CHAPTER 7: Conclusion & Policy Recommendations
7.2 Recommendations for the SADC subregion
No nível operacional, todas as ações de fomento ao setor ficam concentradas na Secretaria de Cultura do Distrito Federal, responsável por administrar o Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo; por gerir o principal mecanismo de financiamento de setor – o Fundo de
Apoio à Cultura (FAC) - e por organizar o festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais antigo do segmento no país. Assim, há uma forte concentração de ações e de responsabilidades no poder público distrital.
O Polo Grande Otelo foi pensado como um centro de oferta de infraestrutura para produções que filmassem em Brasília. Contém um estúdio de 600m², sede administrativa com sete salas e 240m², um prédio de apoio à produção, com 320m², com camarins, salas de projeção, banheiros e refeitório, e uma área total disponível de 400 hectares. Entretanto, são constantes as críticas provenientes de diferentes segmentos do campo cinematográfico e cultural do Distrito Federal devido ao seu estado de abandono e de sucateamento. Isso porque, desde que foi inaugurado em 1993, a infraestrutura instalada não passou por nenhum reparo ou reforma importante. “Entre vários problemas, a estrutura do telhado do único estúdio está apodrecida e pode desabar ameaçando equipamentos e parte de um pequeno acervo armazenado no local. Os vazamentos no telhado já destruíram cenários de duas produções brasilienses” (GONTIJO, 2011a), afirmava a matéria “Polos opostos”, publicada no Jornal Correio Braziliense em 18 de maio de 2011. A própria reforma do espaço físico vem sendo adiada há tempos33. Em 2013, sua revitalização ganhou um novo capítulo, com a realização de uma reforma orçada em R$ 180 mil reais e as filmagens do longa-metragem “O Outro Lado do Paraíso”, no ano de 2013, que construiu uma cidade cenográfica no terreno do polo e é considerado o filme de maior orçamento já filmado na região, estimado em 7 milhões de reais (MAGENTA, 2013).
Em nota oficial, o Governo do Distrito Federal informou que estava previsto para março de 2014 o início de uma obra de maiores proporções, “incluindo a construção de mais 1.500 metros quadrados de área para instalação de refeitórios, alojamentos e um estúdio cinematográfico”. Entretanto, até o momento, a obra não foi iniciada. Vale lembrar que a revitalização dessa iniciativa sempre aparece nos anseios da classe artística e cultural local. Como exemplo, ele surgiu como ação prioritária aprovada pela III Conferência Estadual de Cultura do Distrito Federal:
Reformar e reestruturar o Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo bem como retornar o CONCIVI/DF (Conselho Diretor do Programa de Desenvolvimento do Pólo de Cinema e Vídeo do Distrito Federal); promovendo o pleno desenvolvimento do Pólo e estendendo as suas atividades às RA's, garantindo a participação das entidades da sociedade
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Para saber mais, consultar a matéria “GDF remaneja recursos e reforma do Polo de Cinema é cancelada”, disponível em: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/07/gdf-remaneja-recursos-e-reforma-do-polo- de-cinema-e-cancelada.html. Acessada em 05 set 2012.
civil e apoiando as práticas cineclubistas potencializando os cineclubes já existentes e estimulando novos cineclubes nos pontos de cultura, telecentros e espaços públicos disponíveis das diversas RA's.
Mesmo entre altos e baixos, e segundo dados da Secretaria de Cultura do Distrito federal, o Polo já apoiou a realização de 80 obras cinematográficas até o momento. E no que diz respeito à produção geral de filmes no Distrito Federal, um levantamento preliminar que consta no diagnóstico presente no documento da 1ª etapa de preparação do destino referência em turismo cinematográfico, aponta que foram realizados, entre 1960 e 2008, aproximadamente, 169 curtas, nove medias e 66 longas-metragens na região (COSTA et al, 2009, p. 30), totalizando 244 produções. Esses dados merecem ser apurados comais precisão e atualizados.
Quanto ao Fundo de Apoio à Cultura (FAC), aparece como o principal mecanismo de fomento para os realizadores da região, o qual surgiu em 1991, através do Decreto 13.674/91, e sofreu uma série de modificações durante os anos 90 e 2000. Hoje, funciona com a distribuição de recursos e de editais públicos.
Tomando como base os anos de 2011, 2012 e 2013, foram investidos no setor audiovisual, respectivamente, 6,2 mi, 7,5 mi e 8 milhões de reais, apoiando a realização de 117 projetos nesses três anos. Desse universo, 102 estavam relacionados à realização de produções de curtas, longas e com a finalização de produtos em andamento. Os demais tratavam, basicamente, de apoio a festivais, mostras e atividades de formação de público.
Para sistematizar esses dados, utilizamos os relatórios do FAC apresentados pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal nos últimos três anos. Entretanto, do ponto de vista da disponibilização de informações, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal foi o órgão que menos ofereceu subsídios entre as três regiões pesquisadas e que tem menos informações disponibilizadas de forma pública em seus canais de comunicação, com exceção dos relatórios anuais do FAC.
Por fim, vale comentar sobre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, considerado o mais antigo do Brasil em funcionamento, o que, por si só, coloca-o como um dos mais importantes e tradicionais. Ele realizou sua 45ª edição em 2013. Como dito, o evento foi criado a partir da I Semana do Cinema Brasileiro, realizada de 11 a 22 de novembro de 1965, como uma iniciativa da então Fundação Cultural do Distrito Federal, que convidou uma série de agentes do setor - entre os quais, o também citado Paulo Emílio Salles Gomes – para dirigir esse processo. Dois anos depois, ele passou a adotar o nome “Festival”.
A partir da edição de 2011, ele passou a adotar uma série de medidas tentando se “reinventar”. Modificou o perfil curatorial, para atrair realizadores e críticos mais jovens para o processo de seleção dos filmes que seriam exibidos no festival, e aumentou os valores dos prêmios a serem oferecidos aos ganhadores das mostras competitivas. Além disso, eliminou a regra de ineditismo das obras inscritas, o que ainda é mantido por alguns festivais mais tradicionais. Com essas medidas, a organização do festival esperava um aumento no número de interessados e, consequentemente, na quantidade de filmes inscritos.
Depois de um crescimento de inscrições em 2011, esses números permaneceram relativamente estáveis nos anos seguintes. Segundo dados oferecidos pelo próprio festival, nesse primeiro ano de mudanças, foram inscritos 624 filmes - 110 filmes de longa-metragem (56 inéditos), 415 curtas e 99 filmes de animação. Em 2012, o número geral caiu levemente para 580 filmes - 126 longas-metragens e 454 curtas. Em 2013, foram 549 inscrições - 102 longas, 240 curtas de ficção e 398 curtas, além de 69 inscrições para a Mostra Brasília (primeira ano em que foram contabilizados separadamente). Hoje, ele apresenta uma das maiores premiações oferecidas por festivais no país, distribuindo um total de 700 mil reais em prêmios, incluindo a premiação de 250 mil reais para o melhor longa-metragem, e 35 mil, para o melhor curta-metragem, atrás apenas, no montante geral, do Festival de Paulínia.
O Festival de Brasília ainda aparece como o principal espaço de visibilidade da produção local, com a realização da Mostra Brasília, que integra sua programação oficial. No ano de 2013, por exemplo, foram inscritos 69 filmes na mostra - 11 longas-metragens e 58 curtas. Desses, foram selecionados para a mostra competitiva 18 curtas e quatro longas, entre ficções, documentários e animações que concorreram a prêmios somados de R$ 200 mil34.