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CHAPTER 7. CACHING NAME SERVER DATA 129
7.3 Refresh/Revalidation Techniques
Constatou-se nos levantamentos feitos nesta pesquisa que poucos são os trabalhos que fazem uma discussão sobre o conceito ou teoria sobre o desperdício, sendo que a grande maioria se concentra em estudos e reflexões de como eliminá-lo. A maior parte desses trabalhos se apoiam nas teorias sobre sustentabilidade ou questões ligadas ao meio ambiente, que, em tese, são muito mais abrangentes e fogem ao propósito desta pesquisa. Dessa forma, são destacados a seguir alguns conceitos e teorias encontrados sobre desperdício.
Ballarin (1985, p. 12) define desperdício como sendo
[...] o gasto inútil de bens ou parte deles, que não são aproveitados, num esbanjamento e desbarato que direta ou indiretamente acarretam perdas do que resultam prejuízos para a coletividade e o indivíduo.
De maneira direta e sucinta, Camargo (1994, p. 5), por sua vez, defende que o desperdício consiste em “[...] qualquer atividade que não adicione valor é desperdício (perda)”, destacando também a importância do impacto negativo dos desperdícios sobre os custos de produção.
Apesar de seu trabalho também se concentrar no combate ao desperdício como a maioria dos trabalhos encontrados, Wormark e Jones (1998, p.3) trazem uma definição do conceito de desperdício, que, de certa forma, é e mais alinhada às questões de gestão das organizações e um pouco mais completa que as demais definições. Os autores definem desperdício como
[...] qualquer atividade humana que absorve recursos mas não cria valor: erros que exigem retificação, produção de itens que ninguém deseja, acúmulo de mercadorias nos estoques, etapas de processamento que na verdade não são necessárias, movimentação de funcionários e transporte de mercadorias de um lugar para outro sem propósito, grupos de pessoas em uma atividade posterior que ficam esperando porque uma atividade anterior não foi realizada dentro do prazo, e bens e serviços que não atendem às necessidades do cliente.
Um importante ponto nessa definição é o destaque para a presença dos desperdícios não só na produção de bens como também no setor de serviços. Além disso, as duas definições anteriores tratam da criação de valor. Para efeito desta pesquisa, valor pode ser entendido como os benefícios gerados por meio de produtos ou serviços que atendam às necessidades do cliente (WORMARK e JONES, 1998).
Embora os conceitos apresentados sejam claros, optou-se por trazer também uma definição de desperdício mais próxima do senso comum. Assim, buscou-se o conceito em um dicionário, o qual apresentou os seguintes significados
1 - Despesa inútil e censurável; 2 - Esbanjamento; perda; 3 - Restos que ficam da manipulação ou fabrico de certas coisas; 4 - Conjunto de restos de fios das fábricas de fiação que se empregam na limpeza de máquinas (DICIONARIODOAURELIO, 2018).
Ballarin (1985) classificou os desperdícios em cinco categorias, quais sejam: os de compensação, os de proteção, os recuperáveis, os inevitáveis e os evitáveis. O Quadro 1 apresenta um resumo dessas categorias.
Quadro 1 – Desperdícios a partir de Ballarin (1985)
Categoria Conceito
Desperdício de compensação Existem para evitar um desperdício ainda maior. Desperdício de proteção Existem para que determinado processo seja
concluído.
Desperdícios recuperáveis Materiais considerados lixo, mas que ainda podem servir para alguma outra finalidade.
Desperdícios inevitáveis São os decorrentes de fenômenos naturais.
Desperdícios evitáveis São todos aqueles que geram prejuízos de alguma maneira.
Fonte: Elaborado a partir dos conceitos de Ballarin (1985)
Os desperdícios de compensação são aqueles que existem para evitar um desperdício ainda maior. Para ilustrar essa forma de desperdício o autor usa o exemplo do comércio de automóveis, onde se gasta muito com propagandas para que determinada marca supere seus concorrentes, ao passo que, se todas essas
marcas se juntassem e concentrassem seus esforços em um único modelo, evitariam esse tipo de gasto “desnecessário”. Porém, observa-se que nos países em que o mercado é controlado e existe esse monopólio, o efeito colateral gerado é a perda em produtividade, gerando um desperdício oculto maior do que aquele com a publicidade (BALLARIN, 1985).
Os desperdícios de proteção são aqueles necessários para garantir a conclusão de determinado processo, geralmente ligados às questões da natureza como conservação ou reprodução. Aqui o autor usa o exemplo da reprodução que, “[...] para não desperdiçar um óvulo feminino a ser fecundado por um dos espermatozoides, dispõe-se de milhares, ou mesmo milhões destes últimos” (BALLARIN, 1985. p. 27).
É importante destacar que o conceito de desperdício tem sido diretamente ligado à sua inutilidade e à sua nocividade. Dessa forma, dado a utilidade ou necessidade dos desperdícios classificados acima, pode-se dizer que os mesmos seriam desperdícios aparentes ou falsos desperdícios, perdendo, em última análise, o caráter de desperdício (BALLARIN, 1985).
Os desperdícios recuperáveis, por sua vez, são basicamente aqueles que em primeira análise seriam considerados lixo, mas que podem servir para alguma outra finalidade. Como exemplo, tem-se o aproveitamento do esgoto feito pela China para produzir fertilizante (BALLARIN, 1985). Nesta classificação o autor não menciona a questão da reciclagem.
Os desperdícios inevitáveis são aqueles decorrentes de fenômenos naturais como furacões, terremotos, tempestades, dentre outros. Ou seja, são aqueles que em que o homem não tem o controle (BALLARIN, 1985).
Os desperdícios evitáveis são todos aqueles que de alguma forma geram prejuízos, ou seja, tudo aquilo que consome algum tipo de recurso, seja trabalho, energia, água, tempo, dentre outras coisas, mas não agregam valor ao produto ou serviço (BALLARIN, 1985). De acordo com Ballarin (1985), são os desperdícios desta categoria em que os esforços devem se concentrar, buscando conhece-los, e analisando suas origens e suas causas, e procurando maneiras para reduzi-los ou eliminá-los. Dentre os desperdícios desta categoria, o autor faz destaque aos
decorrentes de: falta de infraestrutura adequada; falta de organização e planejamento; falta de critério e compreensão; falta de cuidado (displicência) (BALLARIN, 1985).
Sobre o desperdício ao redor do mundo, Borges (1991) destaca a preocupação dos países de Primeiro Mundo com a falta de zelo com os recursos naturais nos países latino americanos, especialmente o Brasil. Seguindo o raciocínio, o autor adiciona que “o Brasil parece ser um dos países latinos mais férteis para o cultivo do desperdício”, fazendo uma associação entre a grande capacidade produtiva do país e a presença do desperdício em igual proporção.
Da mesma forma, Crespo e outros (2009) também destacam o elevado desperdício dos recursos naturais na economia brasileira, acrescentando ainda que a redução do desperdício representa uma importante “reserva de desenvolvimento para o Brasil” (CRESPO et al, 2009. p. 39).
Ballarin (1985), por outro lado, salienta que o desperdício não é uma realidade apenas dos países subdesenvolvidos. Segundo o autor, países como os Estados Unidos e o Canadá, em virtude do seu modo de vida, são nações que não veem a questão do desperdício com preocupação. Em contraponto, os países europeus, com suas experiências acumuladas em guerras e cataclismos de várias formas, habituaram-se a poupar e combater o desperdício (BALLARIN, 1985).
Mesmo não tratando especificamente sobre a cultura, o exemplo citado por Ballarin (1985) dos países europeus está bem alinhado à definição de cultura que será abordada mais a frente, no que se refere ao aprendizado em situações adversas e a incorporação dos comportamentos de sucesso aos hábitos.
A relação entre desperdício e a cultura é destacada por Crespo e outros (2009, p.39). Segundo os autores,
[...} a cultura do desperdício é a marca do nosso tempo, fruto de um modelo econômico apoiado em padrões de consumo e produção insustentáveis, que ultrapassa as camadas de alta renda e paradoxalmente atinge as camadas menos favorecidas. Cabe-nos refletir sobre a origem e a hegemonia de uma cultura pautada pelo desperdício.
Da mesma forma, Borges (1991) faz uma associação entre esses dois elementos e acrescenta que essa relação existe no Brasil. Para o autor, “o desperdício está incorporado à cultura brasileira” (BORGES, 1991. p. 17).
Sendo o desperdício uma característica marcante da cultura brasileira, entende-se que o mesmo possa acontecer nas organizações do país, uma vez que, de acordo com Hofstede (1994), a cultura organizacional é influenciada pela cultura na qual a organização está inserida. Segundo o autor, “Todo ser humano é de fato o socializado de determinado meio, não se pode tornar inteligível a dinâmica humana nas organizações sem conhecer a cultura e a sociedade na qual ela se insere” (Hofstede, 1994. p.180).
Dessa forma, será trabalhado mais à frente o conceito de cultura organizacional. Antes, porém, serão apresentados alguns trabalhos empíricos sobre desperdícios, especialmente os ligados ao serviço público e às universidades.