Chapter 1 Introduction
1.1 Motivation
A produção mundial de carne suína (84,5 milhões de toneladas em 2001) vem crescendo rapidamente na década de 90, puxada sobretudo pela expansão do consumo nos países desenvolvidos. Mais recentemente os problemas sanitários na carne bovina européia desviaram consumidores para a suína. A abertura comercial na China e o rápido crescimento da demanda no Japão deram uma nova dinâmica às transações internacionais. Além disso, a desarticulação da produção russa tem contribuído para o crescimento do mercado brasileiro. Têm influência, neste novo
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panorama, as mudanças na política agrícola européia e a implantação do Mercosul. Com isso, as perspectivas são de continuidade na expansão dos negócios, com a carne suína permanecendo a mais consumida no mundo.
Neste contexto, a produção brasileira em equivalente de carcaças vem crescendo, nos anos 90, a taxas mais altas. O aumento do consumo interno, a ampliação das exportações e a rápida mudança do perfil tecnológico explicam a expansão. Teve um bom crescimento em 1998, uma estabilidade nos anos seguintes e deve crescer forte em 2001. Os cenários alternativos indicam crescimento do mercado interno, sobretudo para cortes in natura. A abertura comercial brasileira expôs a atividade à competitividade internacional. Mesmo assim, cresceram as possibilidades de aumento das exportações.
O rebanho brasileiro projetado a partir dos dados censitários de 1996 está avaliado entre 27,8 e 29,0 milhões de cabeças e sua produção atual entre 29 e 31 milhões de cabeça. Desses totais, 67,3% e 74,7% representam o rebanho e a produção industrial, respectivamente. A produtividade, no geral, configura-se como muito baixa (terminados/matriz/ano abaixo de 9,0 e uma taxa de abate que se aproxima dos 100%). A produtividade do Sul do País, onde se concentra mais de 60% da produção, é mais do que o dobro da nacional. Em outras regiões (Centro- Oeste e Sudeste), existem plantéis de alta produtividade, que estão contribuindo, nos anos recentes, para a rápida elevação da produtividade brasileira.
Estes dados permitem que se projete para 2001 uma expansão da produção de até 7,6%, devendo situar-se ao redor de 2,23 milhões de toneladas. O amadurecimento dos investimentos feitos no Centro-Oeste e o crescimento da produtividade no Sul explicam grande parte desta expansão. Por outro lado, os principais agentes apostam no aumento da produção e na recuperação da rentabilidade dos negócios, seja pela redução dos custos de produção, seja pela recuperação dos preços internos. Também apostam na continuidade do crescimento das exportações e na recuperação do consumo interno, no primeiro caso pela redução das barreiras sanitárias e, no segundo, pela possibilidade da economia brasileira continuar crescendo.
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As vendas no mercado interno, em 2001, devem apresentar recuperação de 5,7% em relação a 2000. Estima-se que ultrapassem os 2 milhões de toneladas, superando o volume recorde de 1999. Dois componentes explicam este aumento: no primeiro caso, crescimento de 2,9% no consumo per capita, como resultado da campanha de estímulo ao consumo e do aumento da massa salarial no país; no segundo caso, a influência será determinada pela crescente segmentação do mercado e pelo crescimento da população.
Devido à gradativa eliminação das barreiras sanitárias, as exportações devem permanecer crescentes. Apesar dessa expectativa, os negócios ainda ficarão atrelados aos tradicionais clientes, Hong Kong e Argentina. Aposta-se no crescimento das vendas para a Rússia e na conquista de novos mercados. O Japão e a União Européia continuarão mercados de acesso difícil. No caso da União Européia, a Rússia será a porta de entrada, porém as barreiras protecionistas devem dificultar o crescimento dos negócios. No caso do Japão, as tratativas serão para que aceite a eliminação das barreiras sanitárias por estado ou região. Diante deste panorama, os exportadores apostam que as vendas tendem a atingir um volume ao redor de 160 mil toneladas, com uma receita cambial acima de US$200 milhões.
A suinocultura catarinense é internacionalmente competitiva. Tanto no campo como na indústria, possui os melhores índices de produtividade do País. Seus coeficientes técnicos são semelhantes e até superiores aos dos europeus e americanos. Com um desfrute de aproximadamente 170%, produz pouco mais de 660 mil toneladas anualmente, que representam 30% da produção nacional e 0,7% da produção mundial. Contudo, barreiras sanitárias e os subsídios nos países concorrentes, dificultam uma maior presença no mercado internacional.
O rebanho geral vem crescendo proporcionalmente menos do que o efetivo industrial, ampliando-se a importância da suinocultura empresarial, seja através dos investimentos das grandes empresas, seja pelo surgimento de pequenos negócios de industrialização. A produção mais especializada representa mais de 80% do total da produção estadual. Também, o plantel de matrizes com performance técnica reconhecida representa mais de 80% do total de fêmeas alojadas. A evolução tecnológica da suinocultura catarinense, sobretudo nos últimos 5 anos, consolidou
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sua competitividade, com destaque para nascidos e terminados por matriz/ano, aumento da oferta de carne magra e a melhoria sanitária dos plantéis.
Com pouco mais de 16% do rebanho nacional (4,5 milhões de cabeças), produz mais de um terço dos abates totais (7,8 milhões de cabeças em 2000). Com apenas 19% do rebanho industrial (3,4 milhões de cabeças), detém o controle de quase 40% dos abates inspecionados do País. Dos abates totais, 82% originam-se nos sistemas integrados. Dos abates inspecionados, 90% dos suínos têm origem na integração. A região Oeste do estado concentra 70% do rebanho e 90% da produção.
Anualmente, novas tecnologias são incorporadas ao processo produtivo, em instalações, equipamentos e manejo, com especial destaque para a sanidade animal, a melhoria genética dos plantéis e a qualidade da carne. A evolução dos índices de produtividade do rebanho suíno industrial, entre dois períodos censitários, comprova esta característica gerencial. Vale destacar que os últimos cinco anos intensificaram-se os ganhos de produtividade e o grau de especialização dos criadores.
A produção na indústria sofre um processo de diversificação em produtos e mercados. O mercado de suínos está concentrado em cinco grandes empresas, todas com matriz em Santa Catarina. Essas empresas detêm mais de 60% dos abates e de 70% dos negócios suinícolas do país.
A suinocultura catarinense vem passando por um processo de concentração em número de produtores e em espaço geográfico, implicando exclusão de produtores familiares de pequena escala, que não encontram alternativas econômicas. Há uma forte concentração do rebanho e da produção no Oeste e no Sul do estado e uma tendência de queda nas demais regiões. O Sul catarinense possui índices de produtividade superiores aos da principal região produtora (Oeste).
A concentração também decorre do fato que as margens de lucratividade são muito estreitas, havendo necessidade de escalas de produção cada vez maiores. Nos últimos cinco anos as melhores margens foram nos anos 95 e 97. Nestes dois anos, a oferta mais equilibrada com a demanda, o acirramento da concorrência na
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aquisição da matéria-prima e os preços mais baixos dos insumos sustentaram um resultado positivo para os suinocultores. Nos anos de 1999 e 2000, a combinação de oferta levemente superior a demanda, e o encarecimento dos preços do milho, estreitou novamente as margens de lucratividade, com muitos criadores operando boa parte do ano no vermelho.
Essa realidade tem provocado a exclusão de elevado número de pequenos produtores familiares. Esta exclusão ocorre quando os níveis de produtividade e o volume de produção tornam-se insuficientes para garantir uma renda familiar mínima. Em 1985, 54,2 mil produtores tinham na suinocultura sua principal atividade econômica; em 1996, o número tinha caído para 24,4 mil produtores. Estima-se que atualmente pouco mais de 15,3 mil criadores estejam no mercado. Desses, 11,3 mil estão integrados e 4 mil independentes.
Apesar do processo de concentração ser justificável economicamente, a realidade edafo-climática, sócioeconomica e de estrutura agrária de Santa Catarina coloca limites a esta máxima. A degradação ambiental que a concentração causa já afetou a qualidade da água em muitas microbacias hidrográficas e pode comprometer a competitividade futura da atividade. Pouco tem sido investido na introdução de tecnologias de aproveitamento dos dejetos.
Figura 9 - Criação de suínos no Alto Vale do Itajaí.
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