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3-Rôle dans les phénotypes d’hypermusculature

Apesar de não nos ser possível estabelecer medidas de conservação preventiva com respeito ao espaço de exposição definitivo podemos afirmar, desde já, que a capela de S. Vicente – como espaço de depósito –, não reúne as condições básicas e ideais à preservação da obra.

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Os poluentes podem também ter origem interna, podendo ser emitidos de materiais utilizados no interior da capela como: suportes de informação; adesivos e revestimentos; vidros; madeiras duras (ex.: carvalho), etc. IDEM. Ibidem, p. 29.

369

IDEM, Ibidem, p. 28.

370

BEGONHA, Arlindo Jorge Sá de – Meteorização do granito e deterioração da pedra em monumentos e

edifícios da cidade do Porto. Porto: FEUP Edições, 2001, p. 123.

371

MOREIRA, Patrícia R.; PINTADO, Manuela – A importância da vida no pó: aerobiologia na conservação preventiva. IX Jornadas da arte e ciência UCP. V Jornadas ARP. Homenagem a Luís Elias Casanovas. A

prática da conservação preventiva [Em linha]. Porto: Universidade Católica Portuguesa; CITAR - Centro de

Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes, 2014, p. 255-262. [Consult. 20 jun. 2015]. Disponível em WWW:

<http://artes.ucp.pt/citar/sites/all/sites/default/files/private/files/Edicoes/ix_jornadas_arte_ciencia_v_jornadas_ar p.pdf>.

114 Como vimos, a humidade é o principal fator de risco, o qual não deve ser descurado. Considerando que a imagem-relicário é uma obra compósita, constituída por têxteis, metais, papel, pintura, vidro e madeira recomenda-se – mais do que valores ideais de HR372 e ºC373 – evitar, a todo o custo, as flutuações bruscas e contantes destes parâmetros. Apesar dos principais danos em bens culturais ocorrerem em valores inferiores a 25 % e superiores a 75 % de humidade relativa, como defende Catarina Alarcão374, a estabilidade dos parâmetros ambientais é uma prioridade, devendo estes ser constantes e os mais adequados aos materiais, tanto orgânicos como inorgânicos, que compõem as obras. Por esta razão, a monitorização e controlo regular das condições ambientais deve ser considerada uma das principais medidas preventivas, devendo ser implementada uma política de controlo ambiental375. Como escreve Susana Paté, nesta são definidos: (…) os aparelhos a utilizar nas medições, a frequência da

sua calibragem e manutenção, a periodicidade das medições e os meios humanos incumbidos dessa tarefa376.

Como forma de minimizar os efeitos nefastos das variações ambientais na capela e considerando que – como espaço expositivo de outras obras –, a porta é mantida aberta para acesso dos visitantes há duas medidas principais que se podem ter em consideração com respeito à obra em estudo. A primeira consiste em vedar todas as entradas de ar em especial as janelas evitando, assim, as correntes de ar. Como mencionado acima, estas eram bastante acentuadas, principalmente nos meses de inverno. A segunda medida consiste na deslocação da urna-relicário377 para o interior da capela afastando-a o máximo possível da entrada. Como vimos, durante os meses de monitorização sentia-se na entrada da capela (ponto 3) uma maior flutuação de humidade relativa quer pela ligação com o claustro, como pela entrada e saída de visitantes. Recomenda-se igualmente a utilização de aquecedores e desumidificadores nos meses frios e chuvosos, caso se pretenda diminuir a HR, ou de recipientes com água nos meses mais secos e quentes, caso se deseje aumentá-la. Assim, sem grandes custos se obterá uma maior eficácia no controlo das flutuações ambientais.

372

Recomenda-se os valores entre os 45 e os 50 % com base na informação recolhida na publicação de Catarina Alarcão: madeira (50 %); metais (0-45 %); pintura e vidro (45-60 %), e têxteis (40-60 %). ALARCÃO, Catarina – Ob. cit., p. 26.

373

Recomenda-se os valores entre os 18 e os 19 ºC com base na informação recolhida na publicação de Catarina Alarcão: madeira (19-21 ºC); metais (15-20 ºC); pintura (18-22 ºC); vidro (18-20 ºC), e têxteis (18 ºC). IDEM,

Ibidem, p. 26.

374

IDEM, Ibidem, p. 27.

375

A curto prazo, esta política será igualmente favorável para as restantes peças existentes na capela.

376

Vd. PATÉ, Susana – A conservação preventiva no Museu Municipal de Faro - o passado, o presente e o futuro. MUSEAL - Revista do Museu Municipal de Faro. Faro. N.º 2 (jun. 2007), p. 127.

377

Tendo em conta que a imagem está localizada dentro da urna-relicário e que os valores ambientais entre o interior e o exterior da urna eram muito próximos, a correta preservação da urna irá, por conseguinte, incidir direta e favoravelmente na conservação da imagem.

115 No que concerne à contaminação ambiental, a entrada de poluentes gasosos e partículas sólidas (em suspensão) também pode ser evitada mediante o bloqueio de todas as entradas de ar vedando, sempre que possível, janelas e portas. Paralelamente, a manutenção cuidada e regular do espaço é uma medida essencial na prevenção do desenvolvimento de colonizações fúngicas, assim como de infestações, ao garantir, como explica Alarcão: (…) a eliminação de

cerca de 80% das pestes no interior do edifício378. Para o efeito, deve usar-se aspiradores com filtros que evitem a reposição de poeiras. Como medida preventiva aconselha-se, igualmente, a eliminação de todo o tipo de tapetes ou carpetes do pavimento.

A luz é um fator de peso na deterioração dos têxteis pelo fato de estes serem extremamente sensíveis à radiação ultravioleta. Apesar da radiação solar não incidir diretamente nas obras, o efeito da luz natural com respeito à conservação dos têxteis, em especial nos corantes e fibras, não deve ser negligenciado. Neste sentido recomenda-se a utilização de filtros de absorção ultravioleta nas janelas e, se possível, de cortinas que minimizem a entrada de luz natural. Em contrapartida, a iluminação artificial deve ser controlada (50 lux) e indireta379.

Apesar de a imagem-relicário estar localizada dentro da urna, a segurança das obras também deve ser tida em consideração como forma de evitar acidentes380, assim como atos de furto ou vandalismo. Por conseguinte, seria importante educar os funcionários quanto a estes riscos, assim como quanto aos malefícios das condições ambientais (iluminação, temperatura e humidade), e da importância de uma monitorização e limpeza regulares para a preservação das obras. Seria igualmente importante sensibilizar os visitantes para a valorização das obras no contexto patrimonial português mediante placas ou folhetos informativos sobre as peças, integrando-as no museu da catedral. A sua musealização irá, por sua vez, fomentar a curiosidade e o interesse do público381, e contribuir para uma correta conservação das obras para o seu consequente usufruto pelas gerações presentes e futuras.

As medidas aqui apresentadas visam uma estratégia de mitigação face à capela de S. Vicente como local de depósito “temporário” porém, a prioridade deveria passar pela definição de um outro local que reúna as condições ideais para a acomodação permanente das imagens- relicário e sua preservação.

378

PATÉ, Susana – Ob. cit., p. 30.

379

Vd. SEELEY, Nigel J. – Ob. cit., p. 8-9. Vd. também LAFUENTE, Ana Cabrera – Ob. cit., p. 16.

380

Nos últimos dias de monitorização denotamos o destacamento de alguns ornatos volumétricos, bem como do levantamento pontual do douramento da urna que, meses antes, não eram visíveis.

381

Durante a monitorização foi bastante evidente a falta de interesse dos visitantes por estas peças, sendo que muitos deles passavam perto das obras sem sequer repararem nelas.

116 4. Isolamento e caracterização do microbioma

4.1. Objetivos

Antes da desinfestação e desinfeção de que foi alvo a peça procedemos à recolha de amostras382 com vista à análise microbiológica da imagem-relicário383, com respeito ao isolamento, caracterização e identificação dos micro-organismos – fungos filamentosos, leveduras e bactérias (aeróbias e anaeróbias). Pretendeu-se, com este estudo, determinar a magnitude da presença microbiana através da identificação das estirpes fúngicas e bacterianas, assim como determinar a existência de agentes microbiológicos patogénicos que pudessem apresentar um risco para a saúde humana.

O trabalho de investigação também procurou abordar a relação entre os materiais constituintes da obra em estudo e os micro-organismos isolados e identificados.

4.2. Materiais e metodologia