João C. LEITÃO1
1Instituto Politécnico da Guarda, Escola Superior de Saúde
UDI - Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior [email protected]
Palavras-chave: Saúde, Idosos, Acesso Introdução
Com este trabalho procura-se conhecer a perceção que os idosos têm em torno da sua qualidade de vida, da importância das relações familiares e de vizinhança no acesso aos cuidados de saúde. Deste modo auscultou-se os idosos através de um inquérito por questionário no sentido de averiguar o acesso destes ao sistema de saúde, quer do ponto de vista físico, quer na possibilidade de aceder aos rastreios que as instituições de saúde têm com alguma frequência organizado. Bem como a sua capacidade financeira, para dar resposta à sua condição de saúde. Verificou- se ainda neste estudo que perceção da qualidade de vida dos idosos, é em muito afetada pela perceção positiva ou negativa do seu estado de saúde, sendo que a permanência em sua casa, com o cônjuge em muito contribui para uma perceção positiva do seu estado de saúde. Este estudo está a ser realizado, tendo sido exe- cutados mais 1000 inquéritos por questionário estando já apurados os resultados de 339 desses mesmos inquéritos, é também um estudo em elaboração, pelo que se continua o processo de recolha de dados e tratamento.
Objetivos
O objetivo deste projeto é sobretudo caracterizar a população de idosos, sendo que esta população apresenta alguma diversidade na forma como enfrenta as diver- sas vicissitudes com as quais tem que lidar e por vezes aprender a lidar.
Assim a proposta de exploração deste estudo baseia-se nos seguintes aspectos: - Caraterização da população de idosos;
- Relações familiares e de vizinhança protetoras ou inibidoras no acesso à saúde; - Gastos com saúde custeados pelos indivíduos;
- Valor das reformas ou outras prestações sociais; - Grau de dependência dos indivíduos;
- Perceção do estado de saúde por parte dos idosos.
Considerei estes indicadores como sendo os mais relevantes, tendo em conta a proposta inicial que tem por objetivo compreender a perceção da qualidade de vida e acesso à saúde pelos idosos.
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E2 | C OM U N IC A Ç ÕE S OR A IS Metodologia
Em termos metodológicos, num primeiro momento procedeu-se a uma profunda recolha de informação bibliográfica e estatística em torno das questões do envelheci- mento, acesso à saúde e sociedade de bem-estar (estado providência, estado social). Nesta primeira arte do trabalho procurei demonstrar osv diversos momentos da demo- grafia portuguesa e a anunciada evolução para um profundo envelhecimento da po- pulação portuguesa, aqui e ali interrompida por fluxos migratórios que mascaravam o envelhecimento da sociedade europeia e muito em concreto da sociedade portuguesa.
Com a recolha estatística, os indicadores demográficos e económicos estabeleci uma estreita relação entre a evolução da demografia, a evolução do estado de bem-es- tar e a necessidade de um maior desenvolvimento do estado social, para fazer frente às carências sociais existentes sobretudo por parte de uma população envelhecida de baixa qualificação, com baixas reformas e fruto da sua longevidade com crescentes necessidades, de saúde e de acompanhamento.
Por fim através de um inquérito por questionário, foi lançado o trabalho de campo em que se pretende averiguar da perceção da população idosa da sua qualidade de vida e acesso à saúde. Este instrumento de recolha de informação é aleatório, centrado na região da Guarda, região no interior do país que muito tem sentido vários processos migratórios quer para o litoral, quer para o centro da europa tendo como destinos mais comuns, França e Alemanha. É esta caraterística, de ser uma das regiões com maior envelhecimento do país que justifica e motiva este trabalho de campo ainda em desen- volvimento e do qual proponho a apresentação dos seguintes resultados.
Resultados
Neste primeiro tratamento dos dados dos inquéritos por questionário verifica-se que em termos de género a população mais dominante, são as mulheres o que em muito se deve à maior longevidade do género feminino.
Quanto ao seu estado civil, esta população de idosos ainda é maioritariamente composta por casais, sendo que se pode dizer que o número de viúvas(os) como não poderia deixar de ser tenderá a aumentar, com a erosão do tempo.
Já no que concerne às habilitações literárias verifica-se que esta população, como não seria de esperar outra coisa, demonstra um baixo índice de instrução marcado pelo 1º Ciclo do Ensino Básico, logo seguido daqueles que afirmam não ter tido qualquer tipo de habilitação formal designados por sem estudos.
Refletindo ainda uma primeira idade do envelhecimento desta população, na sua grande maioria esta população vive com o seu cônjuge em sua casa, sendo des- de logo seguida pelos que vivem sozinhos em sua casa e aqueles que partilham o lar dos filhos, combatendo desta forma o isolamento desta população.
Os resultados do trabalho de campo mostram existir uma relação direta entre a realização de uma vida autónoma em sua casa e uma perceção positiva do seu estado de saúde, por parte dos idosos. Podendo-se dizer que esta é condição essencial para manter esta condição de autonomia e dependência.
Verifica-se também que as fracas condições socioeconómicas, como seja baixas reformas, baixos níveis de qualificação influenciam diretamente o acesso aos ser- viços de saúde sendo que a grande maioria dos sujeitos inquiridos, diz não realizar qualquer tipo de rastreios.
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Contudo já quando questionadas sobre se o seu problema de saúde foi diagnos- ticado por um técnico de saúde, a grande maioria das pessoas afirma que sim mais concretamente 272 dos 339 inquiridos sendo que 66 dependem de uma segunda pes- soa para realizar atividades básicas.
Conclusões
Com o aumento da longevidade, fruto do desenvolvimento social e económico do nosso país, os avanços científicos e tecnológicos, conhecidos sobretudo ao nível da medicalização, permite apesar de instalada as doenças crónicas as pessoas so- breviveram com grande qualidade de vida, exigirá da parte dos serviços de saúde o reforço crescente da sua verba de forma a poder prestar os serviços de saúde necessários às populações mais envelhecidas e em particular no interior do país, esta necessidade revela-se tanto mais premente quanto mais evidente é o processo de despovoamento do território interior português, que se caracteriza pela saída dos mais novos em idade ativa e mais qualificados e a permanência e o retorno de populações no interior do país menos qualificados e longe da vida ativa.
O facto de grande parte da população não realizar qualquer tipo de rastreio, é um indicador fiável das suas dificuldades de acesso à saúde, que se irão avolumar com envelhecimento desta população já por s envelhecida.
Verifica-se ainda que valores como os da solidariedade entre gerações e as relações de vizinhança são um forte apoio na diminuição dos processos de exclusão social, nestas populações verificando-se que é precisamente neste rede que muitos dos idosos se apoiam para acederem nas suas deslocações aos serviços de saúde.
Daqui se pode concluir a fundamental importância de reforço dos serviços de saúde, à medida que as populações envelhecem por diversas razões físicas, sociais e económicas indicam que em décadas futuras os serviços de saúde tendem a au- mentar os seus custos com vista à manutenção de um estado de bem-estar.
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