6.1 Conclusões
A imagiologia médica, enquanto disciplina aglutinadora das diferentes modalidades de imagem médica, tem sofrido uma evolução tecnológica vertiginosa nos últimos anos. Uma das consequências desta evolução tecnológica foi a transição dos serviços de imagiologia de ambientes analógicos para ambientes digitais. Os efeitos desta transição reflectiram-se em muitas áreas do exercício profissional em ambiente hospitalar e fora dele, nomeadamente na alteração dos processos de trabalho e, consequentemente, na formação dos profissionais de imagiologia médica como, por exemplo, do técnico de radiologia.
Com o objectivo de caracterizar a imagiologia médica foi feita, no Capítulo II, uma breve apresentação das diferentes modalidades de radiodiagnóstico.
No Capitulo III foi feita uma caracterização das formações académicas dos profissionais de imagiologia médica, tendo sido dada especial atenção à formação que decorre em unidades de saúde no âmbito do ensino clínico. Da análise realizada constatou-se que é de extrema importância a aquisição de competências em ambiente clínico, onde os futuros profissionais de saúde tem contacto com diversas situações clínicas, face às quais tem que mobilizar conhecimentos para poder agir em situação de forma competente. Como resultado da evolução tecnológica associada às ferramentas utilizadas no exercício profissional, e consequentemente na formação, verificou-se uma crescente utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no processo formativo. O Picture Archiving and Communication System (PACS) em ambiente hospitalar e a Internet assumem-se assim como veículos privilegiados de transmissão de informação na formação em imagiologia médica, nomeadamente com recurso a estudos de caso, mas nem sempre de boa qualidade.
No Capitulo IV é sugerido uma alteração ao paradigma de formação do técnico de radiologia, nomeadamente em radiologia convencional, com recurso às TIC. Tendo por base a metodologia de formação que assenta em estudos de caso, assim como a necessidade de ser disponibilizado ao formando um conjunto de recursos de apoio à formação, é proposto um modelo de informação genérico que tem por base os conceitos de entrada, colecção e item e que são estruturados segundo arquétipos. Este modelo de informação foi designado como Caso de Estudo (CE).
No Capitulo V é validado o modelo de informação genérico CE. Para tal recorreu-se à análise da informação que faz parte de uma narrativa relativa a um estudo de caso em radiologia convencional.
Assim, a principal contribuição desta dissertação é um modelo de informação genérico relativo à utilização de estudos de caso de forma integrada com outros conteúdos de apoio à formação em ambiente digital. A estrutura de informação apresentada permite uma grande adaptabilidade a novos contextos de formação assim como a diferentes necessidades de informação que podem ocorrer durante o processo de aprendizagem. Adicionalmente, o modelo de informação apresentado permite:
Identificar de forma única os conteúdos disponibilizados.
Caracterizar contextualmente o exame radiográfico realizado em ambiente clínico, assim como analisar de forma transversal e com diferentes níveis de granularidade os conteúdos disponibilizados.
Construir estruturas de dados de forma modular, recorrendo a arquétipos que estruturam a informação em entradas e colecções em conformidade com o tipo de contextos predefinidos.
Segmentar a informação associada ao CE em unidades mais elementares, o que permite uma reutilização de conteúdos, quer quando da construção de novos CE quer quando da construção de material de apoio ou de avaliação.
Apresentar uma estrutura de informação independente das aplicações que possam ser utilizadas, podendo estas recorrer a repositórios de CE, assim como de arquétipos, validados por conhecedores do domínio do problema. Este aspecto poderá induzir a adopção de boas práticas relativamente à realização de exame, mas também relativamente ao processo educativo.
Em conformidade com o que foi referido, a estrutura de informação CE satisfaz os requisitos de flexibilidade, abrangência, modularidade e expansibilidade preconizados no âmbito do presente trabalho.
6.2 Perspectivas Futuras
A utilização do CE em ambiente formativo carece do aprofundamento dos aspectos relacionados com a sua adaptação aos diferentes contextos onde decorre o processo formativo. Assim, parece-nos interessante a realização de trabalhos futuros que permitam:
O aprofundamento do modelo de informação CE. Importa, numa fase seguinte do desenvolvimento da estrutura de informação CE, especificar a informação que deve fazer parte das entradas e colecções a serem construídas de forma a ser
possível a utilização do CE no âmbito da formação em outras modalidades imagiológicas.
A validação do CE em ambiente de formação. A utilização do CE em ambiente formativo só será possível se a estrutura de informação suportar os requisitos inerentes aos diferentes contextos de formação, pelo que a sua validação deve assentar no trabalho colaborativo entre os diferentes participantes do processo de formação.
A normalização da semântica inerente ao CE. Para a comunicação entre os diferentes participantes do processo formativo e entre estes e os conteúdos disponibilizados no CE é necessário que todos os utilizadores entendam a semântica utilizada.
A especificação de aplicações e interfaces. A especificidade da formação em radiologia, nomeadamente os requisitos necessários ao eficiente manuseamento da imagem médica e dos dados que lhes estão afectos, pressupõe a existência de aplicações e interfaces que permitam elevados níveis de interactividade e de usabilidade. Assim devem ser pensadas aplicações e interfaces que correspondam às tarefas a serem desenvolvidas pelos diferentes utilizadores quando da utilização do CE.
O desenvolvimento de aplicações que permitam a construção de conteúdos educativos de acordo com o perfil e objectivos do utilizador.
Para além do aprofundamento das questões referidas, importa realçar que a possível utilização do CE só será viável se este permitir que o seu conteúdo, ou partes do seu conteúdo, possam ser transformados em objectos de aprendizagem reutilizáveis que estejam em conformidade com o Sharable Content Object Reference Model (SCORM)