A. LES ORIENTATIONS SUCCESSIVES DE LA POLITIQUE DE LA VILLE
1. Reconnaissance : la valorisation des quartiers populaires
O rei de Hastināpura Pāṇḍu é filho do rei Vicitravīrya (filho da princesa Satyavatī e do rei Śantanu) e da princesa Ambalika. Devido a uma maldição expelida pela divindade Kindama, Pāṇḍu não poderia ter filhos com suas esposas Kuntī e Mādrī. Se os tivesse, Pāṇḍu estaria condenado à morte imediata. Assim, Kuntī evoca a ajuda do sábio Durvasa para que pudesse dar herdeiros a Pāṇḍu. Durvasa, então, condede-lhe a ajuda das divindades Dharma, Vāyu, Indra e Aśvinau. Assim, nascem os cinco irmãos Pāṇḍava. Portanto, Yudhiṣṭhira, Bhīma, Arjuna e os gêmeos Nakula e Shadeva, apesar de serem filhos do rei Pāṇḍu, nasceram por intervenção do deuses.
Yudhiṣṭhira (“aquele que se mantém firme”, “aquele sem inimigos”) é filho de Dharma, senhor do universo e representante da virtude. Apesar de estar na posição de ser o sucessor do reino, não deseja herdar este destino. Ironicamente, justo ele, filho de Dharma, não quer seguir seu dharma. Quando perde seu reino no jogo de dados, poderia ele no fundo ter sentido alívio? Recupera-o uma vez, mas jogo tudo na segunda aposta e é dessa forma condenado ao exílio. Parecia a princípio estar abalado, mas não evitou a tragédia quando poderia tê-la feito. Bhīma (“o destemível, o terrível, o formidável”) é filho de Vāyu, senhor dos ventos, da atmosfera, da respiração; Arjuna (“aquele que possui luz, é o claro, o brilhante, transparente, aquele que pratica ação pura”) é filho de Pāṇḍu e Kuntī, com intercessão do deva Indra, deus da tempestade, senhor dos céus; Nakula (que significa “o mais belo”) e Shadeva (que significa “mil deuses”), são filhos gêmeos das divindades gêmeas Aśvinau, deuses da medicina, aquele que domina os cavalos. Dos cinco irmãos, Yudhiṣṭhira é o mais justo, o correto e o gentil. Arjuna é o guerreiro ideal, nobre, generoso e bravo; Bhīma é o bruto, com grande poder físico, desprovido de inteligência, mas que não possui malícia.
Fig. 39
Na parte inferior, a figura central é Yudhiṣṭhira; as duas figuras à sua esquerda são Bhīma e Arjuna; os gêmeos Nakula e Shadeva estão à sua direita; Draupadī, a esposa dos cinco, encontra-se à direita de todos. Acima deles,
Kṛṣṇa envolvo por uma serpente – Templo de Desavatar, em Deogarh, Índia.
Duryodhana (que significa “aquele que é difícil de lutar contra”, “difícil de conquistar” ou “difícil de ser vencido”) é o mais velho dos Kaurava. Dotado de grande força física e de habilidade de grande guerreiro, sua principal arma era o manuseio do bastão. Ele é a encarnação de Kali, a deusa do mal. Seu irmão Duḥśāsana (“aquele que é difícil de destruir”) era igualmente cruel e foi o responsável pela humilhação que Draupadī sofreu na frente de todos da corte após Yudhiṣṭhira perdê-la no jogo de dados (Livro II). Duryodhana representa o egoísmo humano. Não é motivado a ser o filho perfeito tampouco se importa com a família. É guiado por uma força da qual nenhum membro da família consegue controlá-lo. Por isso, aqueles que estão ao seu redor são arrastados para a guerra. Ele é o símbolo daqueles que são autoconfiantes em demasia. Ele se recusa a mostrar qualquer fraqueza; nem mesmo aceita a se submeter às exigências de seus primos quando estes querem reaver suas propriedades após o tempo de exílio.
A atitude de Duryodhana provoca oposição daqueles que estão próximos a ele, principalmente de seu pai Dhṛtarāṣṭra. Seu capricho é fortemente criticado por ignorar os laços familiares e é inclusive acusado de ser o “assassino da família” devido a este egoísmo e ganância. Ele nem mesmo se preocupa em levar a família à destruição. Isso o torna o
verdadeiro vilão, o lado obscuro que leva um grupo às ruínas. Ele não só, portanto, representa um rei mau, ele é também é o mal, como analisa Angelika Malinar (MALINAR, 2007, 45). Ser o rei das terras que ele tanto demanda faz dele alguém que representa a perda do autocontrole, portanto aquele que não sabe seguir os ensinamentos do Sāṃkhya-yoga. Esta perda de Duryodhana desclassifica-o de governar um reino. Mas ele, de certa forma, é um cumpridor de seu dever como kṣatriya – não ceder e lutar pelo seu status. Um dos principais deveres de um guerreiro é jamais se submeter a alguém e nisso, ambiguamente, Duryodhana é fiel. Duryodhana, ressalta Vaidya, possui de certa forma seu próprio encanto (VAIDYA, 1904, 51), por ele ser fiel à suas determinações e ambições.
Finalmente, há o Karṇa, filho bastardo de Kuntī, portanto meio-irmão dos Pāṇḍava. Kuntī, ao gerar Karṇa com o deus do Sol, abandona seu filho num rio e só o reencontra anos mais tarde. Karṇa é sombrio e amargo, mas dotado de uma incrível habilidade bélica, que se equipara a de Arjuna. Apesar de ser um Pāṇḍava, torna-se aliado de Kaurava.
As ações dos dois grupos de irmão são evidenciadas não dentro exclusivamente do entorno das disputas de reino. As rivalidades foram desencadeadas devido às ações de outros personagens também. Podem estes a princípio parecerem secundários, mas sem eles a narrativa não teria seguido em frente. Dhṛtarāṣṭra é um rei frágil, mas sempre com tendência a agir corretamente. No entanto, é facilmente persuadido pelo mal. Por ele ter dividido o reino em duas partes, foi desencadeada a principal fissura entre os dois clãs. Apesar de ser cego, ou talvez justamente por sê-lo assim, observa as ações dos irmãos Pāṇḍava e dos irmãos Kaurava à distância através de seu mentor e narrador Saṃjaya. Yudhiṣṭhira, Bhīma, Arjuna, Karṇa, Draupadī, Droṇa, Bhīṣma e Kṛṣṇa são os modelos de virtude devido às suas ações e determinações, mas todos eles, sem exceção, possuem fraquezas e cometem erros.