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DISCUSSION OF THE RESULTS

Dans le document CHANGEMENTS DE CLIMAT OF CLIMATE (Page 94-102)

Para Kellner (2001, p.11) a cultura, em seu sentido mais amplo, é uma forma de atividade que implica alto grau de participação, na qual as pessoas criam

sociedades e identidades. Segundo o autor a cultura modela os indivíduos, evidenciando e cultivando suas potencialidades e capacidades de fala, ação e criatividade. Ele considera que “a cultura da mídia participa igualmente desses processos, mas também é algo novo na aventura humana”.

As pessoas passam um tempo enorme ouvindo rádio, assistindo à televisão, freqüentando cinemas, convivendo com música, fazendo compras, lendo revistas e jornais, participando dessas e de outras formas de cultura vei- culada pelos meios de comunicação. Portanto, trata-se de uma cultura que passou a dominar a vida cotidiana, servindo de pano de fundo onipresente e muitas vezes de sedutor primeiro plano para o qual convergem nossa aten- ção e nossas atividades, algo que segundo alguns, está minando potenciali- dade e a criatividade humana (Kellner, 2001, p.11).

Assim, segundo Kellner (2001, p. 11), a cultura da mídia e a de consumo atuam de mãos dadas no sentido de gerar pensamentos e comportamentos ajustados aos valores, às instituições, às crenças e às práticas vigentes. No en- tanto, conforme o autor, o público pode resistir aos significados e mensagens dominantes, criar sua própria leitura e seu próprio modo de apropriar-se da cultura da cultura de massa, usando a sua cultura como recurso para fortalecer- se e inventa significados, identidade e forma de vida próprios. “Além disso, a própria mídia dá recursos que os indivíduos podem acatar ou rejeitar na formação de sua identidade em oposição aos modelos dominantes”. E, acom- panhando o pensamento de Kellner, chegamos a perceber que, com o advento da cultura da mídia os indivíduos são submetidos a um fluxo sem preceden- tes de imagens e sons dentro de sua própria casa, e “um novo mundo virtual de entretenimento, informação, sexo e política está reordenando percepções de espaço e tempo, anulando distinções entre realidade e imagem, enquanto produz novos modos de experiência e subjetividade”.

O jornalista que trabalha com esta editoria ganhará consistência se somar a análise e a compreensão teóricas a uma profunda experiência prática, além da formação acadêmica. Um jornalista recém-formado e que nunca tenha es- crito sobre histórias em quadrinhos, provavelmente, não conseguirá escrever uma coluna sobre quadrinhos. O jornalismo cultural exige que o jornalista tenha noções básicas de história da arte, alterações nos conceitos artísticos ao longo da história, tendências culturais e relações entre filosofia, semiótica e teorias para contextualizar as pautas. Por outro lado, a internet quebrou es- tes parâmetros porque permite que qualquer pessoa sem formação divulgue

seus trabalhos na rede. Assim, um jornalista que não é especializado em cul- tura, pode escrever sobre cultura e um especialista sem formação acadêmica, também pode escrever sobre cultura.

Outro desafio da atualidade é dar conteúdo e dinâmica ao webjornalismo cultural que, além de somar elementos de outros veículos, também forma uma linguagem híbrida unindo os três gêneros: informativo – opinativo - interpre- tativo. Somente o referencial teórico dos anos de estudo num curso de Co- municação Social não permite que o profissional se aventure por uma editoria especializada. Para escrever sobre quadrinhos, o jornalista precisa conhecer sobre o funcionamento do mercado editorial (especificamente de quadrinhos, já que este difere de outras publicações); tem que, obrigatoriamente, acompa- nhar a cronologia das histórias; saber diferenciar os gêneros de roteiro e arte e outras necessidades que levam muito mais tempo para assimilar que o de um curso superior. No jornalismo cultural, a crítica e divulgação de eventos e produtos culturais como discos, livros, filmes, quadros, shows, entre outros, é feita por jornalistas especializados. Na maioria dos casos, um jornalista es- pecializado em cultura é alguém que coleciona quadrinhos desde a infância, toca em grupo musical, pinta quadros ou passou a maior parte de sua vida dentro de cinemas assistindo filmes e encontrou no jornalismo uma maneira de ampliar e divulgar seus conhecimentos.

O processo de especialização não pára neste ponto. De um provável hobby, passando pelo profissionalismo jornalístico, o agente cultural também pode chegar a um nível histórico já que é comum neste meio os jornalistas es- pecializados em cultura escreverem livros. Esta relação de um jornalista criar outros produtos reforça uma tendência moderna da indústria cultural, onde a mídia tem um papel fundamental. As empresas não lançam mais produtos e sim marcas. Um filme, um livro ou uma banda pode se transformar em diver- sos produtos e criar uma rede milionária de merchandising. A sinergia entre os produtos é a fórmula de sucesso de suas empresas. Um bom exemplo dessa cadeia de consumo é a série televisiva "Arquivo X", criada por Chris Carter e exibida pelo canal Fox nos Estados Unidos entre 1993 a 2002. Do sucesso na televisão, a série ganhou uma versão em histórias em quadrinhos, longa me- tragem para o cinema, um card game (jogo de estratégia com cartas), vários romances inspirados nos personagens e produtos como camisetas, canecas, chaveiros, bonecos, etc. Todos com espaço garantido no jornalismo cultural, pois servem como matéria-prima para a produção de textos, reportagens e en-

trevistas. Outro exemplo é a série “24 Horas”. Outro sucesso com grande apelo, inclusive no mundo virtual. A saga de Jack Bauer deu novo ritmo às produções.

Segundo Lage (2006) desde os anos 80 tudo mudou na prática do jorna- lismo.

[...] Os computadores subverteram a rotina da profissão; a internet aproxi- mou distâncias, atropelando fronteiras políticas e barreiras entre classes ou etnias; a digitalização reduziu custos a ponto de qualquer pequena cidade, associação de bairro, favela ou condomínio poderem ter seus próprios veí- culos, sua imagem exportada e suas idéias estendidas ao infinito. (LAGE, 2006, p. 5).

Contudo, o autor explica que projetistas gráficos, repórteres fotográficos e redatores não são artistas ou “intelectuais”: são trabalhadores de uma indústria de prestação de serviços que opera com bens simbólicos. “[...] A pesquisa de realidade que o jornalismo suscita e o desenvolvimento de suas técnicas terminaram, no entanto, influindo sobre a arte contemporânea, submetida,ela também,às leis do consumo rápido e da obsolescência” ( LAGE, 2006, p. 9).

Não basta lastimar com Piza (2004, p. 7), pensando que não há nada de nostalgia ou negativismo em observar que o jornalismo cultural brasileiro já não é como antes. O autor indica que as seções culturais dos grandes jornais continuam entre as páginas mais lidas e queridas. Junto a isto ele nota que o jornalismo cultural vem ganhando mais status entre os jovens que pretendem seguir a profissão. Vale refletir com Piza (2004) que os “segundos cadernos” têm uma importância para a relação do jornal com o leitor – ou, mais ainda, do leitor com o jornal – que é muito maior do que se supõe. Além disso, há uma riqueza de temas e implicações no jornalismo cultural que também não combina com seu tratamento segmentado; afinal, a cultura está em tudo, é de sua essência misturar assuntos e atravessar linguagens (PIZA, 2004, p. 7).

Para entender a análise de Piza (2004), e aproveitar sua provocação para crescer em sua formação, o estudante precisa observar que o jornalismo “ne- cessita saber observar esse mercado sem preconceitos ideológicos, sem parci- alidade política”. Salienta que, por outro lado, como a função jornalística é selecionar aquilo que reporta (editar, hierarquizar, comentar, analisar), influir sobre os critérios de escolha dos leitores, fornecer elementos e argumentos

para sua opinião a imprensa cultural tem o dever do senso crítico, da avali- ação de cada obra cultural e das tendências que o mercado valoriza por seus interesses, e o dever de olhar para as induções simbólicas e morais que o ci- dadão recebe (PIZA, 2004, p. 45).

Os desafios são muitos para que o estudante alcance uma formação de qua- lidade que o capacite para exercer as funções dentro do Jornalismo Cultural, atendendo às exigências inerentes ao processo de captação, seleção, constru- ção narrativa, compreensão global e pontual, e expressão focada ou universa- lizada. Para isso acontecer, é necessário que nossas escolas de Comunicação reflitam sobre seu papel com responsabilidade e criatividade, encontrando so- luções para suas falhas mais comuns, que não contribuem na formação de um novo Jornalista Cultural.

Referências

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COHEN, J. D. Políticas de comunicación. Chasqui. Quito: Ciespal, n. 28, oct.-dic. 1994, p. 69-74.

FEATHERSTONE, Mike. O Desmanche da Cultura. São Paulo: Studio Nobel, 1993.

HELD, D. Modelos de Democracia. Belo Horizonte: Paidéia, 1995.

KELLNER, D. A Cultura da Mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: SP: EDUSC, 2001.

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LIMA, M. C . Dinâmica do Capitalismo Pós-Guerra Fria – Cultura Tecnoló- gica, Espaço e Desenvolvimento. São Paulo: Unesp, 2008.

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MASTRINI, G. y BECERRA, M. Periodistas y Magnates – Estructura y Con- centración de las Industrias Culturales en América Latina. Buenos Ai- res: Prometeo Libros, 2006.

PIZA, D. Jornalismo Cultural. São Paulo: Contexto, 2004.

SANTOS, T. dos (Coord.). Globalização – Dimensões Alternativas. Rio de Janeiro: Loyola, 1994.

Avaliação de qualidade jornalística: desenvolvendo uma

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