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CHAPTER 5. CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS

5.2. Recommendation

Falkembach (2005) determina o seguimento de cinco fases para o desenvolvimento de uma mídia educacional digital: análise e planejamento, modelagem, implementação, avaliação e manutenção e distribuição. Dessa forma, este tópico aborda a construção da cartilha virtual conforme preconiza este referencial metodológico.

A respeito da análise e planejamento, a escolha do tema e do público-alvo foi motivada devido ao maior risco de infecção por IST, HIV/Aids e Hepatites Virais que as pessoas cegas apresentam em decorrência do insuficiente domínio de informações sobre formas de prevenção dessas infecções por falta de acessibilidade dessas pessoas aos canais de comunicação adequados, quer seja pelo despreparo dos profissionais de saúde, quer seja por barreiras de comunicação enfrentadas (CHINTENDE et al., 2017).

Quanto ao instrumento construído, optou-se pela cartilha virtual intitulada Infecções sexualmente transmissíveis, hepatites virais e HIV/Aids: vamos conhecer para prevenir?, por representar um recurso educacional acessível às pessoas cegas, público-alvo dessa tecnologia, haja vista que pode ser acessada em um computador ou smartphone, via Internet.

Quanto à modelagem, a fase conceitual ocorreu com a elaboração do roteiro pela pesquisadora mediante utilização de um software de edição de texto. O material foi produzido em língua portuguesa, com fonte Times New Roman, tamanho de fonte 12 e espaçamento entre linhas 1,5. Focaliza-se que foi realizada paráfrase de termos técnicos, bem como foi redigida uma seção com a definição de alguns termos muito utilizados ao longo do texto a fim de facilitar o entendimento do conteúdo pelos leitores.

No que diz respeito à fase de navegação, foi determinada a partir de uma reunião com um programador para que fossem definidas as ferramentas necessárias para construção de um sítio acessível ao público-alvo, incluindo a integração do conteúdo textual, imagem, caixa de texto para descrição da imagem e itens de navegação.

Destaca-se que a construção da cartilha virtual foi pautada nas recomendações das Diretrizes e Técnicas Internacionais de Acessibilidade definidas no W.C.A.G. 2.1 (Web Contents Accessibility Guidelines1), documento disponibilizado pelo W3C (WWWC - World Wide Web Consortium), através do seu departamento WAI (Web Accessibility Initiative) (W3C, 2018).

Para o seu desenvolvimento foram utilizadas as tecnologias padrão da web, a saber: linguagem HTML, folhas de estilo em cascata (Cascading Style Sheets – CSS) para marcação

e JavaScript para programação, conferindo estrutura, beleza e interatividade. Optou-se também pelo uso do framework bootstrap para dar responsividade ao site, ou seja, para que se adapte a qualquer tamanho de tela.

Vale ressaltar que o HTML corresponde a uma linguagem responsável pela estrutura da página web, como parágrafos, imagens e áudios. Mas, quem confere o layout, ou seja, a aparência visual é a linguagem CSS, como as cores de fundo e fonte do texto, posição dos elementos da página e inclusão de botões, por exemplo (FERREIRA, 2013). No tocante ao framework bootstrap, além de ser responsivo e eficaz, apresenta opções de funcionalidade e estilo, como inclusão de menus, pop ups e adaptação de telas em diversos dispositivos (MIGUEL; COSTA, 2015).

Quanto aos itens de acessibilidade, foram agregadas as seguintes ferramentas:

 Navegação via teclado utilizando as teclas TAB, Shift-TAB, e Enter, permitindo navegar pelo sumário, tópicos ou botões e selecioná-los, de modo que é possível redirecionar o usuário para o novo conteúdo. Quanto aos áudios presentes em cada tópico da cartilha, é possível navegar através das teclas de seta para direita e esquerda, como também tecla “espaço” para pausar, o que permite acessar rapidamente um tópico específico, independente de outros componentes que tenham no site;

 Atribuição de teclas de atalho: Foram definidas teclas de atalho para opções específicas e que podem ser acionadas em qualquer parte da cartilha;

 Inserção de botões: Permitem melhor orientação dos usuários na medida em que possibilita acesso ao conteúdo anterior, próximo conteúdo ou ao sumário;  Equivalentes textuais: Descrição no formato texto para sons e imagem de

modo que possa ser captado pelos leitores de acessibilidade;

 Narradores: Foram inseridos narradores com a voz da pesquisadora em todos os tópicos da cartilha, a fim de garantir a entonação, timbre e feições da voz humana, conferindo riqueza de detalhes ao conteúdo, diferentemente da voz robótica presente em softwares leitores de tela como o DOSVOX e NVDA. Em relação à interface, foram definidas a cor do plano de fundo e as letras, optando-se por um layout com poucos recursos visuais, considerando que o público-alvo são pessoas cegas.

No tocante à implementação, o programador hospedou a cartilha virtual em servidor particular e integrou textos oriundos do roteiro produzido, com imagem e os áudios

produzidos mediante gravador de voz de um smartphone. Foi realizada leitura exaustiva do conteúdo pela pesquisadora e pelo orientador deste trabalho, perito na área de Infecções Sexualmente Transmissíveis, a fim de identificar lacunas conceituais e gramaticais.

Sobre a avaliação e manutenção, foram realizadas durante todo o desenvolvimento do processo de construção da cartilha virtual. Após implementação dos dados no computador pelo programador, foram verificadas as condições de acessibilidade às pessoas cegas, mediante realização de testes nos softwares DOSVOX e NVDA, leitores de tela geralmente utilizados pelas pessoas cegas para acessar conteúdos no computador; bem como correções de inconsistências a fim de garantir acessibilidade ao instrumento.

A tecnologia foi acessada ainda em computadores com sistemas operacionais diferentes (Windows, Linux e MacOS) e em diferentes navegadores (Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome e Safari) objetivando sanar possíveis erros de execução. Além disso, também foi utilizado um software disponível pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o Avaliador e Simulador de Acessibilidade em Sítios (ASES), ferramenta que objetiva auxiliar a construção de sítios acessíveis mediante sua avaliação, sua simulação e sua correção (BRASIL, 2020).

Ao analisar a acessibilidade dos sítios, o ASES informa a nota em porcentagem e o resumo da avaliação de acessibilidade, indicando os erros e avisos para melhoria. A legenda dessas pontuações é expressa em quatro níveis de acordo com as seguintes cores: vermelha (menor pontuação, revelando baixa acessibilidade), laranja, amarela e verde (indicando excelência do sítio em relação à acessibilidade). Essa legenda pode ser visualizada na Figura 6.

Figura 6 – Grau de acessibilidade das páginas eletrônicas descritas pelo ASES, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2020.

Fonte: (BRASIL, 2020)

Foram obtidas valiosas contribuições para melhoria do conteúdo e da acessibilidade da cartilha após análise do instrumento por outros juízes das áreas de saúde sexual e reprodutiva

e de educação especial, etapa do processo de validação de conteúdo deste instrumento. E, o conteúdo também foi analisado por uma revisora de texto a fim de identificar e corrigir os erros gramaticais.

Após ajustes e correções, a cartilha ficou disponível eletronicamente na rede web através do endereço eletrônico <www.prevencaodeistaids.com.br>. Esta se refere à fase de distribuição.

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