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Les révolutions et la récupération parlementaire de la souveraineté

souveraineté absolue

4) Les révolutions et la récupération parlementaire de la souveraineté

É corrente afirmar-se que “…o turismo é um sector económico de vocação essencialmente privada” (Cavaco: 1999, 281). As organizações ligadas ao turismo natureza, incluindo o alojamento, a restauração e outros serviços, estão geralmente na posse de privados (Sharpley e Sharpley: 1997, 69-85). Em Portugal também é essa a situação recorrente, bastará atentar ao universo do turismo em espaço natureza.

De acordo com o quadro 3.14, a maioria destas unidades pertencem a um só indivíduo e são exploradas pelo proprietário, que normalmente também é o responsável pelo funcionamento das mesmas.

Quadro 3.14 - Proprietários e formas de exploração dos alojamentos turísticos em espaço natureza Propriedade das unidades

Um indivíduo 65,5%

Uma sociedade familiar 33,1%

Uma sociedade não familiar 1,4%

Explorações das unidades

Proprietários 96,7%

Arrendatários 2,0%

Comodatários 1,3%

Responsável pela unidade

Proprietário 95,7%

Arrendatário 2,0%

Comodatário 2,0%

Assalariado 0,7%

Fonte: Adaptado de IUTER (2001).

Como consta do quadro 3.15, a maioria das unidades de alojamento é gerida por indivíduos nascidos nas regiões onde se localizam as próprias unidades, à excepção do Alentejo onde cerca de ¾ das casas estão a cargo de forasteiros que são maioritariamente originários da região de Lisboa e Vale do Tejo. Por outro lado e particularmente em Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e no Alentejo é significativo a grande presença de estrangeiros, alguns dos quais filhos de emigrantes portugueses.

Quadro 3.15 - Região de origem dos proprietários Região de Origem do

Proprietário T.E.R.

Região de Unidade T.E.R.

Norte Centro Lisboa e Vale do Tejo

Alentejo Algarve Estrangeiro

Norte 85,1% 2,7% 9,5% 0,0% 0,0% 2,7%

Centro 10,7% 64,3% 21,4% 0,0% 0,0% 3,6%

Lisboa e Vale Tejo 0,0% 12,5% 75,0% 0,0% 0,0% 12,5%

Alentejo 5,9% 5,9% 52,9% 23,5% 0,0% 11,8%

Algarve 0,0% 0,0% 25,0% 0,0% 50,0% 25,0%

Fonte: Adaptado de IUTER (2001).

A mesma fonte permite ainda constatar que em Portugal (50,3%) dos responsáveis pelas unidades de alojamentos turísticos em espaço natureza são do sexo feminino. Este valor traduz o dinamismo e o protagonismo que as mulheres portuguesas vêm detendo nas actividades de acolhimento turístico em espaço natureza, uma situação que é, de resto, comum a muitos outros países (Valiente e Garcia Ramon: 1995; Bouquet e Winter: 1987). A taxa de mulheres na titularidade dos estabelecimentos de turismo natureza prende-se, inquestionavelmente, com o facto de um grande número de tarefas, directa e indirectamente ligadas ao acolhimento e atendimento de turistas se inscreverem numa linha de continuidade. Esta natural predisposição das mulheres para estas tarefas resulta dos padrões vigentes da divisão do trabalho por sexos que ao longo dos séculos lhes tem sido atribuído quase a título de exclusividade (Ribeiro: 2003, 211). Por outro lado, a maioria dos responsáveis dos alojamentos em turismo natureza possui entre os 45 e os 60 anos e detém formação académica superior, de acordo com os quadros 3.16 e 3.17.

Quadro 3.16 - Idade dos responsáveis

Idade do responsável Número relativo

<45 Anos 29,1%

45 a 60 Anos 39,2%

>60 Anos 31,8%

Quadro 3.17 - Habilitações académicas dos responsáveis

Grau académico Número relativo

4ª Classe 6,0%

9ª Ano 15,4%

12º Ano 22,8%

Ensino Superior 55,7%

Para além das funções desempenhadas nas casas, muitos são os responsáveis que também exercem uma outra actividade profissional que, em muitos casos, corresponde às respectivas habilitações académicas – ver quadro 3.18.

Quadro 3.18 - Profissão do responsável

Categoria Profissional Número Relativo

Profissões Intelectuais e Científicas 51,9%

Agricultores e Criadores de Animais 20,8%

Pessoal do Comércio e Vendedores 14,3%

Directores e Quadros Superiores Administrativos 5,2%

Pessoal de Serviços 3,9%

Pessoal Administrativo e Similar 2,6%

Trabalhadores da Produção 1,3%

Fonte: Adaptado de IUTER (2001).

Com efeito, mais de metade dos indivíduos exerce profissões intelectuais e científicas, sendo os agricultores e os criadores de animais a segunda categoria com maior representação. Esta segunda referência remete-nos para a complementaridade entre o turismo e a agricultura e que de certo modo traduz o peso relativo do Agro-Turismo em Portugal no conjunto das modalidades afectas ao turismo natureza isto é (15,7%).

Refira-se que (36,9%) dos responsáveis dos alojamentos turísticos em espaço natureza detinham conhecimentos prévios da actividade turística antes de a exercer, sendo que a grande maioria iniciou a sua actividade turística entre 1990 e 2001, como se pode constatar no quadro 3.19.

Quadro 3.19 - Data de entrada na actividade

Período temporal Número relativo

Até 1983 7,3%

De 1984 a 1989 17,8%

De 1990 a 1994 35,9%

De 1995 a 2001 38,7%

Fonte: Adaptado de IUTER (2001).

A segmentação dos proprietários elaborada por Ribeiro (2003, 208-210) a propósito do espírito com que os promotores desenvolvem as suas actividades é particularmente importante. Este autor refere que por um lado existe uma parcela de indivíduos que enveredou por esta actividade na perspectiva da recuperação do património arquitectónico, apresentando uma atitude claramente reactiva face ao mercado em razão do seu pequeno espírito empresarial. Por contrapartida dos demais que procederam à recuperação do património, com o óbvio intuito de criar um negócio rentável e que, por isso, apresentam uma atitude muito pró-activa face à procura.

Estas duas estratégias de ingresso na actividade e de atitude face ao mercado caracterizam os distintos agentes envolvidos na promoção do sector.

A maioria dos proprietários, que têm entre 45 e 60 anos e formação superior, exerce uma profissão intelectual ou cientifica paralela à actividade de gestor na sua unidade de alojamento turístico. Grande parte da razão para a existência destas unidades de alojamento resulta do aproveitamento de imóveis e outras estruturas físicas pertencentes às famílias. Possuem, em resumo, características similares às apontadas por Moreira (1994) num estudo sobre o sector, efectuado nos finais da década de 1980, como sejam um grau académico superior e um elevado padrão sócio-económico (Silva, L.: 2006).

No turismo em espaço natureza, bem como nas actividades de lazer e desportivas que lhe estão associadas, foram sobretudo as famílias com posições fundiárias dominantes e com patrimónios marcantes ao nível local, que beneficiaram das políticas de apoio estatal. No entanto, em muitas regiões os agricultores retraíram-se, pois desagradava-lhes a ideia de partilhar as suas vidas com estranhos. Este afastamento não foi, contudo, a regra em muitas zonas de Itália, Grécia e mesmo em Espanha (Navarra e País Basco) onde os agricultores se envolveram com sucesso no turismo rural (Baptista: 2003).

Capítulo 4 . Variáveis condicionantes do sucesso

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