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REGROUPEMENTS EN PRESENTIEL

Dans le document Td corrigé D - Exercices corriges pdf (Page 143-147)

É no contexto da reforma da Instrução Pública de 1908, que o governador Alberto Maranhão adquire no ano seguinte, 1909, as terras do Engenho Jundiaí, transformando-o em Fazenda Jundiaí para a implantação do Campo de Demonstração decorrente do Decreto 8.319/1910. Inaugurado em 05 de janeiro de 1913, é este regulamentado como Fazenda Modelo pelo Dec. 63/1917-RN, sendo suas conformações estruturais e administrativas determinadas pela legislação que a criou, além de ratificar ser o ensino agrícola já desde o ensino elementar ministrado nestes adaptados estabelecimentos.

Para o Campo de Demonstração foi aplicada uma verba de 191.368$058, na construção de prédios, sobrado, casa das máquinas e galpões (D’OLIVEIRA, 1999, p. 17), além de 50:000$000 já orçada pelo Estado para o ano de 1914.

Esta última verba estava prevista na Lei n. 357/1913, Art. 12º, “É o governo autorizado a concorrer com a quantia de 50:000$000 em prestações compatíveis com as condições dos cofres do Estado para a creação de uma escola agrícola no Campo de Demonstração da Macahyba” (RIO GRANDE DO NORTE, 1913, p. 14).

Dito isto, pode-se associar tais monumentos a Le Goff (2003), “o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha efetuada quer pelas forças que operam no desenvolvimento temporal do mundo e da humanidade, quer pelos que se dedicam à ciência do passado e do tempo que passa os historiadores”.

Figura 2 – Sobrado em estilo Florentino Clássico (1911)

A este passado edificado sente-se, entretanto, no silêncio de suas vozes o clamor por sua preservação, à exemplo do Sobrado (Fig. 2) - que em seu porão no ano de 1942 manteve como prisioneiro político o alemão Richard Burgers, que projetou e executou por gravidade a canalização de água da vertente, da EPA e para EPA, distribuindo por toda a escola o precioso líquido que ainda hoje chega a diversos de seus prédios.

Um fato curioso ocorrido e que é do conhecimento da comunidade escolar da EAJ, mas tendo sido repassado para a execução deste trabalho pela ex-professora da Escola Isolada de Jundiaí, Ivoneide Damasceno, trata-se da permanência, enquanto aqui residente, do então sindicalista atuante João Café Filho, que ocupou a presidência da República com a morte de Getúlio Vargas em 1954. Certamente a dificuldade de confirmação deste fato, deve-se a sua grande atuação política em desfavor da oligarquia que o levava às saídas repentinas do Estado e até do País, conforme aponta como “memória de pessoas da comunidade sobre um determinado patrimônio histórico” (CHOAY, 2001, p. 18).

Em 1912, é construído o prédio onde residiu o Prof. Rivaldo D’Oliveira (Fig. 3) e que hoje aloja as coordenações e salas de professores dos Cursos de Agropecuária e Agroindústria. Em reforma recente, este prédio tem mantido, por reivindicação do Prof. Francisco Dutra de Macedo Filho, sua originalidade externa.

Figura 3 - Construção de 1912 – serviu de residência aos funcionários do Campo de Demonstração Agrícola

Passados os 14 meses de obras, inaugura-se o Campo de Demonstração de Jundiaí em 05 de janeiro de 1913, período este demarcado pelo final da segunda gestão do governo Alberto Maranhão entre 1908 a 1913.

Na gestão de Dr. Núnzio Giannattasio, atividades agrícolas foram realizadas fora do município de Macaíba por meio de interiorização no Estado, deslocando uma equipe de três homens para adentrar o Agreste do Estado para demonstrar a operacionalização do maquinário agrícola, tendo ele mesmo neste empenho seguido para a região Oeste do Estado.

Certamente no desvendar de dados e informações contidas nestes documentos, algumas já não fazem parte do momento presente, assim como outros passaram por modificações; e da mesma forma aqueles, que mesmo lá no passado insistem em se manter firmemente de pé, o que nos leva a compreender o deste querer em conservar-se, perpetuando-se na contemporaneidade, uma vez que de alguma forma se encontram em cada um daqueles que por aqui passou. Por exemplo, os espaços edificados para aquelas aulas práticas, laboratórios que continuam destinados às mesmas práticas, porém utilizando-se de novas tecnologias, à exemplo da tiragem do leite que deixando de ser manual migra para a ordenha mecânica, sem que este monumento - o estábulo (Fig. 4) - perca seu poder de perpetuação. Pois, retomando Le Goff (2003), este laboratório tem características que é tão somente dele e que por toda a vida vai povoar a mente daqueles que por aqui passaram.

Figura 4 - Estábulo

Sendo a fazenda Jundiaí regulamentada como Fazenda Modelo com a implantação do Campo de Demonstração, adequa suas dependências em consonância com suas necessidades, tanto laborais quanto de ensino das práticas nos diferentes ramos agrícolas. Visto que, a exploração agrícola de seu solo no que condiz à agricultura e à pecuária, teria também que manter o controle contábil da produção, o que leva ao entendimento que neste período foram levantadas as seguintes estruturas: 2 estábulos e 1 banheiro carrapaticida (destinado ao tratamento do gado); 1 pocilga (trato de suínos); 1 silo de alvenaria (depósito de grãos); e o Aviário (Fig. 5), para o trato de aves.

Figura 5 - Aviário

Fonte: Acervo da EAJ.

Por falta de documentos, esta pesquisa não tem como especificar o passado exato destes monumentos, mas apenas balizar o período de sua existência a partir da fonte primária - 1º Inventário da EPA (Anexo A), em que Dr. Nilo destaca serem estes que se perpetuam coisas da fazenda, marcos ali existentes, traços que sem ele a história não teria sido possível, bem como esta pesquisa não a teria revelado.

Tais monumentos apresentam evidências que apontam suas construções para este período, o que vem revelar que “a história não teria sido possível se o passado não tivesse deixado traços, monumentos” (LE GOFF, 2003).

A estrutura aqui apresentada e implantada pelo Campo de Demonstração vem dar suporte a inauguração da EPA, pois os principais laboratórios necessários às práticas agrícolas, além dos acima apresentados consta ainda do Inventário como sendo coisas da

fazenda: 1 garagem, 19 casas, 4 armazéns e 1 caixa d’água. As edificações que se encontram apostadas no Quadro 5 (Descrição dos imóveis contidos no inventário) passaram por reforma sob a responsabilidade do Dr. Nilo Albuquerque a partir de outubro de 1952, obras que duraram oito meses, portanto, não tendo ainda a EPA concluído as obras para sua instalação, a qual se encontra representada por um pequeno núcleo, o qual será exposto no próximo tópico.

Todos as benfeitorias foram realizadas no período do Engenho Jundiaí e do Campo de Demonstração Agrícola, sendo tais construções agregadas à EPA, próxima categoria posta para análise, uma vez que nas palavras de Waisman (2013), a história nunca é definitiva, reescreve-se continuamente.

Não sendo, portanto definitiva a história, reescreve-se a partir de memórias, uma vez que é “o bem selecionado pelo valor de rememoração, capaz de manter viva a herança cultural de uma comunidade” (CHOAY, 2001, p. 18). Conceito, no qual estimula descobertas a partir de aleatórias e ricas conversas à autora deste trabalho, por servidores aposentados que ainda hoje residem dentro da Escola. Haja vista, confessa o Sr. Manoel Paulo da Silva que nesta casa (Fig. 6) residiu por mais de 20 anos o Dr. Nilo de Albuquerque Melo.

Figura 6 - Casa do Diretor (ao lado, garagem construída por Dr. Nilo Albuquerque em 1952, quando recuperou a casa, que serviu de moradia ao Diretor)

Fonte: Acervo da EAJ.

É uma belíssima casa que ainda mantém telhas ardósias, certamente do período de sua construção original, não tendo, entretanto, subsídios sobre esta. Atualmente, nesta

construção são desenvolvidas as atividades dos profissionais da Assistência Social, Psicologia e Pedagogia da EAJ.

Reescrevendo esta história, traz-se que no decurso de 1925 aqui se instalou a primeira Fazenda de Sementes do RN, assim justificada pelas palavras do Presidente da Assembleia Legislativa, Dr. José Augusto de Medeiros: “Para a instalação da primeira fazenda de sementes cedi os amplos terrenos já cercados do Campo de Demonstração em Jundiahy, onde os serviços estão em pleno desenvolvimento”. Esta fazenda tinha por objetivo promover melhorias na economia algodoeira.

Enquanto isto, na década de 30, se abriga na comunidade de Jundiaí a Escola Rudimentar “Dr. Gomes da Silva” em 1931, e a Escola Isolada de Jundiay em 1935. Não há, entretanto, que silenciar sobre as curiosidades da qual se reveste a história, pois um fato curioso sobre a Escola Rudimentar é que sendo referenciada sua existência somente no ano de 1931. Contudo, esta fotografia cedida pelo Instituto Histórico e Geográfico do RN - IHGRN, fez parte de viagem comissionada pelo então diretor do Departamento de Educação do estado, Dr. Nestor dos Santos Lima, em 1927.

Figura 7 - Escola Rudimentar “Dr. Gomes da Silva”

Fonte: Acervo do IHGRN e Acervo Nestor Lima (1927).

A antiga Escola Rudimentar (Fig. 7) se transformou em sala para professor, enquanto a Escola Isolada (Fig. 8) está desocupada. Para sua ocupação, a professora e também veterinária da EAJ, Viviane Medeiros, pretende viabilizar um projeto que possa dar assistência a animais em trânsito que chegam por ali, como cães e gatos abandonados. A

conquista desse projeto vem permitir ao mesmo tempo que alunos do Curso Técnico em Agropecuária e da Graduação em Zootecnia venham ter acesso a aulas práticas, porquanto promover uma assistência a estes animais, uma vez que desamparados. Associar a estes monumentos os valores historicamente construídos por homens e mulheres, estudantes e professores, assim como a comunidade local, é rememorar; portanto, lembranças que os mantem vivos como herança cultural dessa comunidade escolar (CHOAY, 2001).

Decorrente destes aportes, espera-se que medidas preservacionistas contidas nas normas constitucionais brasileira citadas anteriormente, possa manter esse patrimônio histórico público vivo e em condições de acesso às gerações futuras.

Figura 8 – Escola Isolada de Jundiay

Fonte: Acervo da autora (2019).

Apreendo ainda, ter o Campo Experimental Agrícola (Anexo C), instalado na década de 30, pois nas lembranças D’Oliveira (1999, p. 17) “o Campo de Demonstração Agrícola funcionou vários anos cumprindo a sua finalidade [...] extinto foi devolvido ao Estado já com o nome de Campo Experimental Otávio Lamartine”, que associadas ao monumento tem como característica o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (é um legado à memória coletiva) (LE GOFF, 2003).

Sobre o prédio velho de engenho, citado por Dr. Nilo em seu relatório e como uma das edificações atualmente inexistentes, permite deduzir ter ele servido ao Estado sob a denominação de Núcleo Agrícola de Jundiaí, sobre o qual, foi possível na pesquisa, captar

duas vagas informações: uma que permeia a mente de idosos de que aqui não houve apenas um presídio, pois teve outro na década de 20, e assim verifica-se que vários decretos sobre o assunto são publicados em 1910 para a instalação de colônias agrícolas em terras devolutas do Estado; e outra informação divulgada pelo jornal “A ordem” de 26 de janeiro de 1936, onde se publica que o Governador do Estado aprova o Regulamento transformando este (refere-se ao núcleo) em Campo Experimental Otávio Lamartine.

Outra informação, em conversa informal desta autora com o Secretário de Cultura do município de Macaíba - Sr. Marcelo Augusto Bezerra - homem culto e inteligente, que também encontra um tempinho para ouvir sobre o passado - relatou que naquele município era proibido se falar da existência de masmorras naquela escola. Contudo, foi possível na pesquisa identificar que o Núcleo Agrícola de Jundiaí teve como diretor o major Antonio d’Andrade Lima12, líder político macaibense, conhecido por major Andrade. Assim, neste contexto de informações diversas sobre o prédio velho de engenho, permite indagar: Seria possível neste prédio instalar-se o Núcleo Agrícola de Jundiaí?

A necessidade, neste tópico, de esclarecer estas informações deve-se ao fato de ter este se instalado no Prédio Velho do Engenho, indicado por Dr. Nilo em relatório, o que leva a conjecturas: em sendo o prédio velho do engenho, e aqui utilizado como presídio, teria este em tempos passados servido de senzala? Vez que indica ter sido este um local de retenção de infratores? A estes vislumbres responderia a história se a ela fosse dirigida. Com certeza, estes questionamentos extrapolam o objetivo desta pesquisa, mas poderá constituir em problema para futuras pesquisas.

Dando prosseguimento ao tratamento de análise das edificações constituintes da Fazenda Jundiaí, discorre-se sobre a instalação da Colônia Penal “Dr. João Chaves” em Jundiaí na década de 40, cuja transferência fora decorrente de insatisfações de moradores próximos à Casa de Detenção – atual prédio do Centro de Turismo, no bairro de Petrópolis em Natal. E com a instalação da Colônia Penal “Dr. João Chaves” em Jundiaí, o Dr. Enoch Amorim Garcia vislumbra o uso de detentos para a construção de alguns prédios necessários a tão sonhada EPA. Contando com a boa vontade dos detentos, provavelmente oriundos do campo, e um parco valor disponível para as obras, a EPA é inaugurada em 03 de abril de 1949.

12 Maoor Andrade. Notícia escrita por Olímpio Maciel em 25 mar. 2010. Disponível em:

http://www.institutojosejorgemaciel.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=310:major- andrade&catid=46:conteudo&Itemid=108. Acesso em: 06 mar. 2020.

Retornando a nossa fonte documental, onde expressamente relata o diretor da Escola Prática de Agricultura, o Dr. Nilo de Albuquerque Melo, em seu Ofício Relatório produzido no ano de 1952 que: “aqui o que existe é um prédio velho de engenho mal adaptado a uma prisão para os que venham a cometer erros gravíssimos e um outro presídio em igual condições, batizado com o nome de quartel”, também apresenta um outro presídio que insurgido na década de 40 permanece ainda em Jundiaí, conforme Figura 9.

Figura 9 - Prédio do Comando da Colônia Penal “Dr. João Chaves” (Anos 40)

Fonte: Acervo da autora (2019).

Há possibilidade de fazer leituras diversas nesta edificação, além do estado precário de conservação, onde um detalhe foi despertado na oportunidade do registro fotográfico pela autora deste trabalho, apesar da reprodução fotográfica não permitir uma melhor visualização.

No alto da fachada principal está visível a palavra COMANDO, havendo outras, porém de difícil leitura. Ainda sobre esta edificação identifica-se nos registros de Dr. Nilo suas preocupações em manter sob sua vigilância as atitudes de alguns infratores, além de inquietações sobre a saúde daquela população carcerária, pois dos aparentes presídios exalava-se grande fedentina resultante de fossas estouradas. Entretanto, nosso País não trata da Educação como pilar de sustentação de uma sociedade, pois que no início da segunda década deste Século XX já se encontrava no orçamento do Estado uma verba para instalação de uma escola agrícola em Jundiaí. Contudo, foi pelas mãos de detentos que uma reduzida, mas necessária obra permitiu a implantação da EPA, como veremos no tópico a seguir.

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