4. NUCLEAR POWER EXPANSION
4.1. Regional trends in nuclear power units in operation and under
O trabalho de cuidados de pessoas de acordo com a definição do IBGE abarca oito grupos de atividades: preparar e servir alimentos, arrumar a mesa e lavar as louças; cuidar da limpeza ou manutenção das roupas e sapatos; fazer pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos ou outros equipamentos; limpar ou arrumar o domicílio, a garagem, o quintal ou o jardim; cuidar da organização do domicílio (pagar contas, contratar serviços, orientar empregados etc.); fazer compras ou pesquisar preços de bens para o domicílio; cuidar dos animais domésticos e; se fez alguma tarefa doméstica em domicílio de parente (IBGE, 2018).
Gráfico 5 – Taxa de realização de cuidados de pessoas, por sexo (%)
O Gráfico 5 mostra que entre as mulheres, 43,5% delas realizou trabalho de cuidado de pessoas que inclui crianças, idosos, enfermos ou pessoas com deficiência, enquanto entre os homens essa taxa ficou em 18,8%. Mostra, portanto, que também quando se trata deste tipo de trabalho, são as mulheres as maiores responsáveis.
Chama-nos atenção a menor taxa de realização dos homens nas tarefas de cuidados (18,8%) em comparação com os afazeres domésticos (67,7%). Uma das explicações possíveis pode guardar relação com a dimensão ―afetiva‖ que esse tipo de trabalho carrega o que supostamente exigiria dos homens práticas pouco estimuladas pela sociedade patriarcal, que naturaliza o cuidado como sendo algo próprio das mulheres.
Considerando a cor ou raça das pessoas que realizaram trabalho de cuidados vê-se que em 2018, as mulheres pardas apresentaram taxa maior que as brancas (40,3%) e pretas (4,3%). Esse resultado repete-se entre os homens pardos que dentre todos os grupos foram os que apresentaram maiores taxas (61,7%). Um aspecto interessante é que tanto nos afazeres domésticos quanto nos cuidados os homens autodeclarados pardos foram os que apresentaram maiores taxas de realizações. Entre as mulheres houve pouca variação.
Gráfico 6 – Taxa de realização de cuidados de pessoas, por sexo e cor ou raça (%)
Fonte: Microdados da Pnad/IBGE 2018. Elaboração própria.
Nos grupos de idade percebem-se diferenças maiores em relação às encontradas nos afazeres domésticos. As maiores taxas de realização estão entre as mulheres dos grupos de 25 a 49 anos e de 14 a 24 anos com 46,3% e 35,4%, respectivamente. Entre as mulheres idosas, 22% respondeu que realiza trabalho de cuidados. As maiores diferenças encontram-se no grupo das adultas e idosas, mostrando que no caso dos cuidados de pessoas, as mulheres com
50 anos ou mais tem menor participação. Entre os homens os mais jovens são os que menos se dedicaram aos cuidados de pessoas.
Gráfico 7 – Taxa de realização de cuidados, por sexo e grupo de idade (%)
Fonte: Microdados da Pnad/IBGE 2018. Elaboração própria.
Novamente observa-se que as meninas dedicam-se mais ao trabalho de cuidados que os meninos. Pressupondo que nessa faixa a maioria, tanto de meninos quanto de meninas frequenta a escola, estas últimas provavelmente devem dividir o tempo entre tarefas de cuidados e de afazeres domésticos com os estudos, trabalho e outras atividades, diferente dos meninos que parecem não sentir na mesma proporção o peso dessas tarefas no seu cotidiano.
Há uma diferença no tipo de cuidado realizado pelos homens e pelas mulheres. ―Atividades como monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio‖, comumente chamada de ―pastorar‖ foram as que apresentaram maiores taxas de realização tanto entre os homens quanto ente mulheres. Entretanto, para as taxas de realização dessas atividades foi superior (36,2%) do que entre os homens (14,3%). Já a atividade com menor percentual de realização para ambos foi a de ―transportar ou acompanhar à escola, médico, exames‖, etc.
As atividades de ―auxilio aos cuidados pessoais‖ foi a que apresentou maior diferença nas taxas de homens e de mulheres. Esse grupo de atividades vai desde alimentar, vestir, pentear, dar remédio, dar banho e colocar para dormir. São atividades mais rotineiras, realizadas praticamente todos os dias e 34,7% entre as mulheres respondeu que as realizam. O mesmo grupo de atividade teve taxa de 8,3% entre os homens.
Gráfico 8 – Taxa de realização de cuidados, por sexo, segundo o tipo de cuidado (%)
Fonte: Microdados da Pnad/IBGE 2018. Elaboração própria.
Nos outros grupos de atividades como: ―auxiliar em atividades educacionais‖ e ―ler jogar e brincar‖ nota-se maiores taxas de participação entre as mulheres que entre os homens. Esses dados nos permitem inferir que igualmente como acontece com os afazeres domésticos há uma nítida separação entre os tipos de cuidados realizados pelas mulheres e pelos homens. No caso específico do cuidado de pessoas, os homens se responsabilizam por atividades mais esporádicas, como ―monitorar ou fazer companhia‖ e as lúdicas ―ler, jogar ou brincar‖. Entre as mulheres, ao contrário, a maioria é responsável pelo ―grosso‖ das atividades, como os cuidados mais cotidianos, rotineiros, aqueles que exigem maior disponibilidade e tempo para a sua realização.
Essas diferenças parecem sinalizar que o trabalho de cuidados funciona para os homens não como responsabilidade, mas como eventualidade, uma tarefa da qual eles podem eximir-se de realizar sem muitas consequências para eles, logicamente. Ao contrário, para as mulheres ele tem essa conotação de responsabilidade ou obrigação, algo quase inescapável (ÁVILA; FERREIRA, 2014). Esta relação das mulheres com o trabalho de cuidado nos remete às reflexões de Carrasco (2015) sobre o peso da ideologia patriarcal que ―traduz para as mulheres um forte sentimento de obrigação de cuidar de pessoas próximas, acompanhado por um sentimento de culpa se pararem de fazê-lo ou se não o fizerem como gostariam ou o que espera deles‖ (CARRASCO, 2015, p. 54)47
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47 Tradução nossa.
Gráfico 9 – Pessoas que realizaram cuidados de moradores, segundo o grupo de idade da pessoa que recebeu o cuidado
Fonte: Microdados da Pnad/IBGE 2018. Elaboração própria.
No gráfico 9 temos a idade do/a morador/a que recebeu cuidado. Vê-se que a maioria das pessoas realizou cuidados de crianças e adolescentes - de 0 a 14 anos. É possível perceber que os cuidados diminuem conforme aumenta a idade. As pessoas de 60 anos ou mais de idade foram as que menos receberam cuidados de outros membros da família (8,4%).
Esse é um dado importante, na medida em que as pessoas idosas, na sua maioria, também requerem mais cuidados nessa fase da vida em virtude de um conjunto de implicações próprias do processo de envelhecimento relativos à saúde, locomoção, dentre outras.
Além disso, considere-se que há uma tendência de envelhecimento da população brasileira devido à queda na taxa de fecundidade principalmente a partir dos anos 1980 e consequente diminuição no ritmo de crescimento populacional (MELO; KRETER, 2014). De acordo com informações do IBGE (2019)48, existem hoje no Brasil, mais de 30 milhões de idosos/as o que representa 13% da população. As mulheres respondem por 56% (16,9 milhões) enquanto os homens são 44% (13,3 milhões) deste segmento.
Os dados seguintes mostram a condição no domicílio de homens e mulheres que realizaram trabalho de cuidados. As mulheres responsáveis pelo domicílio ou cônjuges foram as que apresentaram maiores taxas de realização (52,5%) e (43,5%) respectivamente. Entre os homens os cônjuges ou companheiros apresentaram uma taxa maior (28,8%), mais próxima daqueles que eram responsáveis (23,5%). Novamente é perceptível a diferença nas taxas de 48 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-denoticias/noticias/20980-numero-de- idosos-cresce-18-em-5-anos-e-ultrapassa-30-milhoes-em-2017 45,5 29,3 23,6 1,6 65,1 16,7 16,1 2,1 0 10 20 30 40 50 60 70 Sem instrução e fundamental incompleto Fundamental completo e ensino médio incompleto Ensino médio completo e superior incompleto Superior completo Homem Mulher
realização de homens e mulheres na condição de filhos/as. As mulheres nessa condição tiveram taxa de (34,5%) enquanto os homens alcançaram (17,7%). Em síntese, as mulheres independente da condição no seu domicílio são as que mais realizam o trabalho de cuidados.
Tabela 3 – Taxa de realização de cuidado, segundo o sexo e condição no domicílio
Condição no domicílio Homem Mulher
Responsável 23,5 52,5
Cônjuge ou companheiro (a) 28,8 43,4
Filho (a) ou enteado (a) 17,7 34,5
Fonte: Microdados da Pnad/IBGE 2018. Elaboração própria.
Conforme já mencionado, entendemos os afazeres e cuidados de pessoas como atividades que compõem o trabalho doméstico/reprodutivo. No caso específico deste estudo estamos considerando o trabalho doméstico não remunerado. A análise em separado permite dimensionar melhor as diferenças e desigualdades na repartição desse trabalho entre mulheres e homens. São atividades com dinâmicas e características próprias, mas completamente imbricadas. O que constatamos é que no meio rural há forte presença da divisão sexual do trabalho, expressa justamente no modo como mulheres e homens estão inseridos nas diferentes práticas de trabalhos.
Há diferenças não somente na participação de cada um, mas, sobretudo na intensidade e tipos de tarefas assumidas por homens e mulheres. Como os nossos dados referem-se somente ao ano de 2018 não é possível inferir sobre mudanças no comportamento dos homens rurais, por exemplo, quanto à maior participação ou não no trabalho doméstico. Contudo é inegável a permanência do trabalho doméstico e de cuidados como uma atribuição majoritária das mulheres e para além das diferenças o que existe de fato são desigualdades na repartição desses trabalhos.