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Relation forte Relation faible

Sempre que nos baixios das chapadas e nas encostas das serras há ajuntamentos de águas e consequentemente se formam pantanos, nascem regos, riachos, isto é – cabeceiras de rios.... Aqui apparece então vistosa palmeira de leque ora em raros exemplares, ora disposta em grupos ou junta a outras plantas arbóreas, arbustivas e herbáceas formando bosques chamados – capões; dá a essas localidades um aspecto todo particular e é por este motivo que se pode considerá-la como formação própria, especial: a dos burytizaes e capões [...] Chama-se Mauritia vinifera, Mart.; ou (de seu nome indígena) - burity – essa megestosa palmeira e traz à lembrança do viajante – nada que mais avistará senão campos e cerrados – que elle se acha em latitudes tropicaes... Ernesto Heinneh Ule, botânico da expedição Cruls

maciços planaltos de estrutura complexa e um conjunto significativo de planaltos sedimentares compartimentados, situados a níveis de altitude que variam de 300 a 1.700 metros. A geomorfologia é, em grande parte, similar tanto nas áreas de solos cristalinos aplainados quanto nas áreas sedimentares mais elevadas transformadas em planaltos típicos – como é o caso da Serra Geral de Goiás.

De modo geral, verifica-se entre os vales das chapadas e dos planaltos uma vegetação de Cerrado strictu sensu (RIBEIRO & WALTER, 1998) ocupando os interflúvios – áreas mais elevadas da paisagem - e as florestas de galeria contínuas, ora mais largas ora mais estreitas, no fundo e nos flancos baixos desses vales.

Frequentemente, em algumas áreas as florestas de galeria estendem-se continuamente pelo setor aluvial central das planícies, deixando espaço para corredores herbáceos nos seus dois bordos, arranjo fitogeográfico reconhecido pelo nome popular de veredas. Essa situação, muito comum nos cerrados adjacentes ao domínio das caatingas, corresponde a casos em que predominam sedimentos arenosos nos bordos das planícies de inundação. Por esta razão, as veredas se comportam também como corredores de formações herbáceas rasas, no fundo lateral dessas planícies. Formam, assim, os grandes caminhos naturais para a circulação animal, no interior do país. (AB'SÁBER, 2003, p. 38).

As veredas são um tipo de ecossistema comumente associado às florestas de galeria, ao longo dos fundos de vale entre as chapadas e os planaltos do Brasil Central. São comunidades vegetais consideradas formações savânicas (RIBEIRO & WALTER, 1998), hidrófilas41, encharcadas e caracterizadas pela presença de vistosos maciços de buritis.

A palavra “vereda” também é usada para toda a gama de vegetações de fundo de vale: brejo estacional, brejo permanente e a faixa de buritis (VILLALOBOS, 1994). Segundo Eiten (1993, p. 66), as veredas ocorrem onde o solo é brejoso, estando assim condicionadas ao afloramento do lençol freático, decorrente das camadas com diferentes permeabilidades em áreas sedimentares do Cretáceo e do Triássico (BRANDÃO; CARVALHO; BARUQUI, 1991).

Os solos hidromórficos das veredas pertencem ao tipo glei húmico (com mais de vinte centímetros de matéria orgânica), a pouco húmico (com pouca matéria orgânica), e estão condicionados pelo regime do lençol freático, que mantém o perfil do solo saturado, compacto, durante a maior parte do ano, impedindo a oxigenação e favorecendo o acúmulo de matéria orgânica.

Em geral, as veredas ocorrem nas vertentes dos vales, entre as áreas de cerrados s.s

e biogeográficas formam um complexo relativamente homogêneo e extensivo (área nuclear) (AB'SÁBER, 2003,

(no alto), das florestas de galeria no fundo dos vales. É comum também encontrá-las nas depressões do solo circundadas por campo limpo. Sua delimitação com essas fitofisionomias é em geral brusca. (PEIXOTO & CORADIN, 1993). Nos domínios do Cerrado, as veredas são paisagens que ocorrem predominantemente em áreas de nascentes ou cabeceiras de cursos d'água, principalmente nas bacias dos rios Paranaíba, São Francisco, Tocantins e Grande (BRANDÃO; CARVALHO; BARUQUI, 1991).

A paisagem da vereda é formada por uma vegetação herbáceo-graminosa e rica em espécies que recobre, de forma compacta, quase toda a superfície do solo e outra arbustivo- arbórea com predomínio do buriti. No gramado das veredas são comuns espécies das famílias Cyperaceae (Bulbostylis, Fimbristylis, Hliocharis e Rinchospora), Poaceae, Asteraceae, Graminae (Paspalum e Axonopus); de Eriocaulaceae (Paepalanthus e Syngonanthus), de Melastomastaceae (Macairea, Microlicia e Comolia) e Xyridaceae (Xyris). Essa relva, densa e rica em espécies, não estará completa se nela não sobressaírem de forma majestosa os agrupamentos de buriti e buritiranas (Maurittiela armata Mart. Burret) (PEIXOTO & CORADIN, 1993).

Sob o ponto de vista ecológico, a manutenção da vegetação nativa das veredas constitui um importante fator de contenção de erosão dos solos hidromórficos e ricos em matéria orgânica. De acordo com Brandão, Carvalho e Baruqui (1991), as veredas têm importante papel no equilíbrio hidrológico e geoecológico do bioma, visto que são consideradas como bacias coletoras da água absorvida pelos platôs e chapadas adjacentes, funcionando como vias de drenagem e contribuindo para a perenidade e regularidade dos cursos d'água em áreas de cerrados.

Além de protegerem as nascentes e disponibilizarem água, elas exercem papel fundamental na manutenção da fauna do bioma, funcionando como local de pouso para a avifauna, atuando como refúgio, abrigo, fonte de alimento e local de reprodução para a fauna terrestre e aquática (LORENZI, 1998, p. 281; SANO & ALMEIDA, 1998, p. 129). Mello Filho (1993, p. 22) também destaca a importância das veredas entre os valores paisagísticos do Cerrado, “com seus buritizais escultóricos, animados pelo vôo de bandos coloridos de araras”.

2002).

Concluindo, o buriti inclui-se como parte integrante de ecossistemas – veredas e florestas de galeria – significativos do ponto de vista da conservação ambiental, visto que são ambientes com importantes funções ecológicas como corredores de dispersão da diversidade biológica (e da humana) e como bacias coletoras e redistribuidoras das águas do bioma Cerrado.

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