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2. ETUDE D’EVOLUTION

2.2. A RCHITECTURE VDI

DESCRIÇÃO

Escrita colaborativa

 Exercitar o processo de coautoria

 Recuperar ideias, formar conceitos, buscar informações, registrar

 Expressar as próprias ideias.

As ideias são compartilhadas por meio da escrita colaborativa. A escrita é um sistema simbólico que tem uma função mediadora na relação entre sujeito e objeto do conhecimento (OLIVEIRA, 1998). À medida que interagem com o jogo, os jogadores tornam-se coautores da história interativa que compõe o jogo (campanha e aventuras).

Criação de histórias

 Produzir coletivamente textos narrativos

Os jogadores participam do processo de criação colaborativa da história que compõe o jogo, tomando decisões e resolvendo os problemas postos pelo jogo, apoiados em um sistema de regras, de maneira a contribuir para o desenvolvimento da história.

Fonte: Elaborado pela pesquisadora (2018).

Orientadas para a solução de problemas e tomada de decisão, as operações cognitivas, descritas nos quadros onze ao quatorze, propiciam o exercício de habilidades cognitivas próprias da interação com o jogo RPG. Esta experiência de solucionar problemas e tomar decisões propicia a aprendizagem. Segundo Matta (2006) são as habilidades cognitivas que põem em relação direta o objeto de estudo com a estrutura cognitiva e a intenção de resolução do sujeito. Para os critérios deste estudo, trabalharemos com a ZDI. Desta forma, as habilidades cognitivas põem em relação direta o objeto de estudo com a zona de desenvolvimento imediato, a intenção de resolução e tomada de decisão.

Vale acrescentar que a discussão que desenvolvemos até aqui sobre o processo de aprendizagem mediada pelo jogo RPG digital e os aspectos cognitivos que caracterizam esta aprendizagem, não deve prescindir de uma discussão sobre os princípios de jogabilidade que são próprios desse tipo de jogo. A jogabilidade que emerge da interação dos jogadores com o jogo, para fins desta pesquisa, constitui um dado importante, tendo em vista que o modelo a ser construído será utilizado para uma análise dos dados oriundos da interação do jogador com o jogo. A interação que emerge da jogabilidade se encontra registrada no ambiente virtual do jogo, mais precisamente nos fóruns de discussão.

A pesquisa que desenvolvemos sobre o processo de aprendizagem mediada pelo jogo RPG digital encontra-se centrada na análise da interação que ocorre entre os alunos-jogadores e aquela que ocorre entre o mestre do jogo e os alunos-jogadores no espaço virtual. Daí a importância dos registros no ambiente do jogo, sobretudo aqueles que se referem à resolução de problemas e tomada de decisão por parte dos jogadores. Vygotski (2009), embasado no materialismo histórico-dialético, nos sugere que a investigação dos fenômenos humanos deva ocorrer em seu processo de transformação, ou seja, em seu processo histórico. Assumindo essa premissa, preocupa-nos o processo (desde o momento que inicia a interação com o jogo) e não somente o resultado final da interação entre os jogadores no jogo. Ou seja, procuramos investigar a gênese e o desenvolvimento dessa interação com o jogo, a fim de compreendermos como ocorre o processo de aprendizagem a partir dessa mediação.

A presente pesquisa apresentará como um de seus produtos, um modelo de análise que possa nos ajudar a entender como ocorre o processo de aprendizagem de sujeitos engajados em aplicação educacional do jogo RPG digital. Vamos testar a aplicabilidade do modelo, ao tempo em que analisaremos as aplicações educacionais do jogo RPG digital, já realizadas por pesquisadores do nosso grupo de pesquisa. Ao final, a pesquisa deverá indicar o que a aplicação do modelo evidenciou em relação ao modo como ocorre a aprendizagem em sujeitos engajados nas aplicações do jogo RPG digital educacional.

O quadro a seguir reúne os aspectos cognitivos discutidos neste capítulo e suas respectivas operações e habilidades cognitivas cuja ocorrência presumimos identificar nas ações dos alunos-jogadores engajados nas aplicações do RPG digital. Esperamos utilizá-lo como um parâmetro para a construção de um modelo conceitual de análise para entendimento de como ocorre o processo de aprendizagem nesse contexto.

Quadro 15 – Aspectos Cognitivos - Operações e Habilidades Cognitivas correlacionadas ASPECTOS COGNITIVOS OPERAÇÕES/ HABILIDADES DEFINIÇÃO

Colaboração Interação social

 Compartilhar experiências  Apropriar-se, aplicar e construir conhecimento  Construir soluções conjuntamente  Resolver problemas independente24

 Criar alternativas, negociar estratégias e soluções de forma colaborativa

Comunicação

 Comunicar-se de forma síncrona e assíncrona  Discutir e defender ideias  Dialogar  Participar ativamente A colaboração acontece quando os jogadores compartilham informações, conhecimentos, estratégias para resolver problemas e

tomar decisões

conjuntamente, à medida que interagem com o jogo.

Pensamento Crítico Pesquisar  Buscar informação  Analisar e refletir criticamente Avaliar  Avaliar informação  Determinar critérios  Estabelecer prioridades  Reconhecer falácias e erros no raciocínio  Verificar Analisar  Reconhecer padrões  Classificar  Identificar pressupostos  Identificar ideias principais  Encontrar seqüências Relacionar  Comparar/contrastar  Pensar logicamente  Inferir dedutivamente  Inferir indutivamente  Identificar relações causais

Trata-se de um pensamento mais profundo, de ordem superior e mais relevante que apenas memorizar e reproduzir o que o outro diz sobre determinado assunto.

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A grosso modo, poder-se-ia dizer que a resolução individual de problemas não se caracteriza como colaborativa. No entanto, embasados na teoria da aprendizagem de Vigotski, compreendemos que toda ação individual se dá a partir de conhecimentos construídos coletivamente. Consideramos que o jogo RPG potencializa o processo de aprendizagem colaborativa, na medida em que propicia aos jogadores a passagem do nível de desenvolvimento potencial para o nível de desenvolvimento real, quando o conhecimento se consolida e é internalizado.

Imaginação

Memória

 Acessar a experiência acumulada

 Elaborar uma imagem mental de uma situação descrita por outra pessoa  Atividade combinatória  Imaginação criadora

 Combinar elementos da realidade com elementos da imaginação

 Apoiar-se nos elementos textuais e imagéticos disponíveis na ambientação do jogo  Apoiar-se nas experiências

acumuladas

A imaginação é uma importante função cerebral que não se opõe à realidade e se vincula a processos de criação, à memória, à imaginação criadora, à fantasia e às reações emocionais de quem a vivencia. Coautoria Escrita colaborativa  Exercitar o processo de coautoria

 Recuperar ideias, formar conceitos, buscar informações, registrar  Expressar as próprias

ideias

Criação de histórias

 Contribuir para o processo de criação colaborativa da história

As ideias são compartilhadas por meio da escrita colaborativa. A escrita tem uma função mediadora na relação entre sujeito e objeto do conhecimento. À medida que interagem com o jogo, os jogadores tornam-se coautores da história interativa que compõe o jogo RPG.

Fonte: Elaborado pela pesquisadora (2018).

Assim, finalizamos este capítulo com o pressuposto teórico-metodológico de que a aprendizagem mediada pelo jogo RPG digital ocorre mediante a combinação dos aspectos cognitivos supracitados, ainda que nos diferentes casos de aplicação do jogo, determinados aspectos se manifestem em maior ou menor proporção.

4 CONSTRUÇÃO DO MODELO DE ANÁLISE DOS ASPECTOS COGNITIVOS

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