Section 2: Usages de la ressource et contraintes anthropiques
16. Agriculture irriguée actuelle
16.4 Recours aux ressources souterraines
Uma das características essenciais num estudo é a necessidade de adequação entre o objecto de investigação e a metodologia a utilizar.
Tendo em conta e levando em atenção a natureza complexa e subjectiva das questões por nós apresentadas, coloca-se a necessidade de uma abordagem tipo qualitativa para nos permitir interpretar e analisar de uma forma mais adequada possível, tendo em conta a riqueza e a singularidade do nosso estudo. Neste sentido, parece-nos que a metodologia mais apropriada para tratar este género de assunto implicará a utilização da técnica de entrevista. Daí que, o instrumento por nós utilizado para a nossa recolha de dados foi a entrevista, mais especificamente, a semi-estruturada.
4.2.1.1 A Entrevista
Esta necessidade por nós sentida, a da realização da entrevista, vai de encontro à definição de entrevista dada por Cervo e Bervian (1996) onde os autores nos dizem que a entrevista não é uma simples conversa, mas é uma conversa orientada para um objectivo definido - recolher, através de um interrogatório ao informante, dados para pesquisa. Assim, recorre-se à entrevista sempre que há necessidade de obter dados que não podem ser encontrados em registos e fontes documentais e que podem ser fornecidos por certas pessoas, de tal forma que esses dados serão utilizados para o estudo de factos, como de casos ou opiniões. Desta forma, para colmatar a “falta” de dados, relativamente ao nosso objecto de estudo, que nem sempre podem ser encontrados através de outros tipos de instrumentos, decidimos realizar o nosso trabalho recorrendo à entrevista. Esta nossa opção parece-nos correcta, uma vez que Cervo e Bervian (1996) consideram que a entrevista é um procedimento adequado quando quisermos completar dados extraídos de outras fontes.
Para Pais (1996) uma das muitas funções de uma entrevista, principalmente no que diz respeito a uma das centrais é a tentativa de atingir aquilo que não pode ser visto ou percepcionado, tendo
como uma das funções principais chegar ao desconhecido, aquilo que ainda não foi visto, pelo menos ao entrevistado.
Uma vez especificada a informação de que necessitávamos, teríamos de decidir qual o tipo de entrevista que forneceria essa informação. Grenenik e Moser, em 1962, citados por Bell (1997), situam os diferentes tipos de entrevistas no que chamam um “continuum de formalidade”: num extremo, encontra-se a entrevista completamente formalizada, em que o entrevistador se comporta, tanto quanto possível, como uma máquina; no outro extremo, está a entrevista completamente informal, cuja forma é determinada por cada entrevistado.
Para Quivy & Campenhoudt (1998) são três os tipos de entrevista existentes: a não directiva ou não estruturada, a semi-directiva ou semi-estruturada e a directiva ou fechada.
Os autores referem que este tipo de entrevista, a semi-directiva ou semi-estruturada, é uma das mais usadas no âmbito da investigação social e será a que por nós irá ser utilizada. A nossa escolha incide no facto de neste género de entrevista o entrevistado é convidado a responder de forma exaustiva, pelas suas palavras e através das suas referências, a uma ou várias questões gerais caracterizadas pela ambiguidade. Concomitantemente, se por algum factor ou razão específica, ou por vezes não específica, este não responder ou abordar um dos temas de forma tranquila ou natural, quem está a entrevistar o indivíduo poderá ainda colocar uma nova questão ao entrevistado na tentativa de atingir o cerne da questão, “encaminhando-o” ou “conduzindo-o” para este (Ghiglione e Matalon, 1993).
No nosso estudo, optámos por realizar uma entrevista de tipo semidirectivo ou semi-estruturado que, segundo Quivy e Campenhoudt (1992), é certamente a entrevista mais utilizada em investigação social. É semidirectiva no sentido em que nem é inteiramente aberta, nem encaminhada por um grande número de perguntas precisas. Geralmente, o investigador dispõe de uma série de perguntas-guia, relativamente abertas, a propósito das quais é imperativo receber uma informação da parte do entrevistado, mas não colocará todas as perguntas necessariamente na ordem em que as anotou e sob a formulação prevista, deixando ser, tanto quanto possível, o entrevistado a falar para que este possa expressar aberta e livremente as suas opiniões, com as palavras que desejar e na ordem que lhe convier. O investigador esforçar- se-á simplesmente por reencaminhar a entrevista para os objectivos, cada vez que o entrevistado deles se afastar, e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio, no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível. Assim, na
entrevista, procurámos não interferir para não influenciar a narrativa, só o fazendo para o caso de algum dado não parecer ou não ser claro quanto ao seu significado. De salientar que optámos por gravar as entrevistas para serem, posteriormente, transcritas na íntegra.
Devemos ainda referir que as entrevistas se realizaram seguindo a proposta ou o convite do entrevistado, pelo que algumas delas foram efectuadas na residência do próprio entrevistado, outras nos locais de trabalho, mas tudo sugerido pelos próprios entrevistados, ou algumas, indirectamente, aconselhadas ou propostas por nós. De acrescentar, ainda, que o acolhimento dos pedidos de entrevista foi sempre positivo e de expressa disponibilidade, não obstante a sobrecarga de tempo que a recolha implicou.
Segundo Cachada (2003), a entrevista é uma das técnicas de recolha de dados utilizadas na investigação qualitativa. Consiste na forma oral de inquérito e permite a recolha de opiniões e ideias dos entrevistados sobre determinado tema. O objectivo fundamental é o de perceber qual a opinião dos entrevistados sobre o assunto que está a ser investigado ou abordado.
Segundo Denzin (2000), a entrevista é uma das formas mais poderosas e comuns através da qual procuramos entender o ser humano. Vivemos numa sociedade de entrevista, cujos membros acreditam que a entrevista pode gerar informação importante sobre experiências vividas e dos seus significados.
Costa (1991) lembra-nos ainda que a entrevista permite o emprego de competências cognitivas interpessoais sendo os sujeitos colocados numa situação em que falam da sua vida, que tão bem conhecem, não sendo confrontados com conteúdos que ou têm de ser verdadeiros ou falsos.
Em relação às entrevistas semi-estruturadas, estas são formais, directivas e as questões colocadas são, também elas, semi-estruturadas. Este tipo de entrevistas serve de base à recolha de informação individual, no sentido de estar a ser tomada como uma amostra da realidade. Neste tipo de entrevistas, tanto o pesquisador como o entrevistado, oferecem mútua compreensão bem como mútuo suporte. Ao utilizar as entrevistas semi-estruturadas tivemos, ainda, a possibilidade de obter alguns dados comparáveis entre os entrevistados.
Para Quivy e Campenhoudt (1998) uma entrevista semi-estruturada, como não é completamente aberta nem fechada, é desta forma habitual o investigador colocar um conjunto de perguntas-
guia, de cunho relativamente aberto, sobre as informações as quais o entrevistador pretende obter e recolher. Como já foi referido deve-se, dentro de um certo limite, deixar o entrevistado falar da forma mais aberta possível sobre o assunto e o tema que se está a abordar e tratar, deixando-o falar pelas suas palavras e com as que quiser e entender, devendo, o entrevistador, simplesmente conduzir e direccionar a entrevista para os objectivos que se pretende atingir e estudar, pois no decorrer no seu discurso, por vezes estes tendem a afastar-se um bocado destes. Assim, justifica-se desta forma a necessidade e as funções exercidas por um guião/orientador, que se torna e funciona como um enquadramento e faz com que haja maior precisão. Quando nos referimos ao enquadramento estamos a falar no sentido de não deixar o narrador fugir ou sair do campo de pesquisa; e precisão na medida em que o narrador não fornece de forma natural o pedido de informação (Poirier et al., 1999).
Como já dissemos, as entrevistas foram realizadas individualmente no local escolhido pelos entrevistados e de acordo com as suas disponibilidades pessoais e profissionais.
Segundo Sacks (1992), não é correcto confiar unicamente nas notas recolhidas bem como na memória que se tem da entrevista. Deste modo, o autor, recomenda o uso da gravação áudio e a respectiva transcrição. Assim sendo, as entrevistas foram gravadas por sistema de gravação digital (armazenadas no computador), transcritas na íntegra e as gravações conservadas para posterior tratamento analítico, nomeadamente através da análise do seu conteúdo, de acordo com Bardin (1995) e Grawitz (1993).
E foi sobre a transcrição das entrevistas, devidamente autorizada bem como submetida ao próprio, que se procedeu então à análise de conteúdo das mesmas, de acordo com os princípios já anteriormente referenciados.
Neste estudo, no sentido de procurar cumprir os objectivos propostos, optámos por sujeitar a uma análise de conteúdo do tipo confirmatório um conjunto de questões sobre o CP bem como a transcrição das entrevistas aos indivíduos do grupo de estudo.
De um modo muito sumário, e porque não podem deixar de ser tidas em conta na técnica da entrevista, vamos fazer uma breve referência às principais fontes de erro.
No processo de entrevista, de acordo com Vicente et al. (1996), o entrevistador e o entrevistado podem ser potenciais fontes de erro, de tal modo que a interacção que se estabelece entre os
intervenientes é muitas vezes determinante de uma boa ou má entrevista. Cada pessoa tem um determinado background de características e predisposições psicológicas para a entrevista: enquanto algumas dessas características são rapidamente observáveis como a raça ou o sexo, outras não são tanto. Contudo, tanto entrevistador como entrevistado, com base nas percepções iniciais que cada um tem do outro, formarão atitudes e expectativas. Também a entrevista é um processo interactivo e tanto o entrevistador como o entrevistado captam e reagem aos comportamentos específicos do outro e a partir de um comportamento do entrevistador ou do entrevistado, o outro percebe esse comportamento de tal modo que o faz desenvolver uma atitude dessa percepção.
Assim, entrevistador e entrevistado são potenciais fontes de erro. Do lado do entrevistado, os erros surgem por incapacidade de resposta às questões colocadas ou à falta de vontade em responder com precisão, levando a respostas ambíguas que acabarão por não ir ao encontro do objectivo da pergunta. Do lado do entrevistador, tanto as características que lhe são inerentes como pessoa, como a forma como desempenha o seu papel de entrevistador são factores que podem levar ao erro. Daí afirmarmos que nas entrevistas que fizemos tentámos evitar as possíveis fontes de erro apontadas por diversos estudiosos da matéria.
Para a construção e validação do instrumento de pesquisa, seguimos Garcia (2006) que nos diz e apresenta os oito passos a seguir para a validação de uma entrevista semi-estruturada: (I) a realização de uma revisão bibliográfica exaustiva a fim de isolar as grandes categorias de onde sairão as perguntas a realizar na entrevista; (II) a elaboração de um primeiro modelo de entrevista; (III) a sujeição desse modelo a um corpo de peritos; (IV) seguida da introdução das alterações sugeridas por esses mesmos peritos; (V) depois realizar entrevistas a elementos do universo do estudo a fim de verificar o grau de compreensão destes relativamente às perguntas e do grau de adequação das respostas às expectativas do pesquisador; (VI) executar uma discussão dos resultados obtidos com o corpo de peritos que entenderá, ou não, introduzir novas alterações ao modelo; (VII) e caso haja necessidade de alterações, proceder a partir do n.º 4, quantas vezes forem necessárias; (VIII) e por fim, caso não sejam necessárias alterações, passar à fase de aplicação da entrevista.
A construção do guião para a entrevista adveio da revisão da literatura e da experiência como atleta, treinadora e juiz. A elaboração deste guião teve duas fases, passando de uma primeira versão para uma segunda, já definitiva, as quais poderão ser consultadas em Anexo.
Depois foram seleccionados dois sujeitos, um treinador e outro juiz, a quem foi aplicada a primeira versão do guião da entrevista no sentido de verificar, sobretudo, se havia um entendimento absoluto de todos os factores apresentados, e com o objectivo de aperfeiçoar o guião inicial, construindo um definitivo para a efectivação final das entrevistas alvo de análise para o estudo. Inicialmente verificamos que as questões inicialmente formuladas se mostraram insuficientes e por vezes inadequadas, tendo sido prontamente corrigidas e aprovadas.
Após este procedimento, aplicámos a entrevista, a fim de se aferir se o guião da mesma estaria de acordo com os nossos objectivos e iria de encontro às questões que pretendíamos analisar: concretamente, até que ponto as alterações induzidas pelo novo CP influenciam a metodologia de treino e o ajuizamento e qual a sua opinião relativamente a este novo CP.
A transcrição destas entrevistas podem ser consultados nos Anexos, bem como o guião final da entrevista e que foi por nós utilizado neste estudo.
Após as pequenas correcções realizadas e depois da aplicação das entrevistas, e sendo os sujeitos a quem estas foram aplicadas bastante conceituados e entendidos no assunto, o grupo de peritos decidiu não realizar uma segunda etapa de entrevistas para validação do guião da entrevista pois ficou satisfeito o binómio pergunta/resposta.
Após a aprovação por parte dos peritos, finalmente, passámos à aplicação (em concreto) das entrevistas, solicitando desta forma, a todos os sujeitos do grupo de estudo que respondessem às questões por nós formuladas de forma coerente, sincera e objectiva.
Para Hill & Hill (2005) é de extrema importância e utilidade a explicação aos entrevistados do verdadeiro objectivo da entrevista. Tal explicação tende a aumentar a boa vontade do correspondente e dessa forma criar uma atitude mais cooperante pois leva o entrevistado a pensar que o expert no tema é ele/ela e que o investigador quer aprender com ele. Os mesmos autores indicam que durante a realização da entrevista, o investigador deve estar completamente à vontade, não se retrair e não ter medo de pedir qualquer tipo de esclarecimentos/informações um bocado mais detalhadas se assim for necessário. Mas, o mais importante, é que as questões sejam introduzidas de maneira “neutra”, além de que, sempre que possível, é útil a gravação das entrevistas pois torna-se muito mais fácil na análise da informação recolhida que posteriormente deve ser estudada por meio de uma observação simples de conteúdo. “Este tipo de análise é um processo de codificação dos dados das entrevistas…” (Hill & Hill, 2005, pag. 75).
Todas as entrevistas foram realizadas durante o mês de Março, estando todas elas transcritas na íntegra nos Anexos.
Procurámos com as entrevistas obter as respostas livres dos sujeitos, utilizando praticamente e preferencialmente questões abertas. Estas não sugerem respostas, permitindo que os elementos do grupo de estudo se expressem revelando o que é mais importante para eles e identificar quadros de referência e influências motivacionais complexas.
Segundo Hill & Hill (2005) há dois tipos de perguntas: abertas e fechadas. Perguntas abertas, as que requerem uma resposta construída, construtiva e respondida pelo entrevistado, ou seja, a pessoa responde com as suas próprias palavras; perguntas fechadas, requerem, neste caso, que o respondente tenha de escolher entre respostas alternativas fornecidas pelo autor. Os dois tipos de perguntas têm vantagens e desvantagens. As vantagens das abertas é que podem dar mais informação, muitas das vezes dão informação mais “rica” e detalhada e por vezes dão informações inesperadas; as das fechadas, é que são fáceis de aplicar e também faculta as análises estatísticas para estudar as respostas, além de muitas das vezes ser possível examinar os dados de maneira sofisticada. No tocante às desvantagens das duas, em relação às abertas, muitas vezes as respostas têm de ser “interpretadas”, é preciso muito tempo para codificar as respostas, sendo normalmente preciso utilizar pelo menos dois avaliadores na “interpretação” e codificação das respostas sendo estas muito mais difíceis de analisar de maneira estatisticamente sofisticada e também a análise requer muito tempo; já em relação às perguntas fechadas, as desvantagens são o facto de por vezes a informação das respostas ser pouco “rica” e por vezes as respostas também conduzem a conclusões simples demais.
As questões fechadas, segundo Albarello et al. (1995), não devem comportar qualquer ambiguidade e devem ser de fácil compreensão. Apresentam, no entanto, o perigo de ditarem ou induzirem uma resposta, dado não permitirem qualquer variante. Cervo e Bervian (1996) referem que este tipo de questões são padronizadas, fáceis de codificar e de analisar.
Ferreira (2000) afirma que as questões abertas se tornam mais motivantes porque vão permitir que os entrevistados exprimam livremente as suas opiniões assim como as suas atitudes, não os “obrigando” a optar por uma resposta qualquer dentro de um conjunto de opções que podem ser consideradas insatisfatórias ou pouco adequadas.
As questões abertas surgem quase sempre de um contexto e recorrem à memória. Têm respostas com uma grande variabilidade e, consequentemente, são de maior dificuldade de analisar e codificar.
Foddy (1996) refere que os principais efeitos de formato associados às perguntas fechadas são os seguintes: tendência para preferir os valores intermédios da escala de avaliação proposta; tendência para optar por respostas socialmente mais aceitáveis ou desejáveis; tendência para escolher a resposta que se lê em primeiro lugar; tendência para privilegiar a última opção da resposta que se ouve; e, por fim, tendência para que as avaliações sejam afectadas pelos últimos tópicos ou pelos limites de referência.
Relativamente aos pressupostos subjacentes à utilização de perguntas fechadas, aquele mesmo autor refere que os inquiridos consideram as perguntas fechadas mais fáceis de responder (para além de ajudar os inquiridos a decidirem qual o tipo de resposta apropriado, os conjuntos pré- fornecidos de opções de resposta funcionam, inevitavelmente, como indicações que auxiliam as respectivas memórias, avançando informação que de outro modo seria provavelmente esquecida) e mais fáceis de analisar (a pretensão de que as perguntas fechadas produzem informação mais facilmente analisável do que as abertas é um facto, uma vez que as respostas dos inquiridos estão condicionadas por opções de resposta pré-estabelecidas e apresentando, por isso, menos diversidade).
Para a realização do nosso estudo optamos por perguntas abertas de forma a aproveitar as vantagens que estas nos oferecem e que já foram anteriormente por nós expostas.
No nosso estudo aparecem algumas respostas dos nossos entrevistados como “não sei”, não tendo estas sido incluídas no guião da nossa entrevista, mas segundo Hill & Hill (2005, pág. 131) “por vezes torna-se aconselhável (ou necessário) incluir a resposta “Não Sei” em algumas perguntas. Normalmente, isto acontece em perguntas que requerem um conhecimento específico do respondente sobre o tema da pergunta. É assim muito importante evitar incluir a resposta “Não Sei”…”
4.2.1.2 Procedimentos
De seguida iremos referir os procedimentos que foram efectuados.
Começámos por contactar os sujeitos que pretendíamos utilizar no nosso trabalho, explicando os objectivos e o âmbito do nosso estudo e pedindo-lhes autorização para realizar a entrevista. Depois de recebida a resposta, solicitámos autorização para a marcação do dia, hora e local, voltando a referir que a entrevista iria ficar registada em modo áudio, pois a entrevista iria ser gravada para posteriormente ser transcrita na sua totalidade, tendo obtido, igualmente, uma resposta positiva.
Quanto à administração das entrevistas, procedemos à sua recolha durante o mês de Março de 2007, ou seja, durante grande parte do período pré-competitivo. A metodologia utilizada foi sempre a mesma.
Em relação às condições de realização das mesmas, o tempo médio de duração de cada entrevista foi de vinte minutos, tendo-se apresentado e verificado uma variação e uma oscilação de cinco a trinta e cinco minutos (o mínimo registado foi de cinco minutos e o máximo de trinta e cinco minutos). Já em relação às transcrições das entrevistas, podemos dizer que a duração média verificada para a transcrição destas foi de sete horas, variando entre as cinco e dez horas de transcrição (cinco horas o mínimo e dez horas o máximo).
Para terminar, e como já referimos várias vezes, devemos salientar que tentámos sempre, quer junto dos Treinadores, quer junto dos Juízes que contactámos, transmitir a ideia de três princípios fundamentais subjacentes à realização das entrevistas e que são defendidos por Wolf (1988): dar informação sobre a natureza, os objectivos e a realização da entrevista; pedir a colaboração do sujeito; e garantir o anonimato e a confidencialidade.
Quanto à utilização da entrevista e para a concretização do nosso propósito, decidimos, com base numa análise minuciosa e detalhada, entrevistar oito Treinadores e treze Juízes, uma vez que este número nos parece equilibrado se tivermos em conta o princípio de que tínhamos dois grupos de estudo e tendo em conta a realidade portuguesa. Além de, igualmente, ter em consideração as características dos sujeitos.
No final todas as entrevistas foram transcritas e os textos resultantes foram posteriormente