5. PARTIE 4 : Recommandations et Conclusion
5.2 Recommandations
A primeira tentativa séria de testar empiricamente a capacidade de previsão da teoria clássica foi feita por MacDougall, em 1951. Estudos similares foram feitos por Balassa (1963) e Stern (1962). Todos estes estudos foram feitos baseados em dados dos EUA e do Reino Unido, para os anos de 1937 (MacDougall), 1950 (Balassa, Stern) e 1959 (Stern). Conclui-se então pela forte evidência de que a teoria clássica realmente funciona.
Leontief (1954), usando os dados dos EUA para o ano de 1947, fez o primeiro estudo empírico fundamentado do Teorema de Heckscher-Ohlin. Procurou então testar a hipótese de as exportações dos EUA serem capital intensivas relativamente às suas importações. Contudo, chegou à conclusão paradoxal de que os EUA exportavam produtos intensivos em mão-de-obra e importavam produtos intensivos em capital. Várias explicações foram formuladas para este facto, mas as mais sólidas foram as seguintes:
1) uma inversão da intensidade dos factores separavam os EUA do resto do mundo, invalidando o Teorema de Heckscher-Ohlin.
2) protegendo as indústrias intensivas em mão-de-obra não qualificada, as barreiras tarifárias e não tarifárias ao comércio internacional tendiam a excluir as importações intensivas em mão-de-obra.
3) os recursos naturais seriam relativamente escassos nos EUA, o que levaria à sua importação (os recursos naturais são capital intensivos).
4) as indústrias exportadoras dos EUA usariam mão-de-obra qualificada, a qual era abundante naquele país. Tal acontecia no caso das indústrias intensivas em I&D, que paradoxalmente não eram intensivas em capital (MA1). Aquelas indústrias verificavam uma elevada concentração do emprego em grandes empresas, que não eram particularmente intensivas em capital. Sintetizando, uma elevada porção dos salários seria de facto um retorno do capital humano. Quando o capital humano foi devidamente incorporado, o paradoxo de Leontief inverteu-se.
Muitos autores constatam que os dados do comércio mundial contêm muitas regularidades empíricas que parecem ser inconsistente com as teorias tradicionais. Alguns dos desafios propostos são os seguintes:
1) COMÉRCIO ENTRE ECONOMIAS SIMILARES: actualmente, segundo Chacholiades (MA1), mais de metade do comércio mundial ocorre entre países industrializados, que possuem atribuições de factores similares. Este facto contradiz o modelo de Heskscher-Ohlin, que atribui as vantagens comparativas às diferenças nas atribuições de factores.
2) COMÉRCIO INTRAINDUSTRIAL: uma parte crescente do comércio mundial envolve a troca de produtos similares. Alguns autores argumentam que os valores atribuídos ao comércio intraindustrial são demasiado elevados devido à agregação de valores. No entanto, o fenómeno do comércio
intraindustrial é inconsistente com o teorema de Heskscher-Ohlin, já que aquele tipo de trocas envolvem produtos com semelhante intensidade de factores.
3) LIBERALIZAÇÃO DO COMÉRCIO MUNDIAL: constata-se, de acordo com Chacholiades (MA1), que a criação de zonas de comércio livre como a CEE e as reduções tarifárias após as rondas multilaterais provocaram um aumento substancial do volume do comércio mundial. De acordo com o teorema de Stolper-Samuelson, a liberalização do comércio mundial provocaria uma intensa realocação de factores. Constata-se que apenas uma pequena realocação de factores realmente ocorreu.
Tendo em conta os desafios postos ao modelo de Heckcher-Ohlin, surgiram explicações complementares para as fontes de vantagens comparativas.
Quer o modelo de Heckcher-Ohlin quer o modelo de Ricardiano assumem retornos constantes à escala. No entanto, observa-se que um elevado número de indústrias manufactureiras estão sujeitas o retornos crescentes à escala, ou economias de escala. É possível demonstrar que com retornos crescentes à escala, dois países produzindo dois únicos produtos tendem a especializar-se completamente. É possível ainda demonstrar que tal especialização é benéfica para ambos os países mesmo na ausência de diferenças nos preços relativos. Todos os factores beneficiam com o comércio.
O economista sueco Linder (1961) adiantou ainda a hipótese que um país exporta os produtos manufacturados para os quais há um grande mercado local. O autor atesta que "a gama de produtos exportáveis é determinada pela procura interna". Continuando, diz-nos ainda que "é uma condição necessária, mas não suficiente, que o produto seja consumido (ou se invista nele) para que o país produtor se torne um potencial exportador". Uma importante implicação da tese de Linder é que o comércio
de produtos industriais é elevada entre países com rendimentos per capita e distribuição de rendimentos similares.
O modelo de Heckcher-Ohlin é estático. Mas factores dinâmicos deverão intervir na definição da estrutura do comércio. Posner propôs em 1961 a Teoria da Disparidade Tecnológica, baseando a sua explicação em termos da dinâmica da evolução tecnológica. Naquele modelo propõe-se que uma empresa inovadora introduz inicialmente um novo produto no mercado interno, aonde o produto se desenvolve e se torna rentável. A firma, gozando inicialmente um monopólio temporário no mercado interno, tem depois acesso ao mercados externo. No entanto, os lucros atraem novas firmas de outros países, que poderão ter uma vantagem comparativa na produção. Após a vulgarização do produto por imitação, dá-se início a um novo ciclo de inovação-imitação. Vernon (1966) generalizou a teoria no modelo do Ciclo do produto, que salienta a estandardização do produto. O autor sugeriu três estágios: novo produto, produto maduro e produto estandardizado. Referiu ainda os factores determinantes para o sucesso em cada uma das fases. Na primeira é essencial uma mão-de-obra altamente qualificada para a concepção e o desenvolvimento do produto. Com o amadurecimento do produto tornam-se importantes o marketing e o custo do capital. Após a estandardização do produto, passa-se a uma fase de produção em massa, requerendo-se abundância e baixo custo de matéria-prima, capital e mão- de-obra não qualificada. A vantagem comparativa transfere-se assim para países dotados com mão-de-obra pouco qualificada e de baixo custo.