Chapter 5 Results and Analysis
5.1 Radar Sensing Verification
Dessa forma, inspirado em Habermas, que disse que a categoria central para investigar o social é, hoje, a comunicação e não mais o trabalho, e impregnado pela perscpectiva da comunicação como campo de articulação trasdisciplinar do diálogo de saberes, consideramos a comunicação social, em articulação com a teoria das representações sociais, a sociologia ambiental e o enfoque da gestão patrimonial negociada de recursos naturais, como um ponto de partida eficaz para se investigar os problemas sócio-ambientais.
Reconhecemos as dificuldades e limitações desta pretensão, mas trabalhamos nesta perspectiva. A aplicação plena deste esquema implicaria na composição de uma equipe interdisciplinar, e, ao passo que isto não foi possível para esta pesquisa, consideramos nosso esforço exploratório nas diversas áreas assinaladas como uma tentativa de busca transdiscilinar. Convém, portanto, assinalar melhor a construção deste modelo de análise.
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Martin-Barbero (1995) aponta quatro enfoques conceituais para a investigação em comunicação: 1) os estudos da vida cotidiana, 2) os estudos sobre o consumo, 3) os estudos sobre a estética e semiótica da linguagem e da leitura e, 4) o estudo sobre a história social e cultural dos gêneros. Dentre estas indicações, esta pesquisa se utiliza do estudo da vida cotidiana, da estética e semiótica da linguagem, bem como da articulação com os demais contribuições que forma nosso modelo de análise.
A vida cotidiana é aqui entendida como o espaço em que a sociedade se produz e se reproduz, como abordam de forma diferenciada os autores Habermas, 1990; Arendt, 1958; e Mafessoli, 1986. O trabalho de Habermas está centrado na emergência, desenvolvimento e transformações da esfera pública burguesa das sociedades capitalistas. Habermas define a esfera pública como um espaço em que cidadãos se encontram e falam uns com os outros de forma que se garanta acesso a todos. Isso implica uma série de características ideais de difícil articulação, tais como: a) debate aberto e acessível a todos, b) preocupações comuns no lugar de interesses privados, c) desconsideração das desigualdades de posição, d) participante com mesmo poder de decisão.
De acordo com Arendt, viver entre as pessoas de modo humano pressupõe a capcacidade de escapar do domínio da pura necessidade para um espaço que é qualitativamente diferente: o espaço da ação e do discurso, onde as pessoas realizam suas capacidades para falar e agir, expondo assim a pluralidade humana. É na experiêcia da pluralidade e diversidade, onde se produz consenso, que funda-se o significado da esfera pública para Arendt. Assim, a esfera pública estabelece as fronteiras que tanto ligam com separam as pessoas.
Para Maffesoli, a socialidade enraíza-se no conceito durkheimniano de “divino social”. Este encontra sua sacralidade nos próprios laços sociais e não num ser propriamente divino. Tais laços expressam uma característica antropológica que é “a incrível pulsão de se reunir, se encontrar, se dar ao outro”. Trata-se, pois, de um contágio social, de uma efervescência popular ou ainda de uma energia hedonista. É este divino social composto de múltiplas micro-experiências e de práticas
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compartilhadas que se constitui o grande reservatório do imaginário social, ou ainda, das formas ideológicas ou míticas.
Com base nas contribuições destes autores, sintetisamos que a vida cotidiana é o espaço onde a sociedade é ativamente produzida pela maioria das pessoas e reproduzida pelos mecanismos criados por esta mesma sociedade, entre eles o saber popular, a ciência, os meios de comunicação e as diversas instituições e formas de organização. Ou seja, a vida cotidiana é o lugar em que os atores sociais se fazem visíveis como sujeitos sociais: do trabalho ao bairro, da ciência ao jogo de futebol, das ‘associações de vala’ ao comitê da bacia.
A vida cotidiana é o espaço social, onde se dá a sociabilidade como forma convencionalmente instituída de estar em sociedade, de pertencer à sociedade determinada do ponto de vista formal; e da socialidade, como um modo difuso de estar-junto, marcado pelo envolvimento direto, pela participação, pelo agir-junto. (Mafessoli, 1986).
Ambos os conceitos poderão ficar mais claros se tomarmos a diferenciação empreendida por Lucien Sfez (1988) entre representação e expressão. Na representação há um distanciamento entre homem e objeto, as categorias dispoem- se separadamente como realidades próprias ou unidades discretas. Entre elas se dá uma forma de comunicação em que não há envolvimento, interpenetração e, portanto, não ocorre perda ou mudança do estado ou qualidade de cada uma. Na expressão, há um contexto expressivo entre as partes, de tal forma que homem e objeto formam um todo só, integrado, interdependente.
Aplicada a diferenciação, para o campo das formas do estar em sociedade, a sociabilidade estaria para a representação como a socialidade para a expressão. Tomemos o exemplo de uma assembléia do Comitê do Itajaí. O agricultor pode receber as informações desta assembléia através do sindicato rural de sua cidade, de outros agricultores que participaram da mesma, ou ainda através dos meios de comunicação local (rádio, TV, jornal). Ou, ele poderá participar de forma ativa desta assembléia, estando presente no ambiente físico onde ela estiver acontecento.
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No primeiro caso, sua socialização estará ocorrendo de forma representada e imaginária. Quando ele está presente na assembléia, a relação é outra. Falamos aqui de socialidade. Sua participação é direta e emocionalmente contaminada pela co-participação de outros e pela relação direta com o evento. Temos aqui a socialização baseada na expressão. Estas duas formas de estar em sociedade, sociabilidade (participação mediada) e socialidade (participação direta), contribuirão de formas distintas para a produção das representações.
Assim, a comunicação social, sob seus aspectos interindividuais, institucionais e midiáticos, aparece como condição de possibilidade para a pesquisa socioambiental e de determinação nas representações sociais. Ela desempenha um papel fundamental nas trocas e interações que concorrem para a criação de um universo consensual (Jodelet, 2001).
Neste sentido, o estudo da recepção tem possibilitado grandes avanços na identificação dos efeitos da comunicação. O conceito de recepção, nas razões de seu uso em comunicação, remete-nos a outros conceitos, como audiência, público, consumidor, ouvinte, opinião publica. Ele nos reporta ainda a áreas disciplinares como a sociologia, a psicologia, a política, o jornalismo, o marketing e a publicidade. São usos semânticos diversos, mas com um pressuposto comum: buscar na recepção o impacto social da emissão (Sousa, 1997, p. 278).
A conjunção entre emissor-mensagem-canal-receptor é forte, mas a relação do emissor sobre o receptor é determinante no processo das mediações sociais. Por conta desta complexa correlação entre emissor e receptor, os processos de comunicação interindividuais, institucionais e midiáticos têm sido um objeto de investigação para diversas áreas do conhecimento. “Em sociedades cada vez mais complexas, onde a comunicação cotidiana é em grande parte mediada pelos canais de comunicação de massa, representações e símbolos tornam-se a própria substância sobre as quais ações são definidas e o poder é – ou não – exercido” (Guareschi & Jovchelovitch, 1998, p. 20).
Para entender o papel conflituoso dos meios de comunicação social na formulação dos problemas e questões ambientais é preciso entender o processo
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geral através do qual os meios de comunicação manufaturam as notícias e apresentam questões e acontecimentos com significados simbólicos. Neste caso, a objetividade dos fatos dá lugar à concepção de notícia como uma realidade construída.
Outra constatação é que na passagem dos problemas ambientais de condições para assuntos, e depois para condicionantes da elaboração de políticas, a visibilidade mediática é crucial. Sem a cobertura dos meios de comunicação é pouco provável que problemas ambientais entrem na área do discurso público ou venham a fazer parte do processo político. De fato, muitos de nós dependemos dos meios de comunicação para que o dilúvio diário completamente confuso de informações sobre os riscos ambientais, por exemplo, faça sentido.
Em que pese o caráter multissetorial ou transetorial das questões ambientais (Viola & Boeira), estas não tem compartilhado de boa sintonia com os meios de comunicação social. De acordo com Gonçalves (1984, p. 19), Um outro exemplo é que na Agenda 21 Brasileira - um extenso documento elaborado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional, criada na ECO- 92 -, não há um capítulo sequer sobre o papel dos meios de comunicação na implementação de suas diretrizes.