• Aucun résultat trouvé

RAD51 PARALOGUES

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 98-110)

Review: "RAD51 mediators

RAD51 PARALOGUES

Como visto, a atual gestão da Prefeitura de Fortaleza acredita que dotar a cidade de um plano de longo de prazo, que indique uma visão de futuro e que aponte estratégias para superar desafios, a partir de ações, metas, resultados e responsabilidades detalhados, com base na governança (participação e controle social), é uma condição essencial de planejamento para transformar Fortaleza em uma das melhores cidades do Brasil para viver.

E para tanto, após três anos de estudos e pesquisas e ampla participação da sociedade, o Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), em parceria com a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC/UFC), entregam aos fortalezenses o Plano Fortaleza 2040. A formulação do FOR2040 teve início com a composição de uma equipe multidisciplinar, dividida em três equipes: urbanismo e mobilidade; social e econômica e de mobilização e participação social, que elaborou um Plano de Trabalho, definindo as bases metodológicas e os instrumentos de coleta de dados.

A elaboração do FOR2040 contou com três fases: Fase I – A fortaleza que temos, Fase II – A fortaleza que queremos e Fase III – Planos estratégicos e setoriais. Na fase I foi realizado o diagnóstico da cidade, uma ampla pesquisa para identificar e interpretar a formação do tecido urbano, o mosaico de subculturas, relações e redes

sociais, mapas, limites e demarcações urbanas, bases naturais e ambientais, cadeias produtivas, polaridades metropolitanas, dinâmica populacional, dentre outros estudos temáticos e setoriais.

Durante a primeira fase de elaboração do plano houve a divulgação, a sensibilização e o diálogo com diversos segmentos. A estratégia usada para a escuta da sociedade foi baseada na formação de equipes de mobilização de cada uma das sete regionais, que durante quatro meses, bairro a bairro, identificando organizações e lideranças, a participarem das reuniões de apresentação do plano pela equipe do Iplanfor. Nas reuniões a comunidade eram orientadas por dois instrumentos a revista “Iniciando o diálogo” e cadernos de trabalhos, com questões específicas para propiciar o diagnóstico da cidade.

Os cadernos de trabalho foram divididos em três setores, bairros, núcleos setoriais e políticas públicas. O caderno dos bairros, respondido pelas comunidades locais, eram compostos das seguintes questões:

Como se encontra a sua infraestrutura para moradia e mobilidade? (Acesso à água potável, energia elétrica, coleta de lixo, coleta de esgotos, pavimentação, transporte, habitação); Como se dá o acesso aos serviços básicos? (Escolas, equipamentos de saúde, esporte, assistência social, equipamentos culturais); Como se dá a integração social no bairro? (Vida cultural, espaços de lazer e encontros – praças, parques, equipamentos culturais –, conflitos, segurança pública); Como é a economia no bairro? (Oportunidades de trabalho, emprego, renda e empreendedorismo) (FORTALEZA, 2016a, p.26).

Os núcleos setoriais foram respondidas por participantes de instituições organizadas, compostas por várias da sociedade civil (conselhos profissionais, universidades, sindicatos, associações, paraestatais e Organizações não- governamentais. Eram questões do caderno de núcleos setoriais:

Que oportunidades, vantagens ou pontos fortes, ameaças, problemas ou pontos fracos a cidade de Fortaleza vem apresentando para o cumprimento da missão e desenvolvimento da organização respondente? Que potenciais da cidade deveriam ser mais bem explorados ou desenvolvidos (definindo potencial como as forças existentes ou latentes)? Como a organização qualifica a mobilidade urbana em Fortaleza? (FORTALEZA, 2016a, p.26). Os núcleos governamentais foram compostos por representantes do executivo das três esferas de governo, para responderem questões acerca da formulação, implementações e impactos das políticas públicas executadas em Fortaleza, além da identificação, por ordem de prioridade, dos principais desafios e

problemas da cidade a serem tratados pelo Plano Fortaleza.

Como produto desse amplo diagnóstico foram publicados três documentos: “Fortaleza Hoje”, diagnóstico sintético sobre a cidade de Fortaleza; A revista “O Olhar dos Moradores”, que sistematiza a visão e as contribuições dos grupos territoriais e a revista “Padrões de Urbanização”, que organizaram padrões urbanísticos a serem adotados pelo Plano44.

Finalizada a fase de diagnóstico, tem início a fase II, focada em desenvolver uma visão de futuro da cidade. O ponto de partida foram os desafios encontrados a partir dos estudos temáticos e setoriais e dos levantamentos realizados. Os principais desafios do plano perpassam questões políticas, institucionais e sociais, que impactam diretamente a execução do planos contidos no FOR2040.

Outro fator desafiador é padrão institucional da administração pública nacional, marcado por uma visão de curto prazo, comprometendo o planejamento estratégico de médio e longo prazo e a prevalência de interesses partidários de grupos políticos no poder. O que favorece o aparecimento de outro desafio: o descrédito do poder político, que por sua vez corrobora com o a não participação e o esvaziamento da arena política. As fragilidades do atual modelo de gestão, a despolitização da sociedade, a constante descontinuidade de ações e projetos públicos, a desigualdade socioeconômica e cultural, são questões que compõem o ambiente no qual pretende- se implantar o Plano Fortaleza 2040.

Além desses obstáculos no ambiente político, institucional e social, o plano elenca os dez principais desafios para a realização da visão de futuro projetada: reduzir a habitabilidade precária; reduzir a pobreza e a desigualdade social; melhorar a saúde pública; reduzir os altos índices de violência; diminuir a quantidade de jovens que nem trabalham e nem estudam; enfrentar o atraso educacional e ampliar a qualificação profissional; baixa competitividade; deter a degradação ambiental; diminuir a dependência e limitações fiscais e articular a região metropolitana.

Dos desafios identificados surgem trinta e dois planos setoriais, entre sete eixos estratégicos, contento ações, metas, prazos, indicadores e resultados esperados, que foram desenhados na terceira fase do plano “planos estratégicos e setoriais” formando então, a estrutura geral do FOR2040. O eixo estratégico “Equidade territorial, social e econômica” prioriza os princípios de direito à vida, direito

à cidade e direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O eixo possui os seguintes planos de ação: Plano Local de Habitação de Interesse Social; Regularização fundiária; Segurança Cidadã; Inclusão produtiva, empreendedorismo, emprego e renda.

O segundo eixo estratégico “Cidade conectada, acessível e justa” concentra ações de reorganização urbana de Fortaleza, a partir do Plano Mestre Urbanístico e Mobilidade e do Plano de Mobilidade e Acessibilidade Urbana. Os objetivos do plano visam conectar a cidade através da organização policêntrica, da criação de espaços públicos, equipados, seguros e integradores, de corredores de urbanização interligados por transportes públicos multimodais e de qualidade.

No terceiro eixo “Vida comunitária acolhimento e bem-estar” tem como objetivos estratégicos a promoção de uma comunidade acolhedora, inclusiva com valorização e respeito à diversidade e comunidades saudáveis com saúde, esporte, lazer e educação alimentar. A operacionalização desses objetivos, que levaram acabo a execução dos três eixos antes mencionado, serão desenvolvidos pelo planos da saúde, esporte e lazer; assistência social; direitos da criança e do adolescente; juventude; direito dos idosos; pessoas com deficiência; direitos da mulher; direitos de LGBT; Igualdade Racial e Segurança Alimentar.

O “Desenvolvimento da cultura e do conhecimento” será tratado no quarto eixo, que contempla a ampliação e melhoria da educação, aumento da qualificação do trabalhador, desenvolvimento científico e tecnológico, e desenvolvimento cultural. A intenção do eixo é o desenvolvimento humano, a democratização de oportunidades sociais e econômicas e fomentando inovações no setor produtivo. São planos desse eixo: educação pública; cultura e patrimônio e ciência, tecnologia e inovação.

O quinto eixo traz objetivos de recuperação e conservação dos recursos naturais e da qualidade do ambiente natural, energia limpa e renovável, saneamento básico e segurança hídrica. O eixo de “Qualidade do meio ambiente e dos recursos naturais” é composto pelos planos de meio ambiente, energia e segurança hídrica.

A “Dinamização econômica e inclusão produtiva”, o sexto eixo, está organizada nos planos setoriais de agricultura urbana; confecção; construção civil; economia criativa; economia do mar; serviços avançados e novas indústrias; tecnologia da informação e comunicação e turismo. A “governança municipal” é tratada no sétimo eixo estratégico da seguinte forma:

[…] A governança municipal, entendida como a capacidade dos governos municipais, sociedade civil e comunidade, planejarem e executarem políticas, programas e projetos de forma eficiente (com o menor custo), eficaz (máxima implementação das medidas e política definidas) e efetiva (alcance dos resultados finalísticos na realidade) constitui um componente central para a implementação de uma estratégia de desenvolvimento. Este eixo, desdobrado em dois objetivos estratégicos, é o que assegura a execução dos outros eixos estratégicos e os seus resultados no desenvolvimento da Cidade (FORTALEZA, 2016a, p. 181).

O plano de desenvolvimento da gestão pública municipal e o plano de participação e controle social na gestão pública municipal, fazem parte deste importante eixo, pois tratará da concepção do sistema de governança do Plano Fortaleza 2040, que visa garantir a participação cidadã e o controle social efetivo nas decisões sobre a cidade proposta no plano. O formato organizacional do sistema de governança que tem a missão de acompanhar e articular os projetos e planos de governo, coordenar o processo participativo de atualizações e ajustes do plano.

O sistema de governança é composto por instâncias com atribuições específicas, encabeçadas pelo Iplanfor, autarquia municipal responsável pela gestão do Fortaleza 2040. Também fazem parte do modelo de governança o Conselho da cidade, o comitê gestor do plano, as câmaras setoriais, as comissões temáticas, núcleos de gestão de projetos e o observatório da cidade e o conselho do Fortaleza 2040 (FIGURA 10).

Figura 10 – Atribuições de cada instância da estrutura organizacional do sistema de governança.

Fonte: Fortaleza (2016a)

As câmaras setoriais têm um papel relevante no monitoramento e integração dos planos de ação, no ambiente interno do executivo municipal (FIGURA 10). É através das câmaras setoriais que os gestores e técnicos de cada órgão da administração acompanhará o desenvolvimento dos planos. As câmaras serão articuladas pelo Iplanfor e trabalharam em conjunto com os órgão gestores das políticas públicas relacionadas.

Está presente nas câmaras a transversalidade e integração dos planos de ação, por exemplo, no eixo de “Vida comunitária acolhimento e bem-estar” estão articulados onze planos entre si e entre os demais eixos: saúde, esporte e lazer, assistência social, direitos da criança e do adolescente, juventude, direito dos idosos, pessoas com deficiência, direitos da mulher, direitos LGBT, igualdade racial e segurança alimentar. Para o acompanhamento da execução desses planos foram formadas quatro câmaras setoriais: saúde, assistência social e segurança alimentar, esporte e lazer e direitos humanos.

manutenção e continuidade das estratégias e diretrizes contidas no plano. Para tanto, mitigar o risco de descontinuidade do planejado é uma das tarefas do sistema de governança, que além de assegurar a continuidade dos planos nas futuras gestões, agregará, disseminará e incentivará o envolvimento dos atores sociais no desdobramento do plano nas próximas décadas.

O Plano Fortaleza 2040 compreende em sua essência uma quebra de paradigma em gestão pública, que não parte do tradicional pressuposto do imediatismo das soluções de curto prazo. Longe disso, o plano alcança a visão de futuro, projetando seus diagnósticos, proposições e ações para transformar de fato a nossa cidade na Fortaleza que queremos.

É fundamental considerar a abrangência de todo o trabalho e ainda seu momento atual de efetivamente aprimorar e acompanhar esse caminho, sem perder de vista a concretude dos resultados que se pretende alcançar, em face ao relevante projeto de planejamento público em construção. De toda forma, é ciente que o FOR2040 não está “pronto e acabado”, como também não se espera que traga consigo as soluções para todos os males à cidade de Fortaleza.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 98-110)