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Renewable energy

Dans le document Vision Green (Page 44-50)

Part 2: Addressing the challenge of the Climate Crisis: Enhancing economic performance while safeguarding our future

2.1 Making real reductions in GHG emissions

2.1.5 Renewable energy

Como dito, o público também tem alterado seu comportamento em relação as mídias. Conforme Moloney (2011), as notícias consumidas diariamente pela população partem de quatro a seis plataformas distintas, como rádio, impresso, smartphones, etc. Essa mudança acabou por criar o hábito de se realizar a busca de informações de forma cada vez mais filtrada, desenvolvendo o interesse na customização e um desejo maior dos usuários em também participar na construção

do discurso jornalístico. É esse novo perfil que abre espaço para a narrativa transmídia no jornalismo.

A televisão está inserida nesse contexto. Sendo um dos instrumentos de modificação ao veicular normas e valores, ela faz parte do tecido social, agindo, também, como local onde existe a circulação de diferentes vozes, confronto de ideias e constituição de novas imagens. Hoje, como já comentado, ela possui uma reorientação que se desenvolveu com o processo de digitalização. Entre eles, estão os desdobramentos oferecidos pelos programas televisivos por meio da rede, com complemento de informações e espaço para interação da audiência ou mesmo a possibilidade de assistir as atrações posteriormente a sua veiculação na grade de programação, como aponta França (2009).

A autora reforça que não há uma concorrência entre as mídias, mas um diálogo intenso que resulta muita mais em reforço de todos os meios do que no enfraquecimento de algum. Ela lembra da antiga relação entre televisão e revistas especializadas que se dedicam aos programas e artistas do meio eletrônico, alimentando o interesse do público, mas simultaneamente, promovendo essas atrações, ampliando a audiência (FRANÇA, 2009).

Essas novas formas de consumo abrangem o telejornalismo. Cirne e Abreu e Lima (2015) destacam que essas mudanças também alteram, além da leitura, o modo de produção e materialidades, não existindo mais uma unidade de sentido acabado que anteriormente era demarcada pelo programa televisivo, por meio do espaço temporal ligado a grade de programação. Além do tradicional caráter inacabado, atualmente os textos possuem sentidos mais abertos, possibilitando articulações de conteúdos com outras plataformas.

Para Moloney (2011), o principal desafio é conhecer as mídias disponíveis e saber como podem ser utilizadas. Cirne e Abreu e Lima (2015) atentam para o fato de que é necessário identificar os novos hábitos e comportamentos do público, não apenas para mantê-lo, mas também para buscar o seu engajamento. Para isso, é preciso a compreensão dos modos de funcionamentos das formas que surgem, junto com a identificação das suas estruturas organizacionais.

Fechine (2013), com o objetivo de identificar essas novas características, apresenta alguns mecanismos de propagação e expansão para a construção de um formato televisivo. A ideia é possibilitar a construção dessas relações com o público e

demais plataformas. O primeiro seria o da antecipação, que consiste na utilização de outras mídias com o interesse estimular o interesse do público em uma narrativa.

Outro seria o da recuperação, quando os conteúdos podem ser resgatados pelo público. Eles tanto podem ser o próprio material já exibido, como também informações complementares ou outras matérias que possam colaborar na construção da leitura do conteúdo. Também devem ser consideradas as remixagens, quando o que se encontra é o resultado de uma apropriação do público e ressignificação dos conteúdos já exibidos.

Desse modo, mesmo que a produção transmidiática ainda não seja adotada com frequência no jornalismo, o atual cenário midiático une as condições necessárias para o seu desenvolvimento. No caso específico do Brasil, a estrutura dos grupos de comunicação oportuniza a aplicação do formato, onde a televisão aponta como um importante ator na construção desses múltiplos textos, considerando sua penetração e influência, sendo a principal mídia do país.

Assim, quando recuperamos a proposta de Renó (2011) de uma estrutura rizomática, que em sua essência significa a não hierarquização dos meios, é preciso ressaltar que, mesmo assim, torna-se necessário determinar um ponto de partida. Apesar de um número considerável de pesquisadores identificarem a transmídia como uma narrativa essencialmente digital, este trabalho adota a ótica do ecossistema midiático, onde todos os meios devem ser considerados.

Ao trazermos a análise para o Brasil, necessitamos, primeiramente, considerar a estrutura midiática do país e a penetração de cada um dos meios. Como demonstrando no final do capítulo anterior, é da televisão o papel de principal ator no contexto comunicacional ao estar em quase a totalidade das residências do país.

Mesmo que a internet seja cada vez mais acessada, tendo uma expansão gradativa e constante, atingindo em 2016, conforme o IBGE, 63,3% de suas residências conectadas à rede internacional de computadores9, a televisão não apresenta movimento contrário, sendo a mídia mais disponível à população brasileira. Assim, não é possível descartar o papel do meio televisivo dentro de uma estrutura midiática.

9 Disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/trabalho/17270-pnad- continua.html?&t=o-que-e. Acessado em 12/12/2017

A Pesquisa Brasileira de Mídia aponta que 77% da população afirma assistir televisão todos os dias da semana, sendo que o 56% dedicam mais de duas horas durante a semana e 61% nos finais de semana. O mesmo levantamento mostra que 63% dos brasileiros consideram a televisão como o principal meio de informação sobre os acontecimentos do país10.

Ao avaliar esse cenário, apresentamos uma proposta de estruturação de uma narrativa jornalística transmidiática, tendo a televisão como mídia responsável pela introdução do conteúdo estruturado no formato. É preciso ressaltar que não se está determinando uma arquitetura fixa, mas uma das inúmeras formas que podem ser consideradas, conforme as informações e material disponíveis, além do público alvo e condições de produção existentes. A proposição é baseada na organização dos principais grupos de comunicação do país que contam com emissoras de televisão, rádio, publicações impressas, além de sites e portais de conteúdo.

Em nossa proposta, consideramos a penetração do meio televisivo e sua potencialidade de ter uma função atrativa, funcionado como uma espécie de isca do conteúdo transmidiático para o público. Ao chamar a atenção para o material, a televisão teria a missão de indicar que o conteúdo pode ser ampliado em outros meios. A disponibilização do conteúdo, a partir de então, poderia se dar de forma simultânea nas demais mídias ou de forma gradativa em cada uma, conforme a proposta. O que se teria, então, seria uma exibição massiva do primeiro conteúdo, como forma de apresentação da narrativa, informando à audiência que a história tem continuidade.

Esse potencial de transmitir simultaneamente e de forma massiva o conteúdo, se bem explorado, irá criar o interesse no público em saber mais daquele assunto. Ao se unir esse fator ao estímulo da utilização da segunda tela, em especial, a Social TV, irá se iniciar o processo de engajamento, com o compartilhamento de comentários nas redes sociais em um primeiro momento, e posteriormente do próprio conteúdo. Cria-se, então, um processo de mudança da informação do que se está assistindo para um novo, onde se disponibiliza para que outros consumam também.

Esse material televisivo dará início ao processo transmidiático ao informar que a história irá se expandir em outras plataformas, comunicando, preferencialmente, em quais. Inicia-se aí a intertextualidade, com a disponibilização do conteúdo em diferentes mídias, onde cada uma é independente, mas, simultaneamente, compõe o

todo. Essas matérias devem explorar ao máximo a característica de cada meio para garantir ao usuário o aprofundamento necessário e essencial para esse tipo de narrativa.

Todo material disponibilizado, independente do meio utilizado para isso, deverá, posteriormente a primeira veiculação, ser disponibilizado em um ambiente único, como uma biblioteca, sendo armazenado em o ambiente digital. Esta local pode ser um endereço na World Wide Web ou aplicativo para smartphone ou tablet, como exemplo. Nessa concentração do material aconteceriam os processos mais amplos de contextualização, recuperando o conteúdo fora do fluxo de informação comum das mídias tradicionais, unificando-o com o conteúdo digital produzido.

Nesse mesmo ambiente digital, seriam disponibilizados os hyperlinks permitindo a conexão entre as diferentes reportagens e desenvolvendo o princípio da expansibilidade, permitindo o aprofundamento do usuário conforme seu interesse. É a partir do hipertexto que também ocorre a verificação das informações por meio dos vínculos que ligarão aos documentos, informações base e fontes, aferindo o conteúdo e dando credibilidade ao material, que é o principal capital do jornalismo.

Por parte dos usuários, ao se ter todo o conteúdo disponibilizado em um único ambiente acaba por permitir e facilitar o processo de engajamento. Se a Segunda Tela, e, em especial, a Social TV iniciam a participação da audiência, ela é ampliada ao ter todo material disponibilizado. É onde ocorrerá o processo de compartilhamento, e especialmente, da remixagens que, ao ser distribuído em suas próprias redes sociais irá ampliar o público atingido e aumentar o interesse na narrativa desenvolvida. É necessário ressaltar que esta é apenas uma proposta possível de aplicação da narrativa transmídia no jornalismo. Ela foi construída considerando o cenário midiático brasileiro e mesmo no país pode ter inúmeras possibilidades. O objetivo dessa elaboração é de tentar comprovar a viabilidade de um conteúdo transmidiático na atividade jornalística. A partir dessa proposta, este trabalho pretende analisar a produção atual brasileira para identificar as possibilidades da transmidialidade na imprensa do país. O desafio é identificar não apenas possibilidades, mas também quais características transmidiáticas já são aplicadas nos conteúdos produzidos no Brasil e a participação da televisão nesse material.

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