Aspecto importante a ser destacado para o abastecimento energético, utilizando biomassa de resíduos vegetais não lenhosos, é a viabilidade econômica do uso desses resíduos em fornos cerâmicos, considerando a questão da preparação e do transporte desses resíduos.
Vale ressaltar que os resíduos gerados na atividade agrícola ou agroindustrial no estado natural e aqueles oriundos da atividade extrativista apresentam densidade baixa, dificultando e aumentando os custos de transportes. Dessa forma, realizando adensamento nesses resíduos seria possível promover a diminuição no volume a ser transportado e consequentemente a redução no número de viagens entre o local da coleta desses resíduos e as indústrias cerâmicas pesquisadas.
Porém, para esta pesquisa, não será considerada a possibilidade do resíduo agrícola, coletado em campo, sofrer qualquer tipo de adensamento, visto que na prática, presume-se que não há disponibilidade de máquinas nos Municípios produtores para que tal tarefa seja realizada. Nesse caso se admitirá que o material coletado seja levado, sem processamento, diretamente para o local de queima.
Para a avaliação econômica do transporte do combustível alternativo para o local de queima, importante aspecto a ser considerado é a capacidade volumétrica do caminhão utilizado no transporte, onde a partir desse dado poderá ser conhecida sua capacidade de carga (t) por viagem. No caso do resíduo agrícola ser transportado sem processamento, busca-se determinar seu peso líquido, ou seja, valor pesado em 1m³ que multiplicado pela capacidade volumétrica do caminhão utilizado no transporte da biomassa resultará na determinação de sua capacidade de carga (t) por viagem.
Para determinação do custo por tonelada de resíduo de biomassa vegetal transportado vale conhecer o consumo mensal, em toneladas, do atual combustível de biomassa utilizado pela indústria cerâmica pesquisada, a distância percorrida para o fornecimento de resíduo de biomassa vegetal e o custo por quilômetro praticado no frete dos combustíveis de biomassa utilizados nos fornos das indústrias cerâmicas do Município de São Miguel do Guamá. A Tabela 16 apresenta
os procedimentos de cálculo que poderão ser adotados para o custo por tonelada de resíduo de biomassa vegetal transportado sem processamento.
Tabela 16 – Cálculo do custo por tonelada de resíduo de biomassa transportada sem processamento
Forma de Transporte
A B C D E F G H I J K
Sem
processamento E×F B×D A÷E G×F J×H I÷C
Consumo da atual biomassa (t);
Pelo Líquido do resido de biomassa vegetal em análise;
Consumo mensal de resíduo de biomassa vegetal em análise (t);
Capacidade volumétrica do caminhão utilizado no transporte de biomassa (m³); Carga de resíduo de biomassa vegetal transportada por viagem (t);
Número de viagens realizadas em 01 mês de transporte;
Distância percorrida no fornecimento de resíduo de biomassa vegetal (km);
Total de quilômetros percorridos em 01 mês de fornecimento de resíduos de biomassa vegetal (km);
Custo total de 01 mês de frete de resíduo de biomassa vegetal; Valor gasto do km rodado;
Custo por tonelada de resíduo de biomassa vegetal.
Em pesquisa que avaliou o custo do transporte do resíduo da casca do coco para abastecimento energético em fornos de uma indústria cerâmica em Alagoas, Souza (2011), considerando para uma demanda mensal por energia térmica a quantidade de 477,36 toneladas de biomassa, observou que sem processamento o resíduo transportado em caminhão com capacidade de 30m³, aumenta em 3 vezes o número de viagens necessárias para seu transporte, se comparado ao transporte na forma compactado. Vale lembrar que no caso dos resíduos transportados serem na forma picotada seria necessário à disponibilidade de um triturador. Já, para o transporte dos resíduos na forma compactada as opções de equipamento seriam as enfardadeiras, briquetadeiras ou peletizadoras.
Considerando a logística possível de ser adotada até a etapa final do consumo de biomassa de resíduos vegetais não lenhosos na forma sem processamento e adensados no próprio local da coleta é apresentado o fluxograma
abaixo o qual contempla ainda a possibilidade da secagem dos mesmos resíduos ocorrer no mesmo local da coleta.
Figura 04 – Fluxograma de transporte de resíduos nas formas sem processamento e adensados no local da coleta
Fonte: Souza (2011).
Outra possibilidade de logística envolvendo o abastecimento energético em fornos de indústrias cerâmicas é o transporte de biomassas de resíduos vegetais não lenhosos na forma sem processamento e adensados no local da queima. Nesse caso admite-se que a secagem ocorre também no local da queima da biomassa. A Figura 05 apresenta a alternativa proposta em forma de fluxograma.
Figura 05 – Fluxograma de transporte de resíduos nas formas sem processamento e adensados no local da queima
Fonte: Souza (2011).
Dessa forma, de acordo com a Figura 04 e 05, fica evidente que duas são as possibilidades de abastecimento energético em fornos de indústrias cerâmicas envolvendo transporte, secagem e adensamento de resíduos vegetais. No caso da escolha de uma das possibilidades apresentadas, admiti-se como proposta a apresentada na Figura 05, pelo fato desta corresponder a forma de transporte
Casca de Arroz Casca de Coco Casca de Mandioca Bagaço de Palha de Cana Palha e Sabugo de Milho Casca de Feijão Capim Elefante Resíduos Florestais Coleta do Resíduo Secagem natural no campo Adensamento no campo • Picotamento • Enfardamento • Peletização • Briquetagem Transporte Transporte Cerâmica Cerâmica Forno ou Fornalha Casca de Arroz Casca de coco Casca de Mandioca Bagaço de Palha de cana Palha e Sabugo de Milho Casca de Feijão Capim Elefante Resíduos Florestais
Transporte Cerâmica Secagem natural na Cerâmica Forno ou Fornalha Adensamento no campo • Picotamento • Enfardamento • Peletização • Briquetagem Forno ou Fornalha
definida para esta pesquisa, ou seja, sem processamento, com a ressalva de que a secagem natural na cerâmica representa a última etapa antes da queima do combustível no forno ou fornalha.
2.5.2 Quantificação mensal dos resíduos gerados por Municípios com maior