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REMOTE (on-line) OPERATION

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3.4 REMOTE (on-line) OPERATION

Jesús Martín-Barbero, um dos representantes dos Estudos Culturais, dá grande importância para as mediações, assume a existência de diferentes maneiras de recepção e formas de interpretar e reagir a cada produto cultural. O autor defende que a comunicação é um processo e o estudo dela não deve ser feita de maneira fragmentada. Todos os elementos da comunicação devem ser estudados juntos, pois há uma interdependência entre as partes.

A cultura é ligada à comunicação e vice-versa. E a cultura está no cotidiano. Assim, Martín-Barbero trouxe e ampliou o ponto de vista que valoriza o indivíduo e suas diferentes maneiras de receber e interpretar os produtos culturais.

Utilizamos essa visão para melhor compreender a iniciativa dos criadores do Omelete que usaram as experiências deles com produtos culturais para montar um blog e abordar temas pelos quais são apaixonados. E, assim, alimentar a cultura pop, nerd e geek, inclusive, oferecendo novos produtos culturais como webséries, textos, imagens, vídeos e uma das maiores convenções de cultura pop do Brasil.

Martín-Barbero considera as mediações fundamentais para a compreensão do comportamento do ―receptor‖, que também ganha a função de produtor ao aceitarmos que, ao receber conteúdo, o leitor, por exemplo, ressignifica o texto lido de acordo com sua história, seu contexto histórico, sua bagagem cultural e de conhecimento.

O indivíduo tem mais autonomia do que se imagina quando se pensa na massa e em algo criado para atingir um grande público. Se tomarmos como exemplo a leitura e o leitor, a primeira vai caminhando de acordo com as interpretações feitas pelo leitor, com a

identificação com o tema e os personagens. Além disso, as intenções do autor podem não ser as mesmas compreendidas pelo leitor. Tudo depende das mediações.

Martín-Barbero valoriza as particularidades dos indivíduos, sua bagagem de conhecimento, experiências e história. Para ele, a forma com que as pessoas usam os produtos varia de acordo com a utilidade que cada um deseja dar a certo objeto ou ferramenta, além de levar em conta os conhecimentos obtidos durante a vida de cada pessoa.

Ou seja, a indústria pode oferecer um produto que tenha como principal função, por exemplo, apenas entreter. No entanto, a pessoa que o consumir pode utilizar um livro não apenas para se distrair, mas também para servir como inspiração para escrever textos e compartilhar com amigos, para utilizar como base de pesquisa ou até para ser um peso de papel para segurar folhas e elas não voarem.

O consumo não ocorre de forma padrão, ela possui variações, da mesma maneira que as pessoas não são todas iguais. Elas têm características em comum, no entanto, suas ações não podem ser completamente premeditadas.

[...] O espaço da reflexão sobre o consumo é o espaço das práticas cotidianas enquanto lugar de interiorização muda da desigualdade social, desde a relação com o próprio corpo até o uso do tempo, o hábitat e a consciência do possível para cada vida, do alcançável e do inatingível. Mas também enquanto lugar da impugnação desses limites e expressão dos desejos, subversão de códigos e movimentos da pulsão e do gozo[...] (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 290).

O consumo não é voltado apenas para a sobrevivência, para adquirir alimentos e roupas. Ele também estimula a criação de sentidos, passa ―pelos usos que lhes dão forma social e nos quais se inscrevem demandas e dispositivos de ação provenientes de diversas competências culturais‖ (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 290).

A cultura de massa, na verdade, não possui um perfil exclusivamente considerado ruim por excluir as características específicas de cada indivíduo, ela também é vista como responsável por colocar diferentes classes econômicas em um mesmo patamar.

Para Martín-Barbero, os meios de comunicação de massa tiveram a capacidade de igualar, de certa maneira, pessoas pertencentes a diferentes classes econômicas. ―Enquanto o livro manteve e até reforçou durante muito tempo a segregação cultural entre as classes, foi o jornal que começou a possibilitar o fluxo, e o cinema e o rádio que intensificaram o encontro‖ (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 57).

A partir da obra Dos Meios às Mediações: Comunicação, Cultura e Hegemonia, o ponto de vista para o desenvolvimento de pesquisas em comunicação foi modificado, saindo

apenas da emissão e considerando de forma indispensável o leitor/internauta, sua importância e os elementos que influenciam a interpretação e o aproveitamento das informações disponibilizadas na internet, por exemplo.

O autor destaca que, na literatura, pôde-se notar que poderia haver ―um modo próprio de perceber e narrar, contar e dar conta‖ (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 259). Esse trecho foi interpretado como a constatação da existência de uma individualidade na recepção, deixando de lado a ideia de que os receptores fazem parte de uma grande massa uniforme e com comportamento previsível.

Ou seja, lida-se com algo bem mais complexo do que uma multidão que pensa e age igual, que aceita todo e qualquer conteúdo que lhe é transmitido sem questionamentos e interpretações.

Para Martín-Barbero, o ―eixo do debate deve se deslocar dos meios para as mediações, isto é, para as articulações entre práticas de comunicação e movimentos sociais, para as diferentes temporalidades e para a pluralidade de matrizes culturais‖ (MARTÍN-BARBERO, 1997, p. 258).

Além disso, Dos Meios às Mediações também reforça que deve-se pensar na cultura como algo não elitista, mas sim, algo popular, histórico, criativo e sempre em conflito, pois é no conflito que se constroem as coisas, ele que exige movimento e adaptação constantes.

A cultura remete ao popular, ao passado e, ao mesmo tempo, existe de maneira múltipla, ativa, no conflito e na criatividade estimulados pelas mudanças. Com esse olhar, quando se reflete sobre os processos de comunicação, somos tirados da simplicidade de vê-los apenas como tecnologias diferentes e também os vemos como reflexo da cultura.

Seguindo o raciocínio do filósofo, com a redução do valor de computadores e do acesso à internet, diferentes classes sociais podem alcançar a mesma quantidade de informações e as mesmas ferramentas, podendo inclusive, ter os mesmos gostos e preferências e frequentarem os mesmos sites e blogs.

Para melhor compreender como essas mudanças que ocorreram na comunicação e na sociedade afetam as pessoas, abaixo apresentamos a cultura da mídia, descrita por Douglas Kellner. Nela encontramos a possibilidade de analisar características da indústria cultural e dos Estudos Culturais ao mesmo tempo e valorizar ainda mais o contexto e o objeto de pesquisa desta dissertação.

Afinal, os produtos culturais e seu consumo atingem não apenas o mercado, como também os consumidores, o que fazem com os produtos e como utilizam o que adquirem com eles.

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