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RESULTATS ET DISCUSSION

Olga 39 1 75 2000 Associée avec une nutritionniste

4. La rencontre du médecin et du patient : les façons de faire

Características gerais

O mercúrio pertence ao grupo XII da tabela periódica; é um elemento geralmente encontrado na forma de sulfeto de mercúrio (cinábrio), um composto insolúvel e estável, podendo também ser encontrado na forma de vários compostos orgânicos e inorgânicos. O mercúrio ocorre na crosta terrestre em níveis médios de 0,5 ppm, mas a concentração real varia consideravelmente dependendo da localização (ATSDR, 1999).

Existe em três formas, com diferentes propriedades, usos e toxicidades: mercúrio elementar (metálico), compostos inorgânicos de mercúrio e compostos orgânicos de mercúrio (Azevedo e col., 2003).

Tal elemento foi um dos primeiros metais conhecidos e tem sido usado desde os tempos antigos por razões práticas e místicas, sendo, os registros mais antigos de seu uso, encontrados por arqueólogos em uma tumba egípcia de 1500 A.C. Os gregos utilizavam-no como remédio e, durante os séculos XIX e XX, ele foi amplamente aplicado para o tratamento de sífilis (UNEP, 2008).

Os compostos de mercúrio inorgânico são formados quando ele se combina com elementos como o cloro, flúor, bromo, iodo, enxofre, oxigênio, selênio, hidrogênio e telúrio ou com nitrato. Os compostos orgânicos apresentam o mercúrio ligado a radicais orgânicos, dando origem a formas químicas que se convertem no meio ambiente. Dentre as várias formas de mercúrio orgânico encontradas, a mais tóxica e mais importante é o metilmercúrio, produzido principalmente a partir do mercúrio inorgânico pela atividade microbiológica e predominante nos alimentos de origem marinha (Azevedo e col., 2003; UNEP, 2008).

Fontes e usos

As emissões de mercúrio devido a fontes naturais são provenientes da desgaseificação da crosta terrestre, emissões de vulcões e evaporação de corpos aquáticos. Os fatores antropogênicos relacionados a emissões de mercúrio são a mineração de ouro, queima de combustíveis fósseis, incineração de lixo, disposição de rejeitos de processos metalúrgicos e atividades industriais (Azevedo e col., 2003).

Extraído a partir de poços abertos ou de minas subterrâneas, de onde os minérios de mercúrio são processados com o objetivo de se obter mercúrio metálico, sua produção secundária inclui o processamento de produtos que contenham este metal. Como resultado dos regulamentos cada vez mais restritos, a produção utilizando mercúrio reciclado tem aumentado significativamente (ATSDR, 1999).

A produção e o consumo mundiais de mercúrio têm apresentado redução nos últimos anos. Segundo o relatório Global Mercury Assessment, de 2002, seu consumo mundial foi estimado em 1.800 toneladas, menos da metade do consumo observado na década de 80, quando variava entre 5.500 e 7.100 (MMA, 2012).

O mercúrio possui diversas aplicações na indústria, devido a suas propriedades únicas como fluidez, expansão uniforme de volume ao longo de todo o intervalo de temperatura do líquido, tensão superficial elevada e a sua capacidade de liga com outros metais (ATSDR, 1999).

A principal utilização de mercúrio nos Estados Unidos, no ano de 1997, foi para a produção eletrolítica de cloro e soda cáustica, responsável por 35% do consumo nacional. Fabricação de fios e interruptores representou 19%; instrumentos de medição e controle, 9%; equipamentos odontológicos, 7%; iluminação elétrica, 7%; outros usos, 21%. Devido a sua elevada toxicidade na maioria de suas formas, muitas aplicações foram canceladas, como resultado de tentativas de limitar a quantidade de exposição a resíduos de mercúrio (ATSDR, 1999).

Esse metal pode ser ainda usado como conservante de vacinas, em cosméticos, sabões clareadores e na forma de agrotóxicos, usos que estão proibidos no Brasil, sendo apenas permitido o da substância como anti-séptico, na forma de timerosal (etilmercúrio tiossalicilato de sódio) para conservação de algumas vacinas (Cetesb, 2012a).

Em razão das atividades antropogênicas, uma parcela significativa de mercúrio atinge os sistemas aquáticos (rios, lagos e oceanos), podendo sofrer metilação por muitos anos, formando mono e dimetilmercúrio, as espécies mais tóxicas do mercúrio. Tais compostos bioacumulam-se nos organismos aquáticos, sendo de eliminação lenta e estando presentes em maior quantidade nos níveis tróficos superiores, como peixes e mamíferos (Azevedo e col., 2003).

Exposição humana e efeitos à saúde

A população em geral é mais comumente exposta ao mercúrio por duas fontes: ingestão de peixes e mamíferos marinhos que podem conter metilmercúrio em seus tecidos ou a partir da liberação de mercúrio elementar de amálgama dentária. Não se sabe quanto deste último é inalado na forma de vapor de mercúrio, quanto é ingerido em forma líquida ou quanto é convertido em sal de mercúrio absorvido pela mucosa oral (ATSDR, 1999; Azevedo e col., 2003).

Exposições ocupacionais ocorrem principalmente por inalação de vapor de mercúrio metálico. Exposições acidentais ao mercúrio são mais comuns do que a outras substâncias perigosas, pois o mercúrio líquido é brilhante e interessante, sendo utilizado em muitos dispositivos elétricos e mecânicos. Este último é pouco absorvido pela pele e trato gastrointestinal, mas os vapores

liberados são prontamente absorvidos através dos pulmões (ATSDR, 1999; Azevedo e col., 2003).

A literatura sobre os efeitos na saúde do mercúrio é extensa, porém geralmente limitada a exposição por inalação de vapores de mercúrio metálico e exposição oral a compostos de mercúrio orgânicos e inorgânicos, existindo informações limitadas sobre exposição por via cutânea (ATSDR, 1999; Azevedo e col., 2003).

A absorção do mercúrio é dependente da forma do elemento ao qual o organismo está exposto. Tanto o mercúrio metálico como os compostos orgânicos podem ser absorvidos por via inalatória. Por via oral, a absorção do mercúrio metálico é praticamente desprezível, enquanto o mercúrio orgânico apresenta alta absorção no trato gastrointestinal (cerca de 95%) (Azevedo et. al, 2003; Cetesb, 2012a).

Todos os compostos de mercúrio provocam efeitos tóxicos à saúde do homem. A toxicidade das diferentes formas de mercúrio é atribuída principalmente à alteração de sistemas enzimáticos, interferindo no metabolismo e função celular (Azevedo e col., 2003, Cetesb, 2012a).

Uma vez absorvido, mercúrio metálico e inorgânico entram em um ciclo de oxidação-redução em células vermelhas sanguíneas e nos pulmões de seres humanos e animais. Evidências de estudos em animais sugerem que o fígado é um sitio adicional de oxidação (ATSDR, 1999).

A exposição a vapor de mercúrio metálico leva à deposição deste metal principalmente nos rins e no cérebro, enquanto a exposição a sais inorgânicos de mercúrio leva à deposição nos rins. Os compostos orgânicos de mercúrio são depositados prioritariamente no cérebro (Azevedo e col., 2003, Cetesb, 2012a). O consumo de grandes quantidades de mercúrio orgânico está relacionado a danos no sistema nervoso, em áreas sensoriais e de coordenação, com o surgimento de formigamento nas extremidades e ao redor da boca, falta de coordenação e diminuição do campo visual, sendo que, em intoxicações severas, os sintomas são irreversíveis e podem ocasionar paralisia e morte. Crianças nascidas de mães contaminadas com metilmercúrio podem apresentar anormalidades no desenvolvimento e paralisia cerebral (Azevedo e col., 2003, Cetesb, 2012a).

O sistema nervoso central é, provavelmente, o órgão mais sensível à exposição ao vapor de mercúrio metálico, tanto em exposições agudas como em exposições crônicas. Os sintomas intensificam-se ao longo do tempo e podem tornar-se irreversíveis. Não existe ainda um consenso em relação aos níveis seguros de exposição a esse metal (Azevedo e col., 2003).

Em relação à exposição ao mercúrio metálico, também podem ser observadas uma grande variedade de alterações, entre elas alterações cognitivas, de personalidade, sensoriais e motoras. Os sintomas mais proeminentes incluem tremores, labilidade emocional, insônia, perda de memória, alterações neuromusculares (fraqueza muscular atrofia, espasmos musculares), dores de cabeça, polineuropatia e os déficits de desempenho em testes de função cognitiva (ATSDR, 1999, Azevedo e col., 2003).

Diversos outros órgãos e sistemas podem ser afetados por exposições ao mercúrio inorgânico, entre eles, sistema respiratório, sistema cardiovascular, sistema gastrointestinal, entre outros (ATSDR, 1999, Azevedo e col., 2003).

A ingestão de grandes quantidades de determinados compostos inorgânicos de mercúrio pode produzir irritação e corrosão no sistema digestivo. A ingestão ou a aplicação dérmica desses compostos por longo período pode causar efeitos similares aos observados na exposição crônica ao vapor de mercúrio metálico. O mercúrio inorgânico é usado em práticas religiosas e rituais e para fins medicinais. (Azevedo e col., 2003; Cetesb, 2012a).

A IARC classifica os compostos de metilmercúrio como possíveis carcinógenos humanos (Grupo 2B). O mercúrio metálico e os compostos inorgânicos de mercúrio não são classificáveis quanto a sua carcinogencidade para o ser humano (Grupo 3). Tal categoria comumente é usada para agentes para os quais a evidência de carcinogenicidade é inadequada para o ser humano e inadequada ou limitada para animais de experimentação (Cetesb, 2012a).