4 Discussion
4.5 La recherche du consentement : des progrès restent à faire
Arquiteta: Bruna Gripp Ibiapina.
Ano/Semestre da defesa do TFG: 2011/2.
Orientadoras: Profa. Carla Camila Girão e Profa. Amíria Brasil.
Tema: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma
proposta para o Desenvolvimento Urbano Local.
Matriz Curricular: 26.2.
Instrumentos analógicos utilizados: Papel vegetal, lapiseiras de
grafite mais grosso e lápis aquarela.
Ferramentas digitais utilizadas: Sketchup, CorelDraw e o
AutoCAD em computador pessoal.
Data dos desenhos: Julho a novembro de 2011.
Peças gráficas: Diagramas, plantas, cortes, e perspectivas.
Autoria: Todos os desenhos analógicos e digitais foram produzidos
pela autora do projeto.
Resumo do projeto: O trabalho, além de fazer levantamento
qualitativo das atividades e da ocupação urbana da cidade de Guaramiranga, também propõe, de forma conceitual e generalista, estratégias de reordenamento de algumas atividades, o redesenho e a criação de alguns equipamentos de uso coletivo. Essa cidade, inserida no Maciço de Baturité, é importante polo turístico e cultural do Ceará.
Como já comentado, durante a avaliação de todo o material, foi constatada grande variedade na maneira como os alunos concludentes exploraram o uso do desenho na defesa escrita de seu projeto. De todos os trabalhos coletados, este se mostrou como o que mais usou o croqui como instrumento de análise e de estudo do projeto, além de recurso didático para sua defesa. Ao longo de todo o trabalho, podemos perceber a intima relação do texto com os croquis em uma dinâmica que ora analisa ora propõem intervenções. Em ambos os casos, o desenho é o meio utilizado para registrar impressões assim como para apresentar soluções.
O conjunto de desenhos é bastante diverso, sendo composto por uma grande quantidade de diagramas e mapas. De uma forma geral, foi observado que os projetos com temática ligada ao urbanismo usavam os mapas como principal recurso para registrar graficamente os dados coletados nos diagnósticos. O principal instrumento utilizado foi o desenho vetorial em cores, possivelmente produzidos em CorelDraw e/ou AutoCAD, mas, em diversas ocasiões, foram percebidas ações analógicas efetuadas em mapas digitais, como, por exemplo, a pintura a lápis. Nesse estudo de caso, parte dos mapas e diagramas utilizou essa técnica, mas em diversas ocasiões eles foram confeccionados
Figura 94 - Croqui de setorização da cidade de Baturité. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 23
Nota-se a maior presença de elementos geométricos, inseridos posteriormente de forma digital, e o uso das cores, a lápis, em plantas obtidas de forma vetorial. Na figura 96, podemos perceber essa técnica. É interessante observar que a legenda, presente em vários outros mapas, usa textos digitais, mas os elementos gráficos são analógicos e fazem referências tanto às cores quanto ao próprio grafismo usado no desenho principal.
Na medida em que ocorre a transição entre a apresentação do diagnóstico e a demonstração das ideias do projeto, os desenhos mudam algumas características geométricas, mas mantêm seu caráter lúdico. As três primeiras propostas, das oito que a ex- discente indica para a região, sugerem a criação de um centro de pesquisa, além do incentivo à produção agrícola e de flores, mas sem apontar para o desenho de edifícios e/ou de equipamentos. Dessa forma, na sua justificativa, os desenhos são bastante abstratos (diagramas) [Fig. 97] e mostram, por meio de curvas sinuosas e cores, além da relação entre os municípios, a localização vocacionada a ser atendida pela proposta da arquiteta. Mais uma vez a cor, em lápis aquarelado, é elemento didático que orienta a leitura do desenho no qual podemos observar textos digitais e caligrafados.
Figura 97 - Croquis de localização das propostas. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 48
Figura 96 - Mapa de infraestrutura do Maciço de Baturité. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 28
As propostas de números 4 e 6 têm maior relação com elementos arquitetônicos e desenho de mobiliário urbano. Elas indicam a criação de parques urbanos e o estabelecimento de parâmetros para edificações sustentáveis. Dessa forma, como seria esperado, as peças gráficas mudam de configuração e passam a assumir características do desenho arquitetônico, mas de uma forma intuitiva e ainda lúdica. O texto é permeado por uma coleção de plantas, cortes, elevações e perspectivas [Fig. 98] que ilustram as intenções da autora para os equipamentos.
A linguagem, descontraída e sem qualquer rigor técnico deixa claro que essas propostas de edifícios e equipamentos não serão detalhadas, ficando no nível conceitual. Os desenhos, menos pela configuração técnica e mais pelo minimalismo de elementos gráficos, pode ser comparado ao que propõem Leggitt (2004) para propostas conceituais, embora não se observe, em nenhum deles, qualquer base digital. A autora, mesmo tendo mudado os tipos de desenho, parece manter a mesma postura adotada para os diagramas, ou seja, os desenhos têm caráter intuitivo e, em várias oportunidades, é notória, inclusive, a ausência de uma escala determinada.
Não há como definir com precisão em qual categoria as
Figura 98 - Croquis com propostas conceituais. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 51
Figura 99 - “Axonometria" de equipamento para parque. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 52
perspectivas [Fig. 99] se enquadram (isométricas, dimétricas etc), mas é evidente a opção pela projeção obliqua ou por algum tipo de axonometria, talvez reflexo da já comentada dificuldade de execução das perspectivas de projeção cônica ou simplesmente pelas características dos elementos que se quer representar. Como é possível notar até aqui, o uso da aquarela conferiu aos desenhos um caráter peculiar, lembrando em vários momentos os croquis da arquiteta Lina Bo Bardi que, como declara essa autora na entrevista, foi fonte de inspiração para sua produção gráfica. Os cortes [Fig. 100] surgem com maior força e, de maneira coerente, quando o trabalho avança para as propostas de intervenção no sistema viário. Eles são os principais protagonistas na representação das intervenções nas vias, aparecendo, com esse objetivo, em 17 oportunidades de um total de 22. Esses desenhos continuam intuitivos e a ausência de escala é denunciada em certas ocasiões pela representação dos automóveis, das figuras humanas e pelas cotas das seções das ruas. Mais uma vez fica evidente o descompromisso com o rigor técnico que parece não invalidar a leitura e tampouco a compreensão das propostas do projeto que, até esse momento, são evidentemente conceituais e generalistas.
Figura 100 - Cortes e planta do sistema viário. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 55
Na medida em que o texto avança e as propostas se tornam mais concretas, percebemos que os desenhos [Fig. 101 e 102] vão ganhando mais detalhes e notamos a maior participação dos recursos digitais, assim como maior cuidado com as escalas e a técnica de execução. Mesmo assim, o aspecto lúdico e descontraído persiste, conferindo uma unidade gráfica ao conjunto e um elevado nível de personalização ao trabalho.
As características listadas até aqui não encontram rebatimento em nenhuma das disciplinas de desenho cursadas e citadas pela ex- aluna na sua entrevista (Anexo 2). Notória é a influencia que a arquiteta Lina Bo Bardi tem na sua produção gráfica e como o uso da aquarela, usado por ela desde criança, tem força de influência até mesmo para determinar o comportamento dos elementos digitais que sempre aparecem em tons pastéis.
Figura 101 - Planta de detalhe do sistema viário. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 79
Figura 102 - Corte de detalhe do sistema viário. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 79
Figura 103 - Planta híbrida com detalhes do passeio. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 85
Figura 104 - Perspectiva. Fonte: Planejamento Estratégico e a Cidade de Guaramiranga: Uma proposta para o Desenvolvimento Urbano Local - Pág. 87
Ao contrário do que acontece com os outros TFGs avaliados (compostos por croquis + texto + pranchas técnicas + perspectivas), o conjunto de peças gráficas usadas na defesa escrita é o único de todo o trabalho. Isso faz com que todos os desenhos tenham função de estudo/concepção, de apresentação e de documentação, mesmo que para essa última seja de forma conceitual. Em uma organização bastante didática, textos e desenhos se complementam e levam o leitor a compreender como aconteceram as análises e propostas da, hoje, arquiteta e urbanista.
Como já comentado, na medida em que as propostas passam a apontar para áreas de menor envergadura, os desenhos ganham mais detalhes e mais apuro [Fig. 103 e 104], mas sempre mantendo as características já apontadas. O trabalho, além de singular, também explicita a coragem e a personalidade da autora, que, para representar e demonstrar suas ideias e propostas de intervenção, abriu mão das imagens realistas e dos desenhos tecnicamente precisos.