V. RESULTATS :
2. Recommandations
A perda de sedimentos na enxurrada foi influenciada pelo tipo de adubo, nas duas primeiras chuvas simuladas aplicadas (C1 e C2) (TABELA 7). Na última chuva (C3), por outro lado, os tratamentos não exerceram efeito sobre as referidas perdas. Estes resultados seguiram a mesma tendência das perdas de água, demostrando o efeito do volume de escoamento superficial. Assim, o maior volume de enxurrada gerado pelas duas primeiras chuvas que foram aplicadas sobre o dejeto líquido de suíno, transportou maior quantidade de sedimentos neste tratamento, em relação aos demais. BERTOL et al. (2004), avaliando as perdas de solo e água sob condições de diferentes sistemas de manejo do solo, também observaram que sob condição de semeadura direta, as perdas de solo seguiram a mesma tendência das perdas de água.
TABELA 7 - CONTRASTE DE MÉDIAS DAS PERDAS DE SEDIMENTOS (g/PARCELA) COM 0 ESCOAMENTO SUPERFICIAL DE TRÊS CHUVAS SIMULADAS (C1, C2, C3) APLICADAS SOBRE OS TRATAMENTOS DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D), ADUBO MINERAL (NPK) E TESTEMUNHA (T). TRATAMENTO CONTRASTE CHUVA D NPK T T vs D, NPK D vs NPK --- g/parcela--- C1 12,095±0,95 5,679±0,67 7,217±0,99 ns ** C2 5,409±0,46 2,789±0,23 3,462±0,28 ns ** C3 75,696±8,98 54,839±7,06 42,514±5,73 * ns CONTRASTE C1 vs C2, C3 ** ** ** C2 vs C3 ** ** **
Ns não significativo pelo teste F; *significativo à 5% de probabilidade pelo teste F; **significativo à 1% de probabilidade pelo teste F.
A quantidade de sedimentos transportados pela enxurrada foi distinta nas diferentes chuvas, seguindo a mesma tendência ocorrida na perda de água. No entanto, observando-se as chuvas C1 e C3, verifica-se que a diferença entre os valores da relação intensidade de chuva/perda de solo foi maior do que os valores da relação intensidade de chuva/perda de água. Assim, enquanto a relação intensidade de chuva/perda de água variou entre 4,4 e 5,7, nos diferentes
tratamentos, a relação intensidade de chuva/perda de solo variou entre 5,9 e 9,7. Isto significa que houve efeito da intensidade de chuva na perda de solo, uma vez que a chuva mais intensa (C3) teve maior capacidade de remover sedimento do que as chuvas de menor intensidade (C1 e C2). O efeito da intensidade de chuva pode ter se expressado pelas seguintes razões: a) as chuvas iniciais desagregaram determinada quantidade de sedimentos por impacto das gotas, uma vez que na erosão entressulco o impacto é a principal fonte de energia para desagregar e transportar sedimentos (McGREGOR et al., 1988). Por outro lado, as chuvas de menor intensidade formaram menor volume de enxurrada e, neste caso, não apresentaram energia suficiente para transportar todo o sedimento desagregado; b) a chuva de maior intensidade incidiu sobre uma condição de solo umedecido pelas chuvas iniciais, condição esta que provocou uma diminuição da estabilidade dos agregados do solo, conforme constatado por REICHERT e CABEDA (1992). Isto, aliado ao maior poder de desagregação da chuva de maior intensidade, facilitou a produção de grande quantidade de sedimentos pois, na erosão entressulcos, a erosividade da chuva é função do seu volume e intensidade (FOSTER, 1982); c) as chuvas antecedentes saturaram o solo, o que favoreceu o escoamento superficial pelas chuvas aplicadas em seguida, as quais formaram enxurradas com energia suficiente para transportar as partículas desagregadas. Enxurradas de maior volume possuem maior capacidade de transporte de sedimentos em razão da maior energia, em relação às enxurradas de menor volume (SHARPLEY, 1980).
A perda de sedimentos ocorrida em cada chuva e em cada tratamento, individualmente, quando convertida para a área de um hectare e mesmo que representem uma condição crítica para a perda de sedimentos, apresenta valores que podem ser considerados baixos (FIGURA 13), se comparada à perda no preparo convencional de solo. Vários trabalhos evidenciam a baixa perda de sedimentos proporcionada pelo sistema de semeadura direta, comparado ao sistema de preparo convencional (EGHBALL e GILLEY, 1999; CASSOL et al., 2002; SHARPLEY et al., 2201; BUNDY et al., 2001; MOOG e WHITING, 2002; BERTOL et al., 2004). Deve-se considerar, no entanto, que a condiçõa de relevo da área experimental era de baixa declividade (4,5 m m) e que as perdas de sedimentos verificadas neste trabalho correspondem apenas à erosão entressulco, na qual as referidas perdas são proporcionadas quase que exclusivamente pelo salpico das
gotas de chuva (FOSTER, 1982). Assim, pode-se afirmar que as perdas de sedimentos são substanciais, mesmo neste caso, principalmente levando-se em conta os valores acumulados nas três chuvas. Estas perdas podem ser creditadas em parte, ao fato de que parte da superfície do solo ficou desprotegida, com solo mobilizado pelo efeito da operação de semeadura. Outro fator que pode ter contribuído para estes resultados é o fato da operação de semeadura ter sido executada no sentido da pendente do terreno. Assim, os sulcos produzidos pelos mecanismos sulcadores da semeadora favoreceram a concentração e o deslocamento do escoamento superficial e, consequentemente, o transporte dos sedimentos.
FIGURA 13 - PERDAS DE SEDIMENTOS (Kg ha-1) NO ESCOAMENTO SUPERFICIAL
OCASIONADO POR TRÊS CHUVAS SIMULADAS (C1, C2, C3), APLICADAS SOBRE OS TRATAMENTOS DEJETO LÍQUIDO DE SUÍNO (D), ADUBO MINERAL (NPK) E TESTEMUNHA (T).
Ainda que a quantidade total de sedimentos perdida pela erosão possa ter sido menor do que numa condição de solo manejado sob o sistema convencional de preparo, pode-se considerar que os efeitos ambientais fora do local de origem da erosão, decorrentes da acumulação desse material perdido, são importantes. A erosão entressulcos usualmente é mais seletiva do que a erosão em sulcos
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 C1 C2 C3 Total Chuvas
Massa de sedimentos perdidos (kg ha
-1 )
D NPK T
(FOSTER, 1982) e, desse modo, os sedimentos transportados são predominantemente formados pelas frações mais finas do sedimento, portanto, de menor massa e densidade do que as frações grosseiras. As frações mais finas se constituem de partículas de argila e matéria orgânica, além de compostos húmicos, todos altamente ativos quimicamente e, por isso, em geral enriquecidos de elementos minerais adsorvidos (MCDOWELL e SHARPLEY, 2001; SHARPLEY et al., 2001; SHARPLEY, 1980). Essas frações poderão, assim, se constituírem em fonte de eutrofização dos mananciais de água onde se depositam (MCDOWELL e SHARPLEY, 2001; SHARPLEY et al., 2001; SIMARD et al., 2000).