uma só estante, sendo que "T1" a "T10" se trata da frente da estante e "TA-1" a "TA-10" do seu verso, sendo o mesmo princípio aplicado na restante planificação: cada grupo do esquema com a mesma inicial, cor- responde à mesma estante. As estantes "T" e "F" correspondem a tecidos nacionais e Dielmar, enquanto que as restantes são ocupadas por clientes internacionais. É importante notar que as cores aplicadas no esquema não são as utilizadas para a diferenciação dos países, servindo apenas como guia para entendimento da organização do mesmo.
Quanto ao projeto, primeiramente foram estudadas propostas para dimensões de placas mais funcionais, adaptando-as ao espaço existente entre-prateleiras e aos seus outros posicio- namentos (topo das prateleiras e entre as prateleiras, ao meio - como é o caso das placas para a descrição do tipo de produto). Para as placas identificadoras dos países - placas estas com as bandeiras dos mesmos -, a serem colocadas no topo das estantes, foi utilizado um formato A4 para compensar a sua legibilidade tendo em conta a altura à qual estariam colocadas. Quanto às placas para colocar com os números referentes aos clientes, estas foram produzidas com 21cm de largura por 10cm de altura cada uma, de forma a poderem ser posicionadas entre cada prateleira (ao lado esquerdo). Já para as placas com a denominação da estante (T1, C1, D1, etc), foram aplicadas dimensões menores, com 6cm de altura por 10cm de largura, de forma a mazimizar o papel, imprimindo 3 placas por cada folha A4 (sendo estas aplicadas no topo das estantes, no lado esquerdo, indicando o seu início).
Já para as placas com a descrição da estação e do produto (OI Casaco Padrão ou PV Calça
Azul, por exemplo), estas foram aplicadas também em 1/3 de A4 cada uma, em fundo branco
e letras a preto, de forma a serem facilmente aplicadas (entre as prateleiras, ao centro) e a não perturbarem os códigos de cor dos restantes elementos relativos à identificação dos países.
Enquanto que as placas com o número da estante foram colocadas no topo da mesma, as bandeiras dos países foram colocadas também no topo mas indicando onde começava e termi- nava a secção das estantes do país em questão, sendo, assim, aplicadas duas bandeiras por país. A autora pegou depois no esquema e, através da seleção de uma paleta de cores facilmente identificadoras do país que representam e distinguíveis entre si, começou a delinear as suas aplicações nas diferentes tipologias de placas. As placas do país tinham a bandeira do mesmo e uma cor, e as placas enumeradoras de clientes foram desenhadas com a cor do país (no fundo) e o texto foi aplicado a branco. As placas denominadoras do número da estante foram aplicadas com cores de acordo com a zona em que estavam: as prateleiras T, por exemplo, tinham o fundo verde, coerente com o verde utilizado pela placa com a bandeira portuguesa.
Portanto, para diferenciar e identificar as zonas, para Portugal aplicou-se a cor verde (escuro), para Espanha o amarelo, para os Estados Unidos da América o cinzento, para o Brasil o laranja, para a França o azul escuro, para países da Europa (Inglaterra, Islândia, Irlanda, Alemanha e Holanda) o azul claro e para a Colombia um tom salmão. Também foram aplicadas placas (de dimensões iguais às aplicadas para os números dos clientes) vermelhas para tecidos
não conforme ou não ativos e placas verdes para ativos.
De maneira a preservar e a aumentar a durabilidade destes suportes, a autora plastificou todos eles, dividindo-os de seguida por estante e país e entregando-os ao departamento de Logística para a sua aplicação nos devidos locais. Todo o processo foi catalogado, assim como foram sendo fotografadas as fases de pintura e organização dos espaços, de forma a documen- tar toda esta renovação.
Esta organização por cores, dimensões e tipologia de placa, permitiu que houvesse uma melhoria palpável tanto visual como funcionalmente.
Mais tarde foram desenvolvidas placas para identificação dos carros móveis para movi- mentação dos rolos de tecido, divididos pelos dias da semana - divisão esta que permite que os funcionários do armazém de matéria prima e da linha de corte tenham conhecimento de quais são os rolos de tecido com prioridade - que devem ser trabalhados de forma mais imediata - ou aqueles com menor prioridade. Para estes carros foi necessária, então, uma identificação e
Fig. 95 - Aplicação das novas placas para organização dos carros semanais do armazém de matéria
prima. À esquerda os carros com as placas ainda sem pintura; Ao centro a cor aplicada e a sua representação em catálogo; À direita, os testes de cor para adequação à pintura do carro. (Fonte:
da autora).
divisão também ela por cores, uma por cada dia da semana: estas foram sendo criadas de acordo com os códigos de cor do catálogo de tintas utilizadas (Cin), utilizando valores aproximados à cor da tinta aplicada em cada carrinho: para a segunda-feira foi utilizado amarelo, para terça- -feira o cor de rosa, quarta-feira verde água, quinta-feira azul, sexta-feira roxo e "reparações corte" a vermelho. Para cada dia da semana existem dois carrinhos, tendo sido produzidas, assim, duas placas por tipo de dia.
Cada carro foi pintado com a cor correspondente, foi aplicada uma placa da mesma cor no seu topo e escrito o dia e ao carro ao qual pertencia: Segunda-feira 1 ou segunda-feira 2 e quinta-feira 1 e quinta-feira 2, por exemplo.
A grande problemática com este projeto foi a adequação das cores pintadas nos carros com as cores impressas para as placas, no entanto, os resultados obtidos permitiram que se identi- ficassem com sucesso cada um dos carros - e cada uma das estantes e prateleiras do armazém MP -, melhorando o fluxo de trabalho e toda a dinâmica visual dos espaços.
Desenvolveu-se também uma série de placas suspensas na zona da linha de produção, nas quais se encontra um pequeno manual de normas de cor relativo aos aspetos neste subcapí- tulo abordados, de forma a que todos os funcionários tenham acesso a esta informação tão crucial, pois mesmo não estando no armazém de matéria prima, os carros podem encontrar-se noutros locais e serem necessários à produção. Para estas placas foram colocados em prática os fundamentos abordados anteriormente, tendo-se em conta a estatura média dos funcionários desta empresa e adaptando-se a sinalética a este fator. Assim, as placas suspensas no teto foram aplicadas a uma altura suficiente para que ninguém embatesse contra elas, mas de forma a per- mitir uma boa leitura pela maioria (90%) dos funcionários - senhoras de estatura mais baixa.
Por fim, foram também desenhadas placas e cartazes, para o departamento de Logística, identificadores dos mercados - estas encontram-se noutros armazéns, como o GAL e APA. Estas placas são identificadoras do tipo de mercado ao qual pertence a estante/rack, nomeadamente se é de mercados nacionais, mercados externos, outros mercados e novos mercados; existindo também cartazes para stock de produção, e placas apenas aplicadas a vermelho para apon- tamentos de revisão de inventário. A aplicação destes suportes foi imediata e decorreu sem quaisquer tipos de impasses.
Em suma, a autora e os seus orientadores durante este projeto (DG, MKT, ADM), conside- raram este projeto como um sucesso, sendo que foram alcançadas todas as metas propostas para a remodelação e redesign da sinalética e de todos os suportes informativos dos armazéns. Foram sendo desenhados e produzidos mais cartazes e placas que iam surgindo conforme algumas necessidades mais pontuais, tendo, no entanto, ficado este projeto como concluído com sucesso antes do Natal (2016).