4.2 Reconnaissables
4.2.2 Reconnaissables et rationnels
O exame neurológico deve ser realizado num exame físico de rotina, sendo imprescindível nos casos em que a ave apresenta alterações neurológicas como a postura ou conformação anormal, a fratura de membros, fraqueza ou a inabilidade para agarrar com um
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ou ambas as extremidades pélvicas, “head tilt”, opistótonos, torcicolo, a alteração do estado mental e a diminuição da acuidade visual (Donneley et al, 2006).
Os principais objetivos do exame neurológico são a determinação do tipo de doença neurológica, ou seja, se esta é focal ou difusa e, no caso das lesões focais, a descoberta da sua localização (Benett, 1994).
A observação do animal é essencial para determinar o nível e o grau de consciência do animal, assim como para avaliar a postura, a atitude e a marcha (Platt, 2006). As mudanças na personalidade da ave que tenham sido detetadas pelo proprietário devem ser investigadas (Benett, 1994).
O sistema músculo-esquelético deve ser palpado para a avaliação do tónus, da consistência e dos contornos, assim como para a deteção da presença de dor, de assimetrias ou de massas estranhas (Platt, 2006). Como a apreciação dos reflexos segmentares pode ser difícil nas aves, torna-se imprescindível a avaliação do tónus muscular, da força e da presença de atrofia durante o exame neurológico (Benett, 1994).
A avaliação dos nervos craniais deve seguir a observação e a palpação completa do animal, sendo particularmente importante a apreciação do movimento do globo ocular e da cabeça, o pestanejar, o movimento da língua e da mandíbula, e a simetria geral da cabeça (Platt, 2006). Tanto as alterações subtis na função dos nervos craniais como os reflexos anormais são difíceis de avaliar e de interpretar nas aves (Benett, 1994).
Os testes para avaliação da função dos nervos craniais (NC) devem ser feitos após a realização de um exame oftálmico (Platt, 2006):
Teste de ameaça (NCII e NCV): consiste em efetuar um movimento de ameaça suavemente em direção a um dos olhos do animal, tapando simultaneamente o olho contralateral (Imagem 8A);
Reflexo pupilar à luz (NCII e NCIII): uma luz é projetada em cada olho alternadamente para avaliar a resposta da pupila (Imagem 8B). Não há uma resposta consensual em aves devido a interseção dos nervos óticos no quiasma ótico. A resposta do olho avaliado é menos marcada comparativamente à dos mamíferos, já que as aves possuem músculo estriado na íris, permitindo-lhes algum controlo voluntário da pupila;
Avaliação do estrabismo (NCIII, NCIV e NCVI): é observada a posição dos globos oculares com a cabeça da ave numa disposição normal;
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Imagem 8 - Testes de avaliação dos nervos craniais a Ara ararauna: A - Teste de ameaça; B –
Reflexo pupilar à luz; C – Reflexo palpebral (Fonte: Platt, 2006).
Reflexo palpebral (NCV): compreende a avaliação da resposta do animal quando se estimula o canto medial da pálpebra ao toque (Imagem 8C);
Avaliação do tónus do bico/mandíbula (NCV): consiste na deteção de alterações no bico e/ou a inabilidade para consumir alimento, assim como a apreciação da força e da resistência do bico à abertura manual do mesmo;
Reflexo oculocefálico (NCVIII): consta na observação do movimento ocular enquanto se movimenta lateralmente a cabeça num plano horizontal.
A apreciação dos nervos craniais pode auxiliar na deteção de lesões neurológicas focais (lesão de um nervo individual) ou de uma encefalopatia generalizada (afeção de vários nervos). Não existem testes aplicáveis para avaliar diretamente a função dos nervos craniais NCI, NCVII e NCXI. No entanto, uma ave saudável irá reagir negativamente a odores nocivos, o que permite de certa forma apreciar a funcionalidade do NCI (Benett, 1994). Os nervos craniais NCIX e NCX são avaliados pelo reflexo de vómito; já o nervo cranial NCXII é examinado pela inspeção e palpação da língua (Platt, 2006).
Para a avaliação das reações posturais, uma asa ou uma perna é colocada numa posição anormal, sendo apreciada o tempo de resposta de correção postural do animal. Os défices posturais são visualizados no local da lesão ou caudalmente a esta (Platt, 2006).
Nem todos os exames neurológicos aplicáveis nos mamíferos podem ser usados nas aves devido às diferenças anatómicas. Os testes úteis incluem (Platt, 2006):
Posicionamento propriocetivo: a face dorsal do pé da ave é colocada contra o poleiro; Teste da folha de papel: uma folha de papel é colocada por baixo de cada pé, sendo
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Imagem 9 - Testes de avaliação dos nervos craniais a Ara ararauna: A – Reflexo flexor podal; B –
Reflexo patelar; C – Reflexo da retirada da asa (Fonte: Platt, 2006).
Reação de colocação dos membros: é dado um poleiro para a ave subir; o teste também pode ser efetuado com os olhos da ave vendados, em que o animal é estimulado a agarrar o poleiro ao sentir o toque deste na face dorsal do seu pé.
Os reflexos espinhais permitem determinar se uma lesão é central (neurónio motor superior) ou periférica (neurónio motor inferior) (Benett, 1994).
As lesões do neurónio motor inferior (NMI) podem originar uma diminuição ou ausência de um determinado reflexo, enquanto as lesões do neurónio motor superior (NMS) geralmente resultam num reflexo exagerado (Platt, 2006).
Para a avaliação dos reflexos espinhais, podem ser efetuados os seguintes testes (Platt, 2006):
Reflexo esfíncter cloacal: deve ser observada uma contração dos músculos do esfíncter externo e um “tail bob” (sacudidela da cauda) quando a cloaca é beliscada;
Reflexo flexor podal (Imagem 9A): consiste em aplicar um estímulo doloroso através de um beliscão em cada pé e a consequente avaliação da resposta de ambos os membros em simultâneo;
Reflexo patelar: uma pancada leve é desferida diretamente no tendão patelar (Imagem 9B);
Reflexo da retirada da asa: consiste em beliscar a área correspondente à inserção das penas primárias do dedo maior (Imagem 9C).
Como as aves não possuem o músculo do tronco cutâneo, o teste do reflexo do tronco cutâneo não pode ser utilizado para localizar uma lesão da medula espinhal nesta área. Não obstante, os folículos das penas possuem fibras nervosas sensitivas (Platt, 2006).
Os reflexos nociceptivos são reservados para os animais que demonstram a presença de doenças da medula espinhal (com base na marcha alterada) e para os que apresentam
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resultados anormais nos reflexos propriocetivos e espinhais (Platt, 2006). Se for necessário realizar os testes para a avaliação dos reflexos nociceptivos, estes deverão ser feitos no final, para que os estímulos dolorosos não influenciem a resposta do animal nos restantes parâmetros da avaliação neurológica (Benett, 1994).