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les racines n-ièmes

Dans le document Outils mathématiques pour les sciences (Page 19-29)

Os factores de constelação familiar, como o número de filhos e o intervalo de tempo entre eles, induzirão supostamente diferentes experiências parentais o que, por sua vez, estará associado a ideias distintas. A grande variedade de variáveis, domínios e idades das crianças dificulta porém a retirada de conclusões mais definitivas. Alguns estudos apontam no sentido de uma diferenciação das ideias em função dos factores de constelação familiar. Por exemplo, Knight (1983) verificou que pais de famílias pequenas colocavam uma maior ênfase no factor hereditariedade como explicação para o desenvolvimento da criança do que pais de famílias grandes; McGillicuddy-DeLisi (1982b) e Sigel et ai. (1980), estudando as ideias parentais relativamente à forma como as crianças de três anos e meio e quatro anos e meio aprendem, verificaram que os pais com um único filho acreditavam mais na eficácia da transmissão directa da informação através da sua apresentação verbal, enquanto que os pais com três filhos acreditavam mais na capacidade de auto-regulação/impulsividade da criança como factor de aprendizagem (factores internos) e estavam mais cientes das diferenças inter-individuais. A variável espaço de tempo entre as idades dos filhos, quando cruzada com o nível social, dava igualmente origem a diferentes crenças parentais, diferenças estas em relação às quais a autora não avança hipóteses explicativas (McGillicuddy-DeLisi, 1982b).

Existe, porém, um número considerável de estudos que não encontra esta relação entre os factores de constelação familiar e as ideias parentais. Os investigadores do ETS atrás referidos verificaram que variáveis como o número de filhos, o espaço de tempo entre eles, a posição na fratria e o sexo da criança, não estavam associadas a qualquer relação consistente ou a qualquer avaliação das ideias. Brooks-Gunn (1985) relata a inexistência de diferenças nas ideias maternas relativas às características próprias de cada sexo, em função da posição na fratria e do número de filhos. Johnson e Martin (1985) e Martin e Johnson (1992) também não encontraram qualquer relação entre a variável "densidade de crianças" (razão entre número de filhos e espaço de tempo entre eles) e as ideias parentais. A relação entre o número de filhos e as ideias das mães acerca das suas capacidades específicas não foi observada por MacPhee (1981) com bebés, nem por Hunt e Paraskevoulos (1980).

A experiência parental foi operacionalizada por Palácios (1990) pela posição que a criança ocupa na fratria, verificando o autor que a relação com as ideias dependia do tipo de pais considerado. Assim, no caso dos pais modernos não existem diferenças em função da ordem na fratria; no caso dos pais tradicionais essas diferenças são pequenas; em relação aos pais paradoxais, observa-se que eles se encontram numa percentagem superior no grupo de

pais com dois e três filhos em relação ao grupo de pais que apenas tem um filho. A explicação oferecida por Palácios (1990) para este resultado prende-se com a origem das ideias parentais. No caso dos pais tradicionais as suas ideias são o resultado da influência de um background cultural bem definido, com fortes ligações à sua herança cultural; como tal, a existência ou não de uma experiência prévia com crianças não modifica grandemente as suas ideias - o seu conteúdo já está estruturado e é rapidamente assimilado pelos indivíduos. No caso dos pais modernos, as suas ideias emergem de um sistema cognitivo, activo e reflexivo, que actua como filtro selectivo do conhecimento actualizado; a existência ou não de experiência prévia também não intervém na diferenciação das ideias. Os pais paradoxais são os que possuem uma herança cultural menos fortemente estabelecida, faltando-lhes um sistema de conhecimentos ou de aquisição destes que permita o acesso a novas ideias e à sua interrelação coerente. Dada a falta de um ponto de referência mais estável, a experiência prévia actua como um elemento que contribui para a configuração das suas ideias.

Os estudos sobre a associação entre variáveis da constelação familiar e ideias parentais não são portanto conclusivos, dada a grande dispersão da investigação. Porém, as pesquisas de Palácios levam-nos a supor que esta relação não se processa da mesma maneira para todos os pais. Daí a necessidade da investigação se direccionar para as variáveis específicas dos pais que estarão relacionadas com a existência ou não daquela relação.

3.4. Características dos pais

Serão as ideias parentais influenciadas pelas características inerentes aos pais enquanto indivíduos? Alguns estudos referem a inteligência, a personalidade, a idade e o sexo dos pais como possíveis factores determinantes.

Tal como já foi referido atrás, o grau de complexidade das ideias parentais relaciona- se com o nível intelectual dos pais. Os pais com nível intelectual mais baixo tendem a apresentar explicações para o comportamento das crianças baseadas em influências concretas e unidimensionais e sem considerarem os factores antecedentes e consequentes desse comportamento. Pelo contrário, os pais com nível intelectual mais elevado tendem a fazer referência a causas complexas e interactivas para explicar os comportamentos das crianças (Sameroff & Feil, 1985). Schaefer e Edgerton (1985) referem igualmente uma associação

entre modernidade parental e funcionamento intelectual.

Em relação às características de personalidade, os estudos são escassos. Será porém de referir Schaefer & Edgerton (1985) que apresentam valores de correlação (baixos) entre o seu constructo de modernidade parental e medidas de autoritarismo, neuroticismo e até saúde mental dos pais e, ainda Pratt et ai. (1993) que encontraram uma relação entre ideias menos diferenciadas (na perspectiva de Sameroff & Feil, 1985) e valores de autoritarismo. Será de esperar de facto que surja alguma sobreposição entre traços de personalidade relacionados com questões de autoridade e flexibilidade e formas de pensar acerca das crianças e da sua educação, nos estudos que se debrucem sobre esta temática.

A idade das mães surge como um factor que contribui para a diferenciação das crenças parentais no estudo de McGillicuddy-DeLisi (1982a), da seguinte forma: mães mais jovens tendem a apresentar ideias mais construtivistas (ou seja, a criança como sendo capaz de intervir activamente na construção do seu conhecimento) do que as mães mais velhas, não tendo sido esta relação encontrada na amostra de pais. Mais uma vez, o escasso número de estudos não permite fazer afirmações mais conclusivas.

Relativamente à variável sexo dos pais, pelo contrário, o número de estudos não se pode considerar escasso. Por um lado, será de esperar que pais e mães apresentem ideias diferentes, não apenas como resultado do seu próprio processo de socialização, mas também porque a sua experiência como pais é muito diferente (Murphey, 1992). Por outro lado, a sua pertença a um mesmo grupo cultural, bem como a afinidade afectiva intra-casal, leva a crer que haja alguma partilha de valores e de significados. Block, Block e Morrison (1981) chamam a atenção para as consequências negativas da discordância parental, na medida em que esta aparece relacionada com um baixo nível de auto-controlo nos rapazes. Porém, de uma maneira geral, os estudos apontam para correlações significativas entre as ideias dos pais e das mães (Block, Block & Morrison, 1981; McGillicuddy-DeLisi, 1982b, 1985; Sigel, 1986; Sigel et ai., 1980). As diferenças observadas constituem mais uma excepção do que uma regra e reportar-se-ão mais a aspectos específicos do que a ideias gerais de carácter mais teórico; quanto maior o grau de especificidade da ideia, maior a probabilidade de surgirem diferenças, e assim, os estudos que se debruçam sobre ideias relativas a tarefas parentais específicas são mais susceptíveis de demonstrar os efeitos da experiência parental (Clarke- Stewart, 1978; Holden, 1988; Knight, 1981; Miller, White & Delgado, 1980; Russell & Russell, 1982).

Os pais parecem utilizar mais as inferências extraídas das suas observações do que as mães (McGillicuddy-DeLisi, 1982a, 1985; Sigel et ai., 1980). Na investigação levada a cabo por estes autores é salientada a diferença no padrão de relacionamento das variáveis entre pais e mães: os pais apresentam comportamentos coerentes com as suas ideias, mas que não se relacionam com o nível de desenvolvimento das crianças, enquanto que as mães não apresentam comportamentos coerentes com as suas ideias, mas aqueles relacionam-se com o nível de desenvolvimento da criança. O que de facto é comum a pais e mães é a relação entre ideias e nível de desenvolvimento da criança e entre ideias e nível educativo dos pais e das mães. As acções dos pais parecem ser mais baseadas nas suas ideias, talvez porque a experiência que têm com crianças não é suficiente para servir de base às suas acções. Pelo contrário, as mães parecem agir de forma diferente daquela que pensam, porque a sua experiência as ajuda a orientar a sua acção de forma eficaz (eficaz no sentido de haver relação com os resultados da criança).

Knight (1981, 1983, 1985) explorou as diferenças nas ideias dos pais e das mães em relação a vários tópicos: hereditariedade/meio, influência percebida em relação a vários aspectos e estabilidade dos comportamentos e atributos da criança. Em geral, mães e pais deram respostas semelhantes, com uma excepção: as mães apercebem-se como mais influentes do que os pais na área social do desenvolvimento da criança (Goodnow et ai.,

1986), enquanto que na área cognitiva não há diferenças (Knight, 1983). Este dado é também referido por Russell e Russell (1982). Dix et ai. (1986) não verificaram diferenças entre pais e mães nas atribuições feitas para os comportamentos inadequados e altruístas de crianças de quatro, oito e doze anos.

Palácios (1990) verificou que, quando um elemento do casal era moderno, o outro tendia também a sê-lo, com mais frequência do que nos outros dois tipos de pais. Pode-se assim afirmar que há menos casamentos "mistos" se um dos esposos for moderno; se for tradicional ou paradoxal, o outro terá igual probabilidade de ser ou não do mesmo tipo.

Bacon e Ashmore (1982) observaram as mesmas categorias de resposta nos pais e nas mães de crianças entre os seis e os 11 anos, mas concluem que as mães avaliam os comportamentos das crianças de uma forma mais extrema, o que os autores explicam pela maior responsabilidade que as mães sentem na educação dos seus filhos por comparação com os pais. Os mesmos autores em estudo posterior (Bacon & Ashmore, 1986) ao pedirem a pais e mães para descreverem os seus filhos, observaram que as mães produziam descrições mais

extensivas do que os pais.

Em resumo, a investigação realizada sobre as características parentais - nível intelectual, personalidade, idade e sexo - não sendo muito numerosa, de uma maneira geral parece não ter atingido ainda um patamar que permita retirar conclusões com segurança.

3.5. Características das crianças

Algumas ideias parentais parecem ser influenciadas pelas características das crianças, tais como sexo, idade e temperamento.

A maior parte dos estudos aponta para uma diferenciação das ideias parentais, em função da variável sexo, sendo raras as excepções (cf. Knight, 1983). Brooks-Gunn (1985) verificou que as mães dos rapazes apresentavam ideias mais tipificadas para os itens masculinos em ambas as idades do que as mães das raparigas. Num estudo sobre as atribuições das mães no domínio da realização na matemática em função do sexo das crianças, Holloway e Hess (1985) verificaram que as mães atribuíam o sucesso das suas filhas na matemática em primeiro lugar ao treino e em segundo lugar ao esforço próprio, enquanto que o sucesso dos filhos era atribuído em primeiro lugar à sua capacidade e só depois ao treino. Em relação ao insucesso, ele é atribuído no caso da rapariga à falta de capacidade e à falta de esforço, enquanto que os rapazes é atribuído à falta de esforço e à falta de treino. O sucesso na matemática pelos rapazes é assim sentido de forma mais positiva pelas mães, com mais orgulho e satisfação. A maior restrição a que as raparigas em geral são submetidas em termos educativos revela-se também nas ideias relativas à aprendizagem, ou seja, as mães consideram que as suas filhas aprendem com base na instrução directa, associação, reforço, imitação e exploração, enquanto que as mães dos rapazes acham que eles aprendem essencialmente através da descoberta, auto-regulação e experimentação (Martin & Johnson, 1992).

No domínio social, os resultados das investigações parecem também apontar no sentido de atitudes mais restritivas e menos positivas em relação aos comportamentos das raparigas. Mills e Rubin (1992), por exemplo, verificaram que dos quatro para os seis anos da criança, as mães assumem uma atitude mais negativa face ao comportamento agressivo nas raparigas e menos negativa quando este comportamento é apresentado pelo rapaz, sendo mais

tolerantes para com estes na medida em que consideram o seu comportamento menos discrepante em relação à norma; Gretarsson e Gelfand (1988) verificaram que o comportamento pró-social das raparigas, ao contrário dos rapazes, era atribuido a factores inatos, ou seja, espera-se que naturalmente as raparigas estejam vocacionadas para assumir atitudes de altruísmo sempre em benefício dos outros.

Quanto à idade da criança, Brooks-Gunn (1985) ao comparar as ideias das mães de crianças de 24/36 meses e de oito/nove anos, verificou que a tipificação sexual é superior nas crianças mais velhas (50% versus 25% nas mais novas), indicando a estruturação crescente de comportamentos e percepções ao longo da idade. Os pais percebem a sua capacidade de influência sobre os seus filhos como decrescendo à medida que as crianças crescem (Knight, 1981; Newson & Newson, 1976). Por outro lado, a percepção da influência é superior numas áreas em relação a outras - os pais vêem-se como mais influentes na área social do que na área cognitiva (Goodnow et ai., 1986).

Os pais das crianças mais velhas apresentam mais frequentemente explicações inatistas para as diferenças de inteligência do que os pais das crianças mais novas (Knight,

1981, 1983). Da mesma forma, quanto mais velha é a criança, menor é a tendência dos pais para atribuirem o seu comportamento inadequado à idade (Mills & Rubin, 1992) e a causas externas (Dix & Grusec, 1985; Dix et ai., 1986; Gretarsson & Gelfand, 1988). Estes últimos autores verificaram que a causa principal dada pelos pais para o comportamento inadequado das crianças variava consoante a idade destas: quando as crianças tinham quatro anos os pais escolhiam as disposições de personalidade e os factores externos em igual proporção, enquanto que aos oito e aos 12 anos as disposições de personalidade para os mesmos comportamentos são a causa mais escolhida. Os estados internos temporários foram escolhidos igualmente nas três idades (Dix et ai, 1986). A maior tendência para fazer atribuições disposicionais era acompanhada da atribuição de maior intencionalidade, do assumir que a criança compreende que o seu comportamento inadequado estava errado (conhecimento) e de um sentimento de maior aborrecimento. As características das crianças mais velhas aparecem aos olhos dos pais com um carácter mais definitivo, menos mutável, mais integrado na personalidade da criança. Ao longo do desenvolvimento desta, os pais vão mudando a sua percepção e as suas reacções afectivas face aos seus filhos, o que se deve a dois tipos de factores: por um lado, a observação que fazem da evolução da criança em termos de conhecimentos, capacidades e controlo do seu próprio comportamento e, por outro lado, as crenças, em parte culturalmente aprendidas acerca daquilo que é adequado a criança apresentar em cada idade (Goodnow et ai., 1984; Hess et ai,1980).

Porém, nem todas as inferências mudam com a idade da criança. Dix et ai. (1986) não encontraram diferenças nas atribuições de estabilidade ao longo do tempo e de generalidade de situação para situação, o que pode ter a ver com o carácter mais abstracto destas dimensões, menos ligadas às competências emergentes na criança.

Quanto ao temperamento das crianças, os estudos reportam-se ao grau de facilidade/dificuldade percepcionada pelas mães ao lidarem com os seus filhos. As crianças percepcionadas como mais difíceis recebem mais atribuições disposicionais (Gretarsson & Gelfand, 1988); os pais consideram que a dificuldade em lidar com as crianças se deve a características que são intrínsecas a essas crianças, o que pode ser em parte interpretado como o resultado dos mecanismos de defesa dos pais.

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