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Résultats qualitatifs : Une analyse morphologique de la démarchedémarche

tir de la démarche

3.5 Évaluation des performances

3.5.1 Résultats qualitatifs : Une analyse morphologique de la démarchedémarche

Cumpre agora distinguir o outro estrato do problema, o do(s) objectivo(s) e da(s) formalidades que se propõe uma presunção, problema, aliás, umbilicalmente conexo com o primeiro, da estrutura da presunção. É sabido que a finalidade primordial da norma que contém uma presunção de laboralidade será a de facilitar a prova de um facto, ou melhor, a prova dos elementos que preenchem a noção de contrato de trabalho. Todavia, importa compreender quais as razões que estão por detrás deste ensejo de facilitar a prova da existência de uma relação de trabalho subordinado.

Em primeiro lugar, tem sido sustentado que a existência de uma presunção legal de laboralidade poderá constituir uma solução adequada para travar as relações de trabalho subordinado dissimuladas sob a capa de contratos de prestação de serviço ("falsos recibos verdes")7. A verdade é que já há muito vem sendo reconhecido e consolidado um expediente de índole jurisprudencial para travar esse fenómeno: o da prevalência da fase executiva na tarefa de interpretação-qualificação, o primado da realidade para utilizar uma expressão cara na doutrina e jurisprudência latino-americanas. A atitude dos nossos tribunais em fazer prevalecer, na tarefa de interpretação-qualificação, a fase executiva em detrimento do momento declarativo reflecte justamente a suspeição qualificada quanto a existência de fenómenos simulatórios neste domínio. As limitações de um expediente como este são, como é bom de ver, o facto de apenas ser accionado a posteriori, normalmente, naquelas hipóteses em que é posto um termo à "falsa" relação de trabalho autónomo e em que, numa percentagem diminuta dos casos, o "prestador do serviço" recorre aos meios judiciais8. Ora, parece-nos que neste aspecto, a presunção de laboralidade também conhecerá as mesmas limitações.

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Neste sentido, veja-se o teor do Livro Branco das Relações Laborais (pág. 101) e a referência que aí é feita à Recomendação n.º 198, da OIT, de 2006, segundo a qual a consagração de uma presunção legal surge, inequivocamente, como um meio destinado a facilitar a determinação da existência de uma relação de trabalho dependente. Trata-se de um dos maiores problemas de (in)efectividade do direito do trabalho. Para uma indicação exemplificativa de outras áreas onde o problema se coloca, vide ANTÓNIO MONTEIRO FERNANDES, "L'effetività nel diritto del lavoro: il caso portoghese", Rivista Italiana di Diritto del Lavoro, ano XXV, n.º 1, 2006, pág. 10 e ss. O Autor refere nomeadamente o problema dos falsos acordos revogatórios, ocultando genuínos despedimentos, e o falso trabalho autónomo. GIUSEPPE CRICENTI, I contratti in frade alia

legge, Giuffrè, Milano, 1996, pág. 223 e ss., identifica como áreas nucleares da ilusão da disciplina jus-laboral:

os fenómenos de interposição; os contratos de formação; os grupos de sociedades; as transmissões de estabelecimentos; e o contrato de trabalho a termo.

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Como bem observa PIETRO ICHINO, "L'Inderogabilità ed effettività della norma nel mercato dei lavoro

bipolare", Rivista Italiana di Diritto dei Lavoro, ano XXVII, n. 0 3, 2008, pág. 410, os trabalhadores são muitas

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Em todo o caso, é com agrado que vemos um reforço do aparelho sancionatório em matéria de trabalho dissimulado introduzido pelo novo Código: a aplicação de uma contra-ordenação muito grave em caso de falso trabalho autónomo e a privação temporária de direito a subsídio ou beneficio outorgado por entidade ou serviço público em caso de reincidência no ocultamento da relação de trabalho subordinado. Estes dois aspectos poderão ter um efeito, digamos, dissuasor junto dos empresários. Já o regime de responsabilidade solidária entre sociedades que se encontrem numa forma de coligação intersocietária merece, da nossa parte maiores reservas.

O segundo objectivo a alcançar através da presunção de laboralidade será o de facilitar a operação qualificativa nas chamadas "zonas cinzentas" entre o trabalho autónomo e o trabalho subordinado. Até 2003 era o método indiciário que fornecia uma alternativa para temperar essas dificuldades. Tratava-se de um método que fornecia uma ampla margem de maleabilidade ao julgador na operação qualificativa, o que, de certa forma, merecia algumas críticas pelo subjectivismo e insegurança que produzia. A presunção legal de laboralidade - ao cristalizar alguns indícios num preceito legal- constituiria um factor de unidade e estabilidade nessa operação qualificativa. Também quanto a este aspecto temos algumas reservas. Primeiro porque a percepção global que temos é a de que o método indiciário era usado nos nossos tribunais com relativa sensatez e prudência, Depois ele oferecia vantagens que se desvanecem com a presunção: permitir uma análise de cada indício isoladamente, e de todos os indícios, de forma contextualizada, atendendo à situação concreta em análise. A presunção legal, pelo contrário, aproximar-se-á mais do esquema conceitualista de um método subsuntivo, método que a doutrina e a jurisprudência tinham tomado por desadequado à operação de qualificação em sede laboral.

Uma última nota. Dentre as finalidades reconhecidas à existência de uma presunção legal de laboralidade avulta ainda a ideia de que aquela pode constituir uma técnica pré-determinada a expandir o âmbito de aplicação da normatividade laboral. A técnica da presunção - dependendo, claro, dos termos em que for formulada - poderia constituir um percurso intermédio para alargar o âmbito da normatividade laboral a um certo tipo de trabalhadores independentes, não "subordinados", mas funcionalmente integrados nos ciclos produtivos das empresas. Trata-se de relações de colaboração pessoal, de natureza continuada, em regime de exclusividade ou quase exclusividade, em que aquele que presta o seu trabalho não dispõe, na maioria das vezes, de

preferem renunciar à protecção que lhes é devida. O receio de que possam vir a ser prejudicados nas possibilidades de trabalho futuro, o sentimento moralmente desconfortável de "dar o dito pelo não dito", sobretudo no sector das pequenas empresas, são algumas das razões que explicam a tendencial inércia junto das instâncias judiciais.

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Doutrina

qualquer organização de meios relevante, de tão inserido e dependente economicamente que se encontra da empresa que serve9. Ora, atenta formulação da presunção contida na actual redacção do art. 12.º, do CT, estamos em crer que essa preocupação não terá merecido particularmente a atenção do nosso legislador, uma vez que os elementos ou factos-base da presunção se identificam com os indícios sintomáticos de existência da tradicional subordinação jurídica10.