CHAPTER 2 PROGRAMMING INFORMATION
2.1 REGISTER FUNCTIONS AND FORMATS
A presente pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa CEP-UMESP, sob nº 996.889 (ANEXO I). Atendeu, ainda, às diretrizes da Resolução CONEP nº 466 de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, onde, o Plenário do referido Conselho, em sua 240ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 11 e 12 de dezembro de 2012, no uso de suas competências regimentais e atribuições conferidas pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e pela Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990, e considerando o respeito pela dignidade humana e pela especial proteção devida aos participantes das pesquisas científicas envolvendo seres humanos, tem a função de regulamentar as pesquisas que os envolvem.
4 DISCUSSÃO E RESULTADOS
A apresentação dos resultados do presente trabalho seguiu a seguinte ordem: apresentar, interpretar e discutir a qualidade de vida das participantes do estudo; apresentar, interpretar e discutir a percepção de suporte social das idosas; apresentar, interpretar e discutir o consumo de medicamentos; caracterização do perfil sociodemográfico da amostra; e, submeter a testes estatísticos um conjunto de possíveis relações entre as características sociodemográficas, percepção de qualidade de vida, percepção de suporte social e consumo de medicamentos.
Para avaliação da percepção subjetiva da qualidade de vida da amostra pesquisada, utilizou-se dois instrumentos de medida genérico, desenvolvidos pelo grupo de pesquisadores que investiga esse constructo e suas dimensões: WHOQOL GROUP, da OMS, conforme citado no método, que ora é retomado para alguns esclarecimentos, entendidos como necessários, antes da apresentação dos resultados.
Os dois questionários perguntavam à idosa participante desta pesquisa, a respeito dos seus pensamentos, sentimentos e sobre certos aspectos de sua qualidade de vida, abordando, ainda, questões que poderiam ser importantes para ela, enquanto membro mais velho da sociedade. Se a participante não estivesse segura a respeito do que responder, poderia escolher aquela resposta que lhe parecesse mais apropriada.
A pesquisadora solicitou, ainda, que tivessem em suas mentes seus valores, esperanças, prazeres e preocupações, pensando como foi sua vida nas duas últimas semanas. Por exemplo, esta questão: O quanto você se preocupa com o que o futuro poderá trazer? A resposta deveria variar numa escala tipo Likert de 1 a 5:
Nada 1 - Muito pouco 2 - Mais ou menos 3 - Bastante 4 - Extremamente 5
De acordo com Fleck (1999), o WHOQOL Old consiste em 24 itens, que avaliam 6 facetas ou dimensões, a saber: (FS) Funcionamento Sensorial e impacto da perda ou diminuição destas habilidades; (AUT) Autonomia e independência para viver e tomar as próprias decisões; (PPF) Atividades passadas, presentes ou futuras, que geram satisfação sobre conquistas na vida e coisas que se anseia; (PSO) Participação social delineadas pelas atividades cotidiana na comunidade em que se insere; (MEM) Morte e morrer, inserem-se sobre as preocupações sobre a morte e o morrer; e (INT) Intimidade, que avalia a capacidade de ter relações pessoais e íntimas.
E, de acordo com Cotta et al (2006), o WHOQOL BREF é uma versão resumida do WHOQOL 100 (World Health Organization Quality of Life Instrument), sendo indicado seu uso pelos autores, como complemento ao WHOQOL OLD. O WHOQOL BREF é constituído por 26 questões, onde duas delas avaliam questões gerais da qualidade de vida e saúde, e as demais 24 questões, avaliam os 4 domínios a saber: Domínio 1 – capacidade física; Domínio 2 – bem-estar psicológico; Domínio 3 – as relações sociais; Domínio 4 – o meio ambiente onde a pessoa se insere.
Em ambos os instrumentos, as pontuações das respostas variam de 1 a 5, como exemplificado acima, onde as médias finais de cada domínio são calculadas, resultando em escores que se encontram numa escala de 4 a 20 pontos, que podem ser transformados em uma escala de 0 a 100 pontos. Conforme definido pelos autores (FLECK, 1999), usa- se como valores de referências das facetas, ou domínios, os escores transformados numa amplitude de 0 a 100 pontos, onde a interpretação dos resultados indica que, quanto mais próximo de 100, mais qualidade de vida o respondente percebe em si, e, quanto mais próximo de 0, menos qualidade de vida o respondente percebe em si.
Os dados que deram origem à versão abreviada foram extraídos de testes de campo em 20 centros de 18 países. (FLECK e col, 2000). A versão brasileira do WHOQOL Bref, traduzida e validada pelo grupo de estudos em qualidade de vida da OMS no Brasil, foi a utilizada neste estudo.
O WHOQOL-Bref, é composto por quatro domínios da qualidade de vida, sendo que cada domínio tem por objetivo analisar, respectivamente: a capacidade física, o bem estar psicológico, as relações sociais e o meio ambiente onde o indivíduo está inserido. Além destes quatro domínios, o WHOQOL-Bref é composto também por um domínio que analisa a qualidade de vida global. Cada domínio é composto por questões, cujas pontuações das respostas variam entre 1 e 5. Os escores finais de cada domínio são calculados por uma sintaxe, que considera as respostas de cada questão que compõe o domínio, resultando em escores finais numa escala de 4 a 20, comparáveis aos do WHOQOL-100, que podem ser transformados em escala de 0 a 100.
A utilização do WHOQOL-Bref neste estudo é justificada pela literatura, que mostra boa resposta do instrumento à qualidade de vida dos idosos, e pela ausência de um instrumento validado para idosos e traduzido para o português com características tão abrangentes e de simples aplicabilidade.
Para melhor descrever os significados e interpretações das respostas evidenciadas neste estudo, amparou-se este estudo nos Quadros 1 e 2, abaixo apresentados, em
conformidade com Fleck (1999), para o WHOQOL 100, instrumento original de onde derivam o OLD e o BREF.
Quadro 1 – Desempenho das Palavras da Escala de INTENSIDADE
Média dp descritor Nada (âncora) Quase nada 2,70 2,32 25% Levemente 3,95 2,00 25% Muito pouco 2,45 1,74 25% Pouco 2,80 2,09 25% Ligeiramente 3,97 2,28 50% Mais ou menos 4,77 0,95 50% Nem muito nem pouco 4,86 1,37 50% Razoavelmente 5,20 1,46 50% Moderadamente 5,05 1,09 50% Médio 5,73 0,97 50% Nem tanto 4,78 1,79 50% Muito 7,80 1,15 75% Demasiadamente 7,55 1,74 75% Excessivamente 8,07 0,87 75% Bastante 7,79 0,96 75% Extremamente (âncora)
Fonte: FLECK, M. P.; LOUZADA, S.; XAVIER, M.; CHACHAMOVICH, E.; VIEIRA, G.; SANTOS, L.; PINZON, V. Aplicação da english version fazer Instrumento de avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde "WHOQOL-100". Rev. Saúde Pública. 33 (2), p. 198-205, 1999.
Quadro 2 - Desempenho das Palavras da Escala para Avaliação, Capacidade e Frequência, Utilizando-se a mesma Metodologia
Escala 0% (âncora) 25% 50% 75% 100% (âncora)
muito
insatisfeito Insatisfeito
nem satisfeito nem
insatisfeito satisfeito muito satisfeito Avaliação muito ruim Ruim nem ruim nem bom bom muito bom
muito infeliz Infeliz nem feliz nem infeliz feliz muito feliz
Capacidade nada muito
pouco médio muito completamente Frequência nunca Raramente às vezes repetidamente sempre
Fonte: FLECK, M. P.; LOUZADA, S.; XAVIER, M.; CHACHAMOVICH, E.; VIEIRA, G.; SANTOS, L.; PINZON, V. Aplicação da english version fazer Instrumento de avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde "WHOQOL-100". Rev. Saúde Pública. 33 (2), p. 198-205, 1999.
Isso exposto passa-se para a apresentação dos resultados evidenciados na avaliação da qualidade de vida da amostra deste trabalho, lembrando que, a qualidade de vida na velhice parte de uma avaliação multidimensional em relação aos critérios socionormativos e intrapessoais, os quais buscam referência, tanto nas relações atuais, quanto nas passadas, e ainda, prospectivas na relação entre o idoso e o ambiente que o cerca. Dessa maneira, a qualidade de vida na velhice dependeria de muitos elementos em interação constante ao longo da vida do indivíduo (TRENTINI; CHACHAMOVICK; FLECK, 2008).
Tabela 1 - Descritiva Completa para Escores do WHOQOL OLD
Estatísticas Descritivas
N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão
Sensório 150 7,00 18,00 12,5600 2,36439 Autonomia 150 10,00 20,00 14,6667 1,98202 Presente_Fut 150 7,00 19,00 14,0933 2,05412 Participação 150 6,00 19,00 13,8333 2,53940 Morte 150 4,00 20,00 13,8333 2,93650 Intimidade 150 6,00 20,00 13,9200 2,60748 Geral 150 65,00 96,00 82,9067 6,51415 Valid N (listwise) 150
Fonte: Elaborada pela autora
Tabela 2 - Teste de Análise de Variância
ANOVA
Sum of Squares df Mean Square F Sig.
Sensório Between Groups 1,092 3 ,364 ,064 ,979 Within Groups 831,868 146 5,698 Total 832,960 149 Autonomia Between Groups 4,261 3 1,420 ,357 ,784 Within Groups 581,072 146 3,980 Total 585,333 149 Presente_Fut Between Groups ,191 3 ,064 ,015 ,998 Within Groups 628,502 146 4,305 Total 628,693 149 Participação Between Groups 18,638 3 6,213 ,963 ,412 Within Groups 942,196 146 6,453 Total 960,833 149 Morte Between Groups 41,277 3 13,759 1,615 ,188 Within Groups 1243,556 146 8,518 Total 1284,833 149 Intimidade Between Groups 18,735 3 6,245 ,917 ,434 Within Groups 994,305 146 6,810 Total 1013,040 149
Fonte: Elaborada pela autora
As Tabelas 2 e 3 apresentam os escores apurados na avaliação das facetas do WHOQOL OLD, onde, na maioria das facetas, a Análise de Variância (ANOVA) constatou que existem semelhanças entre as médias, ou seja, é um indicativo de que a amostra tem boa percepção dos domínios avaliados, e a princípio, não foi encontrada nenhuma relação significativa e forte (próxima de - 0,1 a + 0,1).
Ao analisar as informações relativas a pontuação dos domínios do WHOQOL- OLD, identificou-se que, na faceta Funcionamento do Sensório, responsável por avaliar a parte sensorial e o impacto da perda de habilidades sensoriais na qualidade de vida, a média do escore alcançou 12,56%, com desvio padrão de 2,36%. Este valor indica que nesta faceta as idosas possuem uma qualidade de vida mediana.
Verificou-se, na literatura, que idosos com baixos escores referente ao Domínio Habilidades Sensoriais, referente ao funcionamento do sensório, no WHOQOL-OLD, pode ser justificado pelo fato de que, por esse domínio corresponder a perda dos sentidos (audição, visão, paladar, olfato e tato) ou o medo de perdê-los, que acabam por afetar a
vida diária, a capacidade de participar de atividades e a capacidade de interagir com outras pessoas, tornam o idoso dependente dos cuidados da família. O suporte da família, nestes casos, podem contribuir de maneira muito significativa, justamente por manter a integridade física e psicológica do indivíduo idoso, podendo surtir um efeito benéfico, no membro da família que o recebe, na medida em que o suporte é percebido como disponível e satisfatório (SUBASI; HAYRAN, 2005).
Já na faceta Autonomia, em que se avaliou a independência na velhice e a capacidade ou liberdade de viver de forma autônoma e tomar decisões, a média do escore alcançou 14,66, com desvio padrão de 1,98. Este valor indica que nesta faceta, a amostra possui qualidade de vida mediana. O domínio do WHOQOL-OLD referente à Autonomia, o qual é representado pelos itens liberdade de tomar decisões, controlar o próprio futuro e ter a sua autonomia respeitada pelas pessoas que o cercam, também não apresentou relação de significância.
Em relação à faceta Atividades Passadas, Presentes e Futuras, que avalia a satisfação sobre conquistas na vida e coisas a que se anseia, e sobre estar satisfeita com a possibilidade de continuar alcançando realizações pessoais e satisfação com o reconhecimento pela família e com o que alcançou em sua vida, a média do escore alcançou 14,09%, com desvio padrão de 2,05%, indicando avaliação mediana da qualidade de vida.
O bem-estar proporcionado pela elaboração e/ou concretização de projetos é traduzido, inegavelmente, com um aumento da autoestima e, consequentemente, na melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas. Os projetos futuros podem, também, constituírem-se como uma condição importante para o aumento da qualidade de vida na velhice, porque são uma forma de dar sentido à existência dos indivíduos (como seres que mantêm suas faculdades mentais ativas, capazes de poder projetar e concretizar seus desejos) (SERBIM; FIGUEIREDO, 2011).
Na faceta Participação Social, responsável por avaliar justamente a participação nas atividades cotidianas, especialmente na comunidade. As idosas participantes deste estudo avaliaram de forma mediana sua interação com a comunidade com média de 13,83% e desvio padrão 2,54. Na velhice, cujas características principais em relação ao comportamento social, são a diminuição das capacidades sensoriais e redução da prontidão para a resposta, outras habilidades podem ser especialmente importantes, tais como as de estabelecer e manter contato social, além de lidar com os comportamentos
sociais decorrentes de preconceitos contra a velhice, geralmente expressos através de hesitação (FREIRE, 2000).
O domínio Participação Social, do WHOQOL-OLD, envolve oportunidades para participação em atividades da comunidade, satisfação com o nível de atividade diária e com a utilização do tempo. A literatura tem destacado que idosos consideram de fundamental importância manter os relacionamentos interpessoais, gostam de manter fortalecidos em número e qualidade os vínculos com a família, contribuindo se possível com a educação de filhos e netos, bem como estendendo a vizinhos e amigos, solidificando sua rede de suporte social (VECCHIA; RUIZ; BOCCHI; CORRENTE, 2005).
Quando se reporta à faceta Morte e Morrer, em que é possível avaliar as inquietações e temores sobre a morte e o morrer, a média do escore alcançou 13,83%, com desvio padrão de 2,93. Este valor indica que nesta faceta, a amostra possui preocupações com a finitude, com a morte e o modo de morrer, ou seja, se estão preparadas para esse evento em suas vidas. Neste sentido, um estudo que avaliou a qualidade de vida de mulheres idosas no município de Campinas, Estado de São Paulo, Brasil, em 2010, foi observado resultados semelhantes aos deste estudo, no que diz respeito à faceta morte e morrer do WHOQOL-OLD. (CARVALHO E COL, 2010).
A faceta Intimidade avaliou a capacidade das idosas terem relações pessoais e íntimas, com média de 13,92% e desvio padrão de 2,60. Esse resultado pode estar associado ao se constatar que 49,3% das idosas serem casadas, 22% viúvas, 16% solteiras e 12,7% divorciadas. Neste sentido, as mulheres têm maior índice de sobrevida do que os homens, quando atingidas pelas principais causas de morte, mas o contraponto, é que elas são mais afetadas por doenças não fatais. A velhice traz à mulher maior possibilidade de ficar sozinha, sendo o elemento de referência familiar. As mulheres têm, ainda, maior probabilidade de enviuvar numa idade menos avançada, com muitos anos de vida pela frente (CARTAXO e col, 2012).
O Domínio Intimidade, no WHOQOL OLD, pode ser afetado pela dinâmica familiar do idoso, em que são avaliadas questões relativas ao companheirismo, capacidade de amar e ser amado. As pessoas idosas, que estão bem integradas às suas famílias e ao seu meio social, têm maiores chances de sobrevivência, além de concentrar melhor capacidade de se recuperar das doenças, sendo o isolamento social importante fator de risco para a morbidade e mortalidade. A saúde de cada membro familiar afeta o
funcionamento da família como um todo, da mesma forma que o funcionamento desta afeta a cada um dos membros (SAMPAIO e col, 2007).
As avaliações e intervenções voltadas à promoção de Qualidade de Vida na velhice tem a função de focalizar os acontecimentos da vida dos idosos, em suas diferentes etapas do envelhecimento, desde mudanças físicas, até a possível desvalorização social decorrente da aposentadoria, considerando qual o seu entendimento e sentimento dessas situações, suas perdas e ganhos psicológicos, suas aspirações e frustrações. (PEREIRA et al, 2006). Não obstante, a participação e a continuidade em programas de atividade física podem proporcionar maior proximidade com outras pessoas, possibilitando novos relacionamentos afetivos e sociais, melhorando sua percepção de qualidade de vida.
Como o WHOQOL-OLD é um instrumento recente e específico para o público idoso, as publicações utilizando esse instrumento ainda são restritas, impossibilitando, dessa maneira, uma comparação mais específica a outras pesquisas (DE ARAÚJO ALENCAR e col, 2009).
A amostra deste estudo apresentou escores de Qualidade de Vida Global média de 82,90%, e o domínio com menor valor médio foi o Funcionamento do Sensório (12,56%), enquanto o maior escore médio foi observado no domínio Autonomia (14,66%).
A dimensão do funcionamento sensório avalia em que medida as perdas nos sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato), sejam devidas a patologias ou devidas ao próprio envelhecimento humano, afetam a vida diária e a participação em atividades. Isso não significa dizer que os indivíduos não possuam, em algum grau, perdas em seu funcionamento sensório, mas que essas perdas não afetem a sua vivência cotidiana. Na presente pesquisa, as idosas parecem considerar que as perdas dos seus sentidos têm afetado a vida diária e a participação em atividades. Em contrapartida, a faceta Autonomia apresentou o maior escore, talvez por propiciar a inserção das idosas em atividades sociais, principalmente na comunidade, o que estimula a troca de experiências necessárias para a formação de redes de apoio e consequente melhora na percepção da qualidade de vida, em detrimento à pior percepção no domínio funcionamento do sensório.
Gráfico 2 - Intervalo de Confiança para Média dos Escores do WHOQOL OLD
Fonte: Elaborado pela autora
Neri (2001) afirma ainda, que as características de personalidade, competências e habilidades adquiridas ao longo da vida de uma pessoa, bem como seu estilo de vida, percepção do apoio recebido de seu grupo social, são variáveis presentes no envelhecimento bem-sucedido, e na qualidade de vida que, pode desfrutar na sua velhice. Apesar do envelhecer ser um processo natural e já esperado, ou seja, normativo, faz parte da vida, ainda pode despertar nos seres humanos muitos medos e fantasias, e, embora o sonho de consumo de muitos seja o envelhecer bem e com sabedoria e saúde, infelizmente, nem todos conseguem atingir essa meta existencial.
Ainda, segundo essa pesquisadora, nem todas as áreas de estudo do comportamento humano entendem o processo de envelhecer de forma semelhante. Cada área apresenta sua resposta para uma mesma questão. Por exemplo, segundo uma das teorias da personalidade (HUFFMAN; VERNOY; VERNOY, 2003), dividida em estágios e não em idade cronológica, a velhice estaria sendo entendida como uma relação entre integridade versus desespero, ou seja, os indivíduos entram em um período de reflexão, tornando-se conscientes e seguros, confortáveis, de que sua vida foi significativa, apesar dos pesares, prontas para aceitarem a morte e o morrer com maior dignidade, ou, caso contrário, podem se desesperar, justamente por terem a sensação de que seus objetivos não foram alcançados a contento, e que suas realizações estão gerando um sentimento de fracasso, vazio e insatisfação.
Os trabalhos de Neri (2001; 2003), bem como os de Huffman, Vernoy e Vernoy (2003), consideram que, ao longo do seu amadurecimento, o ser humano se transforma qualitativamente, vencendo sucessivos conflitos ou tarefas evolutivas, adquirindo, assim, maior percepção de sua qualidade de vida. É importante, sempre, situar o ser que envelhece em termos de sua cultura, época, grupo social e nível socioeconômico, pois, as formas de enfrentar positiva ou negativamente o envelhecimento, dependem desses fatores.
Os escores das facetas do WHOQOL BREF, por sua vez, apontam resultados semelhantes às facetas do primeiro instrumento semelhante, ou seja, do WHOQOL OLD, indicativo de que o grupo tem boa percepção dos domínios avaliados. Cabe ressaltar que, embora o WHOQOL Bref tenha sido desenvolvido para uso em ambientes que promovem saúde, ou cuidam dos doentes, o mesmo apresenta um rol de itens pouco relacionados às doenças em si e podem, por isso, ser aplicados a outros grupos de pessoas (CUSTÓDIO e col, 2004).
A Tabela 3 apresenta a descritiva completa para os escores do WHOQOL BREF, e, assim como nos escores do WHOQOL OLD, verifica-se que todos os escores possuem baixa variabilidade, isso porque o Coeficiente de Variação é menor que 50%. Isso pode ser considerado, estatisticamente, um bom resultado, pois demonstra que os dados são homogêneos, ou seja, que este grupo de idosas percebe a qualidade de suas vidas de forma semelhante.
Pode-se dizer, por exemplo, que a média dos quatro escores (Domínio Físico, Psicológico, Social e Meio Ambiente) do WHOQOL BREF, indicando que, embora a maioria reconheça limitações em suas condições gerais de saúde, não lhes impediu uma boa percepção de sua qualidade de vida.
Tabela 3 - Descritiva Completa para os Escores do WHOQOL BREF
Estatísticas Descritivas
N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão
Geral 150 4,00 20,00 13,3733 3,26163 Físico 150 25,00 100,00 56,6190 13,17849 Psicológico 150 20,83 87,50 58,8056 13,88687 Social 150 16,67 100,00 62,3056 17,90907 Meio ambiente 150 37,50 87,50 60,3333 11,16477 Geral (G1) 150 ,00 25,00 14,4583 5,79903 Geral (G4) 150 ,00 25,00 14,8333 5,68073 Valid N (listwise) 150 Fonte: Elaborado pela autora
Para o Domínio Físico, tem-se média de 56,61% e DP=13,17. As questões correspondentes são: Q3 (Em que medida você acha que sua dor impede de fazer o que você precisa?), Q4 (O quanto você precisa de um tratamento médico para levar sua vida diária?), Q10 (Você tem energia suficiente para seu dia a dia?), Q15 (Quão você é capaz de se locomover?) Q16 (Quão satisfeito você está com seu sono?), Q17 (Quão satisfeito você está com sua capacidade de desempenhar as atividades do seu dia a dia?), Q18 (Quão satisfeito você está com a capacidade para o trabalho?).
Para o Domínio Psicológico, tem-se média de 58,80% e DP=13,88. As questões correspondentes são: Q5 (O que você aproveita a vida?), Q6 (Em que medida você acha que sua vida tem sentido?), Q7 (O quanto você consegue se concentrar?), Q11 (Você é capaz de aceitar a sua aparência física?), Q19 (Quão satisfeito você está consigo mesmo?); Q26 (Com que frequência você tem sentimentos negativos?).
Para o Domínio Social tem-se média de 62,30% e DP=17,90. As questões correspondentes são: Q20 (Quão satisfeito você está com suas relações pessoais?), Q21 (Quão satisfeito você está com sua vida sexual?); Q22 (Quão satisfeito você está com o apoio que recebe de seus amigos?).
E, para o Domínio Meio Ambiente, tem-se média de 60,33% e DP=11,16, e as questões correspondentes são: Q8 (Quão seguro você se sente em sua vida diária?); Q9 (Quão saudável é seu ambiente físico?), Q12 (Você tem dinheiro suficiente para satisfazer suas necessidades?); Q13 (Quão disponíveis para você estão as informações que precisa no seu dia a dia?); Q14 (Em que medida você tem oportunidade de atividade de lazer?); Q23 (Quão satisfeito você está com as condições do local em que você mora?); Q24
(Quão satisfeito você está com o seu acesso ao serviço de saúde?); Q25 (Quão satisfeito você está com seu meio de transporte?).
Conforme a Tabela 4, a seguir:
Tabela 4 – Domínios e Facetas do WHOQOL BREF
Fonte: The Whoqol Group. Development of the World Health Organization WHOQOL-bref. Quality of Life Assesment 1998. Rev. Psychol Med, p. 28:551-8, 1998.