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RAINFALL OF RAJASTHAN

Dans le document CHANGEMENTS DE CLIMAT OF CLIMATE (Page 64-67)

Marcos Santuario

P

ENSAR A FORMAÇÃOdo estudante universitário em Jornalismo Cultural é

ter em conta mais do que a preparação de profissionais para um mercado que tende a crescer cada vez mais no mundo da comunicação e do consumo. Tal formação tende a processar-se hoje em um contexto no qual o mundo vive as contradições entre o regional e o nacional, e entre o local e o global. Uma dinâmica que traz consigo novos elementos de territorialidade, códigos e di- nâmicas. Como bem aponta Bauman (2001), uma contemporaneidade na qual se deve considerar “fluidez” e “liquidez” como metáforas adequadas quando desejamos capturar a natureza do presente, novo de diversas maneiras, na his- tória da humanidade. Às exigências de conhecimento e técnica somam-se a capacidade crítica e criativa daqueles que serão os produtores/pensadores ou pensadores/produtores do Jornalismo Cultural com formação acadêmica. Em mais de 20 anos de prática imersa no mundo do Jornalismo Cultural, tenho percebido as transformações no processo de aproximação, compreensão, di- fusão e apreensão dos produtos derivados desta prática especializada. E a questão repete-se, independentemente do suporte no qual esteja amparada. O jornalismo impresso, seja ele diário, semanal, quinzenal ou mensal, vive suas características próprias e, algumas delas, se repetem nos meios eletrô- nicos e nas revistas que trabalham com temas culturais. A base jornalística dada aos estudantes de graduação em Jornalismo, nas universidades brasilei- ras, nem sempre tem servido para construir o substrato necessário para sua imersão neste universo da cultura feita notícia. Parece, em verdade, não tem sido suficiente, na maioria dos casos. Faz-se necessário fomentar uma maior aproximação destes com os produtos culturais já existentes, prática que, ali- ada à teorização sistemática e crítica do Jornalismo Cultural, pode levar a uma construção mais sólida de conhecimentos, experiências e sensibilidades, ca- pazes de formar um profissional mais capacitado, ao lado do ser humano com uma visão mais ampla da sociedade.

Já que o jornalismo cultural é uma segmentação da mídia voltada para ex- pressões artísticas como música, cinema, teatro, artes plásticas, histórias em

quadrinhos, televisão e outras formas de entretenimento ligadas às artes, cabe ao universo acadêmico incentivar e por vezes proporcionar na prática uma aproximação real entre o jovem estudante e o universo atual das produções deste jornalismo. Entendendo, portanto, que o estudante, antes de tornar-se um especialista no assunto, deve ser um consumidor de tais produtos, enten- dendo suas lógicas e conhecendo suas origens. É necessário entender que o jornalismo cultural surgiu com uma tendência contemporânea dos jornais im- pressos de criarem segmentações com cadernos específicos devido à necessi- dade de agradar mais aos leitores prestando um serviço personalizado. Daí se deu a divisão segmentada dos cadernos, como cultura, turismo, classificados, entre outros. E é por esta trajetória teórico-prática, que o estudante deve ser conduzido para entender a necessidade e as exigências dentro do jornalismo especializado em suas versões mais contemporâneas.

Mas, não basta ter talento para consumir tais produtos e, a partir disso, desejar entender suas lógicas. É necessário reconhecer os contextos nos quais se processam e se estabelecem as produções e as trocas culturais da sociedade. No contexto atual, por exemplo, o crescente processo de globalização das eco- nomias mundiais e a emergência do uso das novas tecnologias da comunicação têm se constituído em elementos propulsores de importantes transformações nos processos das empresas de comunicação, de suas produções e, inclusive, no campo da produção jornalística cultural O contexto das transformações atuais que vêm ocorrendo nas relações mundiais em geral tem sido observado em profundidade, entre outros, pelo sociólogo espanhol Manuel Castells. Para ele, o quadro de complexidade da nova economia, sociedade e cultura em for- mação, e o processo de comunicação em particular, tratado também no aspecto da revolução da tecnologia da informação, revolução esta cuja penetrabilidade em todas as esferas da atividade humana, é cada vez maior. Este é um dos olhares que devem ser trabalhados com os estudantes para tratar de entender as questões mais atuais no campo da comunicação e seu reflexo no Jornalismo Cultural.

A questão ganha um olhar ainda mais amplo nos estudo de Zygmunt Bau- man sobre as conseqüências humanas do processo que ele define como perten- cente a um contexto em que as coisas estão fugindo ao controle. Em sua visão, o significado mais profundo transmitido pela idéia da globalização é o do ca- ráter indeterminado, indisciplinado e de autopropulsão dos assuntos mundiais; “a ausência de um centro, de um painel de controle, de uma comissão diretora,

de um gabinete administrativo”. Com esta perspectiva, começa-se a construir uma discussão que interfere, diretamente na apreciação inicial e na produção final de tudo o que possa ser trabalhado no âmbito do Jornalismo Cultural. E, quando se trata do campo das linguagens, também vale lembrar, com Muniz Sodré, que, a exemplo de outros fenômenos sociais de largo alcance, a “glo- balização” gera linguagem própria ou, pelo menos, uma prática discursiva pela qual se montam e se difundem as significações necessárias à aceitação generalizada de tal fenômeno. Discuta-se, de forma ampla e exaustiva, con- ceitos como este, no qual o sentido de uma palavra como ‘globalização’, ou o comportamento de um ator social em face desse sentido, podem variar de um indivíduo para outro, de uma região do mundo para outra, ou mesmo de um curto período de tempo para outro.

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